RELIGIÃO – A sucessão do Papa mergulha a Igreja na incerteza diante da onda ultraconservadora. Artigo de Jesús Bastante

O Papa falece pouco depois de enviar uma carta aos bispos dos EUA, pedindo que liderassem a resistência contra as deportações em massa de migrantes Depois do primeiro papa latino-americano, é difícil, mas não impossível, que venha outro pontífice hispanofalante ou do Sul global. Entre os espanhóis, algumas vozes apontam para o cardeal Omella, que, curiosamente, completou 79 anos justamente nesta segunda-feira. Ele próprio se descartou como candidato em declarações à imprensa. Para outros nomes, como o cardeal Cobo (58 anos) ou o ex-reitor dos salesianos, Ángel Fernández Artime (64), parece que ainda não chegou o momento. Mas também é verdade que poucos imaginavam, há exatos 12 anos, que os cardeais escolheriam um papa vindo do fim do mundo. O artigo é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 21-04-2025. Eis o artigo. A morte de Bergoglio acontece no momento em que ele tentava destacar sua figura política internacional e enquanto ganha espaço a ofensiva conservadora dentro e fora da Igreja Católica. A morte do Papa Francisco deixou uma instituição como a Igreja Católica sem liderança em meio a uma onda reacionária global (que também avança no Vaticano) e no momento em que Bergoglio havia decidido destacar seu papel como figura política internacional. O Papa falece pouco depois de enviar uma carta aos bispos dos EUA, pedindo que liderassem a resistência contra as deportações em massa de migrantes, iniciadas naquele país por ordem da Casa Branca de Donald Trump. E agora? Essa é a pergunta que muitos se fazem no Vaticano e nas sedes cardinalícias de todo o mundo. A morte teve um elemento de surpresa, pois, apesar de seu delicado estado de saúde, ninguém poderia prever que Bergoglio faleceria nesta Segunda-feira de Páscoa, justamente depois de ter presidido a bênção Urbi et Orbi e de ter desfilado, pela última vez, no papamóvel para saudar uma Praça São Pedro lotada de fiéis. Francisco deixa muitas incógnitas. Não houve tempo para negociar um sucessor, ao contrário do que aconteceu com a morte de João Paulo II – cuja agonia foi acompanhada durante semanas e que foi sucedido por seu substituto natural, Joseph Ratzinger – e do próprio Bento XVI, que renunciou ao cargo numa decisão histórica, mas que proporcionou algum tempo. Entre as posições de Francisco que entram em choque com a contraofensiva conservadora (a autodenominada antiwoke) estão desde a luta contra a mudança climática – os EUA voltaram a abandonar o Acordo de Paris –, os gestos em direção às mulheres e à comunidade LGTBI, até a crítica ao rearmamento internacional. Ele também criticou a onda anti-imigrante que está ganhando espaço não apenas nos EUA, mas também na União Europeia. A política em geral, e a ascensão de Javier Milei à presidência da Argentina em particular, estão entre os motivos pelos quais um papa argentino jamais visitou seu país natal. A oposição política que se formou na Espanha também manteve Francisco distante do país. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Francisco, o profeta da teopatia. Artigo de Vito Mancuso

O termo teologia é inadequado para o pensamento e, eu diria, também para a vida de Jorge Mario Bergoglio. “Acredito que ele [Papa Francisco] foi o primeiro profeta a liderar a Igreja em dois mil anos de história. Não é coincidência o fato de ele ter sido o primeiro a adotar o nome do santo mais profético e mais irregular do calendário eclesiástico, Francisco de Assis, o louco que falava com lobos e pássaros e que desdenhava o poder e os poderosos”, escreve Vito Mancuso, teólogo italiano, em artigo publicado por La Stampa, 21-04-2025. A tradução é de Luisa Rabolini. Eis o artigo. O termo teologia é inadequado para o pensamento e, eu diria, também para a vida de Jorge Mario Bergoglio. Em vez disso, outro termo precisa ser cunhado para ilustrar adequadamente o seu falar de Deus, seu representá-Lo, seu ser (para citar a famosa definição do Papa dada por Santa Catarina de Sena) “o doce Cristo na terra”. Este neologismo, não bonito, mas em minha opinião eficaz, é o seguinte: teopatia. Não teo-logia, mas teo-patia. Assim como se fala de simpatia e empatia para marcar a ressonância da emoção diante de outro ser humano ou de uma situação da vida, assim também, para o pensamento de Deus expresso pelo Papa Francisco em seus escritos e especialmente em sua vida, deve-se falar de teo-patia. Ele não pensou Deus, ele o padeceu. Não foi a lógica, mas a paixão que constituiu o sinal de seu encontro com o Mistério do mundo capaz de produzir o Amor ao qual tradicionalmente nos referimos falando de Deus. Esse encontro apaixonado entre o Mistério, de um lado, e sua consciência e sentimentos, de outro, produziu no Papa Francisco tanto a doçura, o ímpeto e o entusiasmo quanto a indignação, o protesto e, às vezes, a raiva. Existe, de fato, um lado sombrio, um “Dark Side of the Moon”, como cantava o Pink Floyd, até mesmo na paixão por Deus. Estou argumentando que Francisco não foi um teólogo (como foi Bento XVI), nem um pastor sábio (como João Paulo II), nem um intelectual penetrante e eventualmente hesitante (como Paulo VI), nem um legislador e diplomata (como Pio XII): não, Francisco foi um profeta. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
RELIGIÃO – O Papa Francisco não é um nome mas um projeto de Igreja. Artigo de Leonardo Boff

O próprio Papa Francisco se apresentou como “aquele que vem do fim do mundo” isto é, da Argentina, do extremo Sul do mundo. “Com sua conclamação em favor do empobrecidos, com sua crítica corajosa ao sistema vigente que produz morte e ameaça as bases ecológicas que sustentam a vida, por seu apaixonado amor e cuidado da natureza e da Casa Comum, pelos incansáveis esforços para mediar guerras em função da paz, emergiu com um grande profeta que anunciou e denunciou, mas sempre suscitando a esperança de que podemos construir um mundo diferente e melhor. Com isso compareceu como um líder religioso e político respeitado e admirado por todos”, escreve Leonardo Boff, filósofo e ecólogo, autor de A Terra na palma da mão (Vozes, 2016) e Cuidar da Casa Comum (Vozes, 2024). Eis o artigo. Todo ponto de vista é a vista de um ponto, afirmei certa vez. O meu ponto de vista acerca do Papa Francisco é aquele latino-americano. O próprio Papa Francisco se apresentou como “aquele que vem do fim do mundo” isto é, da Argentina, do extremo Sul do mundo. Este fato não é sem relevância, pois nos oferece uma leitura diversa de outras, de outros pontos de vista. A escolha do nome Francisco, sem antecedentes, não é fortuita. Francisco de Assis representa um outro projeto de Igreja cuja centralidade residia no Jesus histórico, pobre, amigo dos desprezados e humilhados como os hansenianos com os quais foi morar. Pois esta é a perspectiva assumida por Bergoglio ao ser eleito Papa. Quer uma Igreja pobre para os pobres. Consequentemente despoja-se das vestes honoríficas, da tradição dos imperadores romanos, bem representadas pela mozzeta, aquela capinha branca ornada de joias, símbolo do poder absoluto dos imperadores e incorporada às vestimentas papais. Recusou-a e a deu ao secretário com recordação. Veste um simples manto branco com a cruz de ferro que sempre usou. Viveu na maior simplicidade (o Papa não veste prada) e, sem cerimônia, quebrou ritos para poder estar perto dos fiéis. Isso seguramente escandalizou a muitos da velha cristandade europeia, acostumada à pompa e à glória das vestimentas papais e em geral dos prelados da Igreja. Cabe recordar que tais tradições remontam aos imperadores romanos, mas que não têm nada a ver com o pobre artesão e camponês mediterrâneo de Nazaré. Surpreendentemente apresenta-se, primeiro, com bispo local, de Roma. Escolheu o nome Francisco porque São Francisco de Assis é o “exemplo por excelência do cuidado e por uma ecologia integral vivida com alegria e autenticidade (Laudato Si’, n. 10) e que chamava a todos os seres com o doce nome de irmão e de irmã. Não quis morar num palácio pontifício, mas numa casa de hóspedes, Santa Marta. Comia na fila como todos os demais e, com humor, comentava: assim é mais difícil que me envenenem. A centralidade de sua missão foi colocada na preferência e no cuidado dos pobres especialmente dos migrantes. Disse com honradez: “vocês europeus estiveram primeiro lá, ocuparam suas terras e riquezas e foram bem recebidos. Agora eles estão aqui e não estão dispostos a recebê-los”. Com tristeza constata globalização da indiferença. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
SOCIEDADE – MEC indica reforma profunda no EAD superior; confira as possíveis mudanças

O Ministério da Educação (MEC) pretende reformular profundamente as regras do ensino superior à distância no Brasil 247 – O Ministério da Educação (MEC) pretende reformular profundamente as regras do ensino superior à distância no Brasil. A proposta, que integra o novo marco regulatório da modalidade, deve estabelecer a obrigatoriedade de avaliações presenciais com questões discursivas, exigir estrutura mínima nos polos físicos e regulamentar as aulas ao vivo com controle de frequência. As informações são do jornal O Globo, que teve acesso às diretrizes em discussão no governo. Após três adiamentos desde o fim de 2024, a expectativa é de que o novo decreto seja publicado até o dia 9 de maio. Enquanto o MEC argumenta que as mudanças são fundamentais para elevar a qualidade da formação dos estudantes, especialmente em áreas como saúde e educação, o setor educacional privado critica as medidas, alegando risco de encarecimento das mensalidades e redução do acesso ao ensino superior. O crescimento acelerado da modalidade — com aumento de 179% no número de matrículas em oito anos, saltando de 1,7 milhão para 4,9 milhões de alunos — acendeu o alerta nas autoridades. O governo federal quer conter o avanço indiscriminado da EaD, principalmente em cursos que exigem carga prática significativa, como Enfermagem. “Nós precisamos sair da lógica da modalidade e pensar na metodologia de ensino. Se à distância proporcionar a aprendizagem, por que proibir o uso de tecnologia? Não precisamos fazer grandes rupturas”, defende Bruno Coimbra, diretor jurídico da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES). Entre as propostas mais polêmicas está a exigência de, ao menos, uma prova presencial a cada dez semanas, com um terço das questões obrigatoriamente discursivas. O resultado dessas avaliações teria peso majoritário na nota final, evitando que estudantes sejam aprovados apenas com tarefas feitas on-line. Outra inovação é a criação de uma nova categoria de cursos semipresenciais. Nessa modalidade, as aulas seriam transmitidas ao vivo, com limite de 50 estudantes por professor e presença obrigatória mínima de 75%. A proposta visa aumentar a interação entre docentes e alunos, reduzindo a passividade típica de muitos cursos EaD. O MEC também pretende endurecer as exigências para os polos de apoio presencial. Os espaços terão que contar com recepção, sala de informática, área para atendimento ao aluno e, dependendo do curso, laboratórios equipados com a mesma qualidade dos encontrados em cursos presenciais. A partilha de polos por diferentes instituições, prática comum em cidades menores, será proibida. Fonte: Site BRASIL 247 Matéria Completa: Acesse Aqui
RELIGIÃO – Papa Francisco pede única palavra em lápide simples; confira testamento na íntegra

O papa Francisco, que morreu nesta segunda-feira (21), manifestou em testamento o desejo de ser sepultado na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma. O documento foi divulgado oficialmente pelo Vaticano. O pontífice sempre teve um vínculo especial com o local, onde costumava orar após internações e antes e depois de suas viagens apostólicas. “O sepulcro deve estar na terra; simples, sem ornamentos especiais, e com a única inscrição: Franciscus”, escreveu o papa. A basílica já abriga os restos mortais de outros papas, como Clemente VIII, Clemente IX, Paulo V, Sixto V, Pio V, Nicolau IV e Honório III. Leia a íntegra do testamento: Em Nome da Santíssima Trindade. Amém. Sentindo que se aproxima o entardecer da minha vida terrena e com viva esperança na Vida Eterna, desejo expressar minha vontade testamentária apenas quanto ao local da minha sepultura. Confiei sempre minha vida e o ministério sacerdotal e episcopal à Mãe de Nosso Senhor, Maria Santíssima. Por isso, peço que meus restos mortais repousem, à espera do dia da ressurreição, na Basílica Papal de Santa Maria Maior. Desejo que minha última viagem terrena se conclua justamente neste antiquíssimo santuário Mariano, onde costumava rezar no início e no fim de cada Viagem Apostólica, confiando com fé minhas intenções à Mãe Imaculada e agradecendo-Lhe pelo cuidado dócil e materno. Peço que minha tumba seja preparada no lóculo da nave lateral, entre a Capela Paulina (Capela da Salus Populi Romani) e a Capela Sforza da referida Basílica Papal, como indicado no anexo em anexo. Fonte: Site DIÁRIO CENTRO DO MUNDO Matéria Completa: Acesse Aqui
ARTIGO – CONSTRUINDO JARDINS
Aprecio bastante a ideia de construir jardins. É um ponto de encontro entre as pessoas. Sentar num banco e trocar de vocabulário. É também quando temos um contacto com a natureza: árvores, flores, frutos, gramas. Um ar de leveza circula, uma harmonia prende as pessoas, a liberdade de circular, descansar. Tudo se refaz e se renova, a cada momento no jardim. Alguém perguntado o que Deus deveria fazer no mundo respondeu “criar jardins” (Rubem Alves). A criação de jardim está no início da história da humanidade. Criou o homem e colocou num jardim. Ele estava presente naquele universo de harmonia e paz. O homem pretendeu criar um jardim paralelo e aí começaram os problemas. O evangelho de João começa no círculo amoroso divino e Jesus chega a vir habitar entre nós. O ponto do circuito foi a figura de Maria, pela força do Espírito Santo. Ao lado da luz estavam as trevas. Isto vai ser decifrado na morte e ressurreição de Cristo. No final da narrativa da paixão de Cristo João (19,42) afirma que Jesus foi crucificado num jardim e nele existia uma cova nova onde ele foi colocado. É dali que brilha o aleluia da ressurreição. É o novo jardim oferecido à humanidade. Então, somos convidados e sermos continuadores da construção desse novo jardim que Cristo recria, readquire com muita dor, com muito sangue. Novos jardins são possíveis. Cada um, as igrejas, podem entrar nesta aventura e multiplicar os jardins do mundo até os finalmente da humanidade. Fortaleza, 18.04.2025. Ozanir Martins Silva (sexta-feira santa)
ARTIGO – PÁSCOA COMO LIBERDADE OU SAÍDA?
A PÁSCOA 01. Num dos mais belos e enigmáticos contos de Franz Kafka, Um Relatório para uma Academia, a palavra liberdade (tão a gosto da impostura burguesa) cede lugar ao termo saída. 02. Páscoa em sentido histórico e verdadeiro implica passagem, saída, caminhada de libertação para o que afirma a vida. 03. Sob o sistema e as relações sociais impostas pelo mundo infame do capital não há Páscoa possivel. A insurreição contra esse mundo é a outra face da Ressurreição. 04. Diante da necrocracia capitalista, de seu modo suicidário e biocida de ser, de suas relações sociais desumanas, multiplicam-se saídas fáceis… mas sempre falsas. 05. O que resta, de fato, no mundo imundo do sistema do capital, é a interdição de saídas e caminhos que conduzem ao bom viver pessoal e coletivo. 06. Em Jesus de Nazaré, na linha do Movimento Samaritano por ele iniciado, que nada tem a ver com religião ou igreja, recuperar a práxis pascal hoje significa afirmar, dentre outros, os direitos humanos fundamentais à alimentação, à saúde e à educação. 07. Por fim, nesse 2025, Páscoa com alegria e bom ânimo e sem anistia para os golpistas de ontem e de hoje. Que volte ao esgoto o que dele saiu para infamar a vida pessoal e coletiva. E cipó de aroeira no fascismo! José Alcimar de Oliveira – Professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Amazonas. Páscoa de 2025.
MUNDO – Morre o Papa Francisco

Anúncio do Camerlengo Farrell da Casa Santa Marta: “Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e da Igreja” Vatican News Morre o Papa Francisco. O anúncio foi dado, com pesar, poucos instantes atrás diretamente da Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, por Sua Eminêcia, o cardeal Farrell, com as seguintes palavras: “Queridos irmãos e irmãs, com profunda tristeza devo anunciar a morte de nosso Santo Padre Francisco. Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja. Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados. Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino.” Ontem, domingo, o Pontífice apareceu na sacada da Basílica de São Pedro para a mensagem de Páscoa Urbi et Orbi, deixando sua última mensagem para a Igreja e o mundo. Fonte: Site VATICAN NEWS Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Papa Francisco: a vida e a carreira do primeiro papa sul-americano

O Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja. Morre o Papa Francisco. O anúncio foi dado, com pesar, poucos instantes atrás diretamente da Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, por Sua Eminêcia, o cardeal Farrell, com as seguintes palavras: Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja. Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados. Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino.” Ontem, domingo, o Pontífice apareceu na sacada da Basílica de São Pedro para a mensagem de Páscoa Urbi et Orbi, deixando sua última mensagem para a Igreja e o mundo. MORRE PAPA FRANCISCO Morreu nesta segunda-feira, 21/04, aos 88 anos, o papa Francisco, primeiro papa sul-americano e não europeu da história da igreja Católica. No último domingo (20/4), Domingo de Páscoa, ele fez uma aparição pública na Praça São Pedro, no Vaticano, e desejou “Feliz Páscoa” aos milhares de fieis que estavam no local. Após a bênção, o Papa foi conduzido pela praça. Ao passar pela multidão, sua procissão parou várias vezes para que bebês fossem trazidos para ele abençoar. Francisco havia sido internado no hospital Gemelli, em Roma, em fevereiro deste ano para passar por tratamento e exames de bronquite. Após algumas semanas de internação, ele recebeu alta. Em março de 2023, o papa já havia passado três noites no mesmo hospital, para tratar também de uma bronquite. A ascensão do papa Francisco ao trono de São Pedro foi uma ocasião carregada de ineditismos, o que alimentou o debate sobre a liderança da Igreja Católica. Aos 76 anos de idade, o cardeal Bergoglio da Argentina se tornou o primeiro pontífice das Américas e do hemisfério sul em 2013. Converteu-se também no primeiro papa jesuíta — ordem que, historicamente, era vista com desconfiança por Roma. Desde a morte de Gregório 3º, nascido na Síria em 741, todos os papas haviam sido europeus. Outro fato inusitado: o antecessor de Francisco, Bento 16, havia sido o primeiro papa a renunciar em quase 600 anos. Por quase uma década, portanto, os jardins do Vaticano foram lar de dois papas. Findo o pontificado conservador de Bento 16, muitos católicos presumiram que o papa seria um homem mais jovem. Bergoglio se apresentou como um candidato de centro: apaziguando os conservadores com visões ortodoxas sobre questões sexuais, ao mesmo tempo que acenava aos reformadores com posições liberais a respeito de justiça social. Esperava-se que seu histórico pouco ortodoxo ajudasse a rejuvenescer o Vaticano e revigorar sua missão sagrada. Porém, dentro da burocracia do Vaticano, algumas das tentativas de reforma de Francisco encontraram resistência e seu antecessor permaneceu popular entre os tradicionalistas. Fonte: Site BBC NEWS BRASIL Matéria Completa: Acesse Aqui
DOM ANGÉLICO SÂNDALO BERNADINO – Deus é amor = testemunho pessoal e homenagem ao dom Angélico Sandalo Bernardino, escrita pelo Prof. Dr. Fernando Altemeyer Junior, PUC-SP. 15 de abril de 2025.

Angélico fez sua páscoa hoje no coração da Semana Santa, aos 92,23 anos. Nosso querido dom tinha como mote episcopal a frase: Deus é amor. Dom Angélico Sândalo Bernardino completara 92 anos em 19 de janeiro. Nascera em Saltinho de Piracicaba, em 1933, em um lar de muito amor, gerado por Duilio e Catarina. Conversar com dom Angélico me transportava aos tempos de Santo Agostinho, e me via ouvindo o teólogo da graça em suas Confissões, livro X, 6: “Mas, que amo eu quando te amo? Não uma beleza corporal ou uma graça transitória, nem o esplendor da luz, tão cara a meus olhos, nem as doces melodias de variadas cantilenas, nem o suave odor das flores, dos unguentos, dos aromas, nem o maná ou o mel, nem os membros tão suscetíveis às carícias carnais. Nada disso eu amo, quando amo o meu Deus. E contudo, amo a luz, a voz, o perfume, o alimento e o abraço, quando amo o meu Deus: a luz, a voz, o odor, o alimento, o abraço do homem interior que habita em mim, onde para a minha alma brilha uma luz que nenhum espaço contém, onde ressoa uma voz que o tempo não destrói, de onde exala um perfume que o vento não dissipa, onde se saboreia uma comida que o apetite não diminui, onde se estabelece um contato que a sociedade não desfaz. Eis o que amo quando amo o meu Deus.” Cinco lições angelicais: Primeira: Dom Angélico sempre falava com audácia carregada de amor. O amor que recebeu dos pais e das irmãs. Conhecia o amor pessoalmente. E amava e era amado. Amamos Angélico por nos ensinar a falar de pais e mães, de família, de irmãos e sobretudo de Jesus, o Nazareno. Sempre soube que além do nome angelical tinha um sobrenome de perfume: Sândalo. Ah! Vale lembrar que morou depois de aposentado no Jardim Primavera! São muitos sinais de Deus em sua vida. Segunda: dom Bernardino amou as lutas e os compromissos do povo e da Igreja Povo de Deus no caminho ao lado dos empobrecidos. Sempre havia um abraço forte, um beijo no rosto ou na testa dos anciãos e jovens e até um carinho personalisado para as pessoas mais simples e os/as trabalhadores/as. Terceira: Aprendemos dele a colocar no centro das missas e das pastorais os últimos da cidade e da sociedade. Ninguém se sentia excluído, pois na missa e as orações de Angélico, como um outro Cristo, sempre cabiam todos e todas. Esse amor sem fronteiras nem paredes. Amor sinodal. Amor radical. Amor rizomático. Amor que construiu pontes e não se fixava insensível diante das normas e leis (mesmo aquelas dos funcionários religiosos de tantas cúrias e burocracias) que sufocavam e enrijeciam os corações. Angélico era homem livre, diante de uma criança e diante do papa de Roma. Amor em gestos e palavras com coragem, sem perder a ternura jamais. Fora do amor, ele nos dizia que não há salvação. Amamos a esperança rebelde e teimosa. Dom Angélico sempre traz marcado a fogo a memória de profetas como dom Paulo Arns, dom Luciano Mendes, dom Helder, Frei Gorgulho, padre Toninho orionita, Santo Dias da Silva, Madre Cristina do SEDES SAPIENTIAE, Alexandre Vannuchi Leme, Madre Maurina, Manoel Fiel Filho, padre Ticão, Carlos Strabelli e tantas gentes que marcaram a sua vida já em Ribeirão Preto, depois em São Miguel Paulista, na amada Brasilândia (que ele as vezes chama de Brasalândia – o fogo de Deus), e de forma esponsal na sua Blumenau, que ele chamava sempre de sua Bela e Santa Catarina. Dom Angélico pouco falava de si. Teria feito terapia para evitar o narcisismo clerical ou era dom pessoal? Seria uma reza forte mergulhando em seu interior para saber-se conhecedor de suas belezuras bem como de seus pecados e fragilidades? Creio que sempre buscou Deus nas estradas e meandros da vida, sem imposição ou arrogancia. Ao buscar Deus, Angélico não se perdia. Deus se deixa encontrar e lhe confidenciava segredos de amor. Ao falar de companheiras/os de viagem, fez a travessia nas águas do mar da vida conduzido pelo Espírito do Ressuscitado. Com ele cantei a melodia do Roberto Carlos, emocionado: Meu querido, meu velho, meu amigo! E chorei quando padre Pedro Ricardo gravou um salmo que ele declamava como poeta vigoroso. E quem não ficava pasmo ao ouvir as bem aventuranças de Mateus? Quarta: Amamos ver em Angélico seu modo despojado de ser bispo. Papa Francisco tem um jeito de Angélico ou seria Angélico que tinha jeito de Francisco? Nenhuma atenção às pompas e títulos. Havia sempre o cuidado reverente e a emoção profunda na celebração da Eucaristia, mas sem brilhos nem lantejoulas e, sobretudo sem clericalismo narcisista de tantos clérigos emplumados. Seu cajado foi sempre o braço amigo de um padre que veio de Ribeirão Preto para cuidar das ovelhas perdidas e não permitir a sanha voraz dos lobos, do capital e dos opressores. Sua mitra foi sempre o carinho e o afago de algum operário ou mesmo trabalhadora. Seu anel foi sempre a aliança com os pobres. Dom Angélico foi ordenado bispo para viver “anzolado” com os pequeninos. A singeleza de sua presença deixava o Cristo resplandecer. Sem magia nem feitiçaria. Só a pura graça divina agindo na comunidade. Gratuitamente. Angélico sempre se entusiasmava quando falava do seu amor por Jesus. Amor apaixonado. Todo de Deus. Tocava nossos corações e mentes com a sua palavra jornalística bem burilada e direta. Não havia firulas nem meias-palavras. Não havia diversionismo nem cumplicidade com os ricos e opressores. Dom Angélico sempre foi direto ao ponto: proclamar o Evangelho a tempo e contratempo. Basta dizer que o padre Júlio Renato Lancellotti o tem como um pai espiritual, assim como dezenas de padres e leigos e religiosas pelo Brasil todinho. Angélico falava de Deus falando de corpos, de desejos, de pães, de trabalho, de caminhadas, de projetos sociais e das utopias humano-divinas. O Cristo de Angélico foi sempre o Jesus Ressuscitado que caminhava animando-nos, encorajando-nos, alegrando-nos, desejando