ECONOMIA – Por que o Brasil continua dando o capim dos pobres para o bode gordo do empresariado

A conta chegou rápido. Encurralado pela necessidade de manter programas sociais e despesas obrigatórias, o governo passou a sofrer pressão do mercado financeiro para cortar gastos e zerar o déficit fiscal em 2025. No segundo semestre do ano passado, o governo federal enfrentou — e perdeu — uma dura batalha no Congresso Nacional. Na pauta, os incentivos fiscais concedidos a título de desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia. A desoneração permite que empresas desses setores substituam a contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha de salários por alíquotas que variam de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, com o objetivo de reduzir encargos trabalhistas e estimular a contratação de mão de obra. Aprovado na Câmara por 430 votos contra apenas 17, o projeto foi integralmente vetado pelo governo. Porém, no fim do ano, o Congresso derrubou o veto e manteve o privilégio. Foi uma das maiores derrotas impostas ao ministro Fernando Haddad e ao governo Lula desde a posse, em 2022. A conta chegou rápido. Encurralado pela necessidade de manter programas sociais e despesas obrigatórias, o governo passou a sofrer pressão do mercado financeiro para cortar gastos e zerar o déficit fiscal em 2025. Em uma tradução livre, o que os especuladores e banqueiros passaram a exigir do governo foi um enxugamento drástico dos investimentos nas áreas mais sensíveis do país — o dinheiro destinado às subvenções sociais para matar a fome dos miseráveis. Haddad reagiu divulgando a lista das empresas que recebem incentivos fiscais e podem se dar ao luxo de pagar menos impostos e contribuições do que os demais brasileiros. A lista divulgada expõe uma relação acintosa e perniciosa de mega conglomerados que se valem da concessão de renúncias fiscais bilionárias para auferir lucros pornográficos. Basta uma análise rápida dessa lista e uma comparação com os dados dos balanços dessas empresas para entender que o governo engorda o gado dos mais ricos e privilegiados, enquanto estes o pressionam para tirar ainda mais dos pobres e remediados. Os números dos privilégios concedidos já falam por si. Mas quando se comparam os benefícios concedidos e o lucro auferido, é possível enxergar o tamanho da distorção. A empresa que mais se beneficiou de incentivos fiscais no ano passado foi a BRF S.A., fruto da fusão da Sadia com a Perdigão. A companhia deixou de recolher R$ 488 milhões em 2023. A empresa vinha acumulando prejuízos há mais de dois anos. No terceiro trimestre de 2024, no entanto, o mercado celebrou a divulgação do balanço parcial, com um lucro apontado de R$ 1,1 bilhão. Como a empresa já havia feito uso de meio bilhão de reais em renúncias fiscais, é lícito supor que o contribuinte brasileiro pagou o caviar da festa dos acionistas da companhia. Todas as demais empresas que compõem o ranking das que mais receberam subsídios do governo federal tiveram lucros. A somatória dos resultados dessas companhias aponta um lucro líquido de R$ 11,65 bilhões em 2023. Fonte: Site ICL Notícias Matéria Completa: Acesse Aqui
SOCIEDADE – Papa Francisco sugere estudo internacional sobre possível genocídio em Gaza

O pontífice afirmou que alguns especialistas internacionais dizem que “o que está acontecendo em Gaza tem as características de um genocídio ROMA (Reuters) – O papa Francisco sugeriu que a comunidade global deveria estudar se a investida militar de Israel em Gaza constitui um genocídio do povo palestino, em algumas de suas críticas mais explícitas até agora à conduta de Israel em sua guerra que já dura um ano. Em trechos publicados neste domingo de um novo livro a ser lançado, o pontífice afirmou que alguns especialistas internacionais dizem que “o que está acontecendo em Gaza tem as características de um genocídio”. “Devemos investigar cuidadosamente para avaliar se isso se encaixa na definição técnica (de genocídio) formulada por juristas e organizações internacionais”, disse o papa nos trechos, publicados pelo jornal italiano La Stampa. Israel tem negado todas as acusações de genocídio. O Ministério das Relações Exteriores de Israel não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as falas do papa. Em dezembro do ano passado, a África do Sul entrou com um processo contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça por suposta violação da Convenção sobre o Genocídio. Em janeiro, os juízes do tribunal determinaram que Israel garantisse que suas tropas não cometessem atos genocidas. O tribunal ainda não decidiu sobre o cerne do caso — se houve genocídio em Gaza. Francisco, líder da Igreja Católica com 1,4 bilhão de membros, costuma ser cauteloso ao não tomar partido em conflitos internacionais e enfatizar a desescalada. Mas, recentemente, ele tem intensificado suas críticas à conduta de Israel em sua guerra contra o Hamas. O Vaticano não fez comentários sobre as declarações mais recentes de Francisco, mas seu site noticiou neste domingo trechos do livro, incluindo o comentário sobre genocídio. Fonte: Site Brasil 247 Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Papa Francisco pede investigação para determinar se ações de Israel em Gaza configuram ‘genocídio’

Esta é a primeira vez que o pontífice pede abertamente uma investigação sobre o tema. Israel diz que suas ações em Gaza visam membros do grupo terrorista Hamas, com o qual seu exército trava guerra desde outubro de 2023. O Papa Francisco pediu uma investigação para determinar se os ataques de Israel na Faixa de Gaza constituem genocídio, de acordo com trechos divulgados neste domingo (17) de um novo livro com entrevistas do pontífice. O livro, escrito por Hernán Reyes Alcaide e baseado em entrevistas com o Papa, é intitulado “A esperança nunca decepciona. Peregrinos rumo a um mundo melhor”. Ele será lançado na terça-feira, antes do jubileu de 2025 do papa. O ano jubilar de Francisco deve atrair mais de 30 milhões de peregrinos a Roma para celebrar o Ano Santo. Esta é a primeira vez que Francisco pede abertamente uma investigação sobre alegações de genocídio em relação às ações de Israel na Faixa de Gaza. Em setembro, ele havia dito que os ataques de Israel em Gaza e no Líbano foram “imorais” e desproporcionais, e que seu exército israelense ultrapassou as regras da guerra. Israel trava uma guerra contra o grupo terrorista palestino Hamas, que começou com o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023 no sul do território israelense, que matou cerca de 1.200 pessoas e 250 foram levadas para Gaza como reféns –dezenas ainda permanecem lá até hoje. A operação militar israelense no território matou mais de 43 mil pessoas, sendo mais da metade mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. Israel nega acusações de genocídio e diz que suas ações militares em Gaza visam apenas membros do Hamas. No entanto, o conflito gerou acusações nesse sentido em tribunais internacionais: Israel é alvo de uma investigação da Corte Internacional de Justiça, em Haia, que apura se o exército do país “submeteu os palestinos a atos genocidas”. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, junto com outras autoridades de Israel e do Hamas, teve um mandado de prisão expedido contra ele pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). A decisão, divulgada em maio, citava uma “responsabilidade criminal” sobre crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Fonte: Site G1 Matéria Completa: Acesse Aqui
ARTIGO – FILOSOFIA E DESSASSOMBRO – PARTE 02
Neste domingo, o XXXIII do Tempo Comum (conforme o Rito da Igreja Católica Romana), o Papa Francisco, por meio da Carta Apostólica Misericordia et Misera, de 20 de novembro de 2016, instituiu o Dia Mundial dos Pobres. Segundo o Papa Francisco, MISERICÓRDIA E MÍSERA (misericordia et misera, em latim) são as duas palavras que Santo Agostinho utiliza para descrever o encontro de Jesus com a mulher acusada de adultério pelos escribas e fariseus, conforme Jo 8,1-11. O pensador (hoje com 103 anos) Edgar Morin, ateu confesso e grande admirador do Jesus humano, afirma que este episódio inaugura, por parte do Nazareno, a individualização e a humanização do perdão. A partir daí, “o perdão pôde emancipar-se da religião e transformar-se em força ética”. Nada causa mais medo à classe dominante brasileira, boçal e entre as mais perversas do mundo, do que o pobre (o empobrecido, no caso) munido de consciência de classe sobre a origem da miséria social criada pelo sistema do capital. wwwSegundo Edgar Morin, Jesus, por meio da pedagogia da práxis, saiu em defesa da mulher e impôs aos acusadores dois argumentos invencíveis: o do autoexame (a força da dúvida) e o da compreensão da cegueira humana (a força da ignorância arrogante). É preciso dizer que não há saída para o mundo dos empobrecidos fora do método da luta de classes, sem o que nunca haverá práxis nem objetivação dialética do real. O filósofo russo Kopnin escreve que a incorporação da prática à teoria do conhecimento é a maior conquista do pensamento filosófico. O Mouro de Trier, numa de suas cartas (citada por M. Godelier) diz sem meias palavras que somente a luta de classes porá fim a toda essa merda, a merda da exploração que sustenta a burguesia. wwwAs três afirmações do velho Marx, abaixo descritas, nos dão a medida epistêmica do poder da práxis: 01. A teoria converte-se em força material quando penetra nas massas. 02. A filosofia encontra na classe trabalhadora seu (verdadeiro) poder material, e a classe trabalhadora encontra na filosofia seu (verdadeiro) poder teórico. 03. (Pela práxis) a crítica do céu transforma-se em crítica da terra, a crítica da religião em crítica do direito, e a crítica da teologia em crítica da política. Conclusão: Jesus de Nazaré sentir-se-ia mais próximo do ateísmo de Marx e Morin do que da religião dos escribas e fariseus.
Memórias Parte 3: Alemanha: “não” a avanços precipitados. Artigo de Francesco Strazzari

Em um primeiro momento, Roma interveio notificando aos bispos seu veto em apoiar posições diferentes das da legislação canônica, provocando abalos dramáticos. “Quanto a uma maior liberdade para praticar a intercomunhão (como em casamentos mistos) e para admitir divorciados recasados aos sacramentos, Roma respondeu que era preciso aguardar mais estudos e uma maior uniformidade de consenso na Igreja”, escreve o cientista político italiano Francesco Strazzari, professor de Relações Internacionais na Scuola Universitaria Superiore Sant’Anna, em Pisa, na Itália, em artigo publicado por Settimana News, 12-11-2024. Eis o Artigo. Estamos em 1978. Após três anos de espera sobre os dezesseis “votos” ou pedidos feitos à Santa Sé pelo sínodo das dioceses alemãs, chegou a resposta: um sim, três não, doze “é preciso esperar”. Do sínodo de Würzburg ao Katholikentag 1978 De 1971 a 1975, em Würzburg, celebrou-se o sínodo que, em oito sessões plenárias, visava atualizar a vida cristã às necessidades do povo alemão. Nos documentos aprovados, foram sustentadas algumas posições em contraste com o Código de Direito Canônico. Em um primeiro momento, Roma interveio notificando aos bispos seu veto em apoiar posições diferentes das da legislação canônica, provocando abalos dramáticos. Decidiu-se avançar com pedidos às congregações romanas competentes para que revissem a posição católica sobre dezesseis pontos relativos à vida de toda a Igreja, levando em conta as motivações apresentadas pelos sinodais alemães. Com o atraso de anos na resposta, em várias ocasiões foi expressa a insatisfação com a espera, até que, no Katholikentagde setembro de 1978, o bispo de Speyer, dom F. Wetter, a pedido dos participantes, revelou que a resposta já havia chegado em março de 1978 e forneceu informações sobre seu conteúdo. Roma aceitou apenas um “voto”: a possibilidade de celebrar o sínodo das dioceses alemãs a cada dez anos. Um claro “não” foi dado pela Santa Sé aos pedidos de aumentar o número de orações eucarísticas, de conceder aos sacerdotes a faculdade de administrar o sacramento da crisma e de eliminar o impedimento da diversidade de confissão religiosa no casamento. Quanto a uma maior liberdade para praticar a intercomunhão (como em casamentos mistos) e para admitir divorciados recasados aos sacramentos, Roma respondeu que era preciso aguardar mais estudos e uma maior uniformidade de consenso na Igreja. Sobre os outros dez “votos”, a resposta foi de que era preciso esperar pela reforma do direito canônico. Entre esses, estavam o pedido para admitir ao presbiterado também homens casados, conceder o diaconato às mulheres, permitir que homens e mulheres qualificados recebessem o mandato oficial para a pregação no serviço litúrgico de determinadas comunidades, e deixar liberdade na ordem dos sacramentos (confissão antes da eucaristia para a primeira comunhão das crianças). A decepção era enorme em uma ampla parte do catolicismo alemão e, em especial, nos sinodais. Predominava o slogan: “Agora só resta a lembrança de uma esperança”. Com “Nossa esperança, uma profissão dinâmica de fé neste tempo”, o sínodo despediu-se em 24-11-1975. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
Memórias /2: Inglaterra, os sonhos desfeitos de Hume. Artigo de Francesco Strazzari

A preparação, meticulosa e envolvente, durou cerca de dois anos até a escolha dos delegados. Sobre a ordenação diaconal das mulheres, foi explícito: “Ficaria feliz se a Igreja decidisse pela ordenação das mulheres ao diaconato, porque, de fato, elas já exercem o diaconato.” O artigo é de Francesco Strazzari, professor de Relações Internacionais na Scuola Universitaria Superiore Sant’Anna, em Pisa, na Itália, publicado por Settimana News, 08-11-2024. EIS O ARTIGO. De 2 a 6 de maio de 1980, mais de dois mil delegados da Igreja Católica da Inglaterra e do País de Gales se reuniram em Liverpool para discutir “Jesus Cristo, caminho, verdade e vida”, no Congresso Nacional Pastoral, uma espécie de “concílio” para debater uma série de questões urgentes: da corresponsabilidade na Igreja ao ministério sacerdotal, da família à sociedade, da educação cristã à justiça no mundo. A preparação, meticulosa e envolvente, durou cerca de dois anos até a escolha dos delegados. Surgiu que metade dos católicos ingleses nunca tinha ouvido falar do Concílio Vaticano II, não aceitava a encíclica de Paulo VI, Humanae Vitae, sobre contracepção, e não concordava com a obrigatoriedade do celibato para os padres. Debates acalorados e francos. O Congresso pediu que fosse discutida a possibilidade de admitir mulheres ao sacerdócio, embora Paulo VI tivesse escrito ao primaz da Igreja Anglicana que a Igreja Católica não estava de modo algum de acordo por razões teológicas e históricas. O Congresso se mostrou favorável à ordenação de homens casados, convidando a hierarquia a examinar a questão. Era sabido que o cardeal Hume, arcebispo de Westminster, era favorável à revisão da prática eclesiástica e que havia discutido isso no Vaticano. O clamor do Congresso reacendeu a esperança de um renovamento da Igreja, mas inquietou Roma. Os padres da National Conference of Priests, que representavam cinco mil padres da Inglaterra e do País de Gales, reuniram-se em Birmingham de 1 a 5 de setembro para refletir sobre os resultados do Congresso de Liverpool, apenas uma semana após a sua conclusão. Aprovaram as conclusões das várias comissões. Um breve comentário sobre o cardeal Hume. Filho de um renomado médico escocês, não católico, e de uma mãe francesa, ele se fez beneditino, adotando o nome Basilio em 1945. Formou-se em História em Oxford e obteve a licença em Teologia em Friburgo. Ensinou línguas modernas e História no célebre colégio beneditino de Ampleforth. Tornou-se abade em 1963; arcebispo de Westminster em março de 1976, e cardeal no mesmo ano, nomeado por Paulo VI. Em 1979, foi eleito presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa. Participou do concílio, onde, para surpresa dos padres, contou alguns sonhos para descrever a Igreja como “tenda de Abraão”. Perguntei-lhe uma opinião sobre o famoso Congresso de Liverpool em 1980. “Você sabe que a Igreja tem tempos longos. O importante é que chegamos a um congresso, onde bispos, padres, leigos, adultos e jovens se confrontaram e discutiram animadamente. Foi uma ótima experiência.” Quanto à ordenação de homens casados, ele confirmou que o pedido seria enviado a Roma. Da mesma forma, em relação à aceitação de pastores anglicanos casados. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
Memórias Parte 1: Holanda, padres casados e celibato. Artigo de Francesco Strazzari

A Holanda está preocupada com o caso Schillebeeckx, o teólogo dominicano julgado pela então Congregação para a Doutrina da Fé. “O Sínodo começa na segunda-feira, 14 de janeiro de 1980, em Roma. O presidente da Conferência Episcopal, card. Johannes Willebrands, propôs à Santa Sé dar a conhecer o documento de trabalho e estudar a melhor forma de consultar especialistas, sacerdotes e leigos. Teria havido discussão sobre colegialidade, já que os bispos holandeses não se davam bem.”, escreve o cientista político italiano Francesco Strazzari, professor de Relações Internacionais na Scuola Universitaria Superiore Sant’Anna, em Pisa, na Itália. O artigo foi publicado por Settimana News, 02-11-2024. EIS O ARTIGO É novembro de 1979. Faz frio na zona rural de Brabant. Walter Goddjin, professor da Universidade de Tilburg, que conheci na sua casa em Diessen, é um sociólogo da religião de renome internacional, uma figura de destaque na época do famoso “Conselho Holandês” (1965-1970). A Holanda está preocupada com o caso Schillebeeckx, o teólogo dominicano julgado pela então Congregação para a Doutrina da Fé. E também estão preocupados porque o sínodo de meados de Janeiro de 1980, convocado por João Paulo II, é um assunto de alto nível. A agenda dos trabalhos não é conhecida, mantida oculta, diz-se, para que bispos e padres não a discutam com a base. O Sínodo começa na segunda-feira, 14 de janeiro de 1980, em Roma. O presidente da Conferência Episcopal, card. Johannes Willebrands, propôs à Santa Sé dar a conhecer o documento de trabalho e estudar a melhor forma de consultar especialistas, sacerdotes e leigos. Teria havido discussão sobre colegialidade, já que os bispos holandeses não se davam bem. A Santa Sé nomeou dois bispos tradicionalistas, Dom Adrianus Simonis e Dom Joannes Baptist Matthijs Gijsen, respectivamente nas sés de Rotterdam e Roermond. Sacerdotes e fiéis reagiram aos ataques contra padres casados levados a cabo por Gijsen, recordando a Assembleia Pastoral Nacional, realizada em Outubro de 1978 em Noordwijkerhut, onde na verdade tudo aconteceu. Bispos desafiados, o cardeal Willebrands em dificuldade, Dom Bluyssen, bispo de Hertogenbosch, aplaudiu e Gijsen e Simonis vaiaram. Durante a Assembleia, os bispos holandeses aprovaram nove “recomendações” entre dez, mas opuseram-se à sétima: “Convidamos fortemente a experimentar o acesso ao serviço sacerdotal de homens casados, mulheres, sacerdotes que querem casar ou que já são casados, pedimos novamente à Conferência Episcopal que levante também a questão em Roma sobre se os professores (sacerdotes) casados devem ser readmitidos em locais de formação teológica. Por isso, pedimos ao nosso Arcebispo que atenda novamente ao pedido, há muito expresso no seio da Igreja holandesa, numa conversa colegiada com os representantes do episcopado mundial sob a direção do Papa”. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
ARTIGO – O AMOR COMO ÚNICA CERTEZA ETERNA: REFLEXÕES SOBRE A VIDA E A MORTE
A importância da esperança na vida eterna Crer em Deus é fundamental para muitas pessoas, pois isso dá sentido às suas vidas. A crença em uma vida eterna após a morte é uma das certezas que impedem o desespero de tomar conta da alma e a melancolia de se instalar. Essa esperança é a força que impulsiona muitas pessoas a viverem suas vidas da melhor maneira possível, com base em valores como o amor, a generosidade e a compaixão. No entanto, o que aconteceria se, na hora da morte, essa crença se revelasse equivocada? O que aconteceria se a vida eterna não existisse e tudo se resumisse ao nada? Para muitas pessoas, essa é uma possibilidade apavorante. Mas, como disse o teólogo Hans Küng, mesmo se isso acontecesse, teríamos vivido uma vida melhor e com mais sentido do que sem essa esperança. A morte é um evento natural que faz parte da vida. No entanto, ao contrário dos outros animais, os seres humanos têm consciência de sua mortalidade e, portanto, lutam contra a morte. Isso leva a questões filosóficas e religiosas profundas, como o fundamento de tudo, a origem e o destino da vida, e o sentido último da existência. A crença em uma vida eterna após a morte é um tema recorrente em muitas religiões. Alguns acreditam que, após a morte, a alma se separa do corpo e segue para um lugar diferente, enquanto outros acreditam que a alma é reencarnada em outro ser vivo. Independentemente da crença, a ideia de uma vida após a morte pode trazer conforto e esperança para muitas pessoas. As palavras de Leonardo Boff a Darcy Ribeiro, no leito de morte deste último, são inspiradas e carregadas de significado. Ao falar sobre a ressurreição, Boff faz uma analogia entre o casulo e a borboleta, destacando que a morte não é o fim, mas sim um processo de transformação que leva a uma nova vida. Essa nova vida pode ser interpretada como a vida eterna prometida por muitas religiões. No entanto, a vida eterna não é o único objetivo da existência humana. O amor é outro valor fundamental que pode guiar as pessoas ao longo de suas vidas. O amor é um sentimento que fica para sempre, mesmo após a morte. Na verdade, acredito-se que Deus é amor e que, portanto, permaneceremos com Ele para sempre, mesmo após a morte. Em resumo, a crença em Deus e em uma vida eterna pode dar sentido e propósito às nossas vidas. No entanto, mesmo que essa crença se prove equivocada, ainda teríamos vivido uma vida melhor e com mais sentido do que sem essa esperança. A morte não é o fim, mas sim um processo de transformação que leva a uma nova vida. E, independentemente de nossas crenças, o amor é um valor fundamental que permanece para sempre.
SAÚDE – As mudanças a que o Novembro Negro convida

Na Saúde, como em toda a cena brasileira, é preciso mais e melhores políticas afirmativas. Avanços decoloniais das últimas décadas são importantes, mas apenas arranham a grossa camada de racismo. Luta das enfermeiras aponta um caminho Segundo o Conselho Nacional de Enfermagem (Cofen), 53% das profissionais da enfermagem brasileira são negras e pardas; e as mulheres constituem 85% da mão de obra desta categoria, que abarca ao menos 2,5 milhões de pessoas. Cerca de 60% do grupo de trabalhadores negros e pardos são técnicos ou auxiliares de enfermagem, subcategorias cujos vencimentos são menores. Com o Piso Nacional da Enfermagem, já em vigor, a situação melhorou; no entanto, ainda há muito pela frente na garantia de bem estar de pessoas que trabalham de 40 a 60 horas semanais e são fundamentais na economia do cuidado. É provável, aliás, que os números do Cofen estejam subestimados, uma vez que uma vasta quantidade de profissionais da enfermagem trabalha em cuidados domésticos, o que os faz ser registrados como empregados desta categoria ou permanecerem na condição de informais. No ensino superior, a maioria dos estudantes de enfermagem ainda é branca. No mês da consciência negra, Solange Caetano, presidente da Confederação Nacional dos Enfermeiros, analisa a seguir a necessidade do país em avançar em políticas de valorização da população negra e parda no país, cujos indicadores gerais de saúde ficam muito atrás da população branca por diversas razões estruturais (Gabriel Brito). De acordo com o Censo, em 2022, 55.371 pessoas ingressaram em universidades, faculdades e institutos federais pelo critério étnico-racial. Esse recorte de cotistas só é menor que o de 99.866 que estudavam em escola pública. Ao todo, 45.226 tinham renda per capita inferior a um salário mínimo e meio. Esses dados mostram a importância de políticas públicas de ingresso no ensino superior, mas é preciso ir além; é preciso garantir permanência desses estudantes na universidade, porque muitos acabam deixando de estudar porque precisam trabalhar. Há um problema concreto, a pouca presença de negros e negras em alguns setores da atividade econômica. E mesmo quando há maior presença, eles acabam ficando em posições menos valorizadas e sem cargos de chefia.Existe larga diferença racial nas atividades econômicas. Negros e pardos têm maior proporção em áreas como serviços domésticos (66,4%), construção (65,1%), agropecuária (62%) e transporte, armazenagem e correio (57%). Já a proporção de trabalhadores brancos é maior nas categorias de administração pública, educação, saúde e serviços sociais (50,23%) e informação, financeira e outras atividades profissionais (56,6%). Todos esses números mostram que, apesar de pequenas mudanças, persistem as profundas desigualdades sociais. É um quadro estrutural de desigualdades. Neste mês da consciência negra reconhecemos os poucos avanços, mas para acabar com as desigualdades sociais, origem da discriminação a que os negros ainda estão submetidos nas diversas áreas da sociedade brasileira, é necessário ampliar as políticas públicas afirmativas, pois não é possível tratar de maneira igual aquilo que é muito diferente. Aos estudantes negros que ingressam nas universidades é preciso garantir a permanência e trabalho qualificado após se formarem. O que abordamos aqui é apenas um aspecto da luta que travamos ainda hoje para superar os fortes resquícios da escravidão que ainda hoje permeia a sociedade brasileira. Há outros nas demais camadas sociais que também precisam de atenção e reflexão neste novembro da consciência negra. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui
RELIGIÃO – Santa Sé proíbe missa tradicional em latim na catedral de bispo demitido pelo papa

A paróquia de São José Operário, confiada aos cuidados da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP), é a única paróquia da diocese autorizada a “usar o Missal de 1952 A missa tradicional em latim não será mais celebrada na catedral de Tyler, Texas, EUA, a partir de 1° de dezembro, por ordem do administrador apostólico, dom Joe S. Vásquez, com autorização da Santa Sé. Vásquez substitui o bispo Joseph Strickland, um dos críticos mais declarados do papa Francisco, demovido do cargo há um ano. Vásquez, bispo de Austin, é administrador apostólico da diocese de Tyler desde a saída de Strickland em 11 de novembro do ano passado. Ele anunciou a proibição em uma carta aos paroquianos da catedral da Imaculada Conceição em Tyler, ao celebrar uma missa no domingo (10) às 14h (horário local). Um porta-voz da diocese de Tyler disse também à CNA, agência em inglês da EWTN News, que as missas celebradas segundo a forma litúrgica pré- concílio Vaticano II também serão suspensas em outras quatro paróquias: Maria Rainha do Paraíso em Malakoff, Sagrado Coração em Texarkana, São Francisco de Assis em Gilmer e Sagrado Coração em Nacogdoches. A carta foi obtida pela jornalista católica Diane Montagna, que a divulgou na rede social X no fim de semana. “Seguindo a orientação da Santa Sé”, escreveu dom Vásquez em uma carta datada de 6 de novembro, “a celebração da liturgia de acordo com os livros litúrgicos aprovados por São Paulo VI e São João Paulo II de acordo com o Concílio Vaticano II” não será mais permitida na catedral a partir de dezembro, mas será permitida em apenas uma paróquia na diocese de Tyler. A paróquia de São José Operário, confiada aos cuidados da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP), é a única paróquia da diocese autorizada a “usar o Missal de 1952, de acordo com as disposições do Traditionis Custodes”, motu proprio publicado pelo papa Francisco em 2021 que restringiu drasticamente a celebração da missa tradicional em latim em todo o mundo. Segundo a carta de dom Vásquez, a paróquia de São José Operário é uma “paróquia pessoal” estabelecida em 2003 para “cuidar pastoralmente de todos aqueles na diocese que celebravam de acordo com as formas litúrgicas mais antigas”. Um porta-voz da diocese disse à CNA: “No futuro, como afirma a carta, a Paróquia de São José Operário em Tyler, uma paróquia pessoal confiada à FSSP, continuará a servir os fiéis da diocese de acordo com as normas da Traditionis Custodes”. A carta não especifica por que as missas tradicionais em latim não serão mais celebradas na catedral, embora a recusa de Strickland em implementar totalmente a Traditionis custodes seja amplamente considerada um fator que levou à sua remoção. A Santa Sé não divulgou publicamente exatamente por que o papa Francisco demitiu Strickland. Fonte: Site ACDIGITAL Matéria Completa: Acesse Aqui