Ameaça de deportação do ativista, que aderiu aos atos pró-Palestina, expõe nova onda repressora – que agora caça imigrantes e opositores ao genocídio de Israel. Assim como em 1968, a resistência cresce. Naquela guerra, EUA perderam no “front interno”.
O artigo é de Bruno Huberman, publicado por blog da Boitempo, 20-03-2025.
Bruno Huberman é professor de relações internacionais da PUC-SP, onde é vice-líder do Grupo de Estudos de Conflitos Internacionais. Integrante do INCT/Ineu, atualmente desenvolve pesquisa de pós-doutorado pelo Programa San Tiago Dantas e é autor de Colonização neoliberal de Jerusalém (Educ, 2023).
Eis o artigo.
Donald Trump assumiu a presidência dos EUA, há aproximadamente dois meses, com uma nova abordagem para a questão Palestina/Israel. Implementou um cessar-fogo antes mesmo da posse e prometeu uma limpeza étnica completa dos palestinos da Faixa de Gaza para a sua reconstrução como um resort de luxo. Na “Trump Gaza” dos seus sonhos, o dinheiro cai do céu na cabeça de Elon Musk e Trump partilha um drink com Benjamin Netanyahu à beira de uma piscina, como demonstra o seu vídeo promocional. O governo de Israel chegou a abrir um gabinete para planejar a expulsão dos palestinos.
Contudo, o plano não deu certo. Jordânia e Egito, apresentados como os destinos dos palestinos, rejeitaram receber os refugiados mesmo sob pressão estadunidense e promessas de alívio da dívida externa e novos investimentos estrangeiros. Os líderes árabes sabem que até podem ignorar a Questão Palestina, mas colaborar com Israel para facilitar a limpeza étnica é uma linha vermelha que não ousaram cruzar. Diante da recusa, Trump e Netanyahu consultaram países africanos envolvidos em guerras civis — Sudão, além de Somália e Somalilândia. Também sem sucesso.
Em paralelo, Trump abriu negociações diretas com representantes do Hamas, emulando o modelo que tem usado na Ucrânia, onde dialoga diretamente com o presidente russo Vladimir Putin. Essa foi a primeira vez que os EUA negociaram com representantes do povo palestino sem a participação de israelenses. As ações de Trump demonstram como Ucrânia e Israel não passam de joguetes estadunidenses no enfrentamento à Rússia, na Europa Oriental, e ao Eixo da Resistência, no Oriente Médio. Ambas as regiões possuem recursos naturais, rotas comerciais e infraestruturas energéticas que são estratégicas na disputa entre EUA e China.
Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos
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Uma resposta
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