RELIGIÃO – A religião como fonte de utopias regeneradoras e libertárias

A antropologia em geral e, especialmente, a escola psicanalítica de C. G. Jung veem a experiência religiosa emergindo das camadas mais profundas da psiqué. Hoje predomina o convencimento de que o fator religioso é um dado do fundo utópico do ser humano. Depois que a maré crítica da religião feita por Marx, Nietzsche, Freud, Popper e Dawkins retrocedeu, podemos dizer que os críticos não foram suficientemente críticos. No fundo, todos eles laboraram num equívoco: quiseram colocar a religião dentro da razão, o que fez surgir todo tipo de incompreensões. Estes críticos não se deram conta de que o lugar da religião não está na razão, embora possua uma dimensão racional, mas na inteligência cordial, no sentimento oceânico, naquela esfera do humano onde emergem as utopias. Bem dizia Blaise Pascal, matemático e filósofo no famoso fragmento 277 de seus “Pensées”: “É o coração que sente Deus, não a razão”. Crer em Deus não é pensar Deus, mas sentir Deus a partir da totalidade de nosso ser. A religião é a voz de uma consciência que se recusa a aceitar o mundo tal qual é, sim-bólico e dia-bólico. Ela se propõe transcendê-lo, projetando visões de um novo céu e uma nova Terra, e de utopias que rasgam horizontes ainda não vislumbrados. A antropologia em geral e, especialmente, a escola psicanalítica de C. G. Jung veem a experiência religiosa emergindo das camadas mais profundas da psiqué. Hoje sabemos que a estrutura em grau zero do ser humano não é razão (logos, ratio), mas é a emoção e o mundo dos afetos (pathos, eros e ethos). A pesquisa empírica de David Golemann com sua Inteligência emocional (1984) veio confirmar uma larga tradição filosófica que culmina em M. Meffessoli, Muniz Sodré e em mim mesmo (Direitos do coração, Paulus 2016). Afirmamos ser inteligência saturada de emoções e de afetos. É nas emoções e nos afetos que se elabora o universo dos valores, da ética, das utopias e da religião. É deste transfundo que emerge a experiência religiosa que subjaz a toda religião institucionalizada. Segundo L. Wittgenstein, o fator místico e religioso nasce da capacidade de extasiar-se do ser humano. “Extasiar-se não pode ser expresso por uma pergunta. Por isso não existe também nenhuma resposta”(Schriften 3, 1969,68). O fato de que o mundo exista, é totalmente inexprimível. Para este fato “não há linguagem; mas esse inexprimível se mostra; é o místico”(Tractatus logico-philosophicus, 1962, 6, 52). E continua Wittgenstein:”o místico não reside no como o mundo é, mas no fato de que o mundo é”(Tractaus, 6,44). “Mesmo que tenhamos respondido a todas as possíveis questões científicas, nos damos conta de que nossos problemas vitais nem sequer foram tocados” (Tractatus, 5,52). Fonte: Site BRASIL DE FATO Matéria Completa: Acesse Aqui
SOCIEDADE – Assim as mulheres desafiam a maré fascista

Surge, em muitos países, uma clivagem política de gênero: mulheres assumem posições e votos claramente mais à esquerda. O machismo reage com rancor. Possível contra-ataque: ir além do doméstico e ocupar mais espaços de poder Desde 2014, nosso país viu a ascensão da extrema direita – antes tida como caricata e isolada nas pequenas rodas privadas do pensamento comum e reacionário – assumindo um protagonismo político capaz de se apresentar como a “única saída”, e de urgência, sobre a crise política e econômica que atravessamos no mundo. Figuras como Jair Bolsonaro saem, assim, do círculo do folclore do baixo clero do Congresso Nacional e assumem um lugar messiânico para a maioria da classe média e da elite brasileira. Do outro lado, vemos o maior revés do campo popular e democrático desde o fim da ditadura, em 1985. Da eleição de 2014 até o golpe que resultou no impeachment da presidenta Dilma, era como se estivéssemos imersos em uma “grande noite” – parafraseando Frantz Fanon – que autorizava uma crescente onda fascistizante reforçada pela misoginia, pelo racismo e pelo ódio contra o povo. Mesmo quem se contrapunha a isso não conseguia enxergar uma saída. Claro que essas questões já estavam profundamente enraizadas na estrutura da nossa sociedade e foram abertas ali como uma caixa de pandora do fascismo. A percepção de muitos era de que estávamos derrotados e condenados a sermos governados por uma onda de extremismo que varria o mundo, sem que pudéssemos fazer nada. Nesse contexto, os movimentos feministas assumem um papel central – o ano era 2018, e milhares de mulheres tomaram as ruas de centenas de municípios brasileiros. Suas palavras de ordem eram claras: articulação política ampla. Através de encontros produzidos pela internet, buscavam construir um cordão sanitário de proteção da democracia: de um lado, Bolsonaro; de outro, todas as pessoas que se posicionassem contra suas ideias autoritárias. O movimento, popularmente conhecido como #EleNão, foi a maior mobilização social da última década e simbolizou mais do que uma resistência eleitoral – representou um marco histórico na luta contra a extrema direita no Brasil. Sob a perspectiva de Achille Mbembe em torno da ideia de Fanon, poderíamos dizer que essa mobilização foi um gesto concreto de busca pela saída da “grande noite” que se abateu sobre nós depois do período eleitoral de 2014 e que paralisou parte da esquerda. As mulheres, assim, encontravam um caminho possível e um espaço para construir a resistência. Às vésperas do processo eleitoral de 2018, a força política do #EleNão pode ter sido decisiva para que a chapa que eu compunha como candidata à vice-presidência de Fernando Haddad chegasse ao segundo turno. Naquele mesmo ano, inaugurou-se um ciclo de pesquisas que evidenciou a diferença de comportamento eleitoral entre mulheres e homens. Em julho, 22% dos homens declaravam espontaneamente votar em Bolsonaro, enquanto apenas 7% das mulheres faziam o mesmo. Em outubro, outro levantamento apontava que, entre eleitores do sexo masculino, Bolsonaro tinha 37% das intenções de voto, enquanto entre as mulheres o número era aproximadamente a metade: 21%, o que o deixava em empate técnico com Haddad, que marcava 22%. Essa diferença se consolidou em 2022, quando Lula venceu com 50,9% dos votos válidos, em grande parte devido ao voto feminino. Estima-se que 58% das mulheres tenham escolhido Lula, enquanto 52% dos homens optaram por Bolsonaro. Quando analisadas as intenções de voto das pessoas pardas e negras, a vantagem de Lula foi ainda maior: 57% a 35%. Esse protagonismo das mulheres – especialmente das mulheres negras – na luta contra a extrema direita não é um detalhe, mas uma evidência de que a resistência feminina, organizada a partir de suas próprias experiências e urgências, é uma força motriz de transformação. O #EleNão, como expressão dessa resistência, não só enfrentou as trevas autoritárias que ameaçavam engolir a democracia brasileira, como também acendeu uma luz capaz de nos guiar para fora da “grande noite”, em direção a um futuro mais justo, plural e democrático. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui
ARTIGO – A ESTUPIDEZ DIGITAL E O FIM DA RAZÃO DIALÉTICA
A Primeira Lei Fundamental da Estupidez Humana declara sem ambiguidade que “Todo mundo subestima, sempre, o número de indivíduos estúpidos em circulação” (Carlo M. Cipolla). 01. A epígrafe deste breve artigo foi extraída do livro As leis fundamentais da estupidez humana, escrito pelo historiador da economia italiano Carlo M. Cipolla (1922-2000) e sobre quem um conhecido físico, Carlo Rovelli, também italiano, escreveu: “o humor sutil de Cipolla fez deste livro um clássico na Itália. Hoje, com as tendências mundiais atuais, lê-se como humor negro” (sic). Quanto a mim, a verdadeira cor do humor reside em seu poder filosófico, como escreve Nietzsche, de subtrair à estupidez sua “boa consciência”, inclusive a de extração religiosa, como a da piedosa velhinha que trouxe lenha para alimentar a santa fogueira a que foi condenado Jan Huss que, impotente, exclamou: sancta simplicitas! 02. O senso comum no qual estamos todos enraizados é o espaço da disponibilidade para a estupidez humana. Não dispomos de mecanismos de objetivação científica, menos ainda de fundamentação filosófica, para concluir sobre o aumento ou decréscimo do coeficiente da estupidez humana. Sim, humana, porque não há registros conhecidos de estupidez entre os mamíferos não humanos. Contrariando o alegado e tido por bem partilhado bom senso cartesiano, a estupidez humana nunca perdeu força ao longo da história e tem razões que atravessam credos, raças e classes. Como escreve Cipolla, “a possibilidade de determinada pessoa ser estúpida independe de qualquer outra característica dessa pessoa”. 03. Nos dias que correm a sociedade digital conferiu à figura estúpida um poder sem par na história humana. Anticartesiana, e mais ainda antidialética, a estupidez digital como um tipo de infopolvo deita globalmente seus tentáculos, flexíveis, ventosos, sobre corações e mentes, e num alcance e velocidade como jamais imaginou a razão humana. Para aqui recorrer à linguagem paulina, a estupidez digital é hoje a materialização consumada do “príncipe do poder do ar” descrito em Ef 2,2. Segundo Cipolla, “a pergunta que pessoas sensatas fazem com frequência é como e por que pessoas estúpidas conseguem alcançar posições de poder e relevância”. 04. No parorama filosófico atual Alain Badiou, marxista, seria o pensador mais indicado para retomar o tema paulino do “príncipe do poder do ar” associado à universalização da estupidez digital. Ele, que se reconhece como “hereditariamente ateu”, desde os “quatro avós preceptores”, “educado no desejo de esmagar a infâmia clerical”, descobriu mais tarde nas epístolas paulinas “textos curiosos, cuja poética impressiona”. Ao atribuir a São Paulo a fundação do universalismo, Badiou arrisca a comparação que faz de Paulo “um Lênin, do qual o Cristo teria sido o Marx equívoco”. Se esse desafio chegar às mãos e mentes filosóficas de Badiou, poderia ser o tema de um seu possível (e desejável) Terceiro manifesto pela filosofia. 05. Comum aos mamíferos humanos, o senso comum, que abriga o universo da ignorância, e pior, da estupidez, é aquele constructo que na linguagem do materialismo histórico e dialético Marx denomina de nosso “ser genérico”. Na ausência de mediações críticas, que possibilitam a transição do senso comum (ser genérico) ao bom senso (consciência crítica) o ser humano é facilmente, sem resistência cognitiva, capturado pelo estúpido pensamento de rebanho. Ou, para trocar a questão em miúdos, é encurralado pela gadificação cognitiva. A férrea lógica da estupidez costuma afrontar e desestabilizar todos os princípios da razão. 06. É exatamente nessa terra de ninguém e sempre disponível que a extrema direita faz com êxito a letal semeadura da ignorância e da estupidez. O perigo maior nesse processo é subestimar o poder da ignorância e da estupidez e o quanto esse poder ganha em intensidade e extensão ao se apropriar dos dispositivos digitais. O velho Francis Bacon ao afirmar, em seu otimismo epistêmico, que “conhecimento é poder” não levou em conta o poder da ignorância e da estupidez socialmente produzidas. A razão humana, por maior que seja sua capacidade de prever e proteger-se do erro, muito pouco pode diante da ação imprevisível de um indivíduo estúpido. 07. Falar hoje em “mal-estar na cultura” soa eufemístico. Segundo Byung-Chul Han, “Freud poderia ter afirmado então que o capitalismo representa a forma econômica na qual o ser humano, na condição de besta selvagem, pode viver e aproveitar melhor sua agressividade”. Para aqui recorrer ao irredento Wilhelm Reich, o mundo capitalista da estupidez digital, inseparável da barbárie social e da catástrofe ambiental, é hoje a verdadeira “peste emocional da humanidade”. Seu livro Escuta, Zé Ninguém merece ser lido e discutido em grupo. É uma leitura a mais atual nesses tempos de regressão cognitiva potencializada pelos dispositivos digitais. *José Alcimar de Oliveira é professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), onde concluiu e defendeu seu mestrado e doutorado. É também teólogo heterodoxo e sem cátedra, ocupa a segunda vice-presidência da Associação dos Docentes da UFAM (ADUA – Seção Sindical) e é filho orgulhoso do cruzamento dos rios Solimões (em Manacapuru – AM) e Jaguaribe (em Jaguaruana – CE). Em Manaus – AM, março de 2025.
RELIGIÃO – 21 bispos se juntam a cientistas e ativistas para assinar carta contra exploração de petróleo no Brasil

Um grupo de 100 cientistas, ambientalistas, ativistas sociais e católicos — incluindo 21 bispos — divulgou uma carta pública em 18 de fevereiro criticando os planos do governo Lula para exploração de petróleo perto da foz do Rio Amazonas. A reportagem é de Eduardo Campos Lima , publicada por National Catholic Reporter, 27-02-2025. A carta afirma que a exploração de petróleo perto da costa do estado amazônico do Amapá, no norte do Brasil, seria um “suicídio ecológico” e pede uma redução imediata na produção e no consumo de combustíveis fósseis. Segundo os signatários, a produção de petróleo naquela área não só seria arriscada para os biomas locais, mas também significaria a continuidade de um modelo econômico que libera uma quantidade excessiva de carbono na atmosfera, o que contribui para as emissões de gases de efeito estufa que retêm calor e aquecem o planeta. Dom Vicente de Paula Ferreira, da Diocese de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, é um dos bispos mais atuantes na denúncia dos impactos das atividades extrativistas na Terra e nas populações tradicionais. “A retórica do governo é baseada em uma mentalidade capitalista de lucros ilimitados. Mas o planeta não tem mais recursos para crescimento ilimitado. Temos que proteger o que sobrou”, disse o bispo, que lidera a Comissão Especial de Mineração e Ecologia Integral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. O padre italiano Dario Bossi, membro da comissão, disse que o grupo queria que a igreja desempenhasse um papel significativo entre os signatários da carta, por isso buscou o apoio de bispos de todas as regiões do Brasil. “Isso mostra que não é só um segmento social que critica o projeto do governo, mas uma aliança complexa com diferentes atores”, disse. A ideia de prospectar petróleo na chamada Margem Equatorial — região que abrange o litoral brasileiro do Rio Grande do Norte ao Amapá e além até a Guiana Francesa, Suriname e Guiana — não é nova. Desde 2014, a estatal petrolífera Petrobras solicitou autorização da agência ambiental do governo, Ibama, em diversas ocasiões para explorar as reservas de petróleo da região. O esforço enfrentou uma luta política significativa a partir de 2023, durante o primeiro ano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato, embora alguma controvérsia tenha existido antes. Após a destruição ecológica da administração do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019–2022), grande parte da campanha de Lula se concentrou na promessa de reconstruir as políticas de proteção ambiental do Brasil. Marina Silva, uma conservacionista de longa data que começou seu ativismo político ao lado do ícone amazônico Chico Mendes (1944–1988), foi nomeada por Lula como ministra do meio ambiente e mudanças climáticas. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
ARTIGO – ALGUÉM ANDOU SOPRANDO
A Igreja nasce do Mistério Pascal: vida, morte e ressurreição de Cristo; de Pentecostes e também da decisão dos apóstolos. O projeto de Jesus Cristo era instaurar o Reino de Deus. O reinado de Deus chegou, está entre vós. Com a proximidade e ameaça de morte Ele começa a anunciar a edificação da Igreja. Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Com Pentecostes esta igreja se torna pública. A força do Espírito Santo impele os apóstolos ao anúncio do morto e ressuscitado, que continua vivo e presente. Os discursos de Pedro em Atos são uma síntese dos fatos. As figuras de Pedro (sempre o primeiro nos textos) e Paulo, indicam a Instituição (Cristo) e o Carisma (Espírito Santo). É representativo o Vaticano (dentro dos muros) e a igreja de são Paulo (fora dos muros). Ou seja, a Igreja é instituição por necessidade de continuação histórica e sociológica. E a Igreja é Carisma por necessidade de liberdade do Espírito de soprar onde quer. A instituição será sempre uma mediação (sólida = pedra) para uma ação divina (líquida = pneuma). A Igreja não é o Reino de Deus, mas tem a missão de anunciar o Reino de Deus ao mundo. A Igreja não é o Mundo, mas é a parte do mundo que crer em Jesus Cristo. Como a Igreja está no mundo sempre conseguiu bons frutos e encontrou dificuldades. As crises históricas da igreja sempre terminaram em partos de vida nova e vigorosa. Para enfrentar as crises, o Espírito de Deus tem escolhido figuras humanas. É típica a figura de Francisco de Assis apoiando igreja (instituição) como o homem que recebeu o carisma para reconstruir. É típica também a figura de Inácio de Loyola, que na contra-reforma, lidera um novo parto missionário da Igreja. São duas grandes tradições carismáticas da igreja. Estamos num momento delicado da Igreja diante de um mundo complexo. A missão de anunciar o Reino, ou o morto e ressuscitado é como um novo parto. Parece que neste conclave. Alguém andou soprando. Assim, acredito mais no Espírito Santo. 19.03.2013 (São José)
MUNDO – A Terra é de todos. Terra e humanidade são uma coisa só. Artigo de Leonardo Boff

“Formamos uma única entidade, vale dizer, um único ser, complexo, diverso, contraditório e dotado de grande dinamismo. Tal asserção pressupõe que o ser humano não está apenas sobre a Terra. Não é um peregrino errante, um passageiro vindo de outras partes e pertencendo a outros mundos. Não. Ele, como homo (homem) vem de húmus (terra fértil). Ele é Adam (que em hebraico significa ‘o filho da terra fértil’) que nasceu da Adamah (‘terra fecunda’; Gen 2,7). Ele é filho e filha da terra. Mais, ele é a própria Terra em sua expressão de consciência, de liberdade e de amor. Através dele ela contempla o universo”, escreve Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor. Eis o artigo. Nos últimos tempos estamos assistindo, estarrecidos, conflitos e guerras em várias partes no planeta, por pedaços de territórios, especialmente na Faixa de Gaza, no Sudão e na Ucrânia. A partir de uma visão ecológica, tudo isso nos parece um tanto ridículo. Já em 1795, no famoso texto A Paz Perpetua, escrevia o filósofo Immanuel Kant (1724-1804) que a Terra pertence à humanidade e é um bem comum de todos. Ninguém é dono da Terra ou recebeu do Criador uma escritura de posse dela. Por essa razão não há por que lutarmos entre nós, se tudo é nosso. Hoje enriqueceríamos esta leitura de Kant dizendo que a Terra pertence à comunidade de vida, à natureza, à flora e a fauna e aos quintilhões de quintilhões de micro-organismos escondidos no subsolo, bactérias, fungos e vírus. A Terra é de todos eles, pois foram gerados por ela e precisam dela para viver. Se houvesse um mínimo de sensatez na cabeça dos humanos, isso seria uma evidência e todos viveríamos dentro da mesma Terra como a Nossa Casa Comum numa paz perpétua. Mas como somos, ao mesmo tempo, sapientes e dementes, portadores de razoabilidade e de insanidade, há épocas em que predomina insanidade e, em outras, predomina a sensatez. Hoje parece predominar a insanidade generalizada. Daí a disputa por terras em razões das quais se fazem guerras letais. Mas vejamos alguns dados. O universo já existe há 13,7 bilhões de anos. O sol há 5 bilhões de anos. A Terra há 4,45 bilhões de anos. O ser humano primitivo há 7-8 milhões de anos. O homo sapiens sapiens, de quem descendemos, há 100 mil anos. Se reduzirmos os 13,7 bilhões de anos em um ano cósmico, como o fez o cosmólogo Carl Sagan, nós nascemos no dia 31 de dezembro, às 23 horas e 59 minutos e 59 segundos. Somos, portanto, um momento quase imperceptível do curso cósmico, um minúsculo grão de areia no conjunto dos seres. Mas a nossa grandeza reside em termos consciência de que somos isso e que sabemos o nosso lugar e nossa responsabilidade face ao conjunto dos seres. De lá da Lua, testemunham os astronautas, a Terra emerge como um planeta esplendoroso, azul e branco, que cabe na palma da mão, um pequeníssimo corpo na imensidão escura do universo. É o terceiro planeta do Sol, de um Sol de subúrbio, estrela média de quinta grandeza, um entre outros duzentos bilhões de sóis de nossa galáxia, a Via Láctea. Esta galáxia é uma entre outras cem bilhões de outras galáxias junto com conglomerados infindáveis de galáxias. O sistema solar dista 28 mil anos luz do centro da Via Láctea, na face interna do braço espiral de Orion. O testemunho do astronauta Russel Scheweickhart, que pôde ver a Terra de fora da Terra, resume os relatos de seus companheiros: “Vista a partir de fora, percebemos que tudo o que nos é significativo, toda a história, a arte, o nascimento, a morte, o amor, a alegria e as lágrimas, tudo isso está naquele pequeno ponto azul e branco que podemos cobrir com seu polegar. E a partir daquela perspectiva se entende que tudo em nós mudou, que começa a existir algo novo, que a relação não é mais a mesma como fora antes” (The Overview Effeckt, Boston 1987, p. 200). Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
ARTIGO – AH! FRANCISCO!
Francisco você é esquisito, não parece que é líder de uma religião. Eu rezo por você e lamento por você estar tão doente. Você é tão estranho. Respeita as religiões diferentes, parece até um tal Jesus que dialogava com a samaritana e atendeu a um pedido da Cananéia. Você acolhe os homossexuais que são tão perseguidos pela sociedade como eram os epiléticos, os aleijados do tempo de um tal Jesus. Você respeita as mulheres e até as convida para assumirem cargos importantes, parece um tal Jesus que confiou à Maria Madalena o anúncio da ressurreição. Você critica a hipocrisia dos religiosos e é tão criticado por isso, também me lembra um tal Jesus que esculhambou os negociantes do templo e não media palavras para denunciar os doutores da lei. Você enfrenta os opressores, os poderosos como fazia um tal Jesus que chamou Herodes de raposa e não permitiu que César desfigurasse a imagem e semelhança de Deus. Ah Francisco, como você é esquisito, faz parecer que Deus se fez humano e que toda teologia é uma antropologia. Você acolhe divorciados, homoafetivos, pobres, mulheres, o humano como ele é tal qual fazia um tal Jesus que andava com pecadoras e publicanos, curava em dia de sábado. Você não aceita a violência contra a natureza, é intolerante com os abusadores de menores, feito um nazareno que dizia deixai vir a mim as crianças porque delas é o Reino dos Deus. Francisco meu bom Francisco você é esquisito se parece com um tal Jesus de Nazaré; você é um outro Francisco, o tal de Assis. AUTORIA: Padre Enio Marcos de Oliveira. Autor de As orações dos Franciscos. Ed Vozes. Via Marcia Friggi
ARTIGO – O PAPA DO FIM DO MUNDO
Ao ser empossado bispo de Roma em 19 de março de 2013, há doze anos, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio adotou o nome de Francisco para carimbar seu pontificado como favorável aos excluídos e à saúde do Planeta, e declarou: “Como vocês sabem, o dever do Conclave era dar um bispo a Roma. Parece que os meus irmãos cardeais foram buscá-lo quase no fim do mundo.” Como ressalta o professor Fernando Altemeyer Junior, a preocupação de Francisco é “o cuidado pastoral dos empobrecidos e o rompimento claro do clericalismo que fez da Igreja uma instituição autocentrada e distante do evangelho de Jesus.” Francisco puniu com severidade bispos e padres pedófilos, acolheu as vítimas, enfrentou a ultradireita católica dos EUA e da África e, em 2019, excluiu do cardinalato e do sacerdócio o estadunidense Teodore McCarrick, ex-arcebispo de Washington, por prática de pedofilia e, em 2023, o Tribunal Penal do Vaticano condenou a cinco anos de prisão o cardeal italiano Giovanni Angelo Becciu, de 75 anos, por peculato e fraude financeira. Francisco não esconde seu descontentamento com Trump e sua simpatia por Lula, apoia a causa palestina e, em janeiro deste ano, nomeou a religiosa Simona Brambilla prefeita do Vaticano. Democrata, já convocou seis sínodos no intuito de renovar a Igreja, inclusive pôr fim ao celibato obrigatório para o clero do Ocidente. No entanto, muitos bispos e cardeais são oriundos da safra conservadora dos pontificados de João Paulo II e Bento XVI, que levantam o freio de mão enquanto o papa acelera. Francisco é o cabeça de uma comunidade que congrega 1 bilhão 390 milhões de fiéis (pouco mais de 17% da população mundial). Fez 47 viagens internacionais e visitou 60 países, mas não retornou à Argentina. Quando o papa Francisco falecer, será convocado um novo Conclave (como mostra o filme de mesmo nome dirigido por Edward Berger). Os atuais cardeais eleitores são 138, de 71 países. Os cardeais não eleitores, por terem ultrapassado 80 anos, são 114. Os cardeais nomeados por Francisco somam 79,7% do atual colégio eleitoral. São 18 eleitores na África, 18 na América do Sul (entre os quais 7 brasileiros), 20 na América do Norte e América Central, 24 na Ásia, 54 na Europa, e 4 na Oceania. Neste mês de fevereiro, a editora Fontanar/Companhia das Letras lançou a autobiografia de Francisco, “Esperança”, a primeira de um papa, redigida em parceria com Carlo Musso. Tive dois encontros pessoais com Francisco, no Vaticano, em abril de 2014, e em agosto de 2023. No primeiro, falei-lhe da importância das Comunidades Eclesiais de Base (escanteadas pelos dois papas que o precederam), e pedi-lhe manter o diálogo com a Teologia da Libertação, sempre defender os povos indígenas e reabilitar meus confrades Mestre Eckhart, que teve vários de seus escritos condenados pela Cúria Romana, e Giordano Bruno, queimado vivo como herege em uma praça de Roma, em 1600. Francisco reagiu às minhas solicitações: “Ore por isso.” Ao final, me dirigi a ele, primeiro, em latim, e logo traduzi para o espanhol: “Extra pauperes nulla salus – Fora dos pobres não há salvação.” O papa sorriu: “Estou de acordo”, disse ao se afastar. No segundo encontro, Francisco me abraçou, beijou e permitiu que fosse filmado por Roberto Mader, que prepara documentários sobre minha trajetória. Dei-lhe de presente meu livro “Jesus militante – o Evangelho e o projeto político do Reino de Deus” (Vozes) e, em espanhol, a cartilha popular, redigida por mim, e traduzida para o espanhol, do Plano de Soberania e Educação Nutricional de Cuba, que assessoro desde 2019. Expliquei-lhe que o “Jesus militante” defende a tese de que o Nazareno veio nos trazer um novo projeto político, civilizatório, que denominava Reino de Deus, em oposição ao reino de César, no qual viveu e pelo qual foi assassinado na cruz devido à ousadia de anunciar um outro reino possível que não era o de César… Insisti para que participe da COP 30, a conferência mundial do clima, a ser realizada em Belém, em novembro próximo. Ele disse que pensava nessa possibilidade. Pedi que interviesse junto a Joe Biden, que se considera católico, para suspender ou, ao menos, flexibilizar o criminoso bloqueio dos EUA a Cuba. Obama, que não é católico, havia minorado as duras medidas do bloqueio imposto desde 1962 à ilha revolucionária do Caribe. E repeti o pedido feito em nosso primeiro encontro: a reabilitação de meu confrade Giordano Bruno, cujas “heresias” estão hoje integradas à teologia e às ciências ou foram descartadas como anacrônicas. Deus conceda a ele longa vida, pois ainda há muito a reformar na Igreja e Francisco é, hoje, uma das raras lideranças a criticar a hegemonia capitalista (globocolonização), apontar as causas da degradação socioambiental e defender os refugiados vítimas da secular exploração da Europa aos países africanos, asiáticos e latino-americanos. Colunista Colaborador – Frei Betto
ARTIGO – JESUS DO MITO E JESUS DA HISTÓRIA.
O termo grego ‘muthos’ (mito) significa ‘narrativa, história contada’. Quando afirmamos que os evangelhos são de caráter narrativo, dizemos, em outras palavras, que eles são ‘mitológicos’. Pois a narração não é um relato frio de algum evento, mas vai carregada da emoção do momento e tem uma intencionalidade própria. O Jesus ‘das narrativas’ (ou ‘do mito’) é diferente do ‘Jesus histórico’, pois, enquanto esse último é resultado de uma investigação que siga regras ‘heurísticas’ próprias da historiografia, o primeiro dispensa essas regras. Neste texto, distingo entre uma aproximação mitológica e uma aproximação historiográfica da figura de Jesus. Há complexidade, sem dúvida, mas uma boa distinção traz clareza, como nos ensina o velho mestre Tomás de Aquino, que, ao enfrentar um problema, repetia: distinguo! Distinguir para não separar, mas para entender melhor as coisas. Destrinchar para não criar oposição. E, como sei, por exemplo, que termos como ‘mitologia’ e ‘mitológico’ costumam soar pejorativamente, faço questão de dizer, logo de início, que não é num sentido negativo que os utilizo aqui, como fica claro em seguida. &&&& Apologia da mitologia. Uma narrativa não costuma ser um relato frio de acontecimentos, mas carrega consigo emoções vividas no momento de sua enunciação, além de outros condicionamentos. Assim, as primeiras narrativas acerca de Jesus, além de carregar marcas indeléveis de um rico imaginário semita, expressam, ao seu modo, emoções vividas por seus discípulos nos primeiros anos do movimento. Esses discípulos, nos primeiros anos após a morte cruel de Jesus, enfrentam condições extremamente duras: incompreensões por todo canto, tanto por parte das autoridades quando por parte da população em geral; perseguições e hostilizações; até condenações à morte, como é o caso de Estêvão no capítulo sete dos Atos dos Apóstolos. O movimento de Jesus vive com uma ameaça constante: a iminência de varrido do mapa por intervenções por parte das autoridades, com a conivência da população majoritária, como acontece com não poucos movimentos populares da época, como nos lembra R. A. Horsley em seu livro Bandidos, Profetas e Messias: Movimentos populares no Tempo de Jesus (Paulus, São Paulo, 1995). Mas os seguidores de Jesus não desistem. Eles compartilham a mesma convicção: ‘essa memória não se pode perder’. Todos estão convencidos da necessidade de guardar e difundir a memória do profeta Jesus de Nazaré. Eis a base de uma tradição extremamente resistente, penetrante e inovadora, que se espalha rapidamente pela Galileia e alcança, em poucos anos, a Síria, a Macedônia e a Ásia Menor, até penetrar nos três centros urbanos mais importantes do Império Romano: Antioquia, na Síria, Alexandria, no Egito, e Roma, na Itália. Veiculada, nos primeiros quarenta anos, por agentes anônimos e, a partir dos anos 70, por evangelistas e redatores de Atos, Cartas e Apocalipses, essa primeira ‘apresentação’ de Jesus trabalha basicamente com dados mitológicos, ou seja, com narrativas transmitidas. Eles não são ‘historiadores’. Na realidade, os evangelistas demonstram pouco interesse em descrever como foi mesmo a vida concreta de Jesus. Seu interesse é outro: impulsionados por ondas crescentes de uma tradição que se cria a partir da horrível morte do líder de Nazaré, e que já se consolida ao longo de 40 a 50 anos (40 anos no caso de Marcos, pelo menos 50 anos no caso de Mateus e Lucas), seu interesse consiste em apresentar um Jesus que anime e sustente a fé dos discípulos e das discípulas em meio à hostilidade, incompreensão, desprezo e mesmo perseguição aberta (com perigo de vida), por parte das autoridades e também da sociedade. Daí a luminosa auréola, que passa a envolver a figura de Jesus e o distingue do comum dos mortais. Ele não só expulsa sopros maus, cura leprosos, socorre necessitados, mas vira – com o tempo – uma figura excepcional: anda sobre as águas, acalma tempestades, multiplica pães. Torna-se um novo Elias, o grande profeta da memória popular judaica, que multiplica pão para a viúva de Sarepta, lança seu manto sobre as águas e as separa, ressuscita mortos. Torna-se um novo Moisés, libertador do povo hebreu escravizado no Egito. Esse Jesus, fazedor de milagres e feitos impressionantes, sustenta a fé dos primeiros seguidores. Combatidas, desprezadas e mal interpretadas, as comunidades de discípulos e discípulas visam, antes de tudo, manter e avivar a imagem de um Jesus que, ressuscitado e divino, demonstra a mais tenaz resiliência, a mais viva resistência, a mais forte persuasão. E eles têm sucesso. Pois, enquanto diversos movimentos proféticos e messiânicos da época sucumbem aos golpes da perseguição, isso não acontece com o movimento de Jesus. Os discípulos e demais seguidores sabem descobrir algo diferente em seu líder, algo que o destaque. Para tanto, eles abandonam a memória histórica em benefício de uma imaginação mitológica, em grande parte fundamentada em textos das Escrituras Sagradas do judaísmo. Determinados setores do movimento, já na primeira geração, passam a demonstrar mais interesse no Senhor ressuscitado que em Jesus histórico e isso repercute nos quatro evangelhos, que são pensados e programados no contexto da fé no ‘Cristo’ (denominação criada por Paulo no início dos anos 50). Empreende-se um trabalho intenso de releitura de tradições bíblicas milenares em função da figura de Cristo. Gente letrada, ao se juntar ao movimento de Jesus, procura em textos bíblicos, principalmente salmos e profecias, provérbios, sabedorias e histórias, sinais e previsões da figura de Cristo. O evangelista Marcos, por exemplo, encontra a figura de Jesus em textos do profeta Daniel, do século V aC (como comento adiante). Ele enxerga em Jesus um ‘novo Elias’. Vira costume, entre os evangelistas, apresentar os sofrimentos de Jesus à luz de textos do profeta Isaías e daí nascem os impressionantes textos da Paixão. Enfim, já nos primeiros decênios após sua morte, a figura de Jesus é submetida a uma releitura bíblica, num trabalho paciente e insistente, que conseguimos detectar em diversos pontos do primeiro universo cristão: Antioquia da Síria, Macedônia, cidades ribeirinhas da Ásia Menor, Alexandria, Roma. O movimento resulta numa imagem multifacetada de Jesus, posteriormente absorvida numa tradição multissecular. O que acabo de descrever só é uma parte da primeira tradição.
SOCIEDADE – Conselho Mundial de Igrejas acusa Trump de “propor limpeza étnica” em Gaza

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 05-02-2025. O anúncio do presidente dos EUA de expulsar os habitantes de Gaza da Faixa de Gaza para reconstruir a área e transformá-la em uma espécie de “Riviera Maia” no Oriente Médio está ” propondo uma limpeza étnica em larga escala e uma neocolonização da terra natal de dois milhões de palestinos em Gaza”. Foi assim que o Secretário-Geral do Conselho Mundial de Igrejas, Jerry Pilay, foi direto ao responder à proposta de Donald Trump durante seu encontro com o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Em uma declaração , Pillay insistiu que a proposta “viola todos os princípios aplicáveis do direito internacional humanitário e dos direitos humanos, desrespeita décadas de esforços da comunidade internacional, incluindo os EUA, para alcançar uma paz justa e sustentável para os povos da região e, se implementada, constituiria múltiplos crimes internacionais do tipo mais grave “. “A posição dos Estados Unidos da América como um membro responsável da comunidade internacional foi seriamente prejudicada pela proposta em si, sem mencionar sua implementação real”, enfatizou o reverendo, que critica duramente o anúncio de Trump de que ele “assumirá o controle” da Faixa de Gaza. “Após tantos meses de violência desenfreada, morte, destruição e deslocamento infligidos ao povo de Gaza pelas forças armadas israelenses apoiadas pelos EUA, esta proposta de limpeza étnica do território revela o objetivo final inconcebível deste conflito, há muito buscado por elementos extremistas na política e na sociedade israelense”, disse Pillay, acrescentando que “a proposta do presidente Trump ignora flagrantemente os direitos fundamentais do povo de Gaza, que tem lutado e sofrido por tantas décadas”. “O Conselho Mundial de Igrejas apela ao Presidente Trump para reconsiderar esta proposta vergonhosa e respeitar o direito internacional e a dignidade humana e os direitos do povo de Gaza”, enfatizou o secretário-geral do CMI, que apela a “todas as pessoas de fé e boa vontade para se oporem a esta terrível violação da dignidade humana e do direito internacional”. Pillay pediu que igrejas e comunidades cristãs ao redor do mundo se manifestem por justiça, defendam a proteção das vidas e direitos palestinos e pressionem seus governos a rejeitar quaisquer propostas que facilitem a limpeza étnica e a ocupação permanente. “Que as igrejas sejam firmes em seu testemunho enquanto Cristo nos chama para ficar com os oprimidos e buscar a paz baseada na justiça. Oramos por paz, justiça e respeito por todas as pessoas que sofrem sob a tirania dos poderosos neste mundo.” Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui