SYNÉSIO BARBOSA DE MELLO, aos 90 anos de idade

Com tristeza que comunicamos o falecimento ontem, dia 26.03.2025, em Santos-SP, do ibateano SYNÉSIO BARBOSA DE MELLO, aos 90 anos de idade. Synésio estudou no Ibaté de 1950 a 1955. Sua Ordenação Presbiteral ocorreu em 08.07.1962. Exerceu o sacerdócio na Paróquia Santo Afonso, no bairro do Ipiranga em São Paulo. Após alguns anos deixou o sacerdócio para se dedicar a trabalhos pastorais como leigo. Construiu uma bela família, com 4 filhos e 10 netos. Mais um pedaço de nós que foi para a Casa do Pai.
ECONOMIA – Se cumprir meta climática, Brasil não precisará importar petróleo, nem explorar Foz do Amazonas

A Petrobras alega que o Brasil precisará importar petróleo em 10 anos se não descobrir novas reservas na Foz do Amazonas. Mas análise exclusiva da InfoAmazonia mostra que, se o país cumprir suas metas climáticas, as reservas já provadas duram até pelo menos 2039. A informação é de Leandro Barbosa e Fábio Bispo, publicada por InfoAmazônia, 25-03-2025. “A gente pode voltar a ser importador de petróleo em 2034, 2035”, afirmou a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, em 24 de outubro do ano passado, em evento no Rio de Janeiro, afirmando que novas descobertas na bacia da Foz do Amazonas seriam imprescindíveis para o país não precisar importar petróleo em 10 anos. A declaração ocorreu em meio ao aumento da pressão política do governo federal e da estatal para avançar na perfuração do bloco 59, área oficialmente delimitada que é o principal alvo para exploração da região. Apenas alguns dias depois da declaração de Anjos, em 29 de outubro, os técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) recomendaram, pela segunda vez, a rejeição do licenciamento ambiental (A licença ambiental é uma autorização do governo para empreendimentos e projetos que tenham possível impacto ambiental, garantindo a redução dos danos. No Brasil, é concedida pelo Ibama e entidades locais) do projeto. A estatal não desistiu e pediu reconsideração da negativa do Ibama. Com o presidente Lula (PT) se manifestando a favor do petróleo na Foz do Amazonas, e a possibilidade de uma nova negativa do Ibama para o licenciamento do bloco 59, o discurso agora é de que a atividade petrolífera na costa amazônica tem que acontecer “para financiar a transição energética”. A InfoAmazonia analisou a dependência brasileira do petróleo em cinco possíveis cenários futuros de demanda pelo combustível e das reservas encontradas, buscando entender os argumentos de quem defende a exploração nessa área ambientalmente sensível da costa brasileira. Sem a exploração da Foz do Amazonas, as reservas de petróleo do país acabarão em 10 anos? Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Trabalho: a maldição das zonas cinzentas

Agora, o capital não se limita a informalizar. Mesmo as ocupações “com carteira” são precárias: prontidão sem fim, tarefas em casa, trabalho não pago, insegurança constante. Para um contra-ataque, é preciso recalibrar conceitos – e lutas! Por Tiago Magaldi e Matheus Silveira de Souza A ofensiva capitalista das últimas décadas tem produzido transformações profundas no mundo do trabalho, das quais a flexibilização das leis trabalhistas são a principal expressão. Levada a cabo seja com o auxílio entusiasta de governos aliados, seja a contragosto por governos que se dizem progressistas, nos últimos anos o capital e seus prepostos atuaram agressivamente para reorganizar o mundo conforme o seu espírito mais recente. No Brasil, a Lei 13.467/2017, assinada a golpes de mesóclise pela elegante caneta de Michel Temer, é o melhor exemplo do primeiro caso; o PLP 12/2024, proposto pelo atual governo Lula, que visa regulamentar o trabalho de motoristas subordinados a aplicativos, o é do segundo. A “uberização” é fruto reluzente dessa ofensiva. Embora apresente várias facetas, ela significou, sobretudo, a instituição de novas formas de controle e a atualização de velhas formas de organização. Se a “flexibilização” havia se tornado palavra de ordem onipresente no mercado de trabalho a partir da década de 1970, essas mudanças foram hoje cristalizadas na rotina dos trabalhadores, ganhando fôlego renovado com o fenômeno da plataformização. Nesse novo cenário, categorias de análise que nos ajudavam a compreender o universo laboral parecem, por vezes, não serem mais suficientes para explicar as relações sociais de trabalho reconfiguradas. O arcabouço teórico e o horizonte de proteção social que temos hoje têm por origem a chamada “regulação fordista”, que tinha por base a experiência do Estado de bem estar social dos países capitalistas centrais. A perspectiva do trabalho “livre”, mas protegido, é o alvo preferencial da blitzkrieg neoliberal da última década, em Estados do norte e do sul global. O Brasil, que buscou tardiamente estabelecer um Estado Social a partir da redemocratização na década de 1980, com a promulgação da Constituição de 1988, nunca entregou plenamente esse conjunto de direitos sociais à população. A noção de zonas cinzentas de trabalho, desenvolvida, entre outros, por Rizek1, Azais e Kesselman2, oferece uma análise mais precisa do conjunto de fenômenos explicitados por esse processo de desmonte, justamente por não se limitar a categorias binárias – formal ou informal, autônomo ou subordinado – para explicar o mundo do trabalho atual. O conceito de zonas cinzentas demonstra que há uma série de relações laborais surgidas nas últimas décadas que correm por dentro e por fora da regulação estatal, desafiando o arcabouço teórico criado tendo o fordismo como horizonte. É importante ressaltar que mudar os termos da interpretação do fenômeno não significa renunciar ao horizonte de proteção social construído no último século; é evidente a importância desses direitos e garantias para a melhora das condições de vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Praticamente toda a literatura sociológica brasileira é unânime neste ponto. Entretanto, se a intervenção política eficaz exige uma leitura precisa da realidade, é importante termos à disposição categorias de análise finamente ajustadas às mais recentes transformações no mundo do trabalho. Fonte: Site OUTRASPALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui
ARTIGO – O Exílio Silencioso: A Memória e o Companheirismo dos Padres Afastados

Não se trata de rejeição, mas de um processo de reacomodação, de reconstrução de laços que foram enfraquecidos pelo tempo e pela distância. “Quem não é visto não é lembrado”. A máxima, cruel em sua simplicidade, ecoa nos corredores da memória daqueles que, por diferentes razões, se afastam de um grupo, de uma comunidade, de um ideal. No contexto específico dos padres que deixam o sacerdócio, essa frase ganha contornos ainda mais dramáticos, revelando um processo de exílio silencioso, onde a ausência física se traduz em um progressivo esquecimento. Ao optar por trilhar outros caminhos, seja por questionamentos vocacionais ou pela busca de novas experiências, esses homens abdicam não apenas de um cargo, mas de uma identidade construída ao longo de anos de dedicação. O lugar que antes ocupavam, outrora central em suas vidas, transforma-se em um vazio, um espaço que, aos poucos, é preenchido por novas presenças e novas dinâmicas. É natural que, nos primeiros momentos após o afastamento, os laços construídos durante o seminário e o exercício do sacerdócio ainda se mantenham vivos. Os antigos companheiros, movidos pela amizade e pela preocupação, buscam manter contato, atenuar a saudade e oferecer apoio. No entanto, a distância física impõe um desafio considerável à manutenção desses vínculos. Aos poucos, a frequência dos encontros diminui, as conversas se tornam mais espaçadas e a ausência, antes sentida como um incômodo, passa a ser tolerada, até mesmo naturalizada. O retorno, caso ocorra, também é permeado por estranhamento. A comunidade, habituada à ausência, precisa se readaptar à presença do antigo membro, o que pode gerar desconforto e hesitação. Não se trata de rejeição, mas de um processo de reacomodação, de reconstrução de laços que foram enfraquecidos pelo tempo e pela distância. Nesse contexto, a frase “quem não é visto não é lembrado” adquire um significado ainda mais profundo. Para aqueles que se afastaram, é fundamental reafirmar sua presença, mostrar que sua história de vida, suas experiências e seus valores ainda estão intrinsecamente ligados àquele grupo. No entanto, essa reaproximação deve ser pautada pelo respeito e pela humildade, evitando o narcisismo e buscando o verdadeiro companheirismo. A palavra “companheiro”, com sua origem no latim “cum pane” (aquele que come do mesmo pão), evoca a ideia de comunhão, de partilha, de união em torno de um objetivo comum. Os padres que compartilharam o mesmo altar, a mesma unção e o mesmo ideal, mesmo que trilhem caminhos diferentes, permanecem unidos por uma história em comum, por uma experiência que moldou suas vidas e que merece ser lembrada e valorizada. Portanto, é preciso romper o ciclo do esquecimento, cultivar a memória e fortalecer os laços de companheirismo. Que a ausência física não se traduza em um exílio definitivo, mas em uma oportunidade de reafirmar a importância da história compartilhada e de construir pontes que unam aqueles que, mesmo distantes, continuam a comer do mesmo pão, a beber da mesma fé. Padre Carlos Roberto – Bahia
ARTIGO – AGAR: TEOLOGIA NO DESERTO E NAS TENDAS PATRIARCAIS
Agar aparece nos textos pois tem um problema na tenda do patriarca Abraão. O problema de Abraão era a falta de “primogênito”. Apesar da promessa de Deus, o filho não chegou e a idade avançada de Sara parece encerrar as esperanças. Sem primogênito o clã não tem futuro. Seguindo os costumes do clã, Sara toma Agar, sua serva egípcia e a entrega a Abraão. Este a “possuiu” e Agar engravidou. Agar era estrangeira, de outra fé, de outro povo, escrava de Sara mulher de Abraão. Abraão deixa a Sara, a decisão sobre a vida da escrava, quando o ciúme explode e torna impossível a convivência das duas mulheres, na mesma tenda. Abraão, que não tinha escolhido ter filho com Agar, não se mete no conflito entre as duas mulheres. Deixa Sara decidir sobre a vida da escrava dela. E Agar foge por causa dos maus tratos de Sara. Foge para o único lugar possível: o deserto, lugar inóspito, onde se pode morrer, ainda mais sendo mulher e grávida. Nós aprendemos que o deserto é também lugar onde o povo encontra e experimenta a presença de Deus que o conduz. Isso acontece com Agar, escrava, estrangeira, fugitiva, oprimida. Agar, antes do povo, experimenta o deserto como lugar do encontro com um Deus que se preocupa com ela e com a vida que ela carrega e lhe ordena de voltar. Deus lhe confirma que terá um filho e será ela, a mãe a dar o nome ao menino: Ismael, porque “Javé ouviu tua aflição”. Mais ainda: Agar recebe a mesma promessa feita a Abraão: uma descendência que ninguém poderá contar! Agar decide voltar para a tenda de Sara, mas antes faz outro gesto: ela dá o nome ao poço onde o encontro com a divindade aconteceu e mudou seu destino e do filho. “E ela chamou o nome de Iahweh com quem ela falava: “Tu és Deus que me vê; por que disse: Aqui eu vi aquele que me vê (Gn 16,13). Dar o nome é tomar posse. Agar, aqui, se torna chefe de um grupo e dona de poço e revela quem é o Deus que a encontrou: Aqui eu vi aquele que me vê! Resumindo e destacando: Agar recebe a promessa de uma descendência; Agar sabe que Deus escutou sua aflição; Agar aceita Deus que a manda voltar, para que o menino viva e tenha futuro, mas será ela a decidir sobre o menino. Agar sabe que Deus a viu e a visão é recíproca: Deus e Agar se “veem”. O poço, indispensável à vida de um grupo, no deserto, se torna lugar sagrado pelo nome que Agar dá, testemunha do encontro dela com Deus! Deserto, poço, promessa, mãe, filho, Deus que vê e escuta quem era na opressão. Todos estes elementos fazem de Agar, escrava, estrangeira, de outra fé, na beira da morte, uma matriarca do mesmo tamanho de Abraão e Sara! Esta a memória que o livro registra. As memórias de Agar e seu menino continuam: mais tarde, para que Ismael não ameace a primogenitura e a herança de Isaac, Abraão vai afastar Agar e o filho, dando-lhes somente um odre de água e um pouco de pão. Em Bersabeia (extremo Sul de Canaã) ela, mais uma vez, experimenta que “Deus ouve o grito do pequeno” (Gn 21,17): o grito que ela não teve coragem de ouvir. “E ouviu Deus a voz do menino, e bradou o anjo de Deus a Agar desde os céus, e disse-lhe: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino desde o lugar onde está” (Gn 21,17). Mais uma vez Agar, esta mãe na beira da morte, ganha a estatura das grandes figuras do povo de Deus, capaz de reconhecer e acreditar no Deus que vê, Deus que ouve o grito, mesmo que seja o choro frágil de um menino que está morrendo de fome e de sede. Quem nos revela isso é Agar. Séculos mais tarde, essa verdade será assumida pelo Êxodo (2,22; 3,7), no relato do encontro de Moisés com Deus no deserto, ao redor de uma sarça. Gosto de pensar e afirmar que a memória da vida e da história de Agar resistiu às areias do tempo, à dureza de muitas opressões e, quando o povo está no sofrimento e na morte, aflora de novo: “Os egípcios nos maltrataram e nos afligiram e impuseram sobre nós uma dura servidão. Então clamamos a Iahweh Deus de nossos pais; e Iahweh ouviu a nossa voz e atentou para a nossa miséria e para o nosso trabalho e para a nossa opressão. E Iahweh nos tirou do Egito com mão forte e com braço estendido e com grande espanto, com sinais e com milagres” (Dt 26,6-8). Esta era a memória e motivação profunda que devia garantir uma nova sociedade (Dt 5,15) e que devia ser ensinada, de pai para filho, de geração em geração (Dt 6,20-24). Para que o povo não voltasse nunca mais à terra da servidão. O conhecimento de Iahweh veio de fora, veio das últimas, veio das e dos que foram excluídos da tenda de Abraão: veio de Agar que o transmitiu a Ismael. Antes de ser o Deus de Israel, Iahweh foi o Deus de Ismael e depois de Esaú, ambos afastados para longe para não atrapalhar a bênção dos eleitos; assim como foi afastado Madiã, o meio irmão de Ismael, filho de Abraão e de Quetura, outra concubina de Abraão (Gn 25, 1-6). E será justamente nas terras de Madiã, ao sul do deserto de Farã, que Moisés, escutará e aprenderá que o nome de Deus é o que Agar já tinha revelado: Deus que me viu, Deus que ouviu o lamento do menino: Javé! (Ex 3,6s). Mas não vamos antecipar a história e compactar os séculos. Quero ficar com Agar e deixar uma suspeita: quantas jovens mulheres, vendidas, escravizadas, usadas e descartadas Agar representa? As duas memórias que o livro nos traz, me fazem pensar que,
RELIGIÃO – 45 anos do martírio de Óscar Romero e uma Igreja em libertação. Artigo de Gabriel Vilardi

Ao canonizar Dom Óscar Romero, o Papa Francisco indicou para toda a Igreja o exemplo e o testemunho deste mártir latino-americano, brutalmente assassinado há 45 anos, em 24-03-1980. A despeito das estruturas clericais que tendem sempre a controlar e a “domesticar” tantas figuras radicais no seguimento de Jesus, São Romero não pode se tornar apenas mais uma festa litúrgica no calendário romano. O artigo é de Gabriel dos Anjos Vilardi, jesuíta, bacharel em Direito pela PUC-SP e bacharel em Filosofia pela FAJE. É mestrando no PPG em Direito da Unisinos e integra a equipe do Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Eis o artigo. Em uma realidade ferida por tantas crises e extremismos, guerras e extermínios, neocolonialismos e neoimperialismos, big techs e discursos de ódio, o mundo está carente de testemunhos que inspirem esperança e confiança noutros caminhos possíveis. No lugar de Trump, Musk e Netanyahu e seus massacres, xenofobias e autoritarismos sem fim é preciso recordar as inúmeras pessoas que deram e dão a vida pela justiça social, pela proteção da Casa Comum, pela libertação dos marginalizados. Entre elas, São Óscar Romero, o bispo que não se calou diante da barbárie. Neste tempo quaresmal, os ensinamentos paulinos são bastante claros: “não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito” (Rm 12, 2). Imprescindível voltar a essa admoestação, especialmente aqueles que insistem em querer transformar o seguimento cristão num devocionismo vazio e num ritualismo intimista. Dom Romero mostrou que o caminho do discipulado é muito mais do que deturpadas práticas egoístas e autocentradas. “Ninguém é tão livre como o que não está subjugado ao deus dinheiro”, asseverou o bispo-mártir, “e ninguém é tão escravo como o idólatra do dinheiro” [1]. O arcebispo de El Salvador ficaria horrorizado com o que se tornou o país sob a presidência de Nayib Bukele, um regime de direita fundado no populismo penal e no encarceramento em massa. Recentemente o Estado centro-americano recebeu migrantes venezuelanos deportados dos Estados Unidos, na megaprisão nomeada Centro de Confinamento de Terroristas. No acordo Trump-Bukele o país receberá migrantes em seus cárceres, em troca de 20 mil dólares por cada um ao ano. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
RELIGIÃO – Hünermann: as mulheres devem finalmente entrar no clero

Na Igreja Católica alemã, o diaconato das mulheres é uma questão há anos. Peter Hünermann, ex-professor de dogmática em Tübingen, vem defendendo isso veementemente há muito tempo. E ele não se contém nas críticas. Em uma entrevista ao katholisch.de, ele explica o porquê. A reportagem é de Madeleine Spendier, publicada por Katholisch.de, 18-03-2025. Peter Hünermann é considerado um dos mais importantes teólogos alemães. De 1971 a 1982, o padre, hoje com 96 anos, ensinou dogmática na Universidade de Münster e depois na Universidade de Tübingen até sua aposentadoria em 1997. O ex-professor de dogmática vem defendendo o diaconato das mulheres há décadas. Em uma entrevista ao katholisch.de, ele explica seus motivos. Eis a entrevista. Professor Hünermann, o senhor testemunhou o Concílio Vaticano II e também a introdução do diaconato permanente para os homens. De acordo com o direito canônico, a ordenação ainda é reservada apenas aos homens… Não acredito que seja a vontade de Deus. Então seu desejo seria que as mulheres se tornassem diaconisas? Sim, as mulheres devem ser ordenadas como diáconas. Este ofício sacramental deve finalmente ser aberto às mulheres. Estamos esperando por isso há muito tempo. Eu sei que as decisões da igreja são processos lentos. É preciso muita paciência. O argumento de que Jesus chamou apenas homens para serem apóstolos é repetidamente apresentado… Isso é simplesmente errado. Por exemplo, Jesus também chamou Júnia e Maria Madalena para serem apóstolas, testemunhas da ressurreição. Eles são mencionados pelo nome no Novo Testamento. Os ofícios pós-apostólicos na Igreja surgem do trabalho dos apóstolos. Portanto, é justo esperar que as mulheres ocupem cargos na Igreja na sucessão dos apóstolos. É simplesmente errado que os homens de hoje na igreja não queiram ver isso. Quando a Hagia Sophia, a catedral de Constantinopla, foi concluída no século VI, 56 diaconisas pertenciam ao clero da catedral. Você diz que as mulheres devem estar no clero? Sim, as mulheres podem ser clero. É tolice ainda excluir as mulheres deste ofício eclesiástico hoje em dia. Não há fundamento teológico ou bíblico contra isso. Você consegue entender que é exaustivo para as mulheres ouvir argumentos contra a ordenação de mulheres repetidamente? Sim, eu sei sobre isso. Essas relações de poder foram estabelecidas ao longo de cerca de dois mil anos desde a antiguidade. Você só pode alterá-los passo a passo. Há uma eremita que disse em uma entrevista que gostaria de celebrar a Eucaristia e dizer as palavras de consagração. O que você acha disso? O fato de ela ser mulher não é contra isso. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
SOCIEDADE – Caso Mahmoud Khalil: Trump quer seu Vietnã? Artigo de Bruno Huberman

Ameaça de deportação do ativista, que aderiu aos atos pró-Palestina, expõe nova onda repressora – que agora caça imigrantes e opositores ao genocídio de Israel. Assim como em 1968, a resistência cresce. Naquela guerra, EUA perderam no “front interno”. O artigo é de Bruno Huberman, publicado por blog da Boitempo, 20-03-2025. Bruno Huberman é professor de relações internacionais da PUC-SP, onde é vice-líder do Grupo de Estudos de Conflitos Internacionais. Integrante do INCT/Ineu, atualmente desenvolve pesquisa de pós-doutorado pelo Programa San Tiago Dantas e é autor de Colonização neoliberal de Jerusalém (Educ, 2023). Eis o artigo. Donald Trump assumiu a presidência dos EUA, há aproximadamente dois meses, com uma nova abordagem para a questão Palestina/Israel. Implementou um cessar-fogo antes mesmo da posse e prometeu uma limpeza étnica completa dos palestinos da Faixa de Gaza para a sua reconstrução como um resort de luxo. Na “Trump Gaza” dos seus sonhos, o dinheiro cai do céu na cabeça de Elon Musk e Trump partilha um drink com Benjamin Netanyahu à beira de uma piscina, como demonstra o seu vídeo promocional. O governo de Israel chegou a abrir um gabinete para planejar a expulsão dos palestinos. Contudo, o plano não deu certo. Jordânia e Egito, apresentados como os destinos dos palestinos, rejeitaram receber os refugiados mesmo sob pressão estadunidense e promessas de alívio da dívida externa e novos investimentos estrangeiros. Os líderes árabes sabem que até podem ignorar a Questão Palestina, mas colaborar com Israel para facilitar a limpeza étnica é uma linha vermelha que não ousaram cruzar. Diante da recusa, Trump e Netanyahu consultaram países africanos envolvidos em guerras civis — Sudão, além de Somália e Somalilândia. Também sem sucesso. Em paralelo, Trump abriu negociações diretas com representantes do Hamas, emulando o modelo que tem usado na Ucrânia, onde dialoga diretamente com o presidente russo Vladimir Putin. Essa foi a primeira vez que os EUA negociaram com representantes do povo palestino sem a participação de israelenses. As ações de Trump demonstram como Ucrânia e Israel não passam de joguetes estadunidenses no enfrentamento à Rússia, na Europa Oriental, e ao Eixo da Resistência, no Oriente Médio. Ambas as regiões possuem recursos naturais, rotas comerciais e infraestruturas energéticas que são estratégicas na disputa entre EUA e China. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
ARTIGO – ENTRE LIBERDADE E SEGURANÇA
No início todos são inocentes. Nascemos inocentes, puros, livres. Depois perdemos a inocência, a pureza, a liberdade. Aí recuperar e conservar a liberdade será uma luta. Ao contrário da escravidão, a liberdade necessita de segurança. Os laços relacionais adquiridos numa comunidade oferecem esta segurança. Bauman mostra isto narrando as histórias de Dântalo e Adão e Eva. Tudo vai bem até eles tomarem decisões. O desejo do poder contaminou e destruiu a inocência original. Buda já alertava que o desejo é um perigo. Devemos ser o que somos. O desejo nos leva para o que sonhamos. Viviam numa comunidade (paraíso), convívio (festa). Tinham recebido tudo, mas queriam mais. A punição veio em seguida. Viver do próprio trabalho e nunca saciar a fome e a sede. A transgressão afastou do aconchego comunitário, do círculo amoroso, da segurança. Isto custou caro e nunca mais foi recuperada a inocência original. O referencial para viver a liberdade e a segurança é a comunidade, o círculo aconchegante (Rosemberg,B.24), mas nela deve existir “um entendimento compartilhado por todos os seus membros” (Tonnies,B.15). Tudo indica que a ruptura do círculo amoroso humano do círculo amoroso divino (paraíso bíblico e deuses gregos) se deu no uso da liberdade como busca do desejo do poder. As consequências foram desastrosas. A sociedade vive no conflito entre liberdade e escravidão, segurança e violência. Como liberdade e segurança são características fundamentais da vida, há uma necessidade urgente da busca do entendimento compartilhado. Isto é possível com a recriação do espírito comunitário, da liberdade solidária, da volta ao círculo amoroso divino. Fortaleza, 11.02.2025 Ozanir Martins Silva (Nossa Senhora de Lourdes).
MUNDO – Política global de drogas: saúde, não guerra

Na 68ª sessão da Comissão de Narcóticos da ONU, a América Latina brilhou: com suas propostas e exemplos, Colômbia, Brasil e Uruguai mostraram que só uma abordagem baseada na saúde pública, e não na violência, faz uma boa política de drogas Por Cláudia Braga, para a coluna Cuidar das pessoas, cuidar das cidades Aconteceu em Viena, entre os dias 10 e 14 de março de 2025, a 68ª sessão da Comissão de Narcóticos (Commission on Narcotic Drugs – CND), órgão da ONU responsável pela formulação de políticas relacionadas às drogas. A CND serve como fórum global para discussões e formulações de respostas aos desafios relacionados às drogas, abrangendo desde organizações e economias ilícitas até os impactos na vida das pessoas afetadas pelo tráfico e pelo uso de substâncias. Nas sessões anuais, os Estados-membros da ONU, incluindo o Brasil, estabelecem compromissos internacionais que influenciam mudanças nas legislações e políticas públicas nacionais — daí a importância de acompanhar as decisões tomadas nesse espaço. A 68ª CND foi histórica devido ao ineditismo de algumas resoluções adotadas e ao próprio processo de aprovação, com todas sendo submetidas à votação em um ambiente onde a norma é buscar o consenso — prática conhecida como “espírito de Viena”. Mais uma vez, os EUA desafiaram o multilateralismo, levando blocos de países que historicamente se opõem devido a divergências em políticas de drogas a votarem juntos. Entretanto, não foi apenas por isso que essa CND foi histórica. As intensas trocas entre países e sociedade civil nos eventos paralelos à plenária, compartilhando inovações e discussões locais e demandando transformações, direcionaram novos rumos para refletir sobre políticas de drogas e redução de danos, a partir de uma perspectiva do Sul Global. A guerra às drogas afeta desproporcionalmente pessoas e países. Se é verdade que boas e efetivas respostas para políticas públicas são aquelas que dialogam com os problemas e necessidades reais das pessoas, a formulação de novos entendimentos e respostas para políticas de drogas só pode vir dos países do Sul mais afetados pela política de guerra às drogas. E é o que parece estar acontecendo, como mostrou a atuação das delegações do Brasil, da Colômbia e do Uruguai. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui