MUNDO – Entenda a ofensiva de Trump contra universidades de ponta

Governo de Donald Trump usa bloqueio de verbas como ferramenta para pressionar instituições acadêmicas a se alinharem a suas visões políticas e ideológicas. Entre os alvos, estão Harvard, Princeton e Columbia. Desde que voltou à Casa Branca, Donald Trump tem colocado em risco a pesquisa universitária nos Estados Unidos por meio do bloqueio de financiamentos e de interferência na gestão de algumas das mais importantes instituições acadêmicas do mundo. Com um Congresso submisso, controlado pelo Partido Republicano, e uma Suprema Corte dominada por conservadores, o presidente americano não tem tido dificuldade em cumprir sua promessa de campanha de recuperar as instituições educacionais americanas do que ele chama de “esquerda radical”. O governo Trump tem determinado nas últimas semanas a suspensão de centenas de milhares de dólares em financiamentos de diversas instituições de ensino superior, incluindo Harvard, Columbia, Princeton, Johns Hopkins e Universidade da Pensilvânia, e ameaçou ir além caso essas instituições insistam numa suposta “postura antissemita”. Na visão da atual administração, isso inclui ações que questionem o governo de Israel, como acolher manifestações estudantis contra a guerra em Gaza. O governo Trump mandou investigar cerca de 100 instituições de ensino superior por discriminação e antissemitismo. Algumas delas conseguiram recorrer na Justiça contra sanções mas, de forma geral, elas estão se curvando às pressões, já que não podem prescindir dos recursos federais. Segundo levantamento da agência de notícias Associated Press, essas universidades, juntas, receberam 33 bilhões de dólares (R$ 188,4 bilhões) entre 2022 e 2023, o que representa, em média, 13% de seus orçamentos. Recusa de Harvard A Universidade de Harvard foi a primeira a se recusar a cumprir as exigências da Casa Branca, como acabar com programas de inclusão e diversidade que, segundo o governo Trump, “alimentam o assédio antissemita”. Nesta segunda-feira (14/04), o Departamento de Educação anunciou, por isso, o congelamento de 2,3 bilhões de dólares em subsídios e contratos para a instituição. Em uma carta enviada a Harvard, o governo americano havia exigido reformas amplas na administração da universidade, a adoção de políticas de admissão e contratação “baseadas em mérito”, além da realização de uma auditoria com estudantes, professores e dirigentes. O presidente de Harvard, Alan Garber, acusou as exigências de Washington de violar os direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA – que garante as liberdades fundamentais, em particular a liberdade de expressão. “Nenhum governo – independentemente do partido que estiver no poder – deve ditar o que universidades privadas podem ensinar, quem podem admitir ou contratar, e quais áreas de estudo e pesquisa podem seguir”, escreveu Garber em uma carta. Considerada a universidade com mais recursos do mundo, Harvard é acusada pela força-tarefa federal contra antissemitismo de não proteger seus estudantes judeus e de promover “ideologias divisórias através da livre pesquisa”. Por conta disso, o órgão havia ameaçado cortar 9 bilhões de dólares (R$ 51,4 bilhões) da Harvard em contratos e subsídios federais. Fonte: Site DW Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – Dowbor: Pra nos tirar da solidão

As crianças perderam as ruas e foram aprisionadas em telas. O trabalho tornou-se obrigação sem sentido. O laço entre as gerações se perdeu no apartamento exíguo. Mas busca-se, em todo o mundo, caminhos de reconexão. São flores no asfalto? Trabalhei anos em países africanos com ambiente social rico: bairros com crianças, avós, tios e tias, muito barulho e correria, zero privacidade, mas também muitas risadas. Era vida pulsando. E as ruas eram um lugar para socializar. Na minha infância em São Paulo, lembro que minha mãe ficava rouca de tanto gritar para nos chamar do meio da rua na hora do almoço. O mundo nos permitia explorar, e aprender a identificar o que valia a pena correr atrás — e do quê era melhor fugir. Jonathan Haidt menciona, em The Anxious Generation: How the Great Rewiring of Childhood Is Causing an Epidemic of Mental Illness2, a fragilidade social de crianças superprotegidas, refugiando-se em seus smartphones, com pouca experiência de liberdade para explorar o mundo ou de interação social espontânea. Mas isso não é um problema apenas para as crianças. A vida social foi empobrecida — e profundamente transformada — para todos. Nos estádios de futebol, vemos milhares de pessoas gritando e cantando, empurrando-se numa explosão de convivência, a felicidade de xingar a mãe do juiz. Na TV, onde as crianças assistem ao jogo e ouvem, ao fundo, a torcida cantando refrões agressivos ou obscenos, o comentarista os “traduz”, para preservar as inocências. Bem,a explosão no estádio é libertadora, mas dura só algumas horas a cada semana. Quando criança, eu não assistia a jogos – nós os jogávamos. E xingávamos de forma saudável. Será só nostalgia do passado? Há, de fato, uma perda de convívio, e a convivência virtual não é a mesma coisa. Uma grande transformação está na estrutura familiar. Ela varia conforme o país ou a comunidade, mas, no geral, esse pilar da organização social mudou. Tomo o exemplo norte-americano, expresso na figura abaixo: entre 1960 e 2023, o que antes era o paradigma do American way of life — um casal com filhos (se possível, com TV, carro, quintal e churrasqueira) — passou de 44,2% dos lares para apenas 17,9%. Os políticos ainda insistem em tratar a família como “alicerce sagrado da sociedade”, e os pastores fazem o mesmo, mas seria bom eles olharem os dados com mais atenção. Na realidade, as pessoas que vivem sozinhas, que representavam 13,1% dos lares em 1960, agora somam 29%. É uma fratura profunda na estrutura social. Se adicionarmos casais sem filhos, chegamos a 58,4% dos lares estadunidenses compostos por adultos casados ou solteiros sem crianças, como destacado no gráfico. Há ainda parceiros não casados e pais/mães solo. O ponto crucial não é apenas a perda das ruas como espaço de convivência, a obsessão com smartphones, mas também o isolamento do lar. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui

ARTIGO – PÁSCOA

Páscoa, abandono e desolação. Marcos evangelista conta que, no terceiro dia após a terrível morte de Jesus, ou seja, após o término da tradicional Páscoa judaica, não se encontra nenhum discípulo, nenhuma discípula dele, em Jerusalém. É o que consta no capítulo 14, vv. 45-52 de seu Evangelho, onde se lê que, quando os emissários do Grande Sacerdote puseram as mãos sobre Jesus e o prenderam, todos os seus discípulos o abandonaram. Marcos escreve literalmente: todos fugiram (em grego: ‘efugon pantes’: v. 50). O Evangelho de João conta que o próprio Jesus previu esse desenlace: Vocês se dispersarão, cada um de seu lado, e me deixarão só (Jo 16, 32). Provavelmente, os discípulos e as discípulas fugiram da cidade de Jerusalém, pois não só as autoridades, mas igualmente a população local lhes era hostil. É verdade que Simão Pedro ainda teimou acompanhar de longe a tragédia, mas não aguentou nem umas palavras de suspeita por parte de uma servente do Grande Sacerdote: Não o conheço, não sei de que você está falando (Mc 14, 68). Ele acabou fugindo da Cidade e empreendeu a viagem de cinco dias à terra natal, a região da Galileia pesqueira, em torno do Mar de Genesaré. Talvez na companhia de alguns companheiros, igualmente pescadores e discípulos de Jesus. Ali resolve voltar à pescaria: ‘eu vou pescar’. Os outros dizem: ‘Vamos como você’ (Jo 21, 3). Mas nenhum deles consegue esquecer Jesus. Nem Simão, nem seu irmão André, nem Tiago e João, os filhos de Zebedeu. Embora eles digam entre si: ‘Isso acabou. Foi bonito, mas acabou’, a memória persiste. A figura de Jesus não deixa os apóstolos em paz e, quando vão à sinagoga nos sábados e escutam leituras de Isaías, dos Salmos, dos Profetas, que falam em Servo sofredor, Servo de Ihwh, Ungido pelo Sopro do Senhor, não conseguem deixar de recordar Jesus. Para eles, Jesus é esse Ungido de Deus enviado ao mundo, o Enviado do Pai, o Servo Sofredor. Essa situação dura meses, talvez mais de um ano. Voltar a Jerusalém? Enfrentar uma população que gritou, diante de Pilatos: ‘Acabe com ele, crucifique’? Nem pensar. &&&& Grita-se: Cristo! A memória de Jesus ronda o movimento, que se espalha rapidamente por grandes espaços. Temos um vislumbre de como funciona por volta de 20 anos após a morte de Jesus, por meio do primeiro texto, cronologicamente falando, do Novo Testamento, que é a Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses, do ano 49. Aí se lê, no versículo 5 do primeiro capítulo, uma observação do missionário Paulo de Tarso: não foi por palavra que a mensagem se espalhou entre vocês, mas por Força, por Sopro Santo, por Plenificação’ (em grego:‘plèroforia’). O que significa essa ‘Plenificação’? Em primeiro lugar, significa que a imagem clássica de um apóstolo pregando diante de um ‘auditório’ não corresponde ao que acontece em Tessalônica. Não há ‘pregador’, não há ‘auditório’, há Plenificação. Temos uma ideia mais precisa do que significa isso quando lemos o capítulo 14 da Primeira Carta aos Coríntios, de Paulo. O grupo que se evoca aí não se mostra disposto a escutar o que o apóstolo tem a dizer. Pelo contrário, entramos num ambiente barulhento e agitado. Todos (todas?) falam ao mesmo tempo, alguns (algumas?) emitem sons sem sentido, ou seja, falam em línguas (em grego: ‘Glôssais lalein’). Eles/elas emitem sons, que aparentemente não têm nenhum sentido, mas que são acolhidos com exaltação, como se possibilitassem, por meio de uma língua misteriosa, um contato direto com Deus. Parece que todos/as acreditam que esses sons incompreensíveis expressem uma língua misteriosa de contato direto e informal com Deus. Quem fala em línguas não se dirige à gente, mas a Deus (v. 2), escreve o apóstolo. Assistimos a um momento intenso de encantamento coletivo. Alguns entram em transe, outros gritam (em grego: ‘kèrussô’). Esse verbo evoca o grito do arauto do rei (kèruks), que pede que se livre o caminho para que o cortejo do rei possa passar. Todos gesticulam. Mas, ao lado desse entusiasmo, há o medo. O movimento de Jesus, nos primeiros anos após a morte cruel de Jesus, enfrenta condições extremamente duras: incompreensões por todo canto, tanto por parte das autoridades quanto por parte da população em geral; perseguições e hostilizações; até condenações à morte, como é o caso de Estêvão no capítulo sete dos Atos dos Apóstolos. O movimento vive sob a constante ameaça de ser varrido do mapa por intervenções por parte das autoridades, com a conivência da população majoritária, como acontece com não poucos movimentos populares da época. Mas os seguidores de Jesus não desistem. Eles compartilham a mesma convicção: ‘não se pode perder a memória do Senhor’. Todos e todas estão convencidos/as da necessidade de guardar e difundir a memória do profeta Jesus de Nazaré. Eis a base de uma tradição extremamente resistente, penetrante e inovadora, que se espalha rapidamente pela Galileia e alcança, em poucos anos, a Síria, a Macedônia e a Ásia Menor, até penetrar nos três centros urbanos mais importantes do Império Romano: Antioquia, na Síria, Alexandria, no Egito, e Roma, na Itália. É nesses ambientes de entusiasmo permeado de medo que ressoa, pois, o grito: Cristo! (1 Cor 15, v. 12). Em grego: Xpistos kèrussetai, literalmente: ‘Grita-se: Cristo‘. Pois repito: ‘Kèrussô‘ significa ‘gritar‘, enquanto o substantivo ‘kèrugma‘ [querigma] significa ‘grito‘. &&&& Os discípulos de Emaús. Encontrei outras abordagens de tradições orais da época em torno do tema da ressurreição. Aqui cito duas. No Evangelho de Lucas, que é dos anos 80, ou seja, 50 anos após a morte de Jesus, encontro o episódio Os discípulos de Emaús (Lc 24, vv. 13-35). Lucas conta que, após o triste fim da vida de Jesus em Jerusalém, dois discípulos voltam para a aldeia Emaús, decepcionados. Acontece que um caminhante, que se dirige à mesma localidade, se junta a eles e logo entabula uma conversa: ‘O que estão conversando?‘ Cleófas responde: ‘Você é o único que não sabe o que aconteceu em Jerusalém nestes dias? (v. 18). Nós esperávamos que fosse Jesus que

RELIGIÃO – “O padre não deve pedir nada”: Francisco limita ofertas nas missas

A informação é publicada por Religión Digital, 13-04-2025. O Dicastério para o Clero emitiu um decreto, assinado pelo Papa Francisco, limitando as ofertas que os fiéis fazem para as missas que incluem suas intenções, a fim de evitar “certas práticas que têm sido abusivas em vários lugares”, informou o Vaticano no domingo. O documento atualiza o regulamento “sobre a disciplina das intenções da Santa Missa”, que descreve como os padres devem agir quando os fiéis solicitam Missas com intenções especiais e, para isso, lhes dão uma oferta, geralmente uma doação financeira. As novas normas reiteram que “de acordo com o uso aprovado pela Igreja, é lícito a qualquer sacerdote que celebra a Missa aceitar a oferta dada para aplicar a Missa de acordo com uma dada intenção”. Ficar com apenas uma oferta Mas eles pedem que se tome cuidado para não acumular muitos em uma única missa e, em todo caso, o padre pode ficar com apenas um e dar o restante para “paróquias necessitadas”. “A aplicação coletiva de várias oferendas para uma única Missa é lícita somente se os ofertantes, prévia e explicitamente informados, tiverem consentido livremente”, afirma o texto, acrescentando que “a vontade dos ofertantes nunca pode ser presumida ou inferida do silêncio”. Além disso, recomenda-se “oferecer a possibilidade de celebrar missas diárias com uma única intenção” e reitera que “a aceitação de ofertas durante uma simples celebração da palavra ou uma simples lembrança durante a missa é gravemente ilícita”. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – Missas e intenções: Papa aprova novo decreto para maior transparência

Com um decreto aprovado neste domingo, 13 de abril, o Dicastério para o Clero atualizou os regulamentos sobre intenções das Santas Missas e ofertas relacionadas, introduzindo regras mais claras para garantir transparência, exatidão e respeito pela vontade dos fiéis. Vatican News – O Dicastério para o Clero atualiza a disciplina relativa às intenções das Santas Missas e às ofertas relacionadas, introduzindo regras mais claras para garantir transparência, exatidão e respeito pela vontade dos fiéis. O decreto aprovado pelo Papa Francisco em forma específica neste domiingo, 13 de abril, entrará em vigor no próximo dia 20 de abril, domingo de Páscoa. Um costume a ser tutelado – A questão diz respeito a uma das formas mais concretas pelas quais os fiéis participam da vida da Igreja: solicitar que uma missa seja celebrada para os vivos ou para os falecidos. Um costume muito antigo, fundado em profundas motivações pastorais e espirituais, e até agora regido por condições que consentiam, de um lado, manter a palavra dada aos ofertantes e, do outro, evitar o perigo de “comércio” de coisas sagradas. Em virtude dessa prática, os fiéis, por meio da oferta, diz o texto, “desejam se unir mais estreitamente ao Sacrifício Eucarístico, acrescentando um sacrifício próprio e colaborando com as necessidades da Igreja e, em particular, contribuindo para a manutenção dos seus ministros sagrados”. Assim, os fiéis “se unem mais intimamente a Cristo que se oferece e são, em certo sentido, ainda mais profundamente inseridos na comunhão com Ele”, de acordo com um costume que “não só é aprovado pela Igreja, mas também é promovido por ela”. O documento – que integra e especifica as normas já contidas no decreto Mos iugiter de 1991 – nasce para tratar de algumas questões críticas que surgiram na prática e especialmente com relação às missas com intenções “coletivas”, ou seja, celebrações com várias intenções no mesmo rito. O consentimento dos ofertantes deve ser explícito – Em particular, o Dicastério liderado pelo cardeal Lazarus You Heung-sik estabelece que, se ordenado pelo conselho provincial ou pela reunião dos bispos da província, “os sacerdotes podem aceitar várias ofertas de ofertantes distintos, acumulando-as com outras e se satisfazendo com uma única missa, celebrada de acordo com uma única intenção ‘coletiva’, se – e somente se – todos os ofertantes tiverem sido informados e tiverem consentido livremente”. A esse respeito, fica explícito que, na ausência de “consentimento explícito”, a vontade dos ofertantes “nunca pode ser presumida”, ao contrário, “na ausência, sempre se presume que não foi dada”. Se antes de tudo vier recomendado que “toda comunidade cristã tenha o cuidado de oferecer a possibilidade de celebrar missas diárias com uma única intenção”, o Decreto afirma que o sacerdote “pode celebrar missas diferentes também segundo intenções ‘coletivas’, entendendo-se que lhe é permitido reter, diariamente, apenas uma oferta para uma única intenção entre aquelas aceitas”. Fonte: Site VATICAN NEWS Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – Guerra comercial: a China diz não a Trump. Artigo de Antonio Martins

Pequim rejeita chantagem dos EUA, mantém represália ao tarifaço e parece não temer nova taxa sobre seus produtos. Por trás da atitude está longo esforço para desenvolver autonomia, coroado agora por forte aposta no consumo interno” escreve Antonio Martins, jornalista e editor de Outras Palavras, em artigo publicado por Outras Palavras, 08-04-2025. Eis o artigo. Na segunda-feira, o poderoso Japão, até então impávido, pareceu ceder. Diante das tarifas impostas Making China Great Again, sobre seus produtos por Donald Trump (24%) e da queda abrupta da bolsa de valores de Tóquio (-20%, em três dias), o primeiro-ministro Shighero Ishiba chamou Donald Trump ao telefone e, após 25 minutos, concordou em enviar a Washington uma delegação que tentará uma barganha. O presidente dos EUA esnobou recorrendo às maiúsculas, em sua rede social: “Eles não compram nossos carros, mas nós compramos MILHÕES dos deles. Tudo tem que mudar, mas especialmente com a CHINA”. Ishiba não foi o único a ceder. A revista Economist relata que, segundo a Casa Branca, 70 governos – entre eles o do Brasil – procuraram os EUA para abrir negociações desde que Trump exibiu, em 2/4, um placar com números esotéricos e decretou seu grande tarifaço. A exceção é, precisamente, o alvo prioritário de Trump: a China. Em 4/4, depois de ser atingido por três rodadas de sobretaxas aduaneiras, o governo chinês reagiu e impôs – além de outras medidas dolorosas, porém discretas – uma vistosa alíquota de 34% sobre todos os produtos norte-americanos. Trump retrucou em poucas horas, “exigindo” a retirada da medida e ameaçando impor, em caso de não haver recuo, mais 50%. Deu prazo: zero hora de 8/4. Os chineses reagiram 24 antes, e o fizeram com calculado desdém. A resposta ao presidente dos EUA veio por meio de uma mera nota do Ministério do Comércio chinês. Ela apontava, na atitude de Washington, “um erro em cima de outro erro”, qualificava o gesto de “extorsivo” e alertava que a China “lutará até o fim” contra tal tipo de prática. Os 50% suplementares entrarão em vigor em 9/4. Espera-se para breve um novo lance de Pequim. Há menos de duas décadas, as economias chinesa e norte-americana estavam tão integradas entre si que havia quem falasse na existência de “G-2”, que – protagonizado evidentemente por Washington… – influenciava fortemente a política internacional. Que mudanças deram a Pequim a margem de manobra de que parece desfrutar agora? Outra matéria, na última edição de Economist, ajuda a compreender. A revista, espécie de porta-voz do liberalismo e do eurocentrismo ilustrados, é insuspeita de simpatias pela China. Seu texto revela, com base em fatos, como a autonomia chinesa foi alcançada; e como a chantagem de Trump poderá surtir efeito oposto ao esperado, tanto no terreno econômico quanto no geopolítico. A China agiu diligentemente para defender-se dos EUA, mostra a Economist. As primeiras sobretaxas a suas importações vieram no primeiro governo Trump, e foram agravadas por seu sucessor, Joe Biden. Produziram efeito considerável – redução de cerca de 0,8% no PIB chinês. E não houve apenas restrições comerciais. Em agosto de 2018, Washington proibiu a venda de equipamentos e softwares a duas empresas chinesas, Huawey e ZTE. A primeira, então a maior fabricante mundial de celulares, foi forçada a retirar-se por anos deste mercado. Salvou-se da falência graças ao apoio de Pequim. A Casa Branca voltou à carga, já com Biden. Em 2022, tentou-se estrangular o rápido desenvolvimento de inteligência artificial na China. Foram banidas as exportações, para o país, tanto de chips avançados quanto das máquinas utilizadas para fabricá-los. As sanções têm caráter extraterrritorial: atingem também empresas estrangeiras, que, caso forneçam a Pequim, sofrem punições em Washington. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

GUERRA – “Como é possível que Israel continue a roubar territórios, matando quantos palestinos quiser a qualquer momento, e nada aconteça?” Entrevista com Pankaj Mishra

O escritor Pankaj Mishra tornou-se um dos pensadores mais lúcidos na compreensão da dinâmica de poder entre o Norte e o Sul globais. Nós o entrevistamos por ocasião da publicação do seu último ensaio, El mundo después de Gaza. Una breve historia (Galaxia Gutenberg, 2025). A entrevista é de Patrícia Simón, publicada por La Marea, 07-04-2025. A tradução é do Cepat. Ao longo da sua carreira de mais de três décadas, o escritor e jornalista Panjak Mishra (Jhansi, Índia, 1969) tornou-se um dos pensadores mais lúcidos do nosso tempo. Ao se tornar um renomado cronista de conflitos e focos de terrorismo islâmico na primeira década deste século, ganhou alguns dos prêmios mais importantes por seus romances e tornou-se um dos ensaístas mais influentes sobre as questões definidoras da nossa era: o declínio dos impérios, a ascensão das ideologias do ódio e o neoliberalismo como uma ideologia de submissão colonialista. Seu artigo “O Ocidente não sabe de nada”, no qual analisa por que a credibilidade da maioria dos meios de comunicação estadunidenses e europeus chegou ao fundo do poço com sua cobertura do genocídio de Gaza, tornou-se uma leitura obrigatória para qualquer pessoa interessada em relações internacionais em geral e para estudantes de Jornalismo em particular. Agora publica El mundo después de Gaza. Una breve historia (O mundo depois de Gaza. Uma breve história), um ensaio fundamental para entender como o atual genocídio que Israel está perpetrando contra Gaza foi forjado e as consequências de longo prazo desse exercício de ostentação de impunidade e crueldade pelo Norte global. La Marea o entrevistou na sede de sua editora em Barcelona, onde durante uma hora explicou, de maneira apaixonada, como a cumplicidade dos Estados Unidos e da Europa com a ocupação israelense e o regime de apartheid contribuiu para o ressurgimento dos fascismos em seus territórios, a relação entre o sionismo e a hipermasculinidade, o plano de rearmamento da Europa e onde encontrar esperança, entre outras questões cruciais da atualidade. Eis a entrevista. Um dos aspectos mais difíceis de reportar como jornalistas não é a violência mais visível da ocupação, mas o intrincado e perverso sistema de controle e repressão que o Estado sionista projetou para transformar todos os aspectos da vida dos palestinos em um inferno. Você conta em seu livro que foi em uma viagem à Palestina em 2008 que você entendeu a escala do regime de ocupação e de apartheid e suas semelhanças com a Índia ocupada pela Grã-Bretanha, um modelo que você acreditava ter desaparecido no século XX. Como essa experiência mudou sua maneira de pensar? Na Índia, crescemos com uma narrativa segundo a qual as mentes mais brilhantes do nosso país se uniram para derrotar o supremacismo branco e o imperialismo racial. Quer dizer, eu cresci pensando que esse é o caminho que a justiça toma no mundo moderno. Mas depois vou para a Palestina e vejo que o mesmo racismo, supremacismo branco e imperialismo que achava que tinham sido superados décadas atrás ainda estão dominantes aí. Como é possível que Israel continue a roubar territórios, matando quantos palestinos quiser a qualquer momento, e nada aconteça? É como viajar para um lugar onde você descobre que a escravidão ainda existe. Foi um choque muito profundo. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – O professor de Yale que está saindo dos EUA por discordar do governo Trump: ‘Já somos um regime fascista’

Jason Stanley corre de um compromisso para outro: reuniões, um debate diante de centenas de pessoas, um telefone tocando sem parar com pedidos de entrevista e os filhos dizendo que ainda não tomaram café da manhã. Este professor de filosofia da Universidade Yale, nos Estados Unidos, tem levado uma vida mais agitada do que o normal desde que anunciou há alguns dias que vai deixar o país devido ao clima político e ao que ele considera a ameaça de uma ditadura incipiente. Autor do livro Como funciona o fascismo — que foi traduzido para mais de 20 idiomas desde sua publicação em 2018 —, Stanley está convencido de que esse rótulo se encaixa no governo de Donald Trump. “Acho que já somos um regime fascista”, disse Stanley em entrevista à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, na qual abordou desde sua decisão de se mudar para o Canadá até a repressão do governo às universidades nos EUA. Assim como ele, outros dois importantes acadêmicos de Yale e críticos de Trump, os professores de história Timothy Snyder e Marci Shore, também anunciaram que vão trabalhar para a Universidade de Toronto, no Canadá. A seguir, está um resumo da entrevista por telefone com Stanley, que nasceu há 55 anos, filho de imigrantes europeus (sua avó fugiu da Alemanha nazista com seu pai em 1939), e cujo último livro é intitulado Erasing History: How Fascists Rewrite the Past to Control the Future (“Apagando a História: Como os Fascistas Reescrevem o Passado para Controlar o Futuro”, em tradução livre). Fonte: Site BBC News Brasil Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – Tarifaço. A escalada de Trump não assusta Pequim: “Lutaremos até o fim”

A escalada de tarifas e contratarifas entre Washington e Pequim corre o risco de nunca parar. O estopim aceso por Trump em 2 de abril , com a imposição de barreiras alfandegárias de 34% sobre produtos provenientes da China, para se somar às medidas de 20% já em vigor, levou rivais comerciais a aplicarem contra-taxas idênticas de 54%. Na Segunda-feira Negra das bolsas de valores, em 7 de abril , o presidente americano ameaçou Pequim: “Remova suas tarifas ou imporemos novas”. Mas a mudança não parece ter abalado muito os chineses. A reportagem é de Massimo Ferraro, publicada por La Repubblica, 08-04-2025.   Tarifas, a resposta da China “A China nunca aceitará ameaças americanas sobre tarifas e está pronta para lutar até o fim”. Esta foi a resposta de um porta-voz do Ministério do Comércio chinês às declarações da Casa Branca. Trump prometeu que, se a China não recuar, ele está pronto para adicionar mais 50% aos produtos importados para os Estados Unidos, elevando as tarifas para além de 100% do valor do produto. “Se os Estados Unidos insistirem nesse caminho, a China lutará contra eles até o fim”, concluiu o porta-voz”. Não há vencedores em uma guerra comercial.” Essa é a posição do executivo chinês, também relançada pelo Ministério das Relações Exteriores. “O protecionismo não leva a lugar nenhum. Os chineses não criam problemas, mas não têm medo deles. Pressão, ameaças e chantagem não são a maneira certa de lidar com a China ”, disse o porta-voz Lin Jian. China, intervenção governamental contra tarifas – Além das trocas “diplomáticas”, somam-se os compromissos reiterados pelas autoridades da chamada “equipe nacional” de investidores, instituições e organismos públicos que intervêm em momentos de estresse econômico. O fundo soberano Central Huijin garantiu que tem ampla liquidez e está totalmente disposto a cumprir seu papel como estabilizador de mercado. E o banco central chinês (PBOC) acrescentou que apoiará as necessidades de liquidez do fundo. O governo também teria iniciado uma série de negociações com as principais empresas privadas do país para coordenar uma estratégia de negociação neste momento delicado. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – Entidade palestina e Alemanha defendem investigação após Israel admitir “erro” na morte de paramédicos em Gaza

A Sociedade do Crescente Vermelho Palestino (PRCS, na sigla em inglês) pediu nesta segunda-feira (7) uma investigação internacional independente sobre as mortes de 15 paramédicos, em 23 de março, atingidos por disparos israelenses durante uma intervenção para atender feridos perto de Rafah, no sul da Faixa de Gaza. O exército de Israel admitiu que seus soldados “cometeram erros” na abordagem das ambulâncias, de um carro da ONU e um caminhão de bombeiros da Defesa Civil palestina. A reportagem é publicada por RFI, 07-04-2025. “Pedimos ao mundo que estabeleça uma comissão internacional independente e imparcial para esclarecer as circunstâncias do assassinato deliberado de pessoal de ambulâncias na Faixa de Gaza”, disse o presidente da organização, Younis Al Khatib, a repórteres em Ramallah, na Cisjordânia ocupada. “Por que você escondeu os corpos?”, continuou Khatib, como se estivesse interrogando um soldado hebreu. Os disparos israelenses mataram oito paramédicos do Crescente Vermelho Palestino, seis membros da agência de Defesa Civil de Gaza e um funcionário da agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês). Seus corpos foram encontrados enterrados perto de Rafah no que o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) descreveu como uma vala comum. Inicialmente, o Exército de Israel afirmou que seus soldados “não atacaram aleatoriamente” nenhuma ambulância. Suas forças teriam disparado contra “terroristas”, que se aproximaram em veículos “suspeitos” na escuridão. Um porta-voz militar, o tenente-coronel Nadav Shoshani, disse que as tropas abriram fogo contra veículos que não tinham autorização prévia das autoridades israelenses e que estavam com as luzes apagadas. Mas imagens de celular divulgadas no sábado (5), filmadas por um dos paramédicos que foi morto, mostraram que os veículos de resgate estavam com as luzes acesas, contrariamente às alegações de Israel. A divulgação do vídeo obrigou o exército israelense a recuar e admitir que seus soldados haviam errado ao abrir fogo contra o grupo de socorro em emergências. Na noite de sábado, um oficial das forças de defesa israelenses (IDF) informou os jornalistas que os soldados haviam disparado anteriormente contra um carro com três membros do Hamas. Questionado sobre o fato de os paramédicos terem sido enterrados em uma vala comum, e seus corpos cobertos com areia, o oficial israelense disse que foi para evitar que animais selvagens ou cachorros se alimentassem dos restos mortais dos 15 socorristas. Os veículos foram removidos do local, no dia seguinte, para liberar a estrada, acrescentou. O caso provocou uma onda de indignação de agências da ONU, ONGs internacionais de defesa dos direitos humanos e governos. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui