RELIGIÃO – A religião como arma na política brasileira. Artigo de Ana Carolina Evangelista

Ana Carolina Evangelista, cientista política, é diretora-executiva e pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (ISER) do Rio de Janeiro. “No contexto de crises, os políticos, religiosos ou não, utilizam o religioso e as suas formas contemporâneas mais individualistas e dogmáticas como forma de apresentar alternativas que prometem o retorno à ordem, à previsibilidade, à segurança e à unidade. Na política brasileira atual, a religião é um recurso discursivo de pertencimento e recuperação da ordem utilizado pelos ultraconservadores, ou neoconservadores, para fazer avançar suas agendas nos espaços institucionais”. A reflexão é de Ana Carolina Evangelista, em artigo publicado por Le Monde Diplomatique Cono Sur, edição de fevereiro de 2025. A tradução é do Cepat. Eis o artigo. A religião parece brotar da terra toda vez que se analisa hoje a política no Brasil, e não apenas no Brasil. Seja durante os processos eleitorais ou nos corredores dos poderes Executivo e Legislativo, não passa um dia sem que falemos sobre como está a intenção de voto do segmento evangélico, ou sobre o posicionamento do deputado A, B, C… que tem manifestado suas referências religiosas para justificar seu voto ou seu novo projeto de lei, e as repercussões que isso teria no Governo. Mas o que aconteceu? Por que vemos mais religião na política? Ela sempre esteve aí e simplesmente não prestávamos atenção nisso? Por que já não é mais possível falar de eleições e de política sem que um pouco de religião queira aparecer? E será que tudo realmente tem a ver com religião? Eu diria que não. Se extrapolarmos para o contexto brasileiro uma pesquisa recente publicada nos Estados Unidos, talvez mais pessoas comecem a se perguntar se de fato estamos falando de uma invasão indiscriminada da religião na política ou se estamos testemunhando uma incorporação sistemática, radicalizada e instrumental da religião por um dos polos político-ideológicos. A segunda opção parece mais precisa. A diferença religiosa O Pew Research Center entrevistou cerca de 12.600 adultos em fevereiro de 2024 e constatou que a grande maioria dos adultos estadunidenses concorda que a influência da religião na vida pública está diminuindo: 80% deles, a percentagem mais alta já registrada pelo instituto nas suas pesquisas. Porém, metade considera isso algo negativo. Mas qual metade? Existem diferenças importantes entre republicanos e democratas, entre evangélicos e católicos, entre adultos mais velhos e adultos jovens. Entre os republicanos, 68% consideram o declínio da influência da religião na sociedade uma coisa má, em comparação com apenas 33% entre os democratas. A mesma pesquisa indica que a maioria apoia o princípio da separação entre Igreja e Estado, e poucos acreditam que o Governo Federal deveria declarar o cristianismo como religião oficial do país. No entanto, existe uma aparente divisão entre aqueles a favor e contra a promoção dos valores morais cristãos pelo Governo: 44% contra 39%. Nem tudo tem a ver com a religião, mas muito tem a ver com a polarização. Os adultos jovens são mais propensos do que os adultos mais velhos a dizer que o governo não deve declarar o cristianismo como religião oficial ou promover os valores morais cristãos. Da mesma forma, são os mais jovens que rejeitam com mais veemência a ideia de que a diminuição da influência da religião na vida pública seja algo negativo. Há também um sentimento crescente de que as próprias crenças religiosas das pessoas entram em conflito com a sociedade em que vivem e que é melhor não discutir diferenças religiosas. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

ECONOMIA – Déficit comercial dos EUA bate recordes em 2024 com salto nas importações

Dólar forte ajudou a impulsionar aumento nas importações dos EUA no ano passado O déficit comercial dos EUA aumentou acentuadamente no final de 2024, em meio a um aumento nas importações antes do início do segundo mandato de Donald Trump como presidente e sua execução da promessa de tarifas abrangentes. O déficit em dezembro no comércio de bens e serviços cresceu quase 25% em relação ao mês anterior, alcançando US$ 98,4 bilhões, mostraram os dados do Departamento de Comércio na quarta-feira. Isso resultou em um déficit anual de US$ 918,4 bilhões, o segundo maior desde 1960. A enxurrada de importações no final do ano foi ampla e incluiu um aumento nas remessas de produtos industriais, que provavelmente refletiu os esforços das empresas americanas para garantir produtos antes das tarifas de Trump. Além disso, muitos importadores esperavam mitigar as interrupções de uma possível greve dos trabalhadores portuários que foi evitada no mês passado. Os números mensais do comércio estão prestes a ganhar maior importância econômica e geopolítica, à medida que a administração Trump busca tarifas para estimular a produção interna, melhorar a segurança nacional e se ajustar ao que considera políticas comerciais injustas. Como visto apenas algumas semanas após a posse de Trump, esses esforços se estendem aos maiores parceiros comerciais da América. Trump havia ordenado tarifas de 25% sobre todos os bens do Canadá e do México, que deveriam entrar em vigor na terça-feira, mas as suspendeu por 30 dias após os líderes dos dois países se comprometerem a fazer maiores esforços para conter a migração ilegal e o tráfico de drogas ilícitas. Tarifas gerais de 10% sobre importações da China já entraram em vigor. Os dados comerciais mais recentes mostraram que o déficit de bens dos EUA com o México diminuiu ligeiramente em relação ao mês anterior, para US$ 15,2 bilhões ajustados sazonalmente em dezembro, enquanto o déficit com o Canadá aumentou para o maior desde julho de 2022. Os números comerciais do Canadá mostraram um salto nas exportações de petróleo bruto. Fonte: Site InfoMoney Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – Doutrina social da Igreja: outro mundo possível. Artigo de Eliseu Wisniewsk

A Doutrina Social da Igreja como sabemos propõe uma reflexão sobre as demandas sociais da fé cristã, com particular referência ao magistério dos pontífices. “A obra é também um lembrete. Lembra-nos que temos uma oportunidade única de realizar contribuições nobres, belas e verdadeiras para a humanidade”, escreve Eliseu Wisniewski, presbítero da Congregação da Missão (padres vicentinos) Província do Sul, mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em resenha do livro Doutrina Social da Igreja: outro mundo possível (Paulus, 2024), 29-01-2025. Eis a resenha. Se a relação entre fé cristã e compromisso social é intrínseca à revelação bíblica, antes de tudo, é preciso insistir na dimensão social da fé e da evangelizadora, fortalecendo e dinamizando, na lógica do Evangelho de Jesus Cristo, o compromisso dos cristãos e do conjunto da Igreja como os processos de transformação da sociedade. A Doutrina Social da Igreja como sabemos propõe uma reflexão sobre as demandas sociais da fé cristã, com particular referência ao magistério dos pontífices. No entanto, um fenômeno sintomático de nossos tempos tem sido o desconhecimento e o desinteresse pela Doutrina Social da Igreja e junto com isso a desconfiança irônica diante da caridade dos outros. O resultado não pode ser outro: católicos atacando a doutrina da Igreja baseados nos desconhecimento sobre ela. Neste cenário recebemos a obra Doutrina Social da Igreja: outro mundo possível (Paulus, 2024,104 p.), escrita por Altiérez dos Santos e Luiz Alexandre Solano Rossi, ambos, doutores em Ciências da Religião. Os autores salientam que esta obra trata do fascinante amor de Deus pela humanidade, e de temas de grande relevância como a justa e responsável atuação da Igreja na sociedade, a pessoa humana, a família, o trabalho, a economia, a comunidade internacional, a ecologia, a violência, o socorro das multidões que vivem em situação de vulnerabilidade etc. O texto está estruturado em quatorze reflexões temáticas e buscam das uma resposta as seguintes questões: 1) O que é Doutrina Social da Igreja? (p. 11-14); 2) Por que existe uma Doutrina Social da Igreja? (p. 15-16); 3) Qual o propósito da Doutrina Social da Igreja? (p. 17-19); 4) A Doutrina Social da Igreja é uma ideologia? (p. 21-23); 5) A Doutrina Social da Igreja é uma inovação teológica? (p. 25-27); 6) A Doutrina Social da Igreja causa alguma mudança real? (p. 29-45); 7) Como a Doutrina Social da Igreja se relaciona com a ética e a moral se relaciona com a ética e a moral? (p. 47-48); 8) O que a Doutrina Social da Igreja diz sobre o pecado? (p. 49-50); 9) O que é o personalismo? (p. 51-52); 10) Quais são os valores da Doutrina Social da Igreja? (p. 53); 11) Quais são os princípios da Doutrina Social da Igreja? (p. 55-68); 12) Quais são os temas da Doutrina Social da Igreja? (p. 69-78); 13) Outros temas da Doutrina Social (p. 79-88); 14) Os papas e a Doutrina Social da Igreja (p. 89-97). Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – ONU recomenda ao STF prioridade no julgamento da Lei do Marco Temporal e ao governo federal urgência nas demarcações

ONU trata violência contra os Guarani e Kaiowá como um caso de prevenção ao genocídio e destaca o papel do Movimento Invasão Zero em ataques violentos. A reportagem é de Renato Santana, publicada por Conselho Indigenista Missionário, 31-01-2024. A relatora da ONU sobre Defensores de Direitos Humanos, Mary Lawlor, recomenda ao Supremo Tribunal Federal (STF) prioridade ao julgamento da Lei 14.701/23, a Lei do Marco Temporal, ao se referir ao Brasil em um informe de 19 páginas publicado nesta sexta-feira (31). Mary recomenda ainda que o governo brasileiro acelere as demarcações das terras indígenas como forma de proteger os defensores e defensoras de direitos humanos. “Priorizar com a máxima urgência, em estreita colaboração com o Ministério dos Povos Indígenas e agências relevantes, a demarcação de territórios indígenas”, diz trecho do relatório. O documento foi produzido após uma viagem da relatora ao país, em abril de 2024, e será alvo de um debate público em fevereiro, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, conforme informou Jamil Chade. As Relatorias Especiais são parte de um grupo de mecanismos conhecido como Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. No caso da Relatoria da ONU sobre Defensores de Direitos Humanos, o mandato não tem como missão se debruçar sobre o tema “povos indígenas”, senão a situação de defensores e defensoras. Ocorre que a garantia territorial, e os temas que a atravessam, é fundamental para a defesa e proteção dos defensores – sejam indígenas, quilombolas, sem-terras ou camponeses. Para Mary “grande parte da violência contra pessoas defensoras de direitos humanos no país está enraizada no conflito pela terra”. O que explica suas recomendações. No STF, o julgamento da Lei do Marco Temporal, aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2023, está travado. O ministro Gilmar Mendes é o relator de duas ações: uma de inconstitucionalidade e outra de constitucionalidade, mas não as levou ao Plenário da Corte. O ministro decidiu abrir uma Câmara de Conciliação para tratar da controvérsia sem suspender a lei. Por essa razão, entre outras, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) se retirou da Câmara e pede ao STF que julgue a matéria. No entanto, para o movimento indígena e organizações indigenistas, o governo federal está devendo: os anúncios dos últimos dois anos eram esperados para acontecer ainda nos primeiros dias da gestão. Por outro lado, o governo tem deixado de fazer encaminhamentos administrativos por pressão política. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

ECONOMIA – O rombo de 1 trilhão de reais

Brasil pagou este valor, em doze meses, ao parasitismo financista. Mas insiste em cortes nos gastos sociais que podem aprofundar desigualdades e abrir espaço para a privatização de serviços públicos. Se 2026 já começou, como diz Lula, é hora de reorientar a política econômica A maioria dos alunos matriculados na quarta ou na quinta série do ensino fundamental já começou a tomar os primeiros contatos com números decimais nas aulas de matemática. Assim, ali percebem nas salas com seus professores que o número 0,95 pode ser arredondado para 1,00. Por dedução, também o número 950 pode ser aproximado para 1.000. Pois, então, são essas regras que nos permitem afirmar que as despesas com juros realizadas pelo governo federal ao longo de 2024 alcançaram a trágica marca de um trilhão de reais. Uma tragédia! O Banco Central (BC) divulgou há poucos dias o seu relatório mensal com a atualização das informações de política fiscal. Com a publicação deste boletim mais recente, é possível realizarmos a consolidação das informações para os 12 meses do ano passado. Em dezembro foram gastos R$ 96 bilhões com a rubrica de juros da dívida pública. Ainda que não tenha sido um recorde na série histórica mensal, o montante é muito alto e ocupa o segundo lugar no quesito, só sendo ultrapassado pelos R$ 111 bi ocorridos dois meses antes, em outubro. Esse valor representa um crescimento de 51% em relação ao realizado em dezembro de 2023. Juros: nunca antes na História deste país Para não ficarmos apenas nas variações comparativas entre períodos de apenas 30 dias, talvez seja interessante ampliar o espaço analisado. Se considerarmos o último trimestre, por exemplo, percebemos que as despesas com juros atingiram o total de R$ 300 bi apenas para o período entre outubro e dezembro do ano passado. Esse total representa uma elevação de 77% na comparação com os R$ 169 bi que ocorreram para o mesmo período de 2023. Não existe nenhum outro tipo de variável de gasto público federal que tenha alcançado tal majoração. Caso a comparação seja entre os valores do segundo semestre dos dois exercícios considerados, a diferença também é expressiva. Para o período julho/dezembro de 2024, o total de despesas com juros alcançou R$ 496 bi. Esse montante representou um crescimento de 30% em relação aos R$ 381 bi verificados no mesmo período de 2023. Finalmente, pois para os 12 meses de 2024 o montante total de despesas com pagamento de juros da dívida pública foi de R$ 950 bi, que arredondados nos levam ao trilhão. Este valor significa uma elevação de 32% sobre os R$ 718 bi que foram transferidos do Orçamento da União para mesma função associada o parasitismo financista. Infelizmente esta parece ser a prioridade na agenda da área econômica do governo. Nada de limite, de corte ou de contingenciamento nesse item dos gastos. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui  

SOCIEDADE – 51 anos do assassinato de Osvaldão, o gigante da Guerrilha do Araguaia

Militante do Partido Comunista do Brasil, ele foi o primeiro guerrilheiro a se estabelecer na região e foi morto pelos militares Há 51 anos, em 4 de fevereiro de 1974, Osvaldão, comandante da Guerrilha do Araguaia, era assassinado pelas forças da ditadura militar brasileira (1964-1985). Militante do Partido Comunista do Brasil, ele foi o primeiro guerrilheiro a se estabelecer na região do Araguaia, onde conquistou a admiração dos camponeses e ribeirinhos. Osvaldão liderou uma série de combates contra as tropas do regime — e chegou a ser mitificado pelos habitantes locais, que, impressionados por sua força, habilidade e coragem, o apelidaram de “o gigante invencível”.   A juventude de Osvaldão Osvaldo Orlando da Costa nasceu em Passa Quatro, no sul de Minas Gerais, em 27 de abril de 1938. Era o caçula de 12 irmãos, filho de Rita dos Santos e José Orlando da Costa. José nascera de pais escravizados, mas cresceu liberto graças à Lei do Ventre Livre. Trabalhava como cozinheiro e era dono de uma padaria, com a qual sustentava a numerosa família. Rita faleceu quando Osvaldão ainda era bem pequeno. Ele seria criado pelos irmãos — em especial a irmã mais velha, Irene, a quem costumava chamar de mãe. A visão política de Osvaldão foi bastante influenciada pelo seu pai, um simpatizante das ideias comunistas. Ainda adolescente, Osvaldão partiu para São Paulo, a fim de dar continuidade aos estudos. Entre 1952 e 1954, ele frequentou o Curso Industrial Básico de Cerâmica. Em seguida, mudou-se para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Escola Técnica Nacional. Nessa instituição, tornou-se amigo de Wladimir Pomar, membro do Partido Comunista, e iniciou sua militância no movimento estudantil, chegando a ser eleito como presidente da Associação dos Estudantes Técnico Industriais. Osvaldão se formou como técnico em construção de máquinas e motores em 1958. Ele também cursou por um ano o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) — órgão de formação de quadros do Exército Brasileiro. Fonte: Site OPERA MUNDI Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – Portugal acolheu nova reunião “secreta” de bispos promovida por organização dos EUA muito crítica do Papa

A reportagem é de António Marujo, publicada por 7MARGENS, 03-02-2025. Foi uma reunião quase “secreta” de pelo menos 80 cardeais e bispos católicos de todo o mundo. Vieram a Portugal convidados e com viagens e alojamento pagos num dos hotéis mais caros de Portugal, por uma instituição dos Estados Unidos muito crítica das ideias do Papa Francisco. O encontro teve lugar entre 14 e 18 de Janeiro – confirmou o 7MARGENS no local e junto de alguns dos participantes. A reunião decorreu no Penha Longa Resort, de Sintra, onde um quarto individual para quatro noites nesta semana (de terça a sábado, os mesmos dias em que há três semanas se realizou a iniciativa) custa 1041 euros já com uma “promoção” – e admitindo que, num encontro como este, pode ter sido negociado um preço mais reduzido – mas sem contar com as refeições. A organização e o pagamento é do Acton Institute for the Study of Religion and Liberty (Instituto Acton para o Estudo da Religião e a Liberdade), dos Estados Unidos, que teve no padre Robert Sirico, muito ligado ao Partido Republicano dos EUA, um dos seus fundadores. Na maior parte, os bispos são oriundos de países pobres e muitos deles não podem viajar senão quando é estritamente necessário ou por convite. Por isso, o Acton oferece-lhes as viagens, estadia e uma ida a Fátima, com a contrapartida de ouvirem intervenções por pessoas que integram todas a estrutura do instituto e que são normalmente muito cuidadosos na forma como falam do Papa, como confirmam bispos que participaram no encontro. O padre Sirico é um dos que, desde a primeira hora, é muito crítico das ideias sociais do Papa Francisco. Antigo pastor evangélico e padre católico desde 1989, é conhecido por ser um defensor do mercado livre capitalista e da “opção preferencial pela liberdade”, em oposição à “opção preferencial pelos pobres”, defendida por muitos bispos da América Latina. Nisso, aliás, afasta-se do próprio João Paulo II, que defendia essa ideia, bem como a centralidade do trabalhador, perante o capital, nos conflitos laborais. A iniciativa tornou-se já, nos últimos anos, uma espécie de ritual – no lugar e na data. Este ano, ela contou com um convidado “especial”: o bispo Rolando Alvarez, da Nicarágua, expulso do país pelo regime de Daniel Ortega, depois de meses de prisão, que deu um testemunho sobre a perseguição de que foi vítima, bem como sobre as perseguições que têm sido movidas à Igreja Católica, organizações de defesa dos direitos humanos e a outras instituições da sociedade civil. Um dos últimos episódios, de que o 7MARGENS deu conta, foi o desaparecimento, no dia 29 de Janeiro, de 30 monjas clarissas, cujo paradeiro continua desconhecido. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – Trabalho junto com o Papa Francisco para desmasculinizar a Igreja. Jesus ensina a igualdade perante Deus”. Entrevista com Linda Poche

A entrevista é de Francesca Visentin, publicada por Corriere Veneto, 19-01-2025. A tradução é de Luisa Rabolini. Freira, teóloga e filósofa, o pontífice confiou a ela a tarefa de trabalhar pela igualdade: “Mulheres diáconas, vamos em frente. Na Igreja, as assimetrias de poder devem ser resolvidas como no resto da sociedade”. “O machismo é uma realidade contrária ao Evangelho, a direção certa é a valorização das mulheres e dos homens”. Palavras do Papa Francisco, que desencadearam um percurso de “desmasculinização” da Igreja, chamado exatamente assim. Na linha de frente está uma freira, teóloga e filósofa do Friuli, a Irmã Linda Pocher, professora de Cristologia e Mariologia na Pontifícia Faculdade Auxilium em Roma e na Pontifícia Academia Mariana Internacional, a quem o pontífice confiou a tarefa de trabalhar pela igualdade. A pedido do papa, a irmã Linda Pocher organizou encontros de formação sobre o tema para ele e para o Conselho de Cardeais. Um trabalho reunido no livro Smaschilizzare la Chiesa (Edizioni Paoline) com um prefácio do Papa Francisco, que ilustra as muitas maneiras pelas quais a diferença de gênero foi interpretada e implementada como desigualdade na Igreja. No livro, Linda Pocher, juntamente com Lucia Vantini e Luca Castiglioni, abordam as questões críticas, libertando o Evangelho de interpretações que ocultaram e marginalizaram as mulheres. O próprio Papa reiterou em várias ocasiões: “Um dos grandes pecados que cometemos foi ‘masculinizar’ a Igreja”, mesmo antes da Comissão Teológica Internacional. Sacerdotes, teólogos e teólogas discutiram essas questões até sábado, 18 de janeiro, em Pádua, na conferência “Desmasculinizar a Igreja? Por uma Igreja de mulheres e homens”, organizada pelo Instituto Superior de Ciências Religiosas de Pádua e pela Irecoop Veneto. E a irmã Pocher reiterou a necessidade de uma presença feminina igualitária na Igreja. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – Trump 2 concilia big techs e complexo militar-industrial. Por que isso é tão perigoso?

Riquezas, recursos e mercados internacionais interessam tanto ao tradicional complexo militar-industrial quanto às big techs, e Trump parece conseguir unificar diferentes e contraditórios setores capitalistas O novo governo Trump começa a se desenhar. Até o momento, fica claro que ele está dividido em duas alas principais. Uma, a de trumpistas raiz, de fascistas sinceros, representantes de um movimento plebeu de milhões de cidadãos da classe média e trabalhadores desorganizados cansados do “sistema”. Outra, de grandes magnatas movidos por puro pragmatismo. Mas essas alas do novo governo não são homogêneas. A primeira conta também com personagens como RFK Jr. e Tulsi Gabbard, ex-democratas com posicionamentos esquerdistas. São eles, justamente, os mais combatidos pelos meios de comunicação e porta-vozes do establishment. A ala dos grandes magnatas nitidamente já demonstrou ser a mais privilegiada do governo. A maioria dos postos de primeiro escalão é ocupada por representantes tradicionais do regime americano, em particular pelos conhecidos “falcões”, como Marco Rubio e Elise Stefanik. São os funcionários do complexo militar-industrial que domina o Estado desde que ele se tornou imperialista. Porém, o complexo militar-industrial não tem mais a mesma hegemonia de outrora. Elon Musk e Peter Thiel chegaram para competir com ele. As novas empresas de tecnologia do Vale do Silício querem também uma fatia da indústria bélica dos Estados Unidos. E elas têm se apresentado como sendo muito mais leais a Trump do que o velho complexo militar-industrial, que vê com preocupação as movimentações do novo presidente para trocar peças-chave do comando das forças armadas e das agências de inteligência por homens de confiança – possivelmente do próprio MAGA. Seu maior medo é que Trump politize esses órgãos de segurança, abrindo as suas portas para as massas plebeias do trumpismo. Fonte: Site Diálogos do Sul Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – A Pastoral Universitária e seus desafios. Artigo de Matias Soares

“Sem dúvida, uma “pastoral da cultura’ é sempre necessária, já que esta é a manifestação sensível de tudo o que é humano. E o ser humano é a via da Igreja”, escreve Pe. Matias Soares, pároco de Santo Afonso M. de Ligório, Natal, Rio Grande do Norte. Eis o artigo. A Igreja tem tido presente a urgência da pastoral em chave missionária. A saída para as fronteiras é uma prerrogativa que gradativamente, principalmente, no pós-concílio, tem sido considerada a partir do paradigma missionário. A sua pastoralidade assumiu a necessidade do diálogo com a cultura. Esta não é mais um empecilho, uma realidade a ser combatida; mas uma via a ser seguida, com a atenção à leitura dos sinais dos tempos. Tudo o que é humano não pode ser indiferente a vida da Igreja, já que ela é chamada a ser “Mãe e Mestra”. Na universidade estão os cristãos e não cristãos, que têm as “sementes do Verbo”. A luz da razão é lugar teológico. Nela a verdade de Deus encontra morada. A tradição cristã reconhece e tem uma linha transversal que não renega a racionalidade do caminho da fé. Tenhamos presente o que São João Paulo II nos ensinou na Fides et Ratio (Fé e Razão), como “as duas asas pelas quais podemos contemplar a Verdade”. Até a passagem da idade média para o início da Era moderna, esse era o caminho do conhecimento. A modernidade ocidental, com seu projeto cientifico, a partir de Francis Bacon, com sua autonomia racional e política, através do Iluminismo, corporificados na Revolução Industrial, assumiu outras vias que geraram muitas barreiras, preconceitos e negação das possibilidades da aliança entre a fé e a razão. A pastoral universitária encontra nesse desenrolar histórico seu entrave contemporâneo e sua emergência pastoral nas fronteiras da academia. A Igreja Particular de Natal tem uma trajetória profícua e marcada por protagonismo nestas conjunturas do conhecimento, apesar do reconhecimento destes fatores históricos, que demarcaram o início da modernidade. A pastoral universitária já existira em tempos passados, com testemunhos de muitas lideranças que até os nossos dias recordam de personalidades eclesiásticas que contribuíram com a promoção da ciência em nosso estado. Foram tantos ministros ordenados que foram professores e contribuíram em vários cursos de humanidades e fundação de escolas e cursos. Eram outros tempos e desafios; mas também com outras possibilidades. Com suas bases na área das ciências humanas, línguas clássicas e a própria credibilidade da Igreja, alguns tinham vias “mais amenas” para ingressarem na universidade. Muito diferente do que temos hoje, quando as exigências são outras: doutorados e pós-doutorados, com concursos mais concorridos e o olhar de desconfiança para com a Igreja são barreiras que se nos são postas, já que houve um hiato no investimento da formação acadêmica dos ministros ordenados em tempos passados e que perdura no moderno. Temos que avançar e ter coragem de assumir outros horizontes e estratagemas. A proximidade e o diálogo com a academia têm que seguir outros métodos de presença. Sem dúvida, o caminho é a proximidade e a articulação, a começar das paróquias, dos fiéis leigos que aí estão e têm sua presença efetiva no ambiente da academia. Já defendi e continuo com a ideia de que a pastoral universitária precisa acontecer em todas as paróquias da Arquidiocese, com a abertura e empenho dos irmãos presbíteros na viabilização deste canal de evangelização junto aos professores, alunos e demais integrantes das universidades que têm a sua vida de fé e estão nas comunidades eclesiais. Mas, como a nossa prática pastoral continua a ser a da manutenção, o medo da relação com o diferente nos atrofia e distancia destas realidades. Além das muitas escolas católicas presentes em nosso território arquidiocesano, é digno de nota e atenção o que fora vivido pela nossa Igreja Local durante o “Movimento de Natal”, pelo final da década de cinquenta e toda década de sessenta, com as “escolas radiofônicas” (cf. Alceu R. Ferraro, “Igreja e Desenvolvimento – O Movimento de Natal”, pág. 179-184), através do SAR – Serviço de Assistência Rural. A experiência exitosa iria ser assumida pelo Estado com a fundação do MEB – Movimento Educacional Brasileiro. Como já escrevi em outra oportunidade (Disponível aqui), esse espírito de protagonismo, com a abertura de coração aos novos sinais dos tempos, nesse “admirável mundo novo”, pode ser revivido, porque temos a beleza transcendente da “Alegria do Evangelho”. É Ele a nossa força e a razão de ser da missão da Igreja. O magistério do Papa Francisco tem nos oferecido muitas possibilidades de inserção na cultura contemporânea, inclusive no âmbito da academia, através da proposta do “Pacto Educativo Global”. Ampliando as perspectivas, temos a riqueza propositiva do pensamento social da Igreja, desde Leão XIII, e seus sucessores, até os nossos dias. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui