Decisões da Assembleia Geral Ordinária do Encontro Nacional de São Luís, MA, 2002
DECISÕES, SUGESTÕES E COMENTÁRIOS APRESENTADOS NA ASSEMBLÉIA GERAL ORDINÁRIA DA ASSOCIAÇÃO RUMOS (AR) São Luís, MA, 13 e 14 de Julho de 2002 OBS: O QUE ESTÁ EM NEGRITO FOI APROVADO PELA ASSEMBLÉIA POR MEIO DE VOTAÇÃO, TORNANDO-SE NORMA A SER INSERIDA NA PRÓXIMA REVISÃO DO ESTATUTO. Sobre o MPC/AR: 1- Necessidade de reforçar o MPC/AR buscando uma maior participação dos padres casados, principalmente buscar trabalhar com os mais novos. 2- Organizar um “site” do MPC/AR na Internet. 3- Inserir o MPC em outros “sites” da Internet, como o Partenia e o Forum de SP. 4- Fortalecer a AR, promovendo o cadastramento de seus sócios e uma contribuição -Taxa Anual – para a manutenção da mesma e de seus objetivos. 5- Taxa Anual mínima proposta é de R$ 120,00, podendo ser paga parceladamente, com possibilidades de redução ou isenção para aqueles que realmente estejam impossibilitados e que solicitarem este benefício à Diretoria. 6- Os sócios em dia receberão automaticamente o Jornal Rumos. 7- Os grupos, em particular com a colaboração das mulheres, poderão contribuir com os Encontros Nacionais, vendendo artesanato ou outros artigos durante os Encontros. 8- Necessidade de um Fundo Financeiro para os Encontros, pois as inscrições e os patrocínios nunca são suficientes para cobrir as despesas, que não deve recair sobre os organizadores. 9- Organizar um novo catálogo dos padres casados, incluindo disponibilidade para hospedagem de colegas de outras cidades. 10- Formar uma Comissão para representar o MPC/AR junto à CNBB e outras organizações. 11- Fazer nova pesquisa entre os padres casados e suas famílias. 12- Encaminhar solicitação oficial da AR para a CNBB solicitando dados sobre os padres que se afastaram do ministério. 13- Pesquisar o que os padres casados e suas famílias estão fazendo, em nome do MPC ou não, nos vários movimentos sociais e organizações. 14- Formar uma comissão para revisar os Estatutos da AR e propor mudanças, se necessário, na próxima Assembléia Ordinária. 15- Promover a aproximação do MPC com outros movimentos afins, que buscam uma renovação da Igreja. 16- Participar do Fórum Social em Porto Alegre. 17- Criar um ‘folder’ para divulgação do MPC/AR. 18- Próximo Encontro Nacional (XV) e Assembléia Ordinária da AR no Estado de Goiás, se possível na cidade de Caldas Novas, em 2004/2005. 19- Aprovados o casal Jorge e Ziulma Ponciano Ribeiro (DF) para Presidente e os casais Gill Barreto Ribeiro-Alda Divina e Sérgio-Maria da Conceição Bernardoni (GO) para Vice-presidentes. Outros membros a definir em 60 dias, conforme os Estatutos. 20- O representante do Brasil no Encontro da Federação Internacional, Madrid, setembro de 2002, será Jorge Ponciano Ribeiro, que é também Secretário da Federação Latino Americana dos Padres Casados ficando aberta a possibilidade de outros interessados participarem também, até ao número de três. Francisco Muniz de Medeiros, de João Pessoa, mostrou-se interessado em participar e sua proposta foi aceita. 21- Apresentação da conclusão da reunião das mulheres presentes ao Encontro. 22- Aprovada a Carta de São Luís, do XIV Encontro Nacional do MPC. 23- Agradecimentos ao colega Frans Gistelinck que, a pedido do Presidente cessante João Tavares, conseguiu da Abadia Trapista de Westmall uma ajuda financeira importante para o XIV Encontro. Sobre o Jornal Rumos: 1- Apresentada a “Proposta de Renovação do JR (da equipe de SP – Conselho Editorial), pelo Francisco Resende, que serviu de base inicial para as discussões sobre o JR. 2- O JR deve manter-se como órgão representativo do MPC/AR, buscando divulgar a opinião dos seus membros sobre temas atuais e de interesse geral, sob a perspectiva da ética, da teologia, que possam contribuir para o crescimento do Reino de Deus. 3- O Jornal deve ser representativo do MPC para ‘dentro’ e para ‘fora’, mantendo a linha editorial, ampliando espaço para temas sócio-político-pastoral e para notícias e testemunhos dos vários grupos de Padres Casados nacionais e internacionais. 4- O JR é o carisma do MPC, e os padres casados devem assumi-lo como seu ministério, visando o leigo engajado e sua formação evangélica. 5- Reconhecimento de que no seu ‘todo’ a proposta de renovação do JR é riquíssima, principalmente a implementação do JR como porta-voz do MPC para o Povo de Deus. 6- O Jornal pode adotar uma linguagem mais acessível a outros leitores, facilitando um maior interesse por outros grupos e consequentemente uma maior divulgação. 7- O Jornal deve trazer questões políticas, não só, mas principalmente por ocasião de eleições e abrir espaço para discurso da geração de padres casados emergentes e para discurso feminino. 8- Vender ou distribuir o JR, nas Igrejas, para o Povo de Deus. 9- O J.R. continuará a ser editado e distribuído pelo grupo de São Paulo. 10- Formação de um Conselho Editorial Nacional, com participação de um membro do grupo de São Paulo, com participação preferencial de Teólogos e Jornalistas. Alguns nomes sugeridos: Eduardo Hoornaert (BA), Lauro Mota (CE), Felix Galvão(PE), Gil Barreto (GO), Luis Guerreiro (DF), dentre outros. 11- O JR deve ter um ‘ombudsman’. 12- Manter o expediente de assinaturas, exceto para os sócios do MPC/AR com o pagamento da taxa anual/mensal em dia. 13- Quanto às finanças, mais uma vez colocado que as assinaturas não sustentam o JR, sendo que o balancete deste período de 2 anos e meio, apresenta um saldo negativo de R$ 1.843,16 (até a edição 176), arcado majoritariamente pelo Mauro e a Regina e mais as despesas da Edição 175 (comemorativo dos 20 anos do Jornal) assumido pelo Francisco e Rosa Resende a alguns membros do Conselho Editorial. 14- Reforçada a necessidade dos sócios assumirem o financeiro do JR, como um órgão representante do MPC/AR, além de se buscar patrocínios e contribuições de Sócio Benfeitor. 15- O JR deve ter um diretor de ‘marketing’. 16- Muitos agradecimentos e reconhecimento pelo trabalho da equipe de São Paulo – Conselho Editorial do JR. Comunicações: 1- Frei Marcelino (CE) – existe jurisprudência que possibilita os padres que se afastam do ministério a pedirem indenização à Igreja, por tempo de serviço prestado no ministério. 2- Guerino (SP) – a CNBB tem um projeto denominado SIM
Ata da Reunião das Esposas dos Padres Casados no Encontro de São Luís, MA, em 2002
Um grupo de mulheres participantes do XIV Encontro Nacional do Movimento dos Padres Casados, realizado em São Luís, Maranhão, no dia 13 de julho se reuniram e discutiram e fizeram as seguintes considerações sobre o encontro, quanto os itens que se segue: 1- Sentimentos e observações das “mulheres” dos padres em relação a este encontro. # Um grupo de mulheres se sente marginalizada nas discussões do encontro, apontando como razões: – Temáticas e a dinâmica do encontro não proporcionaram uma vinculação do assunto tratado com o cotidiano/ síntese/ necessidades da família: relacionamento humano, droga, educação dos filhos, etc – Vergonha/ timidez – Sentimento de desigualdade em relação aos maridos, em decorrência de sua educação e até de suas prepotências. # Um outro grupo de mulheres não se percebe excluído das discussões e afirmam que se não manifestam não o fazem porque não querem ou porque estão satisfeitas como a temática vem sendo trabalhado eu ainda por elas mesmas não criaram espaços para tal. Registram ainda que: * Percebem haver uma grande ansiedade na maioria dos padres, em relação à Igreja e ao exercício ministerial. Os homens demonstram ainda com muito conflito em relação à questão: divórcio com o Vaticano. * Confirmaram a consciência de que nós mulheres de padres casados, somos junto com nossos maridos profetas de uma nova Igreja. * Reconheceram a importância da mulher no MPC, nas diferentes formas de participação: * Incentivando, acompanhando e criando condições de participação “somos sustentáculos desta causa”. 2- O que sugerem: a) Em relação aos próximos encontros maior envolvimento das mulheres nos encontros: preparação prévia, estudo, sugestões de temas. Encontros cuja dinâmica propicie espaços para discussões/ trocas de experiências entre os casais, conforme interesse das famílias. Fortalecer o “fogo”’ dos grupos regionais. b) Em relação ao Jornal Rumos: Rumos continua sendo o órgão representativo da Associação, deve aperfeiçoar-se, trazendo temas sobre MPC e outros assuntos de interesses da atualidade: ética, saúde, educação, ecologia, etc. c) Em relação à Associação: Criar uma taxa para manutenção da entidade, mínimo de R$ 120,00, mas que poderão ser parceladas. Quem não puder pagar, pedirá à Diretoria isenção ou redução de taxa. O associado inscrito e quite tem direito ao Jornal Rumos. São Luís, 13 /07/2002.
Carta de São Luís
Reunidos em São Luís do Maranhão, no XIV Encontro Nacional do Movimento de Padres Casados, de 11 a 14 de julho de 2002, sob o tema “Espiritualidade e Globalização’’, queremos tornar públicas nossas considerações e conclusões. Acreditamos que a experiência da Espiritualidade é o grande antídoto para sanar a angústia, a impotência e até mesmo o desespero de milhões de nossos irmãos que anseiam por uma vida digna e significativa. Entendemos Espiritualidade como a vivência e realização da própria individualidade, através do contato, do amor a si mesmo, do respeito pelas próprias possibilidades, através da expansão da consciência de si mesmo, à procura do mais íntimo e global significado da pessoa humana. Temos consciência, entretanto, de que a Globalização é uma realidade sem retorno no mundo atual e, ao mesmo tempo, sentimos a necessidade de contrapor a ela um processo que permita ao indivíduo não perder a dignidade, vivendo sua cidadania, como condição essencial de sobrevivência. Somos o Povo de Deus em marcha, num mundo em permanentes e rápidas mudança. Como Padres Casados, sentimos o imperioso dever de apontar possíveis caminhos, dado que somos, no mundo e na Igreja, uma espécie de ponte por onde passam, de um lado, a desesperança de muitos de nossos irmãos e, de outro, os desejos de um mundo melhor, centrado no respeito pela pessoa humana, pela sua integridade física, mental e religiosa, pilares de uma nova visão de Espiritualidade. Diante disto, apresentamos algumas de nossa conclusões: 1- Reiteramos nosso compromisso na defesa dos direitos humanos, pela superação dos problemas sócio-econômicos, que afligem a maior parte da humanidade, provocados pelo modelo neo-liberal de uma globalização desumana. 2- Unimos nossos esforços a grupos religiosos, ONGS, a correntes que pleiteiam um gerenciamento mais humano das coisas dos Homens, sendo sinal de uma nova caminhada que se delineia, corajosa e decidida, neste início de milênio. 3- Defendemos uma Igreja, Povo de Deus, empenhada na transformação de estruturas arcaicas e legalistas, em um movimento respeitoso pelas opções religiosas que estão surgindo no mundo., 4- Defendemos a abolição do celibato obrigatório, para que possa surgir na Igreja um Ministério Sacerdotal, desvinculado de gênero ou estado civil e que seja sinal do amor de Cristo a todos os homens que desejam servi-lo na liberdade de Filhos de Deus. 5- Defendemos que cada cristão, em particular os Padres Casados, movidos pelo Espírito, sirvam o Povo de Deus, em íntima coerência com os dons que receberam do Pai, fiéis à sua consciência, dando visibilidade à Igreja, Povo de Deus, como nos primeiros tempos do Cristianismo. 6- Acreditamos que nossas vidas ganham sentido e se tornam visíveis quando, chamados pelo Espírito de Deus, respondemos, humilde e corajosamente, aos problemas do mundo, colocando todo nosso ser a serviço de nossos irmãos, na Fé, na Esperança e no Amor. São Luís do Maranhão, 14/07/2002
Jornal Rumos 212
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Bíblia e Fundamentalismos
“Todo o fundamentalista está seguro e certo do seu seguimento literal da revelação divina. Acredita que um texto, por mais difícil e misterioso que seja, sendo revelação de Deus, é acessível a todos e só pode ter um sentido.”
Seminário comemora 40 anos da Teologia da Enxada
Por Natasha Pitts * Adital De 9 a 12 de outubro, acontecerá no Centro de Formação Missionária (CFM), localizado em Serra Redonda, interior do estado da Paraíba (Nordeste do Brasil), o seminário “Teologia da Enxada – 40 anos”. O evento é uma realização da Fundação Dom José Maria Pires e tem como objetivo rememorar essa experiência teológica popular e pensar nas perspectivas do movimento. “Comemorar os 40 anos da Teologia da Enxada significa dar um aceno para a Igreja e para a sociedade no sentido de alertar para a importância do protagonismo dos pobres e dos excluídos na caminhada da Igreja”, comenta o teólogo José Batista, um dos fundadores da Teologia da Enxada.
Movimento Mundial dos Padres Católicos Casados
Por Luís Guerreiro O Movimento dos Padres Casados (MPC) do Brasil faz parte do Movimento Mundial dos Padres Católicos Casados, movimento que reúne aproximadamente 150.000 padres dispensados do ministério pelo simples fato de terem decidido casar. Antes do Concílio Vaticano II, as dispensas do celibato clerical eram raras. Roma só as concedia em casos excepcionais. A situação mudou desde 1964, quase fins do Concílio, quando foram estabelecidas normas mais suaves, nunca publicadas. Depois, em 1970/1971, Paulo VI introduziu novas normas, facilitando com isso, ainda mais, a concessão de dispensas. Assustado com a vaga de desistências, o seu sucessor, João Paulo II, querendo refreá-las, impôs fortes restrições. Em vão. De uma forma ou de outra, o êxodo continuou, embora talvez em número menos expressivo que na década de 1970.
Jornal Rumos 205
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Entrevista do Padre Casado João Tavares ao Jornal “O Estado do Maranhão”
Por ocasião do XIV Encontro Nacional do Movimento das Famílias dos Padres casados do Brasil – MFPC em São Luís- , o jornal O Estado do Maranhão entrevistou o então Presidente do MFPC e coordenador do Encontro Nacional, João Tavares, na sede do SESC, na praia do Olho d´Água
Um Pouco de História: o Celibato Obrigatório
Por Luís Guerreiro Ouve-se amiúde que o celibato clerical, na Igreja do Ocidente, só foi introduzido no século XII. Engano. É mais antigo. Recomendado ou imposto em razão da pureza cultual, mas também da ascese, do prestígio social, de interesses econômicos e da vontade de domínio, nunca foi bem aceito ou respeitado. Foi, porém, nessa época que ele se consolidou na forma em que hoje perdura. Deve-se a Gregório VII (1073-1085) um passo decisivo. Sua vontade está bem expressa numa frase conhecida: “A Igreja não poderá libertar-se da submissão aos leigos, se antes os clérigos não se libertarem das suas esposas”. O importante não era, segundo parece, a santidade sacerdotal, mas a independência da Igreja. E a Igreja era o clero. Logo a seguir, em 1095, no pontificado de Urbano II, o Concílio de Piacenza condenava, de uma vez por todas, o casamento dos padres. As suas esposas foram vendidas como escravas. Mas tal condenação não surtiu efeito. Por isso, o I Concílio de Latrão (1123) proibiu a vida comum do padre com a sua legítima esposa. Não estava ainda em questão a nulidade do casamento do padre, mas logo se chegaria lá. Contrariando a tradição, o II Concílio de Latrão (1139) declararia nulo todo o casamento contraído por clérigo de ordens maiores. Uma decisão que o pai dos canonistas, Graciano, afirmaria carecer tanto de fundamento bíblico como patrístico, não sendo justificável por nenhum argumento teológico ou ético. Mas sobreviveu até hoje.