A guerra contra o Papa Francisco
Andrew Brown – 24/12/2017 A sua modéstia e humildade fizeram dele uma figura popular por todo o mundo. Mas, dentro da Igreja, as suas reformas têm enfurecido os conservadores e provocado uma revolta. O homem que há precisamente uma semana fez 81 anos, e vive com apenas um pulmão, é o primeiro Papa não europeu dos tempos modernos e tem neste momento em mãos uma Igreja dividida. Um dos seus mais ferozes críticos, o cardeal Burke, é o mesmo que serviu de inspiração a uma série de proeminentes figuras laicas de direita nos Estados Unidos, de Pat Buchanan a Steve Bannon ou Newt Gingrich.
O processo: contra Francisco ou de Francisco?
Querem mover um processo somente aqueles que não reconhecem a fé e a Igreja como processo. Andrea Grillo – 11/12/17 blog: Come se non Tradução: Orlando Almeida A reação visceral ao pontificado de Francisco, evidentemente, baseia-se em algo muito mais antigo do que ele, isto é, sobre a resistência, a qualquer custo, da identidade católica ao mundo moderno. Não é Francisco que está em questão, mas a abertura da Igreja à modernidade, que sofreu uma virada decisiva no “processo” iniciado pelo Concílio Vaticano II. Como tal abertura não é realmente compreendida, mas ao contrário é considerada a causa de todo mal, então a falta de recepção do ‘processo conciliar’ determina a “colocação sob acusação” do Vaticano II e, obviamente, do primeiro papa que aparece, não só biograficamente, como um filho legítimo desse Concílio.
Kuzma e o Ano do Laicato: Igreja continua de portas fechadas
‘Sem a ação dos leigos não há uma ação de Igreja em saída’ Mauro Lopes -26/11/17 Uma entrevista especial com o teólogo César Kuzma na abertura do Ano Nacional do Laicato instituído pela CNBB, que foi aberto neste domingo (25), na solenidade de Cristo Rei que marca no novo Ano Litúrgico da Igreja Católica (no ciclo trienal litúrgico dos católicos, começa agora do Ano B, centralizado pela leitura do Evangelho de Marcos na Liturgia da Palavra dominical).
Antes era melhor?
Massimo Faggioli – 16.11.2017 – Foto: Galileu julgado pelo Santo Ofício – Inquisição “A redução da tradição católica a um catolicismo medieval imaginário tem consequências significativas para a vida intelectual da Igreja Católica nos EUA, e para a maneira como ela percebe e responde “politicamente” às mudanças sociais e cultuais dos últimos 50 anos”, analisa Massimo Faggioli, professor de teologia e estudos religiosos da Villanova University. O seu mais recente livro intitula-se “Catholicism and Citizenship. Political Cultures of the Church in the Twenty-First Century” (Liturgical Press, 2017), em artigo publicado por Commonweal, 13-11-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.
“MASSAS ENORMES DO POVO SIMPLES ACLAMAM ENTUSIASMADAS A FRANCISCO”
“É um segredo de Polichinelo que na Igreja existe gente que não suporta o Papa: o papa dos pobres, dos doentes e dos filhos, dos idosos e dos ignorantes” José María Castillo, 5/11/2017 Foto: Francisco , saúda os fiéis de dentro do ônibus Francisco encontra resistência em grupos religiosos equivalentes aos que rejeitaram e perseguiram Jesus. Jesus foi rejeitado por sacerdotes, letrados e fariseus
O EX-PREFEITO QUALIFICA COMO “LAMENTÁVEL” A “ÁSPERA CONTROVÉRSIA” SOBRE O CAPÍTULO 8
Müller agora acredita que no acesso à comunhão dos divorciados recasados “pode haver atenuantes” . O cardeal alemão prefacia o livro de Rocco Buttiglione em defesa do Papa contra os ‘dubia’ Jesús Bastante, 30/10/17 Foto: Papa e Cardeal Müller -Agencies “Depois do arrependimento e da reconciliação (absolvição), a Santa Comunhão não deve ser negada nem mesmo aos pecadores públicos, especialmente em caso de perigo de morte”
Descongelar, Protestar, Agir
Frei Bento Domingues 29/10/17 Frente a movimentos organizados de resistência aos documentos programáticos do Papa, torna-se preocupante verificar que os órgãos hierárquicos da Igreja, designadamente a Conferência Episcopal, não tomem uma posição pública de defesa clara das orientações pastorais por ele protagonizadas. Numa altura em que se avolumam ataques tão ruidosos ao nosso Papa, este silêncio torna-se inaceitável, pois está a lançar uma grande perplexidade entre muitos sectores do Povo de Deus, que esperavam, dos seus pastores, sinais mais insofismáveis de comunhão com o Papa.
Adúlteros! Mas serão mesmo?
P. Miguel Almeida, sj – 5/10/2017 “…um casal que constituiu uma (segunda) família onde há verdade, liberdade, fidelidade e respeito mútuo provados ao longo do tempo, este não é um casal de adúlteros”. Reconhecendo este facto, João Paulo II deu um grande passo. Mas criou uma situação confusa. Com a sua atitude solicitamente pastoral, abriu uma frincha que agora, finalmente, depois de mais de 35 anos de experiência, Francisco pode concluir. O que aconteceu é que ficamos sem instrumentos conceptuais para lidar com estas situações. Antes eram adúlteros e, como tal, não podiam comungar. Com João Paulo II deixaram de ser considerados adúlteros, mas também não podem comungar. Porquê?”
Francisco sobre: 3. a Igreja e a alegria
Continuo com os diálogos do Papa Francisco e de Dominique Wolton: Politique et société. Anselmo Borges 06/10/2017 Perguntam-me: “Mas pode dar-se a comunhão aos divorciados?” Respondo: “Falai com o divorciado, falai com a divorciada, acolhei, acompanhai, integrai, discerni!” Infelizmente, nós os padres estamos habituados a normas congeladas, fixas. E ouve-se dizer: “Não podem receber a comunhão.” “Que não, não e não”. Este tipo de proibições é o que encontramos no drama de Jesus com os fariseus. A mesma coisa!”
Padre Joseph Shih: na China não convém uma “Igreja de oposição”
GIANNI VALENTE – 05/10/2017 Foto: O diretor da Civiltà Cattolica, padre Spadaro, com o padre J. Shih Entrevista publicada na Civiltà Cattolica com o jesuíta nascido em Shanghai e que, durante muitos anos, dirigiu os programas chineses da Rádio Vaticana: entre a instituição eclesiástica e o governo, convém tentar o caminho da “tolerância mútua” Tradução: Orlando Almeida