Frei Bento Domingues 29/10/17
Frente a movimentos organizados de resistência aos documentos programáticos do Papa, torna-se preocupante verificar que os órgãos hierárquicos da Igreja, designadamente a Conferência Episcopal, não tomem uma posição pública de defesa clara das orientações pastorais por ele protagonizadas.
Numa altura em que se avolumam ataques tão ruidosos ao nosso Papa, este silêncio torna-se inaceitável, pois está a lançar uma grande perplexidade entre muitos sectores do Povo de Deus, que esperavam, dos seus pastores, sinais mais insofismáveis de comunhão com o Papa.
1. Espero que as últimas notícias de Fátima não sejam a viagem a Roma do bispo António Marto para agradecer a visita do Papa Francisco e a celebração da chegada ao Santuário de uma relíquia de João Paulo II.
- lhe tenha agradecido, sobretudo, as admiráveis homilias feitas na Cova da Iria
- e tenha apresentado as medidas que o Santuário tomou, se é que existem, para fazer desses textos instrumentos da evangelização de Fátima.
Para quando o abandono de invocações e orações muito pouco cristãs?
- cresce,
- progride,
- tende continuamente para a plenitude,
como Bergoglio acaba de lembrar, a propósito do XXV aniversário do Catecismo da Igreja Católica. A Tradição é uma fonte de vitalidade quando não é confundida com as tradições da preguiça, do “sempre assim foi”.
- A Palavra de Deus não pode ser conservada em naftalina, como se fosse uma velha manta que é preciso proteger das traças.
- É uma realidade dinâmica que progride e cresce.
- Tende para a perfeição.
Ao sublinhar que “se fortalece com o decorrer dos anos, cresce com o andar dos tempos, desenvolve-se através das idades”, Francisco entra pelas arrojadas expressões de São Vicente de Lérins (séc. V) [1].
- não se pode continuar a ser formado como eu fui,
- numa filosofia escolástica decadente,
- bastante ridícula
- e que, depois, se traduzia numa pastoral dominada pela casuística.
- enfrentar os adversários que o caluniam
- e destacar o que, a seu ver, «deve ser dito por justiça e também por caridade.
- Alguns afirmam que a Amoris laetitia não tem uma moral católica ou, pelo menos, uma moral segura.
- Sobre isto gostaria de reafirmar, com clareza, que a moral da Amoris laetitia é tomista, do grande Tomás.
Podeis falar sobre isto com um grande teólogo, entre os melhores e mais maduros de hoje, o cardeal Schönborn. Desejo dizer isto para que ajudeis quantos crêem que a moral é mera casuística. Ajudai-os a darem-se conta de que o grande Tomás possui uma riqueza imensa, capaz de nos inspirar ainda hoje» [2].
- ao ver tantos grupos católicos, acompanhados de padres e bispos,
- a olhar para um túmulo vazio,
- esquecidos de visitar as comunidades cristãs da chamada Terra Santa.
Procuram relíquias que não existem e ignoram as comunidades do Ressuscitado!
- das ciências humanas,
- da teologia
- e da filosofia.
A publicação das Actas marcará a novidade e a importância dessa multifacetada investigação fora do âmbito confessional.

Nos dias 21 e 22, participei no Encontro de formação do persistente Movimento “Fraternitas”, uma associação privada de fiéis, constituída por Padres dispensados do exercício do ministério, casados ou não, e as suas esposas ou viúvas.
Tem estatutos aprovados pela Conferência Episcopal Portuguesa. Goza de personalidade jurídica sem fins lucrativos.
- da significação da história da opção pelo casamento de muitos padres
- e dos seus heróicos esforços para continuarem membros activos, nas paróquias e nas dioceses,
- a partir da sua competência profissional e preparação pastoral.
As resistências que encontraram e encontram em Portugal, e noutros países,
- fizeram de uma nova oportunidade evangelizadora, na linha do Vaticano II,
- uma perda irreparável [3].
- (…) Em contraste com o caloroso acolhimento que este Papa está a ter entre aqueles que se afastaram da Igreja ou de quem a Igreja se afastou,
- os participantes no encontro concluíram que, entre nós, está a verificar-se uma resistência passiva contra as suas orientações doutrinárias e pastorais.
Mesmo que não se trate de resistência, é preocupante verificar
- como os documentos do Papa caem rapidamente no esquecimento
- ou não têm a repercussão que se esperaria.
Por exemplo, a maioria das publicações da Igreja está a dar um lugar quase irrelevante às luminosas catequeses papais contidas nas suas múltiplas intervenções e nas homilias proferidas em Santa Marta.
Frente
- a movimentos organizados de resistência aos documentos programáticos do Papa,
- torna-se preocupante verificar que os órgãos hierárquicos da Igreja, designadamente a Conferência Episcopal,
- não tomem uma posição pública de defesa clara das orientações pastorais por ele protagonizadas.
Numa altura
- em que se avolumam ataques tão ruidosos ao nosso Papa,
- este silêncio torna-se inaceitável, pois está a lançar uma grande perplexidade entre muitos sectores do Povo de Deus, que esperavam, dos seus pastores, sinais mais insofismáveis de comunhão com o Papa.

