NOTA DE PESAR – Com pesar comunicamos aos colegas o passamento do nosso querido amigo Joarez Virgulino Aires.

Ontem (03.10.2024) às 22:30 em Curitiba faleceu Joarez Virgulino Aires, notícia dada por sua esposa Ausilia à nossa colega Bernizzeth. Joarez , Padre Casado Ausilia, 89 anos, tinha dois filhos e três netos, exerceu o sacerdócio na diocese de Porto Nacional – GO, foi um dos pioneiros do MFPC , colaborador do Jornalzinho Rumos onde escreveu diversos artigos e foi editor por muitos anos, era assíduo participante dos nossos encontros nacionais. No último contato que teve comigo a mais de 02 anos, disse – me que tinha perdido uma das vistas e lutava contra um câncer, mas desconheço os detalhes dos seus últimos momentos. Era meu particular amigo e colega contemporâneo do Seminário São José – Rio Cumprido – GB. Que Deus o acolha do Reino da Luz e conforte seus familiares e amigos. Texto de Almir Simões
SAÚDE – A desprivatização total da saúde é o alicerce para garantir um SUS universal. Entrevista especial com Ligia Bahia

“Meus esforços como pesquisadora e grande apoiadora do SUS estão voltados para sairmoda mesmice e desprivatizar a saúde no Brasil”, declara a entrevistada Consolidado como o maior sistema público de saúde do mundo e um dos pilares da democracia brasileira, o Sistema Único de Saúde – SUS beneficia cerca de 180 milhões de brasileiros todos os anos. Isto é, mais de 70% da população é usuária desta política pública. Baseado nos princípios de universalidade, integridade e equidade, este sistema realiza desde atendimentos ambulatoriais até procedimentos de alta complexidade, como transplantes. Além de consultas, exames e internações, o SUS promove campanhas de vacinação e ações de prevenção de vigilância sanitária. Um arranjo multifacetado que possui muitos acertos, mas também gargalos a serem solucionados. Contudo, a mercantilização da saúde promovida por princípios neoliberais tem comprometido esta política pública. “O sistema de saúde no Brasil é predominantemente privado. E, sim, é privado também em função de políticas sucessivas de corte neoliberal”, adverte a pesquisadora e professora Ligia Bahia. Para ela, precisamos compreender que “não existe um SUS isolado, mas sim um projeto de SUS em um país brutalmente desigual e que vem estimulando a privatização da saúde”, assinala. Nesse sentido, devemos estar vigilantes para mobilizar a desprivatização da saúde com a adoção de políticas “para a reversão de subsídios fiscais, créditos, empréstimos de bancos estatais para o setor privado bem como para a regulação de estratégias de alavancagem dos negócios que imponham restrições ao SUS”, coloca Ligia na entrevista a seguir concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Segundo aponta a pesquisadora, “a privatização é um vetor inequívoco de estratificação e essa segmentação joga os indicadores de saúde para baixo. Tentando ser mais objetiva: 25% da população vinculada a planos privados têm à disposição muito mais recursos financeiros e assistenciais, mas é exatamente a parcela que tende a ser mais saudável. Um efeito anti-Robin Hood, privilegia-se a menor parcela, com menos necessidades”. Para a médica, que é uma das idealizadoras do SUS na Constituição de 1988, não basta só defender, é necessário apoiar também o SUS universal. “O SUS para os pobres é consensual. Não tem opositor. É diferente do apoio necessário, aguerrido ao SUS universal. Sim, precisamos apoiar o SUS. Apoiar sem cinismo, sem fingir que servidor público não está firmemente agarrado em planos privados de saúde, que nas sedes de sindicatos não estão repletas de banners de planos de saúde”, assevera. Fonte: Instituto Humanista UnisinosMatéria Completa: Acesse Aqui
A desprivatização total da saúde é o alicerce para garantir um SUS universal. Entrevista especial com Ligia Bahia

“Meus esforços como pesquisadora e grande apoiadora do SUS estão voltados para sairmos da mesmice e desprivatizar a saúde no Brasil”, declara a entrevistada Consolidado como o maior sistema público de saúde do mundo e um dos pilares da democracia brasileira, o Sistema Único de Saúde – SUS beneficia cerca de 180 milhões de brasileiros todos os anos. Isto é, mais de 70% da população é usuária desta política pública. Baseado nos princípios de universalidade, integridade e equidade, este sistema realiza desde atendimentos ambulatoriais até procedimentos de alta complexidade, como transplantes. Além de consultas, exames e internações, o SUS promove campanhas de vacinação e ações de prevenção de vigilância sanitária. Um arranjo multifacetado que possui muitos acertos, mas também gargalos a serem solucionados. Contudo, a mercantilização da saúde promovida por princípios neoliberais tem comprometido esta política pública. “O sistema de saúde no Brasil é predominantemente privado. E, sim, é privado também em função de políticas sucessivas de corte neoliberal”, adverte a pesquisadora e professora Ligia Bahia. Para ela, precisamos compreender que “não existe um SUS isolado, mas sim um projeto de SUS em um país brutalmente desigual e que vem estimulando a privatização da saúde”, assinala. Nesse sentido, devemos estar vigilantes para mobilizar a desprivatização da saúde com a adoção de políticas “para a reversão de subsídios fiscais, créditos, empréstimos de bancos estatais para o setor privado bem como para a regulação de estratégias de alavancagem dos negócios que imponham restrições ao SUS”, coloca Ligia na entrevista a seguir concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Segundo aponta a pesquisadora, “a privatização é um vetor inequívoco de estratificação e essa segmentação joga os indicadores de saúde para baixo. Tentando ser mais objetiva: 25% da população vinculada a planos privados têm à disposição muito mais recursos financeiros e assistenciais, mas é exatamente a parcela que tende a ser mais saudável. Um efeito anti-Robin Hood, privilegia-se a menor parcela, com menos necessidades”. Para a médica, que é uma das idealizadoras do SUS na Constituição de 1988, não basta só defender, é necessário apoiar também o SUS universal. “O SUS para os pobres é consensual. Não tem opositor. É diferente do apoio necessário, aguerrido ao SUS universal. Sim, precisamos apoiar o SUS. Apoiar sem cinismo, sem fingir que servidor público não está firmemente agarrado em planos privados de saúde, que nas sedes de sindicatos não estão repletas de banners de planos de saúde”, assevera. Fonte: Instituto Humanista UnisinoMatéria Completa: Acesse Aqui
RELIGIÃO – Santuário de Canindé, no Ceará, sedia a maior romaria franciscana das Américas

O evento começou com o tradicional hasteamento das bandeiras e a primeira missa, celebrada às 4 horas da manhã no patamar da Basílica Santuário. O Santuário de São Francisco das Chagas, em Canindé (CE), está celebrando o novenário ao seu padroeiro até o dia 4 de outubro, com o tema central “As Chagas de Cristo presentes em São Francisco e na vida do povo.” Durante os 11 dias de festividades, são esperados cerca de 1 milhão de romeiros na cidade, que é um dos principais centros de devoção franciscana nas Américas, considerada como a “alma franciscana do Brasil”. O novenário de São Francisco das Chagas de Canindé 2024 teve seu início na madrugada da última terça-feira, 24 de setembro, com a participação de milhares de fiéis, entre moradores locais e romeiros que chegaram principalmente a pé, vindos de várias localidades da zona rural e cidades vizinhas. O evento começou com o tradicional hasteamento das bandeiras e a primeira missa, celebrada às 4 horas da manhã no patamar da Basílica Santuário. Ao longo dos dias, serão celebradas cerca de 100 missas, confissões, batizados, Adoração ao Santíssimo Sacramento, procissões, via sacra e bênção dos animais. Essa romaria destaca que o significado das Chagas de São Francisco vai além da história, sendo uma profunda meditação sobre a transformação espiritual e o chamado à conversão, que São Francisco experimentou em sua união mística com Cristo crucificado. As chagas que ele carregou no corpo representam o sofrimento redentor de Cristo, que agora se torna glorioso na ressurreição, sinal de esperança para os peregrinos deste mundo. Nesta festa, frei Gilmar Nascimento da Silva, OFM, reitor do Santuário de Canindé, lembra nos enchemos de fé e renovamos nossa esperança no Ressuscitado, naquele mesmo que ao aparecer esplendoroso, vencedor da morte, quis trazer as marcas de sua Paixão, agora gloriosas e radiosas. A romaria é, portanto, um momento de renovação da fé e da confiança no Cristo Ressuscitado, que traz as marcas do amor e do sacrifício pela humanidade. O tema das chagas de São Francisco é profundamente ressonante para os romeiros que visitam Canindé em busca de alívio espiritual e físico. A devoção ao estigmatizado do Monte Alverne reflete essa identificação entre o santo e os sofrimentos de seus devotos, criando laços de fé e espiritualidade que são alimentados pela compaixão e amor aos pobres. O Santuário de São Francisco das Chagas está situado a 120 km de Fortaleza e é um dos mais importantes centros de peregrinação do Brasil, sendo conhecido internacionalmente. Embora Assis, na Itália, receba o maior número de devotos, o historiador Venâncio Willeke ressalta que Canindé supera em expressões de fé e confiança manifestadas nos atos simbólicos de devoção, como os ex-votos. Ele sugere que, em termos de devoção e religiosidade popular, Canindé pode ser considerado o primeiro Santuário franciscano do mundo. Fonte: Site da CNBB Matéria Completa: Acesse Aqui
BRASIL – De cemitério ilhado por soja e milho a escola poluída: as marcas do agro em Belterra

Eleição em Belterra passa ao largo dos impactos socioambientais causados pela chegada da monocultura à região Belterra, um pequeno município no sudoeste do Pará com 18 mil habitantes localizado perto do rio Tapajós e da rodovia BR-163, a 49 km de Santarém, vive o boom do agronegócio. Seus defensores falam que é necessário para o desenvolvimento do município, cujas raízes remontam a 1934, quando a companhia do bilionário norte-americano Henry Ford (1863-1947) construiu um vilarejo a fim de explorar os seringais da região. Poucos anos depois, o negócio deu errado e foi abandonado. Agora vastas áreas de soja e milho começam a dominar a paisagem antes marcada por florestas fechadas e árvores imensas. É como uma replicação do que ocorreu na zona rural de inúmeros municípios do vizinho Mato Grosso. “Aqui é um ou dois que são contra a agricultura. Esquerdistas. Mas eu não tenho nada contra a esquerda também não. Se não tivesse a esquerda, não tinha graça também”, disse à Agência Pública o vereador Sérgio Cardoso de Campos (MDB), 67 anos, o Serjão, segundo mais votado na cidade em 2020, ele próprio ligado a um grupo empresarial que opera seis fazendas na região, a família Menolli. Campos é um dos principais apoiadores da campanha à reeleição do prefeito Ulisses José Medeiros Alves (MDB), 48 anos, em coligação com Republicanos, PSB e Avante. O único outro candidato a prefeito é o ex-deputado estadual Antonio Rocha (PP), em uma coligação que, a exemplo de Santarém, faz uma salada ideológica que junta a direita do União Brasil com PT, PCdoB e PV. A esquerda quase inexiste em Belterra. Rocha, 70 anos, construiu sua carreira na política, mas passou a ser empresário de navegação e hotelaria, declarando agora um patrimônio pessoal de R$ 5,9 milhões. Ele também é um produtor rural, tendo declarado 1.903 cabeças de bovinos e bubalinos, uma fazenda e um trator. Até o início de 2024, Rocha estava no MDB, do qual saiu para enfrentar Ulisses. Seu vice é do PT. As duas campanhas majoritárias passam ao largo das discussões sobre as consequências da chegada da monocultura à região. O olhar mais detalhado, contudo, mostra como o agronegócio traz uma nova realidade bem mais problemática em Belterra. Desde 2016, segundo professoras ouvidas pela Pública, já são inúmeras as denúncias de que agrotóxicos aplicados por fazendas invadem salas de aula de uma escola municipal hoje cercada por plantações de soja. O episódio mais recente ocorreu em junho, quando professores e alunos relataram náuseas e coceiras pelo corpo. Fonte: Site Publica Matéria Completa: Acesse Aqui
BETS – Como Temer e Bolsonaro contribuíram para atual cenário de pandemia de apostas no Brasil

O governo federal não cumpriu o prazo para regulamentar as apostas esportivas de cota fixa. Com as eleições presidenciais no período, o timing se mostrou crítico. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta sexta-feira (27) que o governo de Jair Bolsonaro (PL) falhou ao não regulamentar o mercado de apostas esportivas, como exigido pela legislação da época, e classificou o atual cenário das apostas no Brasil como uma verdadeira pandemia nacional. Nos últimos cinco anos, o país viu um crescimento acelerado e descontrolado das chamadas “bets” – plataformas de apostas esportivas online. De acordo com Haddad, o aumento da prática tem gerado um impacto preocupante, com consequências significativas para as famílias e a economia do país. “A lei previa que, durante o governo Bolsonaro, o assunto tinha que ser regulamentado. O Bolsonaro não fez isso. O governo Bolsonaro simplesmente sentou em cima do problema como se ele não existisse”, declarou o ministro. Haddad se refere à legalização das apostas esportivas no Brasil teve início em 2018, quando o então presidente Michel Temer (MDB) sancionou a Lei 13.756, derivada de uma Medida Provisória originalmente voltada para o financiamento do esporte através de loterias. Durante sua tramitação no Congresso, a proposta foi alterada e acabou abrindo espaço para o funcionamento legal das “bets”, que antes eram proibidas. A lei também estabelecia um prazo para a regulamentação do setor: dois anos, com possibilidade de prorrogação por mais dois. No total, o governo teria até dezembro de 2022 para implementar as regras necessárias para controlar o mercado de apostas. Após a saída de Michel Temer, Jair Bolsonaro assumiu a presidência. No entanto, em 2022, com a proximidade das eleições, Bolsonaro concentrou todos os seus esforços em tentar garantir a reeleição, e ignorou a regulamentação. “O governo federal não cumpriu o prazo para regulamentar as apostas esportivas de cota fixa. Com as eleições presidenciais no período, o timing se mostrou crítico. Com isso, a disposição para aprovar o regulamento diminuiu substancialmente”, destacou a pesquisa realizada pela consultoria Strategy& sobre o setor de apostas no Brasil. Fonte: Revista Forum Matéria Completa: Acesse Aqui
GUERRA – Netanyahu acua o Irã e acerta os ponteiros com hegemonia dos EUA

Aos líderes de Israel não escapou o gambito de Putin, nem a compreensão do que estava acontecendo: num mundo a caminho de um desenho multipolar, era cada um por si. Quando a Rússia invadiu a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, caiu o Muro de Berlim. Só que, desta vez, o Muro do Ocidente. Apesar de impor sanções como nunca se viu antes, os Estados Unidos, à testa da OTAN, arreganharam os dentes mas não morderam. Míopes ao novo mundo que já se arquitetava, acreditaram que o bloqueio econômico seria suficiente para fazer desabar os planos de Vladimir Putin. Aos líderes de Israel não escapou o gambito de Putin, nem a compreensão do que estava acontecendo: num mundo a caminho de um desenho multipolar, era cada um por si. A disparada global dos gastos militares, aliás, reflete isso. O soft power, orgulho do Itamaraty, entrava em decadência. Atacada em 7 de outubro pelo Hamas, Israel retomou a cartilha de todos os conflitos militares que já enfrentou: extrair ganhos territoriais, sob quaisquer circunstâncias. Só estranha os ataques de Israel à Cisjordânia, que não é governada pelo Hamas, quem desconsidera este fato: dada a oportunidade, Tel Aviv opta pelo caminho de ocupar novos territórios. Desta vez, enterrou o sonho que já era distante de um estado palestino, reforçou seu controle sobre Jerusalém e ampliou os assentamentos de colonos. Comentaristas, especialmente os ligados à esquerda, acertadamente disseram que os ganhos táticos de Israel não compensavam o isolamento estratégico. Benjamin Netanyahu, no entanto, compreendeu perfeitamente que a arquitetura imposta pelos EUA ao Oriente Médio estava desabando junto com a completa hegemonia de Washington, como demonstrado na reação dura, porém contida, contra Putin. Esta arquitetura começou a ser construída em 14 de fevereiro de 1945, a bordo do USS Quincy, quando o então presidente Roosevelt, dos Estados Unidos, recebeu o rei Ibn Saud, da Arábia Saudita, para selar um acordo que, apesar dos pesares, ainda vige: os EUA dariam proteção aos sauditas desde que eles garantissem um preço internacional do petróleo condizente com os interesses de Washington. Kazan, outubro de 2024 Assim como o lado ocidental do Muro de Berlim desabou em 2022, nos dias 22, 23 e 24 de outubro próximos Vladimir Putin receberá os líderes do BRICs ampliado pela primeira vez, em Kazan, na Rússia. Será uma data fundacional do mundo multipolar: lá estarão, além de Xi Jinping, Lula e Narendra Modi, os dirigentes da África do Sul, Irã, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos e Etiópia. Dias antes, em 7 de Outubro, os ataques do Hamas a Israel terão completado um ano sem uma vitória definitiva de Tel Aviv em Gaza.Isso tem levado analistas a dizer que Israel venceu, mas perdendo. Porém, com a experiência de um político acostumado a lidar com os Estados Unidos, Benjamin Netanyahu sabe que Israel é um aliado mais importante para Washington do que o próprio Hezbollah para o Irã. Fonte: Revista Forum Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Adeus ao mundo eurocêntrico?
Um pensador destacado do altermundismo sustenta: o poder do Ocidente nunca foi tão frágil. É possível esperar um novo Sul Global? Por que a China é muito diferente da antiga URSS? Que esperar dela numa nova ordem mundial? Walden Bello, entrevistado a Néstor Restivo, em Tektónicos | Tradução: Antonio Martins A primeira vez que encontrei Walden Bello foi no verão de 2001, em Porto Alegre. Por ocasião do primeiro Fórum Social Mundial (FSM), há mais de duas décadas, esse sociólogo das Filipinas, ex-membro do parlamento de seu país viajou para o sul do Brasil como tantos ativistas, líderes e acadêmicos ou pesquisadores que esperavam que esse fórum, e os que o seguiram por vários anos, se consolidasse como uma tribuna internacionalista de resistência ao neoliberalismo – então em seu momento de expansão – e, ao mesmo tempo, uma plataforma para ideias alternativas. Bello, pouco conhecido na América do Sul, já era presença importante nos movimentos “altermundistas”. Dirigia uma rede de organizações sul-asiáticas denominada Focus on the Global South, cujo nome me chamou atenção. O termo “Sul Global” apareceu pela primeira vez em 1969, quando o professor e ativista norte-americano Carl Oglesby escreveu um artigo sobre a Guerra do Vietnã no qual mencionou a “dominação do Norte sobre o Sul Global” — causa, segundo ele, de uma “ordem social intolerável”. “Certamente não fomos os inventores nem os pioneiros em falar do ‘Sul Global’””, diz Walden Bello na Casa de las Madres de Plaza de Mayo, no inverno de 2024 em Buenos Aires, uma cidade que ele está visitando pela primeira vez. Ele conta que a Focus on the Global South foi estabelecida em Bangkok, Tailândia, em 1995, acrescentando:”de qualquer forma, adotamos esse nome, sintonizando-nos no momento certo com o que estava começando a acontecer no mundo”. Walden Bello visitou à capital argentina (e não deixou de observar com perplexidade tudo o que emerge do governo de Javier Milei) a convite do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (CLACSO) e da Fundação para a Pesquisa Social e Política (FISYP). Palestrou sobre o “Impacto e oportunidades da crise da hegemonia dos EUA” e conversou com a Tektónikos sobre esse tema. Fonte: Site Outras Palavras Matéria Completa: Acesse Aqui
ECONOMIA – O papel silencioso das abelhas nativas na polinização das plantas. Entrevista especial com Rodrigo Gonçalves

A situação é mais preocupante para as espécies nativas. Elas sofrem com a fragmentação, com inseticidas, com o aquecimento global. Mas como são menos ou não manejáveis O aroma das flores é um convite aos insetos, que percebem os odores por meio de suas antenas, levando-os a encontrar a planta com exatidão. É um complexo informativo das plantas para seus polinizadores, que também revela a qualidade do pólen e do néctar. Porém, conforme a crise climática acelera, esse delicado equilíbrio da natureza fica comprometido, colocando em risco a sofisticada relação entre plantas e seus polinizadores. Há alguns anos, os alertas sobre o desaparecimento das abelhas, o inseto mais importante entre os polinizadores devido à sua diversidade – “são conhecidas mais de 20 mil espécies no mundo” –, tem ecoado nas pesquisas, mas a verdade é que pouco conhecemos sobre a realidade desses animais. No intuito de colocar no centro do debate e esclarecer ainda mais sobre o tema, acaba de ser lançado o livro Desvendando as abelhas: o que são e por quê conservá-las, do professor Rodrigo Barbosa Gonçalves. É uma obra, segundo o autor, que traz uma “linguagem de popularização da ciência, visando o público geral, em especial os interessados da natureza e pela ciência”. Na entrevista a seguir, concedida por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU, o professor no Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paraná – UFPR e especialista em entomologia (estudo de insetos) explica que “a maioria das plantas com flores, as angiospermas, necessita de agentes polinizadores para realizar o transporte de pólen para a sua reprodução. Dentre estes agentes, os insetos são os mais comumente registrados como polinizadores”. Assim, “como as angiospermas são o maior grupo de plantas terrestres, toda a vida fora da água, inclusive a nossa, dependeu e dependerá dessas plantas e, consequentemente, dos polinizadores”, alerta o pesquisador. Rodrigo Barbosa Gonçalves é biólogo e mestre pela Universidade Federal do Paraná – UFPR, e doutor em Zoologia pelo Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo – USP junto ao Museu de Zoologia. O cenário piora quando se fala de certas espécies de abelhas: “A situação é mais preocupante para as espécies nativas. Elas sofrem com a fragmentação, com inseticidas, com o aquecimento global. Mas como são menos ou não manejáveis, e mais sensíveis, o impacto deve ser muito severo”, afirma Gonçalves. “São milhares de espécies que não podem ser criadas para mel, mas mantêm um papel silencioso na polinização das plantas”, finaliza. Fonte: Instituto Humanistas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
GUERRA DO DENDÊ – Banco da Noruega retira investimento em empresa de segurança da Agropalma por violar direitos de indígenas do Pará

Indígenas denunciam cercas que dividem território em disputa com Agropalma, no município de Tailândia (PA) – Divulgação O Banco da Noruega publicou em seu site, na última quinta-feira (5), uma nota informando a retirada de seis empresas do Fundo de Pensão Global do Governo Norueguês (GPFG) devido a violações de direitos humanos. Entre elas está a empresa espanhola Prosegur, com filial no Brasil, que presta serviços à produtora de óleos e gorduras Agropalma, no Pará. Conforme a nota, a companhia Prosegur está praticando “sérias e sistemáticas violências contra os direitos humanos”. A decisão é fundamentada em uma recomendação publicada em abril de 2024 pelo Conselho de Ética do Fundo de Pensão do Governo da Noruega, entidade que determina as atividades que receberão investimentos com base em orientações sobre cumprimento de direitos humanos e práticas ambientais sustentáveis. “Entre 2021 e 2023, durante o serviço de guarda em Agropalma, os seguranças da SegurPro (responsável pelo setor de segurança da Prosegur) impediram que os povos indígenas visitassem seus antigos túmulos, pescassem no rio Acará e viajassem para a cidade de que dependem para comprar suprimentos e procurar atendimento médico”, informa a recomendação. A recomendação é baseada em notícias, informações do site da empresa Prosegur, documentos públicos do Ministério Público do Pará (MPPA) e em uma sentença referente a uma ação civil pública. O documento usa também informações da ONG Global Witness, que publicou em 2022 o relatório A sombra do dendê, que mostra as violações de direitos contra povos indígenas e comunidades tradicionais a partir da expansão das plantações de palma no Brasil. “Nas comunidades quilombolas de Vila Gonçalves e Balsa, 206 famílias se sentem totalmente estranguladas pelas plantações de palma ao seu redor”, informa o relatório. Desde os anos 80, a Agropalma expande as plantações de palmeira-de-dendê na região do município de Tailândia (PA). A empresa alega ser proprietária de terras que estão sobrepostas a territórios indígenas e quilombolas, onde há cemitérios que guardam sepulturas dos antepassados dessas comunidades. Embora a Agropalma exerça domínio sobre a área, uma parte das terras não pertence mais à empresa. Uma ação civil pública conduzida pelo Ministério Público do Pará (MPPA) identificou que as matrículas do imóvel nomeado Fazenda Roda de Fogo, de 22 mil hectares, foram lavradas em um cartório fantasma. As comunidades argumentam que isso significa que os documentos que a Agropalma usava para certificar a propriedade são inválidos. Fonte: Brasil de Fato Matéria Completa: Acesse Aqui