MUNDO – China lidera quadro de medalhas dos Jogos Paralímpicos pela sexta vez consecutiva; entenda sucesso do país

Medalhista de ouro e prata da China, Jiang Yuyan (C) e Liu Daomin (E), e a medalhista de bronze da Brasil Mayara Do Amaral Petzold (D) no pódio dos 50m borboleta S6 nas Paralimpíadas de 2024 – Dimitar DILKOFF / AFP A China conquistou, pela sexta vez consecutiva, a liderança do quadro de medalhas dos Jogos Paralímpicos. Em Paris, com apenas mais uma medalha em disputa na manha deste domingo (8), o país somava 94 medalhas de ouro, 75 de prata e 50 de bronze, totalizando 219 pódios. A Grã Bretanha, segunda colocada, aparecia com 49 ouros, 44 pratas e 31 bronzes, 124 no total. O sucesso do chinês no desporto paralímpico é multifatorial. Um dos motivos tem a ver com as políticas de erradicação da extrema pobreza e de combate à desigualdade. Como parte dos esforços para a eliminação da extrema pobreza, a atenção às pessoas com deficiência têm aumentado nos últimos anos na China. O 14° Plano Quinquenal, que vai de 2021 a 2025, contém várias seções dedicadas à proteção e reabilitação de pessoas com deficiência. O texto inclui ainda melhorias no acesso à seguridade social, emprego e serviços básicos. Na China, existem mais de 85 milhões de pessoas com deficiência. Durante o período do Plano Quinquenal anterior (2016-2020), 7,1 milhões de pessoas nesta condição, que viviam em áreas rurais, foram retiradas da extrema pobreza. Além disso, quase 2 milhões foram empregadas em áreas urbanas e rurais, segundo dados do Conselho de Estado. A recente terceira plenária do Vigésimo Comitê Central do Partido Comunista da China também enfatizou a necessidade de desenvolvimento dessas políticas. A resolução da terceira plenária – cujos objetivos devem ser cumpridos até 2029 – afirma que melhores serviços serão prestados a idosos com dificuldades especiais, “incluindo aqueles que vivem sozinhos, têm deficiências ou sofrem de deficiência física”, e que será acelerada “a introdução de esquemas de seguro para cuidados de longo prazo” para essas populações. Fonte: Brasil de Fato Matéria Completa: Acesse Aqui
TEMPERATURA – Pedagogia do caos climático

Em quanto é preciso reduzir as emissões de CO2. Por que a saída não é tecnologia e mercados – mas redistribuição de riquezas e desalienação. É comum que a comparação da economia nacional com uma economia doméstica seja utilizada para justificar as políticas de austeridade, nos mais diferentes meios de comunicação. Tal argumentação ignora o fato de que o governo nacional não tem limitação de emissão da sua própria moeda, e que o crescimento econômico, o nível de tributos e a taxa de juros são variáveis dependentes das ações do governo, o que não é uma situação análoga à de uma família. Assim, como muitas vezes já contra-argumentado, a comparação está equivocada no que concerne ao sistema monetário e às variáveis macroeconômicas. Longe da simples equivalência ou transposição de uma “pequena casa à grande casa”, no entanto, a etimologia da palavra Economia nos mostra que ela de fato significa “Administração da casa” ou “Regras da casa” (do grego, Oikos que é casa, moradia; e Nomos, que é administração, organização, distribuição). Ou seja, em um sentido amplo, estamos falando da administração dessa grande casa comum, considerando suas características específicas – que também se diferenciam daquelas de uma unidade familiar. Assim, a palavra Economia está intimamente ligada ao conhecimento da nossa “casa”, pertinente à Ecologia, bem como, o exercício da Economia suporia o compromisso com a gestão equilibrada da atividade produtiva, dos elementos naturais usados como recursos, da reprodução social e da distribuição dos bens e serviços, tendo consciência do funcionamento da biosfera e dos impactos da ação antrópica. Isso nos remonta ao fato de que Aristóteles estabeleceu uma diferença crucial entre a Economia e a Crematística, onde a última seria o movimento feito em prol da acumulação do dinheiro por si mesmo. Assim, a Economia trataria da necessária troca monetária, derivada do uso do dinheiro como meio, enquanto a Crematística envolveria as ações e estratégias destinadas ao mero acúmulo financeiro. Fica evidente, portanto, que o que se exerce majoritariamente sob o nome de Economia é na verdade a chamada Crematística, para a satisfação dos objetivos capitalistas, ao passo em que é imprescindível e urgente aderirmos ao verdadeiro significado de Economia, indissociável da Ecologia, inclusive para a nossa sobrevivência e bem-estar. Atualmente, estamos presenciando uma guinada – tanto alardeada quanto tardia – de discursos oficiais, políticas e financiamento para o enfrentamento das mudanças climáticas, frente à escalada de eventos ambientais extremos vividos pelas populações. No entanto, tais ações seguem ainda balizadas pela crematística, e à revelia das evidências ecológicas. Primeiramente, apenas no que concerne à questão climática, temos que o Holoceno (iniciado cerca de 11,65 mil anos atrás) é a Era geológica caracterizada por uma inédita estabilidade, que possibilitou a agricultura, o sedentarismo e o surgimento de sociedades complexas. Assim, os efeitos que estamos tentando conter envolvem secas sem precedentes, extinções em massa, derretimento das calotas polares e aumento do nível do mar, dentre outros decorrentes desses, e outros ainda não totalmente previsíveis. Colocado de outra forma, buscamos evitar que os seres humanos vivam em um cenário climático que nunca vivenciamos enquanto espécie. Fonte: Outras Palavras Matéria Completa: Acesse Aqui
GLOBAL – O motivo que fez Greta Thunberg, presa pela quinta vez, sumir da mídia tradicional

Greta Thunberg, ativista sueca pelo clima, foi presa pela quinta vez nesta quarta-feira (5) Durante uma manifestação pró-Palestina em Copenhague, na Dinamarca.A garota de olhos de ouro da imprensa neoliberal, que lutava contra a mudança climática, agora não é mais tão bem-vista pela mídia tradicional. Enquanto ela era um símbolo ou uma referência para uma luta despolitizada pelo clima, tudo certo. Agora, sendo detida defendendo a população palestina, começa a se tornar um pouco mais indigesta. Greta Thunberg não deixou de ser o ícone que era para seus pares, mas perdeu o apoio de boa parte da grande imprensa porque começou a perceber que, no cerne da questão climática, está a economia. E que a economia capitalista orientada para a guerra – simbolizada pelo apoio dos EUA ao genocídio na Faixa de Gaza – e para os combustíveis fósseis é a raiz dos problemas ambientais que vivemos hoje. Parafraseando Chico Mendes, Greta Thunberg descobriu que ecologia sem luta de classes é jardinagem. E saiu da mídia justamente por essa opinião, nada incorreta, mas controversa. Greta bateu de frente com o sionismo, com a esquerda frouxa europeia e com as grandes corporações que se pintam de verde, mas seguem sujas de sangue. Protestou contra os investimentos dos grandes bancos e venture capitals que lucram com a destruição do planeta.Deixou de ser a queridinha do mundo e passou a ser, de fato, uma inimiga do sistema. E é tratada como tal: cinco vezes presa. Fonte: Revista Fórum Matéria Completa: Acesse Aqui
Dowbor: Para decifrar o enigma da ultradireita

Desigualdade e frustrações deslocaram o eixo da política para o campo dos valores – onde opera uma aliança entre interesses financeiros, preconceitos de gênero e religião. Hipótese: esquerda pode (e precisa!) disputar este território Estávamos acostumados a tratar questões políticas, econômicas, religiosas e de gênero como espaços diferentes, tanto nas discussões como nas pesquisas, e em particular como áreas separadas nas universidades. Isso fragilizou muito a nossa compreensão das novas dinâmicas que transformam a sociedade a partir da sua própria base. Lembro que há uns 15 anos atrás, tempos de governo Lula, uma alta autoridade da União Europeia me perguntou do que eu achava da perspectiva de os evangélicos chegarem ao poder no Brasil. Comuniquei de maneira condescendente que não estava no horizonte político. Hoje me arrependo desta minha incompreensão do que estava se passando no país, transformação melhor entendida por um especialista europeu. O que está hoje escancarado, é precisamente que o populismo de direita se enraizou na base da sociedade numa aliança que usa crenças religiosas, preconceitos de gênero, interesses financeiros, sistemas modernos de comunicação comportamental, e os sentimentos de frustração irritada dos mais pobres para gerar uma máquina de poder político, o populismo de direita. No caso do Brasil, um livro de primeira ordem, de Bruno Paes Manso, A fé e o Fuzil: crime e religião no Brasil do século XXI, (2023) analisa precisamente como se formou esta convergência de diversas dimensões do cotidiano da população, aliando religião, política, polícia e criminalidade numa nova “costura” que articula as comunidades, gerando novos sistemas de governança. A religião e a sexualidade, o controle do comportamento íntimo das famílias, passam a desempenhar um papel poderoso. Quando elegemos um político, teoricamente se trata de assegurar que o setor público administre os investimentos necessários na educação, na saúde, nas infraestruturas, na promoção de empregos e semelhante. São os “programas” que se apresentam para as eleições. Em vez disso, as pessoas irão votar no que se apresenta como costumes, como se os políticos devessem tratar de como e para quem rezamos, como organizamos as nossas famílias, como educamos nossos filhos. Deus, Pátria, Família já era o mote da ditadura de Salazar em Portugal, um século atrás. E como funciona. Não busca a racionalidade, busca as emoções. O livro que queria aqui apresentar foca essas dimensões no plano internacional. Na Europa tão cultural e civilizada, enfrenta-se essa convergência da luta anti-gênero (leia-se controle da sexualidade das mulheres), da promoção da religiosidade (como se estivéssemos elegendo pastores), do uso das mídias sociais personalizadas (baseadas no uso de informações privadas das pessoas), e de pretensos valores “tradicionais”. Nos Estados Unidos as religiões se transformaram já há tempos em feudos de poder, com impressionante convergência entre valores retrógrados e as mídias mais avançadas, também navegando no mundo de frustrações geradas pela desigualdade e estagnação na base da sociedade. Os mais pobres nas mãos dos que mais reproduzem a pobreza. Duas polonesas, Agnieszka Graff e Elzbieta Korolczuk realizaram uma pesquisa de impressionante riqueza sobre justamente como se articulam essas diversas dimensões da sociedade, com poderoso impacto político que se enraíza na intimidade de como rezamos, de como nos relacionamos com a família, mas também de como votamos. O populismo político de direita é aqui visto como construção inovadora, que termina se articulando com as forças econômicas das grandes corporações, como no caso das Koch Industries nos Estados Unidos, justificando e assegurando apoio político da base social mais explorada para o sistema tecnologicamente mais avançado e explorador. A análise nos ajuda a entender como se construiu esse paradoxo político, por meio da pretensa superioridade moral, com uso não de propostas de soluções concretas de governança, mas sim de grandes acenos à família, uso da bandeira, conceito de austeridade na política, e de controle comportamental, em particular das mulheres. Fonte: Outras Palavras Matéria Completa: Acesse Aqui
ENTREVISTA – Mudanças na Igreja Católica do século XXI e o impacto na sociedade brasileira. Entrevista especial com Brenda Carranza

Brenda Carranza possui doutorado em Ciências Sociais – UNICAMP O século XXI traz consigo a ideia de mudança. O surgimento das redes sociais e a inserção cada vez maior das tecnologias na sociedade mudam a configuração na vida humana. As instituições, a partir desse cenário, também buscam se adaptar e a Igreja Católica não é diferente. É a partir desta proposição que a teóloga e cientista social Brenda Carranza discute as mudanças no catolicismo neste século e como isso afeta a sociedade brasileira. Na videoconferência intitulada “Incidências ou não da Igreja Católica na sociedade brasileira no século XXI”, promovida pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – FAJE, Brenda Carranza afirma que há uma união entre parte da Igreja Católica e a ultradireita no Brasil nos últimos anos. “O que sustento é que estamos diante de um catolicismo com uma inflexão ao lado do conservador e de direita diante de uma nova conjuntura social, novos pressupostos de estrutura de Estado e sociedade democrática, e que se pauta por um projeto político que visa ter como voz ordenadora o autoritarismo”, pontua. Segundo ela, há pautas que unem a velha e a nova direita cristã. “O fio condutor que une a pauta conservadora agora são as campanhas antigênero. Essa direita cristã traz velhas reivindicações: guerra cultural, comunismo, armamentismo. E uma nova direita cristã traz também a demonização da agenda pró-direitos, direitos reprodutivos, agenda LGBT, as alianças no Congresso e na formulação de políticas públicas”, diz. A atividade integra o III Congresso Brasileiro de Teologia Pastoral: A pastoral da Igreja do Brasil no século XXI: balanço, incidências, perspectivas, iniciativa do Grupo de Pesquisa Teologia Pastoral da FAJE, em parceria com outras instituições de ensino de Teologia. Fonte: Instituto Humanistas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Estará o Opus Dei por trás da “conversão” católica a Trump nos Estados Unidos?

Donald Trump, ex-presidente do Estados Unidos da América O novo populismo tem um dos seus profetas em Donald Trump e, em sua deriva personalista, tem conseguido cobrir-se com o manto do nacionalismo cristão e das reminiscências dos primeiros colonos, algo que até agora as igrejas evangélicas e, nos últimos tempos, também o catolicismo, a ponto de, segundo dados do Pew Research Center de abril passado, entre os católicos brancos, 60% se identificarem agora com o Partido Republicano. Para essa ‘conversão’ de uma parte do catolicismo, o ex-presidente contou com um ‘São Paulo’, Kevin Rogers, que fez dele uma ‘bíblia’ de mais de 900 páginas – o polêmico Projeto 2025 – que é como um mapa dessa virada nacionalista cristã que também tem entre os seus defensores JD Vance, o católico convertido designado por Trump como seu vice-presidente, se vencer as eleições presidenciais para a Casa Branca em novembro próximo. Além de ser um apologista do que chama de ‘Segunda Revolução Americana’, Kevin Roberts é presidente da Heritage Foundation, um think tank de extrema-direita cujo objetivo é “formular e promover políticas públicas baseadas nos princípios da livre iniciativa, governo limitado, liberdade individual, valores tradicionais americanos e uma forte defesa nacional”. Além disso, segundo o jornal The Guardian, Roberts “tem laços estreitos e recebe orientação espiritual regular de um centro dirigido pelo Opus Dei em Washington, DC. O Opus Deis é uma organização que o referido jornal britânico, um dos mais influentes do Reino Unido, descreve como um ‘grupo católico radical e secreto’”. “Roberts reconheceu em um discurso em setembro passado que, durante anos, visitou semanalmente o Centro de Informação Católica (CIC), instituição dirigida por um sacerdote do Opus Dei e registrada pela Arquidiocese de Washington, para assistir à missa e receber ‘formação’ ou assistência religiosa. O Opus Dei também organiza retiros mensais no CIC”, segundo informações do The Guardian. Roberts, que segundo o New York Times afirmou que poderia ser “sem derramamento de sangue se a esquerda permitir”, começou a ganhar notoriedade como resultado do Projeto 2025 – duramente criticado por Kamala Harris na recente convenção do Partido Democrata – “um plano de base apoiado por mais de 100 grupos conservadores que procuram mudar radicalmente uma ampla gama de políticas se Trump for eleito novamente, desde limitar o acesso ao aborto e aos direitos LGBTQ+ até acabar com programas de diversidade e aumentar o apoio governamental à ‘consciência sobre a fertilidade’, como rastrear a ovulação e praticar abstinência periódica, em vez de contracepção mais confiável”. Os mandamentos da ‘restauração cristã’ Considerado o ‘cérebro católico’ de Trump e possível chefe de gabinete na Casa Branca caso o magnata derrote Harris em novembro próximo, Roberts apresentou naquela reunião de setembro passado, no CIC, os ‘mandamentos’ para a restauração cristã dos Estados Unidos, em plena comunhão com ‘Make America Great Again’ (MAGA), o mantra do Trumpismo. O CIC, como observa o portal Katholisch, “é o lobby do Opus Dei, que tenta influenciar a política americana a partir daqui” e “é a casa de figuras católicas de direita como Roberts, o presidente da Sociedade Federalista, Leonard Leo e JD Vance, o candidato à vice-presidência. “[Leonard] Leo é um ativista conservador que liderou a missão republicana para instalar uma maioria de direita na Suprema Corte e financia muitos dos grupos signatários do Projeto 2025. Assim como Roberts, Leo também tem ligações com a CIC, ligada ao Opus Dei”, afirma o The Guardian em suas informações. “Em um discurso de 2022 aceitando a mais alta honraria da CIC, o Prêmio João Paulo II de Nova Evangelização, Leo elogiou o centro e referiu-se aos seus oponentes políticos como ‘bárbaros vis e amorais, secularistas e intolerantes dos dias modernos’, que estavam sob a influência do diabo”, afirma o jornal. Fonte: Instituto Humanistas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
Os sacerdotes filhos de mães muçulmanas: famílias inter-religiosas, uma característica da Indonésia

Um caso exemplar diz respeito aos sacerdotes nascidos de casais em que um ou ambos os pais não são católicos: as histórias de vida de quatro sacerdotes indonésios de famílias inter-religiosas As histórias de vida de quatro sacerdotes indonésios de famílias inter-religiosas, “mostram que as diferenças não são barreiras, que a vida espiritual é sempre uma riqueza, que o vínculo familiar é dom de Deus e é forte. A batina e o véu não são obstáculos à harmonia, mas indicadores de fraternidade”. Entre esses, há um sacerdote verbita pároco no Brasil. Falando da celebração pela sua ordenação episcopal, dom Ciprianus Hormat, bispo de Ruteng, na ilha indonésia de Flores, menciona quase que en passant a ampla e entusiástica participação dos seus “parentes muçulmanos”. Sinal eloquente de como as famílias “inter-religiosas” representam uma realidade difundida e bem presente na sociedade indonésia. Uma realidade em que se experimenta na vida quotidiana uma aptidão para acolher a experiência espiritual do outro, seja ela qual for: mesmo quando se trata de crianças, que podem escolher uma fé diferente da da sua própria família. “Isto acontece também quando se trata de respeitar e não criar obstáculo à vocação à vida sacerdotal e religiosa, que no entanto é acolhida como dom pelos pais ou familiares que professam o Islã ou uma fé diferente”, observa o bispo de Ruteng. “A prevalecer são os laços familiares e, em nível espiritual, há um profundo respeito pela fé de cada um dos parentes, na consciência de que a harmonia é um dom precioso a ser preservado”, observa. Um caso exemplar diz respeito aos sacerdotes nascidos de casais em que um ou ambos os pais não são católicos: as histórias de vida de quatro sacerdotes indonésios de famílias inter-religiosas, “mostram que as diferenças não são barreiras, que a vida espiritual é sempre uma riqueza, que o vínculo familiar é dom de Deus e é forte. A batina e o véu não são obstáculos à harmonia, mas indicadores de fraternidade”, observa o prelado, citando a história de dois religiosos Verbitas, padre Robertus Belarminus Asiyanto e padre Agustín Horowura, ambos naturais da ilha das Flores; de padre Mayolus Jefrigus Ghoba, de Sumba; de padre Edi Prasetyo, sacerdote indonésio de honiano (da Congregação do Sagrado Coração de Jesus), ordenado sacerdote na vizinha Malásia com outros irmãos da sua congregação. Flores, a ilha das vocações na Indonésia Em Flores, ilha indonésia no leste do arquipélago, na província de Nusa Tenggara, tem início a história de Robertus Belarminus Asiyanto, que em 2015, aos 31 anos, foi ordenado sacerdote no Seminário St. Paul Ledalero, em Maumere. No arquipélago do Sudeste Asiático conhecido por ser o país de maioria islâmica mais populoso do mundo, com mais de 275 milhões de habitantes, 85% muçulmanos, Flores é considerada “o coração católico da Indonésia” pois, entre as 17 mil ilhas, constitui uma exceção: é uma ilha de maioria católica onde, de cerca de 4 milhões de habitantes, os católicos representam 80%. Flores é ilha onde os Seminários Maiores e Menores estão repletos de jovens e as vocações ao sacerdócio e à vida consagrada são uma riqueza universalmente reconhecida. Até o Papa Francisco, na homilia da Missa do Dia da Vida Consagrada de 2022, disse, falando de improviso, que, perante a crise vocacional, se poderia ir “para a ilha da Indonésia (Flores, precisamente, ndr. ) para encontrá-las.” A benção da mãe mulçumana na ordenação A mãe de Asiyanto, Siti Asiyah, como muçulmana, deu sua bênção e o seu apoio ao filho. Na celebração da ordenação usava roupas islâmicas, incluindo o hijab e estave presente ao seu lado na procissão de entrada, com os outros pais. A mulher colocou as mãos na cabeça do filho e disse que estava muito feliz em ver seu filho ordenado sacerdote católico. Naquele dia, todos os presentes aplaudiram o seu gesto e a sua afirmação pública, pronunciada com emoção enquanto assistia aos ritos de ordenação. Asiyanto é católico desde criança, com o consentimento de ambos os pais. Com forte desejo de prosseguir a vocação sacerdotal, dirigiu-se ao Seminário dos Verbitas e pediu a bênção de sua mãe. Ela disse: “Segue o teu coração”. Uma mãe que criou o seu filho tendo bem presente “o maior dom, a liberdade de se tornar sacerdote”, diz hoje pe. Robertus. Fonte: Paróquia Santo Antônio Link Completo: Acesse Aqui
ECONOMIA – Os agrotóxicos favorecidos na Reforma Tributária

A proposta de regulamentação até agora prevê que os agrotóxicos, que gozam de descontos e isenções fiscais em cinco impostos no atual sistema tributário Atual proposta retira os venenos agrícolas do Imposto Seletivo e ainda prevê desconto de 60% na sua importação. Ignorando pareceres dos conselhos de Saúde e Segurança Alimentar, Ministério da Fazenda favoreceu indústria química e do agro, aponta relatório. A regulamentação da nova reforma tributária ainda está em curso, aguardando avaliação pelas comissões do Senado, mas já se percebe que tanto Executivo quanto Legislativo têm desviado o olhar dos agrotóxicos quando se fala em taxação. A proposta de regulamentação até agora prevê que os agrotóxicos, que gozam de descontos e isenções fiscais em cinco impostos no atual sistema tributário, terão 60% de desconto no Imposto de Valor Agregado – IVA. O IVA, introduzido pela reforma, unifica impostos municipais e federais em dois: a Contribuição sobre Bens e Serviços – CBS e o Imposto sobre Bens e Serviços – IBS. Para morder 60% dos tributos, os agrotóxicos estão categorizados como “insumos agropecuários”, considerados essenciais para a atividade agrícola. A categoria também lista bioinsumos, sementes, mudas de plantas, vacinas, soros e medicamentos veterinários – que, de fato, são fundamentais para a produção no campo. A nova lei também trouxe uma terceira categoria de alíquota, o Imposto Seletivo – IS, para incidir sobre produtos danosos ao meio ambiente e à saúde. A serem taxadas pelo IS, até agora, estão produtos como bebidas açucaradas, carros à combustão e bebidas alcoólicas. Na prática, é um imposto extra, que tem como objetivo desestimular o consumo desses itens. A inclusão dos agrotóxicos na taxação pelo IS foi defendida e encaminhada como recomendação para o governo pelo Conselho Nacional de Saúde – CNS, que também reforçou que os produtos não deveriam ter desconto fiscal; pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – Consea e pela Comissão de Direitos Humanos. A coalizão Reforma Tributária 3S – Saudável, Solidária e Sustentável –, formada por mais de 140 organizações da sociedade civil, também defendeu a inclusão das substâncias no Imposto Seletivo. Segundo pesquisa da ACT Promoção da Saúde, 94% da população brasileira apoia o tributo. Mesmo assim, a proposta de regulamentação entregue em abril pelo Ministério da Fazenda não incluiu os agrotóxicos, e a Câmara dos Deputados também não o fez durante a votação do projeto de lei complementar. “O governo ignorou essas recomendações, manteve a desoneração para agrotóxicos, não incluiu nenhum no Imposto Seletivo e também não apresentou uma justificativa da real mensuração dessas desonerações”, critica Leonardo Pillon, advogado do Programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Instituto de Defesa do Consumidor, o Idec. O Ministério da Fazenda foi procurado para explicar o porquê da manutenção de benefícios fiscais e de não ter sobretaxado os agrotóxicos. Por assessoria, o ministério informou que Bernard Appy, secretário responsável pela reforma tributária, estava de férias e não havia outro porta-voz para responder. Na votação na Câmara dos Deputados, onde o projeto tramitou em regime de urgência no dia 10 de julho, a emenda apresentada pelo deputado Padre João (PT-MG) – que excluiria os agrotóxicos à base de bromometano, acefato e glifosato da categoria insumos agropecuários – foi ignorada. O relator no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), declarou que vai alterar o texto substancialmente. Em nota publicada após o encaminhamento da pauta ao Senado, a coalizão Reforma Tributária 3S reforça que “a discussão sobre a inclusão dos agrotóxicos no imposto seletivo deve ser aprofundada, garantindo que a essência do imposto seletivo seja de fato respeitada”. A reavaliação das tarifas tributárias será feita a cada cinco anos a partir de 2026, quando finaliza o período de transição da lei. O projeto volta à Câmara antes da sanção presidencial, que pode alterar a matéria mais uma vez. “Tem margem para insistirmos e expor a contradição diante da opinião pública. Mesmo tirando a questão humanitária e ética, isentar um produto que causa efeitos tão danosos à saúde pública é gastar duas vezes, porque depois se gasta no SUS para tratar as pessoas intoxicadas por agrotóxicos”, aponta Paulo Petersen, representante da Articulação Nacional da Agroecologia – ANA na Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica – Cnapo. Segundo uma projeção feita pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco, em 2022 o governo deixou de arrecadar R$ 15 bilhões graças à renúncia fiscal sobre os agrotóxicos. Num momento em que a Fazenda busca equilibrar as contas públicas – e há pressão do mercado para cortes em políticas essenciais, como saúde e previdência –, fica a dúvida: quanto dessa decisão em não taxar os venenos na reforma tributária é medo e quanto é devoção à bancada ruralista? Uma resposta pode estar nos dados do relatório do projeto Lobby na Comida, produzido pela Fiquem Sabendo – FS em parceria com O Joio e O Trigo, que será lançado no dia 12 de agosto. Por meio da ferramenta Agenda Transparente, desenvolvida pela FS, foi feito um levantamento das associações, empresas e lobistas que estiveram na Esplanada dos Ministérios entre 2018 e 2024. Dez indústrias de agrotóxicos visitaram ministros dezenas de vezes nesse período: Bayer, Basf, Syngenta, Corteva, Sumitomo, Dow Brasil, Rhodia, Ourofino, Adama e Iharabras. Juntas, elas somam ao menos 205 reuniões, e a maior parte dos registros de participação tem mais de uma empresa junto da Associação Brasileira da Indústria Química – Abiquim e o Ministério da Fazenda. As pautas, em sua maioria, foram descritas como “apresentação institucional”, “reunião com representantes da empresa”, sem detalhar o assunto tratado. As visitas de associações de produtores e indústrias químicas foram ainda mais frequentes que as das empresas: só a Abiquim teve 122 compromissos junto ao Executivo. A CropLife, associação que reúne empresas de biotecnologia, agrotóxicos e bioinsumos, esteve em 37 ocasiões com autoridades do governo federal. Fonte: Instituto Humanistas Unisinos Link Completo: Acesse Aqui
CULTURA – Dia Mundial do Rock: conheça Rosetta Tharpe, a mulher negra pioneira no gênero

Sister Rosetta Tharpe gravou o primeiro rock and roll em 1944, anos antes de Bill Haley, Elvis e Little Richard O ano era 1944. Uma mulher negra chamada Rosetta Tharpe gravou “Strange Things Happening Every Day”, considerado o primeiro rock and roll gravado em estúdio na história. Anos depois, a história desta senhora que dominava vocal e guitarra como poucos, segue relativamente desconhecida dentro da cultura. Muitos seguem atribuindo a figuras como Chuck Berry, Elvis Presley, Bill Haley e Little Richard a origem do rock and roll nos anos 1950. Mas anos antes, Sister Rosetta Tharpe já dominava e tinha gravado o rock and roll e, curiosamente, no campo da música gospel. Nascida em 20 de março de 1915, em Cotton Plant, Arkansas, Tharpe foi uma cantora e guitarrista cujas inovações musicais lançaram as bases para o rock’n’roll. Rosetta Tharpe cresceu imersa na música gospel, e suas apresentações em igrejas cristãs afro-americanas moldaram seu estilo único. Com uma habilidade extraordinária na guitarra elétrica, Tharpe mesclou o gospel com o rhythm and blues, criando um som que mais tarde seria reconhecido como rock’n’roll. Apesar de sua influência indiscutível, a contribuição de Tharpe foi amplamente negligenciada pela indústria musical durante grande parte de sua vida e por décadas após sua morte, em 1973. Apenas recentemente seu legado começou a receber o devido reconhecimento. Em 2018, Rosetta Tharpe foi finalmente incluída no Hall da Fama do Rock and Roll, uma homenagem tardia mas merecida. Rosetta Tharpe não foi apenas uma inovadora musical; ela também quebrou barreiras raciais e de gênero, em uma época de segregação e discriminação. Sua história é um lembrete poderoso de que o rock’n’roll, em sua essência, é um gênero construído sobre a diversidade e a superação de adversidades e não é coisa de reaça e racista. Fonte: Revista Forum Link Completo: Acesse Aqui
SOCIEDADE – Alemanha: rumo a uma “Igreja dos pequenos”?

Celebração do Domingo da Páscoa em Ralbitz, leste da Alemanha. (AFP or licensors) “Em 1969, Joseph Ratzinger, que mais tarde se tornou Papa Bento XVI, falava neste contexto de uma “Igreja dos pequenos” internalizada e de uma “igreja da fé”, isto é, uma Igreja apoiada por um número cada vez menor de pessoas particularmente comprometidas.” Somente 25% das pessoas na Alemanha ainda pertencem à Igreja Católica. Outros 23% são membros da Igreja Protestante. É o que emerge dos últimos dados do Serviço Federal de Estatística relativos à última sondagem pública de 2022. No entanto, estes dados não dizem muito sobre a orientação religiosa dos alemães. Os dados refletem a pertença às duas principais Igrejas cristãs como corporações públicas, conforme registado pelos cartórios de registo de residentes. Aliás, o número de muçulmanos na Alemanha não é registado nos cartórios, porque o Islã não é uma corporação pública. No entanto, estima-se que existam de 4 a 5 milhões de muçulmanos na Alemanha. No total, cerca de 83 milhões de pessoas vivem no país mais populoso da Europa. Há duas razões pelas quais o percentual de fiéis das principais Igrejas em relação à população total está diminuindo: primeiro, a queda na taxa de natalidade e, segundo, o abandono das igrejas pelos fiéis. De fato, na Alemanha, os fiéis podem declarar o seu abandono da Igreja perante as autoridades estatais (o que lhes nega o acesso aos sacramentos, mas não anula o batismo). Segundo dados da Igreja, 402 mil católicos e 387 mil protestantes deram este passo no ano passado. Em 2022 foram ainda mais. No geral, muito mais pessoas saem ou morrem do que entram na Igreja. De longe, a razão mais comum apresentada pelos que saem está o horror face à crise dos abusos no seio das Igrejas. Em vez disso, novamente de acordo com as pesquisas, as assim chamadas “taxas de culto”, ou seja, a cota de adesão que o Estado cobra em nome das Igrejas, é apenas uma fraca razão para a saída. Na Alemanha, a “taxa de culto” (uma espécie de imposto) equivale a 8% do imposto de renda dos membros individuais. Contudo, a sociologia da religião na Alemanha também relata que a orientação religiosa das pessoas não está diminuindo na mesma medida. Muitos daqueles que abandonam a Igreja continuam a considerar-se cristãos e a praticar a sua fé. De forma geral, assistimos na Alemanha a uma pluralização do panorama religioso, que se manifesta também no número crescente de comunidades cristãs livres, não filiadas às duas grandes Igrejas. De acordo com os resultados, a secularização, a pluralização e a individualização continuarão a avançar na Alemanha. O desafio para as Igrejas Católica e Protestante na Alemanha será como financiar os seus serviços pastorais e de caridade nestas condições. A médio e longo prazo, muitas dioceses alemãs terão de lidar com um buraco no orçamento. Isto também terá impacto na fisionomia da Igreja Católica. Já em 1969, Joseph Ratzinger, que mais tarde se tornou Papa Bento XVI, falava neste contexto de uma “Igreja dos pequenos” internalizada e de uma “igreja da fé”, isto é, uma Igreja apoiada por um número cada vez menor de pessoas particularmente comprometidas. Fonte: Vatican News Link Completo: Acesse Aqui