SOCIEDADE – Kanye West e Bianca Censori: o que o caso do Grammy 2025 ensina sobre o patriarcado

Rapper teria pressionado a esposa a se despir no tapete vermelho; o episódio escancara a dinâmica do poder masculino na sociedade como um todo O rapper Kanye West, de 47 anos, voltou ao centro das atenções no Grammy Awards 2025 ao protagonizar um episódio polêmico que gerou indignação entre o público presente e nas redes sociais. Bianca Censori, esposa do artista, chegou ao tapete vermelho vestindo apenas um vestido transparente, cobrindo-se com um casaco de pele até o momento em que Kanye teria instruído que ela o removesse. A cena gerou um impacto imediato e mobilizou a equipe da CBS, emissora responsável pela transmissão do evento, que temia reclamações de anunciantes e sanções por exibição de conteúdo inadequado ao vivo. Segundo fontes do DailyMail.com, os organizadores do Grammy foram alertados poucos minutos após a chegada do casal e determinaram que eles deixassem o evento para evitar maiores problemas. Leitor labial revela instruções “perturbadoras” de Kanye para Bianca Um vídeo publicado pelo CBS Mornings no TikTok revelou um momento tenso entre Kanye e Bianca no tapete vermelho. A especialista em leitura labial Nicola Hickling, fundadora da LipReader, analisou as imagens e identificou comandos que o rapper teria dado à esposa antes da exposição. De acordo com Hickling, Kanye teria dito: “Agora você está chamando atenção.” Bianca teria acenado afirmativamente, ao que Kanye continuou: “Faça um escândalo, eu direi que faz todo o sentido.” A revelação gerou uma onda de críticas contra o artista, acusado de manipular e expor sua esposa de forma degradante. Essa atitude de Kanye reforça um padrão de comportamento controlador que ele já demonstrou em outros relacionamentos, incluindo seu casamento com Kim Kardashian.   Fonte: Site Revista Fórum Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – Não vai ter COP 30! O Brasil que não sabe ouvir os Povos Indígenas. Artigo de Gabriel Vilardi

O artigo é de Gabriel dos Anjos Vilardi, jesuíta, bacharel em Direito pela PUC-SP e bacharel em Filosofia pela FAJE. É mestrando no PPG em Direito da Unisinos e integra a equipe do Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Por isso, revogar a acintosa Lei 10.820/2024 não é mais suficiente se não vier acompanhada da demissão imediata do secretário responsável pela pasta. Ora, está mais do que comprovado que Rossieli Soares, vindo do centro-sul do país, não demonstrou a mínima sensibilidade para com os donos ancestrais da região, os povos originários. Seria, pois, uma excelente oportunidade para Helder Barbalho finalmente aprender com humildade que a dignidade e a resistência dos indígenas são inegociáveis. Nunca é tarde, governador! Eis o artigo. “Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceberem as injustiças sociais de maneira crítica”, alertou Paulo Freire[1], há mais de 40 anos. De fato, nunca foi interesse dos governantes um povo educado para a cidadania. E o estado do Pará, capital da próxima conferência mundial do clima, não parece ser exceção. Na calada da noite e sem qualquer escuta dos afetados, o governo de Helder Barbalho (MDB-PA) aprovou a Lei 10.820/2024 que altera profundamente a educação em regiões de difícil acesso. Os atingidos? Povos Indígenas, ribeirinhos, camponeses e quilombolas. Mas os descendentes dos cabanos se levantaram com indignação! A referida lei fragiliza conquistas obtidas com duras lutas dos movimentos sociais e traz nefastas mudanças que apenas sucateariam ainda mais a educação pública estadual. Entre elas estão a não garantia de continuidade do Sistema de Organização Modular de Ensino (Some) e o Sistema Modular de Ensino Indígena (Somei) – que permitem a educação presencial em comunidades remotas –, a facilitação da ampliação do ensino à distância e o enfraquecimento do controle social, com a exclusão do sindicato dos professores do comitê de avaliação. É de se perguntar com franqueza: quantos especialistas em educação foram realmente ouvidos e a quem interessam as medidas adotadas pelo estado? Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – Papa: a salvação das almas deve estar no centro dos processos de nulidade matrimonial

A inauguração do Ano Judiciário do Tribunal da Rota Romana foi o grande evento no Vaticano esta sexta-feira, 31 de janeiro. O Papa recordou os 10 anos da publicação de dois documentos para a reforma do processo de nulidade matrimonial, não com a intenção de favorecê-la, mas de acelerar os processos. Francisco recordou que este ano celebra-se o décimo aniversário de dois “Motu Proprio” (Mitis Iudex Dominus Iesus e Mitis et Misericors Iesus), com os quais reformou o processo para a declaração de nulidade do matrimônio. E aproveitou este encontro para evocar o espírito que permeou esta reforma. Uma das intenções era tornar os processos mais acessíveis e ágeis, tendo no centro a figura do bispo diocesano. A ele, com efeito, cabe a responsabilidade de administrar a justiça na Diocese, constituindo o tribunal. Por isso, o Pontífice pediu a inserção da atividade dos tribunais na pastoral diocesana, encarregando os bispos de garantir que os fiéis saibam da existência do processo como possível remédio à situação de necessidade em que se encontram. “É triste, às vezes, saber que os fiéis ignoram a existência desta via”, disse Francisco, acrescentando que é importante que seja garantida a gratuidade do procedimento para que a Igreja manifeste o amor gratuito de Cristo. No centro da reforma, prosseguiu o Papa, estava a preocupação com a salvação das almas, que deve guiar a sua aplicação. “Nos interpelam a dor e a esperança de muitos fiéis que buscam clareza sobre a verdade de sua condição pessoal e, consequentemente, sobre a possibilidade de uma plena participação à vida sacramental.” Para quem viveu uma experiência matrimonial infeliz, a verificação da validez ou não do matrimônio representa uma importante possibilidade. Ao garantir o direito de defesa e a presunção de validez matrimonial, a finalidade do processo não é complicar inutilmente a vida dos fiéis e muito menos de exacerbar o conflito, mas prestar um serviço à verdade. A intenção, portanto, não é favorecer a nulidade dos matrimônios, mas a celeridade dos processos. Por isso, foi suprimida a necessidade da dupla sentença. Com essas mudanças, a quem atua neste campo requer-se uma particular prudência na aplicação das normas, com sentido de “veneração” à realidade conjugal e matrimonial, recordando que a família é o reflexo vivo da comunhão de amor que é Deus Trino. Por fim, o Papa recordou que os cônjuges unidos em matrimônio receberam o dom da indissolubilidade, que não é uma meta a alcançar com o próprio esforço nem um limite à sua liberdade, mas uma promessa de Deus. E concluiu: “Queridas irmãs, queridos irmãos, a Igreja lhes confia uma tarefa de grande responsabilidade, mas antes ainda de grande beleza: ajudar a purificar e restaurar as relações interpessoais. O contexto jubilar em que nos encontramos enche de esperança este trabalho, de esperança que não decepciona. Invoco sobre todos vocês, peregrinos de esperança, a graça de uma alegre conversão e a luz para acompanhar os fiéis rumo a Cristo, que é o Juiz manso e misericordioso.” Fonte: Site VATICAN NEWS Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – O necessário resgate do Eros na escola

Educação convencional aspira ao controle por meio de protocolos e cartilhas. Deixa escapar o “radar sensível”: a ativação do desejo coletivo, o futuro aberto e o saber-fazer. O mundo é instável. E o pânico da incerteza só atrofia o aprendizado Tenho tido o privilégio de trabalhar em institutos públicos como “professor visitante” na disciplina de Filosofia há vários anos. Por que digo privilégio? Porque me parece que a escola hoje é um observatório excepcional para olhar e pensar a sociedade em que vivemos. Um microcosmo onde as tendências e os problemas que moldam o mundo compartilhado se reúnem; e onde também, talvez por razões de escala, às vezes se pode intervir, agir e tentar mudar alguma coisa. Um dos problemas que encontro nas centros públicos onde trabalho, onipresente nas conversas e preocupações da comunidade escolar, é a questão dos protocolos. A multiplicação dos protocolos escolares, expressão de uma tendência geral à tecnificação da existência. Gostaria de falar sobre isso aqui, de abordar o geral a partir do particular, de abrir uma discussão que me parece urgente. Os protocolos são caminhos a seguir. Protocolos são aplicados, por exemplo, para lidar com eventos imprevistos ou interrupções no bom funcionamento da escola: bullying, gangues, vícios. Como é sabido, o mal-estar entre os jovens de hoje tem intensidades e modos de expressão (automutilação, suicídio) que ultrapassaram os limiares da visibilidade e fizeram soar todos os alarmes. O número de protocolos abertos nas escolas por questões de segurança hoje é altíssimo. Mas o que se pretende ser um modo de “ativação da atenção” (observação e monitoramento) corre o risco de ser um modo de desativá-la. O que quero dizer? Um novo fetiche O protocolo pode ser um quadro de referência, um campo de orientações possíveis, um repertório de respostas possíveis. Cristalizar um saber sobre o passado para que seja útil para o futuro. O problema é que, em meio à pressão pelo desempenho, à precariedade e à falta de tempo, ao transbordamento cotidiano e à individualização da vida escolar, o protocolo é elevado a fetiche, impondo-se de forma obrigatória. O que é um fetiche? Um objeto que se torna sujeito, convertendo sujeitos em objetos. A crítica do fetichismo é uma perspectiva clássica do pensamento crítico: as mercadorias se tornam fetiches no capitalismo segundo Marx, as máquinas se tornam fetiches no sistema industrial segundo Simone Weil, as imagens são fetichizadas na sociedade do espetáculo segundo Guy Debord. As coisas ganham vida própria (elas decidem, agem, comandam), enquanto os seres humanos se tornam coisas (força de trabalho, engrenagens, espectadores). Nossa cultura tecnológica fetichiza protocolos. Ela pressupõe que tudo tem uma solução e que sempre há um jeito de alcançá-la. E qual é o problema dessa protocolização generalizada? Em primeiro lugar, a protocolização dessingulariza o que é apresentado. O protocolo não trata de casos singulares, mas se aplica a diferentes exemplos na mesma série (assédio, etc.). Mas o que acontece na vida escolar e na vida em geral é muitas vezes da ordem dos acontecimentos. Cada mal-estar é singular, algo único que demanda uma escuta e uma resposta específica, particular, própria. O protocolo homogeneíza e torna equivalentes o que são situações distintas. Em segundo lugar, a protocolização passiva. Apresenta um caminho a seguir, uma série de etapas, uma organização do tempo em tais fases ou sequências, bloqueando assim a capacidade de ação e criação da comunidade escolar. O que percebemos nas palavras ou no comportamento desse menino, dessa menina, dessa criança? O que vamos fazer a respeito? Em qual tempo? O protocolização impede que o problema em questão se torne uma área de pesquisa e construção autônoma. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui

ARTIGO – ENTRE SAUDADE E ESPERANÇA

(Hoje dia da saudade (30.01.25) Hoje bateu uma saudade! Como é? Sei não, é um negócio aqui por dentro como um vazio. Pois é. Parece que falta um pedaço de mim. Acho que fui roubado. Levaram o meu amor, roubaram a minha voz, tomaram o meu pensamento. Só não tiraram a minha saudade. Ela me liga ao passado (tradição) e ao futuro(escatologia) nesse presente vazio. O poeta diz assim: Saudade! Eu pequenino. O olhar sagrado de minha irmã contando aos meus ouvidos a história de algum Rei-Moiro encantado à voz das rolas dos sertões perdidos… (Maranhão Sobrinho, 1879-1915) maranhense de Barra do Corda, jornalista, escritor, poeta simbolista, fundador da Academia Maranhense de Letras. A filósofa diz assim: Entre o Passado e o futuro. (Hannah Arendt) (1906- 1975) filósofa política alemã de origem judaica. Liberdade acontece na ação. O teólogo diz assim: Paraíso terrestre: Saudade ou esperança? (Carlos Mesters, 1931) frade carmelita holandês, doutor em teologia bíblica. Segundo a obra o paraíso terrestre é mais esperança. Assim, o forte mesmo é existir no presente. Ele é como um sanduiche puxado pelo passado e atraído para o futuro. Saudade gira entre a fonte originária e se abre para a fonte definitiva. Entre o ser e o não ser. Fortaleza, 30.01.25 Ozanir Martins Silva  

TECNOLOGIA – Redes sociais: a possível diáspora

Após adesão das Big Techs à ultradireita, surge uma saída: redes federadas como Mastodom ou Bluesky, onde usuários do mundo todo usam a mesma plataforma, mas as regras de moderação são definidas por comunidades autônomas Como chegamos aqui? O sistema centralizado de moderação de conteúdo, que começou a se fragmentar, foi moldado por uma combinação de valores políticos norte-americanos, normas sociais e realidades econômicas, como argumentou a pesquisadora e professora Kate Klonick na Revista de Direito de Harvard, em 2018. O ensaio de Klonick, The New Governors, detalha como as políticas de governança das plataformas foram amplamente elaboradas por advogados dos EUA, cuja formação estava voltada para a Primeira Emenda à Constituição do país [– a que protege a “liberdade de expressão”]. Essas plataformas eram de propriedade privada e operadas por empresas, mas sua governança seguia o espírito da legislação norte-americana. No entanto, a maioria delas também considerava seu dever moderar conteúdos “obscenos, violentos ou de ódio”. Isso se devia, em parte, ao desejo de serem vistas como ligadas a “boas práticas corporativas”, mas também era uma questão puramente pragmática: “A viabilidade econômica depende de atender às normas de discurso e comunidade dos usuários”, escreveu Klonick. Quando as plataformas criavam ambientes que atendiam às expectativas dos usuários, estes passavam mais tempo no site, e a receita poderia aumentar. Economia simples. No entanto, enquanto as plataformas buscavam equilibrar responsabilidade corporativa, segurança dos usuários e viabilidade econômica, as regras tornaram-se cada vez mais pontos de conflito. As decisões de moderação de conteúdo passaram a ser vistas não como governança neutra, mas como julgamentos carregados de valores — declarações implícitas sobre quais vozes eram bem-vindas e quais não eram. A remoção pelo Facebook da icônica foto Garota do Napal, em 2016 — devido à aplicação automatizada de regras contra nudez — provocou uma reação global, forçando a plataforma a reverter sua decisão e reconhecer as complexidades da moderação em larga escala. Na mesma época, o Twitter enfrentou críticas por não responder adequadamente ao crescimento de propagandistas do Estado Islâmico e a campanhas de assédio como o Gamergate (um movimento online de 2014, supostamente sobre ética no jornalismo de games, mas amplamente visto como uma campanha de trolls contra mulheres do setor). Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui  

MUNDO – Padre alimenta polêmica e repete ‘gesto nazista’ de Elon Musk

Comportamento em evento antiaborto fez Calvin John Robinson ser expulso da Igreja Católica Anglicana Um padre da Igreja Católica Anglicana repetiu nesta semana o “gesto nazista” feito pelo magnata Elon Musk durante a posso do presidente Donald Trump em Washington, em 20 de janeiro. Musk negou que essa fosse sua intenção. Em vez disso, o bilionário alegou que estava gesticulando que o seu coração estava alcançando a multidão. O britânico Calvin John Robinson partipava da Cúpula Nacional Pró-Vida, na capital dos EUA, quando diante de uma multidão fez referência ao polêmico gesto de Musk ao se despedir do público e declarar que os EUA “são o único país que está lutando pela vida”. “Esta é a última resistência da cristandade. É hora do tudo ou nada. Todo o Velho Mundo está desmoronando. Todos os países da Europa estão abraçando a morte. A América (como os americanos e muitos europeus chamam os EUA), até onde posso ver, é a única lutando pela vida, e isso depende de vocês. Então, Deus abençoe todos vocês pelo que estão fazendo. Por favor, continuem fazendo isso. Espero poder encorajá-los, e meu coração está com vocês. Deus os abençoe”, disse o reverendo, terminando com o gesto, que foi recebido com risos e aplausos da multidão, relatou o site “Mediaite”. Na quarta-feira (29/1), após a repercussão do discurso e do gesto de Robinson, o religioso foi expulso da Igreja Católica Anglicana, um movimento cristão com raízes políticas que é separado da Igreja Anglicana. Além do seu trabalho religioso, Robinson se estabeleceu como uma figura proeminente na política conservadora no Reino Unido. O homem de 39 anos já concorreu ao cargo de deputado pelo Partido Conservador e foi ligado a várias de organizações de direita e extrema direita — incluindo a Turning Point UK. Ele se tornou porta-voz do Partido da Independência do Reino Unido em 2024. Fonte: Site EXTRA Matéria Completa: Acesse Aqui

NOVA IA – Seja bem-vindo, DeepSeek

Com inteligência, criadores da IA chinesa driblaram a força bruta dos EUA. E compartilharam o que produziram! Falta o mais difícil: criar relações sociais que tornem a tecnologia companheira, e não algoz. Mas vale aplaudir o passo dado… Agora, todos já sabem. A DeepSeek, uma empresa chinesa de inteligência artificial (IA), lançou um modelo chamado R11, que é comparável em capacidade aos melhores modelos de empresas como OpenAI, Anthropic e Meta, mas foi treinado a um custo radicalmente mais baixo e usando chips de GPU inferiores ao estado da arte. A DeepSeek também tornou públicos detalhes suficientes do modelo para que outros possam executá-lo em seus próprios computadores sem custos. A DeepSeek é um torpedo que atingiu abaixo da linha d’água as chamadas “Sete Magníficas” empresas de tecnologia dos EUA. A DeepSeek não usou os chips e softwares mais recentes e avançados da Nvidia; e não precisou de gastos astronômicos para treinar seu modelo de IA, ao contrário de suas concorrentes americanas; e ainda assim oferece um número semelhante de aplicações úteis. A DeepSeek construiu seu modelo R1 com chips mais antigos e mais lentos da Nvidia, aqueles cuja exportação para a China foi permitida pelas sanções dos EUA. O governo dos EUA e os gigantes da tecnologia acreditavam ter um monopólio no desenvolvimento de IA devido aos enormes custos envolvidos na fabricação de chips melhores e modelos de IA mais avançados. Mas agora o R1 da DeepSeek sugere que empresas com menos recursos financeiros poderão, em breve, operar modelos de IA competitivos. O R1 pode ser usado com um orçamento reduzido e muito menos poder computacional. Além disso, o R1 é tão eficiente quanto seus concorrentes na “inferência”, o jargão da IA para descrever o processo em que os usuários fazem perguntas ao modelo e obtêm respostas. E ele pode rodar em servidores de diversas empresas, eliminando a necessidade de pagar preços exorbitantes para alugar infraestrutura de empresas como a OpenAI. O mais importante é que o R1 da DeepSeek é “código aberto”, ou seja, seus métodos de codificação e treinamento estão disponíveis para que qualquer um possa copiar e desenvolver. Isso representa um golpe significativo nos segredos “proprietários” que OpenAI e o Gemini do Google mantêm em uma “caixa preta” para maximizar seus lucros. A analogia aqui é com a indústria farmacêutica, quando se compara medicamentos de marca e genéricos. A grande questão para as empresas de IA dos EUA e seus investidores é que pode não ser necessário construir imensos centros de dados repletos de chips caríssimos para alcançar resultados suficientemente bem-sucedidos. Até agora, as empresas americanas vinham aumentando massivamente seus planos de gastos e tentando captar bilhões para esse fim. De fato, na mesma segunda-feira em que o R1 da DeepSeek foi anunciado, a Meta revelou um novo investimento de US$ 65 bilhões, e poucos dias antes, o presidente Trump anunciou subsídios governamentais de US$ 500 bilhões para os gigantes da tecnologia como parte do chamado projeto Stargate. Ironicamente, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, disse que estava investindo porque “Queremos que os EUA definam o padrão global de IA, e não a China.” Oh, querido… Agora, os investidores estão preocupados de que esses gastos sejam desnecessários e, mais do que isso, que afetem a lucratividade das empresas americanas, caso a DeepSeek consiga oferecer aplicações de IA a um décimo do custo. Cinco das maiores ações de tecnologia focadas em IA — a fabricante de chips Nvidia e os chamados “hiperescalares” Alphabet, Amazon, Microsoft e Meta Platforms — perderam coletivamente quase US$ 750 bilhões em valor de mercado em um único dia. Além disso, a DeepSeek ameaça os lucros das empresas de data centers e das operadoras de água e energia que esperavam se beneficiar da grande ‘expansão’ promovida pelas Sete Magníficas. O boom do mercado de ações dos EUA está fortemente concentrado nessas empresas. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui

ECOTEOLOGIA PARTE 3- UNIDADE 1- INTER-RELAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES ECOAMBIENTAIS DAS RELIGIÕES

4.O COMPROMISSO DAS IGREJAS CRISTÃS COM A JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL “Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes.” (Albert Schweitzer, Prêmio Nobel da Paz, 1952) Todos nós sabemos da importância socioambiental para a sobrevivência do planeta. Por séculos o ser humano retirou da terra tudo o que precisou para seu sustento, e ainda o faz com grande ferocidade – sem generalizar, pois há quem ainda cuide da terra, adubando e plantando para seu sustento e dos demais. Igrejas de diversas denominações religiosas sabem da urgente necessidade do cuidado com o planeta Terra, que se encontra com seus recursos naturais superexplorados e, em alguns lugares, já esgotados. O cristianismo reconhece a tensão existente entre a responsabilidade da humanidade no que diz respeito ao cuidar da criação de Deus e a tendência humana de rebelar-se contra Deus. Várias igrejas cristãs, nas últimas décadas, revisaram seus ensinamentos e práticas à luz da crise ambiental. (FRANKY; AGUIRRE, 2016, p. 129) O líder religioso da Igreja Católica, Papa Francisco, escreve na Laudato Si, sobre o cuidado da casa comum, que é urgente refletir, dialogar e buscar soluções para a crise ecológica em que vivemos. Devido ao grande crescimento da população, o ambiente natural está perdendo espaço; o ritmo de consumo, desperdício e alterações do meio ambiente superou as possibilidades do planeta. O estilo de vida atual é insustentável. Durante o Encontro Internacional de Oração pela Paz, organizado em Roma pela Comunidade de Santo Egídio, no dia 20 de outubro de 2020, Bartolomeu I envia mensagens para os ilustres representantes das grandes religiões do mundo. Em sua carta, o bispo ortodoxo atenta que devemos cuidar da nossa casa comum, ou seja, salvar e proteger o ecossistema da terra. Reforça que os quatro elementos naturais – ar, água, fogo e terra – são fundamentais para o desenvolvimento harmonioso da vida e o futuro normal do mundo. O Papa Francisco menciona na Laudato Si que o ambiente humano e o ambiente natural degradam-se em conjunto. Não podemos enfrentar a degradação ambiental se não prestarmos atenção às causas que têm a ver com a degradação humana e social. É fundamental buscar soluções integrais para os sistemas naturais e sociais. A melhor maneira de colocar o ser humano no seu lugar e acabar com a sua pretensão de ser dominador absoluto da terra é propor a figura de um Pai Criador e único dono do mundo. Hoje, a Igreja não diz de forma simplista que as outras criaturas estão totalmente subordinadas ao bem do ser humano. A humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudanças de estilo de vida, de produção e de consumo, para combater o aquecimento global ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou o acentuam. A maior parte dos habitantes do planeta declara-se crente, e isso deveria levar as religiões a estabelecerem diálogo entre si, visando ao cuidado da natureza, à defesa dos pobres e à construção de uma trama de respeito e de fraternidade. Dentro do mosaico do pluralismo religioso há uma importante tarefa para a tradição judeu-cristã de dar um giro paradigmático, para ser coerente com o cuidado da Criação. Daí que escrutinar o Apocalipse e interpretar adequadamente as Sagradas Escrituras deve ser um dos principais exercícios para que se estruture uma ecoteologia cristã, pertinente ao mundo de hoje. (FRANKY; AGUIRRE, 2016, p. 133) O cuidado do meio ambiente faz parte da missão da Igreja Metodista, que teve definido o ano de 2019 como um tempo para pensar o cuidado com o meio ambiente, com o tema “Discípulas e discípulos nos caminhos da missão cuidam do meio ambiente”. Esse tema propõe, como uma das sugestões de ação, o desenvolvimento de um programa de educa- ção ambiental que contemple assuntos como consumo consciente, uso racional da água e da energia, combate à poluição, tratamento adequado do lixo e alimentação saudável. A Igreja Anglicana foi fundada na Inglaterra em 1534, por meio do Rei Henrique VIII, que rompeu com a Igreja Romana e sua dominação papal. Assim como a Igreja Católica, segue as Sagradas Escrituras e pratica os sacramentos do Batismo e da Eucaristia. No início do ano de 2019, a Rede Ambiental da Comunhão Anglicana (ACEN – Anglican Communion Environmental Network) solicitou a todos anglicanos do mundo que utilizassem menos plásticos na Quaresma, com a intenção de proteger o meio ambiente. A coordenadora ambiental da Igreja Anglicana do Sul da África, Cônega Rachel Mash, disse que por volta de 2050 haverá mais plástico do que peixes nos oceanos. “Nós produzimos aproximadamente 300 milhões de toneladas de plástico todos os anos, e metade disto é descartável”, informou. “Mundialmente, apenas 10 a 13 por cento de itens plásticos são reciclados” (PARÓQUIA DE SÃO JOÃO, 2019, [n. p.]). Os anglicanos realizaram algumas atividades, dentre elas as seguintes: caminhada de oração/caminhada em meio a Covid-19; Dia Mundial dos Animais; Dia Mundial de Oração pela Criação; Serviço Ecumênico Juvenil (ACNS, 2020). No dia 31 de agosto de 2017, em Astana, no Cazaquistão, os líderes religiosos muçulmanos, cristãos e judeus participaram do Encontro inter-religioso “Juntos pelo cuidado da nossa casa comum”, organizado no âmbito da Expo 2017. Nessa ocasião, fizeram uma declaração comum acerca da defesa do ambiente. Durante o evento, o cardeal Peter Turkson, presidente do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, frisou que todos os cristãos devem agir em relação às alterações que o planeta Terra sofre com a utilização indevida dos seus recursos naturais. É dever de cada instituição religiosa trabalhar com uma educação que proteja e preserve as riquezas e seus recursos naturais, levando os fiéis a refletir a respeito dos valores comuns e da relação do homem com o meio ambiente. Cristãos do mundo inteiro estão se unindo para a preservação do meio ambiente. Devemos cuidar da nossa Casa comum, em toda sua plenitude, pois ela é um dom de Deus e precisa ser tratada com muito zelo, louvor e respeito.   Fonte: Blog Frei

ECOTEOLOGIA PARTE 2- UNIDADE 1 – INTER-RELAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES ECOAMBIENTAIS DAS RELIGIÕES

2. RELIGIÕES DO ORIENTE E O MEIO-AMBIENTE – O MUNDO COMO ÍCONE DE DEUS Dando continuidade à nossa reflexão, queremos sintetizar o pensamento da Espiritualidade Oriental Antiga a respeito da natureza e, assim, ver o mundo como um sacramento a ser contemplado. Seria uma ousadia chamar os Padres da Igreja primitiva oriental (não estamos falando de sacerdotes, mas de pais do pensamento primitivo) de ecologistas, pois eles não fazem uma admiração estética da natureza, mas querem mostrar outra realidade mais profunda que inspira; o mundo tem que ser o lugar de constante recordação de Deus e essa afirmação é uma categoria mística essencial. São Basílio Magno dizia que “o criado é impregnado de Beleza”, um imenso ícone da Beleza de Deus, e a natureza é sinal dessa realidade, dessa percepção profunda. 2.1. A VISÃO OTIMISTA DO MUNDO A prece na tradição cristã antiga passa também pela contemplação da natureza, não apenas como um sentimento romântico; trata-se de fato de uma paixão. É saber ver. Diz São Basílio: “O Senhor não serve de olhos para contemplar a Beleza da sua Obra, mas nós precisamos de olhos para admirá-la. A beleza é a base da obra criadora”. Para os Padres Gregos a criação é Deus ornando o caos. O cosmo é encontro da ordem, ornamento e harmonia. Deus cria dando forma ao informe. O mundo é um resultado de alguém que olha segundo o modelo de ser, fazer, criar. O Senhor cria, cuida e conduz. Idolatria seria afastar-se de Deus, seria esquecer o mundo em sua multiplicidade, ordem e ritmo. O mundo deve ser a recordação constante desse contato com o divino. As coisas criadas são feitas para evocar isso. Elas são um intercâmbio: humano-natureza-comunhão com o Sagrado. O ser humano se torna pessoa enquanto é relação com a totalidade, e se tem relação com as coisas deve ter também uma íntima relação com Absoluto. Essa relação humano-mundo e humano-Deus é bastante nutrida pela natureza, porque o mundo representa um espetáculo, um convite do Senhor para colocar o Humano em comunhão com Ele ao ver sua obra. Aqui está o ponto central da teologia e espiritualidade antigas no que se refere ao criado: a sacralidade do mundo, a contemplação religiosa da criação. A natureza é um livro aberto para conhecer Deus e o seu plano de Amor. O ato criativo de Deus é contínuo, mas o ponto forte é que Deus cria encarnando-se. O Verbo se fez carne e impregnou a paisagem humana da Boa Nova. É preciso ver com alegria o Verbo em todas as coisas, pois Ele completa o plano salvífico global do Pai, por isso é preciso reconhecer e agradecer. O Verbo é o sentido eucarístico do mundo. Na Espiritualidade Patrística a visão otimista do mundo tem uma justificação soteriológica: a matéria toda é assumida pelo Verbo para operar de um modo completo a nossa salvação: “Não cessarei de levar minha veneração à Matéria através da qual se operou a minha salvação”, escreveu São João Damasceno (MAZZUCO FILHO, 1992, p. 375). 2.2. A VISÃO SACRAMENTAL DO MUNDO Os Padres se voltam à Bíblia para sustentar a sua visão otimista sacramental do mundo, e precisamente a Gn 1, 10: “E Deus viu que era bom”. Os exegetas da patrística interpretam esse trecho lembrando que Bom se refere à utilidade das coisas para o ser humano, enquanto o Belo exprime a alegria fecunda e emergente da própria criação. Os Padres citam frequentemente essa expressão bíblica para afirmar a bondade e a beleza do universo. A bondade e a beleza do mundo derivam da sabedoria de Deus, criador de tudo aquilo que é. Todo criado é revestido dessa realidade, afirma São Basílio: “assim como a água impregna de sua vitalidade uma planta, dando-lhe a possibilidade de revestir-se de cores” (apud MAZZUCO FILHO, 1992, p. 376). Os Padres tendem a ver o mundo como uma “teofania” de Deus, uma espécie de sacramento de sua Presença e da sua Beleza. Trata-se de uma verdadeira e própria “cosmologia sacramental”. Todo o mundo é sagrado, porque manifesta o início da encarnação dos Logos Divinos: O Mundo é uma coisa boa e tudo nele está colocado em ordem com sabedoria e arte. Tudo, portanto, é obra do Verbo vivente e substancial, porque o Verbo é Deus. É dotado de livre vontade porque é vivente, tem o poder de fazer tudo o que escolhe para realizar, e escolhe somente o que é bom e sábio e tudo o que traz o sinal da perfeição. (apud MAZZUCO FILHO, 1992, p. 376) O grande mestre do “Sacramentalismo cosmológico” é Orígenes. Para ele o mundo é um mistério, isto é, um sacramento. Mistério é Deus mesmo e tudo o que saiu dele através dos Logos. O mundo é feito de sinais significantes que precisam ser lidos para se chegar àquEle que significam. É preciso ter percepção do mistério. “Recordamos que tudo é pleno de mistério”, diz Orígenes, e escreve também: “Tudo o que se alcança, se alcança através do mistério”, pois somente pela graça do Espírito é que nós podemos fazer essa leitura (apud MAZZUCO FILHO, 1992, p. 376). Máximo, o confessor, diz: “O fogo inefável e prodigioso escondido na essência das coisas como esteve na sarça ardente, é o fogo do Amor Divino e o esplendor fulgurante da sua Beleza dentro de todas as coisas”. Esse fogo Divino é revelado somente pelo Fogo do Espírito, que leva o mundo a ser contemplado como o grande ícone da Beleza de Deus (apud MAZZUCO FILHO, 1992, p. 376).   Fonte: Blog Frei Vitório Matéria Completa: Acesse Aqui