MUNDO – Os EUA e Israel destruíram a Síria e chamaram isso de paz. Artigo de Jeffrey D. Sachs

Jeffrey D. Sachs é professor da Universidade de Columbia, é diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Columbia e presidente da Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável da ONU. “A interferência dos Estados Unidos, a mando do regime de Netanyahu, deixou o Oriente Médio em ruínas, com mais de um milhão de mortos e guerras abertas desencadeadas na Líbia, no Sudão, na Somália, no Líbano, na Síria e na Palestina, e com o Irã à beira de um arsenal nuclear sendo empurrado contra as suas próprias inclinações para esta eventualidade”. A reflexão é de Jeffrey D. Sachs, em artigo publicado originalmente por Common Dreams, e reproduzido por La Haine, 17-12-2024. A tradução é do Cepat. Nas famosas palavras de Tácito, historiador romano: “Saquear, massacrar, usurpar, a estas coisas dão o falso nome de império; e onde criam um deserto, chamam isso de paz”. Em nossa época, são Israel e os EUA que criam um deserto e o chamam de paz. A história é simples. Em flagrante violação do direito internacional, o primeiro-ministro do regime israelense, Benjamin Netanyahu, e os seus ministros reivindicam o direito de governar mais de 7 milhões de árabes palestinos. Quando a ocupação israelense de terras palestinas gera uma resistência militante, Israel qualifica essa resistência de “terrorismo” e pede aos EUA que derrubem os governos do Oriente Médio que apoiam os “terroristas”. Os EUA, sob a influência do lobby israelense, vão à guerra em nome de Israel. A queda da Síria esta semana é a culminância da campanha israelense e estadunidense contra a Síria, que remonta a 1996, com a chegada de Netanyahu ao cargo de primeiro-ministro. A guerra israelo-estadunidense contra a Síria intensificou-se em 2011 e 2012, quando Obama encomendou secretamente à CIA a derrubada do governo sírio na Operação Timber Sycamore. Esse esforço finalmente deu frutos esta semana, depois de mais de 300 mil mortes na guerra síria desde 2011. A queda da Síria aconteceu rapidamente devido a mais de uma década de sanções econômicas esmagadoras, ao peso da guerra, ao roubo do petróleo da Síria por parte dos EUA, às prioridades da Rússia relativamente ao conflito na Ucrânia e, de forma mais imediata, aos ataques de Israel contra o Hezbollah, que foi o principal apoio militar do governo sírio. Sem dúvida, Assad nem sempre jogou bem as suas próprias cartas e enfrentou um certo descontentamento interno, mas o seu governo foi alvo de colapso ao longo de décadas por parte dos Estados Unidos e Israel. Antes da campanha EUA-Israel para derrubar Assad ter começado seriamente em 2011, a Síria era um país de renda média que funcionava e crescia, apoiado pelo seu povo devido à extensa rede de segurança social. Em janeiro de 2009, o Conselho Executivo do FMI afirmou o seguinte: “Os diretores executivos elogiaram o bom desempenho macroeconômico da Síria nos últimos anos, manifestado no rápido crescimento do PIB não petrolífero, no nível confortável das reservas cambiais e na dívida pública baixa e em declínio. Estes resultados refletem tanto a robusta demanda regional como os esforços de reforma das autoridades para mudar para uma economia mais voltada para o mercado”. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

ARTIGO – JESUS EM PERSPECTIVA MUNDIAL

“Nem sempre esse caráter potencialmente universal de movimentos religiosos é percebido por seus próprios praticantes”, escreve Eduardo Hoornaert, historiador, ex-professor e membro fundador da Comissão de Estudos da História da Igreja na América Latina (CEHILA). Eis o artigo. Mesmo sendo empurrada pelas novas tecnologias, pelas viagens aéreas e pelo intenso comércio internacional, uma ampla perspectiva mundial hoje ainda não compenetrou nossos sistemas ideológicos, políticos, culturais e religiosos, como podemos constatar a cada dia. Em 1948, no reboque do trauma causado pela II Guerra Mundial, o filósofo alemão Karl Jaspers se imaginou um esquema interpretativo que seria válido para a humanidade toda. Em determinados momentos da história haveria movimentos, em determinados pontos do planeta, de novas percepções e novas práticas. Jaspers pensou detectar uma tal ´idade axial‘, por volta do século V aC, em Israel (os profetas), Grécia (Platão), China (Confúcio), Índia (Buda) e Irã (Zaratusta). A ideia é sugestiva, pois foca uma religião mundial, sem registro nem fronteira ou nome, secularmente vivida pela grande maioria das pessoas, uma religião universal que as instituições teimam em não reconhecer, mas que corresponde a intuições como as de Isaías, Platão, Confúcio, Buda e Zaratustra. Milhões e milhões de pessoas vivem sua religião dentro de quadros familiares, em todos os quadrantes do mundo, dentro ou fora das mais variadas institucionalizações. Em todas elas persistem atitudes semelhantes de procura de honestidade, dignidade, verdade e sabedoria. Certa feita, Leonardo Boff perguntou ao Dalai Lama: qual é a verdadeira religião? E este respondeu: a que faz de você uma pessoa melhor. Eis uma boa definição daquela ‘religião anônima’ universal. Daí decorre que não poucos textos religiosos, escritos dentro de determinados âmbitos institucionais, podem ser lidos com proveito por um amplo leque de leitores/as fora daqueles âmbitos, pois tratam de realidades vividas pela grande maioria dos que habitam este planeta: a vida em família, a luta por uma situação econômica melhor, a luta contra a fome, pela coerência, pela verdade, pela dignidade humana, pela superação de preconceitos sexuais. Uns vinte anos atrás, eu publiquei um comentário de um texto bem antigo da tradição cristã, intitulado O Pastor de Hermas, que pode ser lido com proveito por gente das mais variadas denominações religiosas, pelo fato de não ser um texto restritivo à instituição cristã, mas abordar questões universais em torno de casamento, escravidão, liberdade, sexualidade, utopia e educação (Hermas no Topo do Mundo, Paulus, São Paulo, 2002). Nem sempre esse caráter potencialmente universal de movimentos religiosos é percebido por seus próprios praticantes. Nas primeiras décadas do movimento de Jesus (entre os anos 30 e 50), por exemplo, os apóstolos mal percebem que, pensando bem, o universalismo pertence ao âmago da mensagem de Jesus de Nazaré. Aqui, há de se considerar que, nas palavras e nos gestos de Jesus, o universalismo entra como vislumbre, não impregna por inteiro o modo de falar e atuar. Jesus permanece fundamentalmente judeu, pensa em categorias judaicas e segue tradições judaicas. Então, é de se entender que os discípulos da primeira geração pensem que a mensagem de Jesus se restrinja ao mundo judaico e não compreendam como um não judeu possa participar do movimento.  

AMAZÔNIA, FILOSOFIA E CATÁSTROFE EM SETE NOTAS MARGINAIS

Mas não nos regozijemos demasiadamente em face dessas vitórias humanas sobre a natureza. A cada uma dessas vitórias humanas, ela exerce a sua vingança (F. Engels). 01. A vingança contra a brutalidade da catástrofe ambiental em curso virá das próprias entranhas da natureza da Amazônia, agredida, saqueada e predada pela venalidade do sistema do capital. Como a natureza é o nosso corpo inorgânico (conferir os Manuscritos do Mouro de Trier), a vingança da natureza recairá indiferentemente sobre todos os seres sociais. Se é verdade que natura non facit saltus, menos ainda pode anistiar seus abusadores. A hipoteca recairá sobre inocentes e culpados. 02. O ser natural da Amazônia voltar-se-á com fúria a mais desmedida contra o sistema de predação promovido pela ganância capitalista e converterá em cinzas o lucro assassino e feitor do ecocídio que se pretendia perpetuar acima da vida.Se houver uma palavra final, será inevitavelmente a do valor de uso, jamais a do valor de troca. Toda a cultura produzida pelo trabalho do ser social, por mais sofisticada que seja, desde a dita inteligência artificial do mundo digital, tudo voltará ao domínio do ser natural. 03. A fumaça das queimadas criminosas que cobrem a imensa planície amazônica, numa espécie de luta de classes de modalidade reversa, já começa a subir os Alpes sem permissão da eficiente vigilância fronteiriça de países que se julgam neutros e acima do bem e do mal. Como as esquerdas estão sem rumo e em ritmo de autofagocitose ideológica, o protagonismo da Cabanagem Amazônica do século XXI caberá às forças da natureza. Água, Ar, Terra e Fogo retomarão a dialética natural e heraclítica. 04. Por força do aquecimento global (que desconhece fronteiras e é indiferente a estatutos de neutralidade política) as belas geleiras alpinas, reservadas para o deleite conspícuo das classes dominantes, já estão em fase de irreversível derretimento. Sob a ordem do capital insano as cinzas das queimadas criminosas da floresta amazônica salpicarão a nívea brancura do paraíso condominial da autocracia burguesa. Nuvens cinzentas tornarão fronteiriças Basileia (na Suíça) e Brasileia (na Amazônia). 05. Não haverá água limpa para a ablução das mãos invisíveis do mercado, invariavelmente sempre sujas de sangue, cuja moeda de troca avilta o valor da vida e converte o trabalho da classe trabalhadora na mais venal mercadoria. Segundo Kant, quando tudo tem preço não há espaço para a dignidade. Por falta de ação humana diante do imperativo criminoso do valor de troca a natureza dá o troco e entra em irreversível estado de vingança. Que direitos pode esperar a Amazônia do Contrato Natural capitalista? 06. Vem do genial Walter Benjamin a tese de que o capitalismo não morrerá de morte natural e que toda a natureza pôr-se-ia em lamento se lhe fosse concedido o poder da linguagem.Tenha ou não ouvidos a insana cultura capitalista, a natureza já começou a falar por gritos e a converter em códigos e sinais materiais de vingança natural o regime de morte que a arrogância da cultura imaginou impor à sua milenar existência. A vitória final será da natureza, que subsistirá à cultura. 07. O que o insustentável e predatório modo de produção capitalista, com seu padrão de vida consumista e perdulário, agregou ou pode agregar à vida do ser natural da Amazônia? Como escreve Ailton Krenak, a vida (natural e humana) não é útil. Não há comensurabilidade possível entre o regime de simbiose do mundo natural e o parasitismo inerente ao pragmatismo capitalista. A máquina do capital não tem freio de mão e diminuem a cada dia as possibilidades do ser humano desviar-se do abismo.

ARTIGO – O NATAL: A TENDA DA ESPERANÇA

“Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura e a vossa compaixão que são eternas! De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia e sois bondade sem limites, ó Senhor! (Sl 24,4) Estamos nos preparando para o Natal. O terceiro domingo do advento insiste numa alegria. Começam as confraternizações, a compra de presentes, as mensagens. Pensar e celebrar o Natal nos leva a uma longa história. “No princípio existia a Palavra e a Palavra estava junto de Deus, e Deus era a Palavra…E a Palavra se fez carne e armou sua tenda entre nós” (JO 1,1.14). Pensar no Natal é pensar e celebrar o Deus amoroso, criativo. A primeira tenda que foi armada entre nós foi a criação, no paraíso. Foi formado o círculo amoroso humano integrado no círculo amoroso divino. Na primeira tenda estava Deus com os humanos, com a natureza, em harmonia. A tentativa de armar outra tenda não foi muito saudável. Porque fugiu do amor e Deus está, onde está o amor. O Natal é a esperança de reconstruir a tenda primitiva. É apenas o início, pois começa no seio de Maria, nasce no presépio, faz propaganda pela pregação, chega na cruz, com muitas dores, desce ao silêncio do sepulcro, e brilha no canto de vitória do ressuscitado. O fundamental desta tenda é a salvação de todos, ou, o retorno da tenda humana para a tenda divina original. A verdadeira alegria do Natal está na busca da tenda definitiva e gloriosa. Escatologia. As dificuldades surgem no círculo amoroso humano. Desde a primeira tenda, os humanos tentaram construir tendas alternativas. As tentativas, quando buscadas fora do amoroso encontraram e encontram dificuldades. Porque Deus sempre vai estar onde estar o amor. Se a base de uma tenda for o ódio, a mentira, o econômico não solidário, a dominação, o racismo, a injustiça, a guerra, a exclusão, exploração, a desumanização, dificilmente encontrará sustentação. No entanto, o Natal é recordar a possibilidade de armar e reconstruir uma tenda rumo ao infinito. Apesar dos limites humanos, Deus sempre espera paciente, oferece novas possibilidades. Para ele tudo é possível dentro do círculo amoroso divino. Vamos celebrar o Natal como uma tenda de esperança, esperante. Feliz e alegre Natal, desejamos a todos. Ozanir, Adriana, Matheus, Victor e Giovanna.

MUNDO – “A maior quantidade e o mais rápido possível”: colonos israelenses buscam terras na Síria e no Líbano

Poucas horas depois da queda do regime de Bashar al-Assad, as forças israelenses já entravam em território sírio para conquistar aquela encosta do Monte Hermon/Jabal A-Shaykh e a zona de contenção entre a Síria e as Colinas de Golã, ocupadas por Israel há mais de meio século. Mas o exército não foi o único que reagiu rapidamente; o mesmo aconteceu com o movimento de colonos israelenses. A reportagem é de Illy Pe’ery, publicada por revista +972, e reproduzida por Ctxt, 16-12-2024. “Temos que conquistar e destruir. Tanto quanto possível e o mais rápido possível”, escreveu um membro do Uri Tsafon – um grupo fundado no início deste ano para promover a colonização israelense do sul do Líbano – no grupo de WhatsApp da organização. “Precisamos verificar se, de acordo com as novas leis sírias, os israelenses estão autorizados a investir em imóveis e começar a comprar terras lá”, escreveu outro membro. Num outro grupo WhatsApp de colonos, os membros partilharam mapas da Síria e tentaram identificar potenciais áreas de colonização. O movimento Nachala, liderado por Daniella Weiss, que nos últimos meses liderou os esforços para reassentar Gaza, expressou opinião semelhante numa publicação no Facebook: “Quem continua a pensar que é possível deixar o nosso destino nas mãos de um agente estrangeiro, desista da segurança de Israel! “O assentamento judaico é a única coisa que trará estabilidade e segurança regionais ao Estado de Israel, juntamente com uma economia estável, resiliência nacional e dissuasão. Em Gaza, no Líbano, em todas as Colinas de Golã, incluindo o ‘Planalto Sírio’, e em todo o Monte Hermon”, acrescentou, e anexou um mapa bíblico intitulado “As Fronteiras de Abraão”, no qual o território de Israel inclui todo o Líbano, bem como a maior parte da Síria e do Iraque. Isto não é mera conversa; esses grupos são muito sérios. Nachala já mapeou os locais onde planeja construir novos assentamentos judaicos na Faixa de Gaza e afirma que mais de setecentas famílias se comprometeram a se mudar quando surgir a oportunidade (a própria Daniella Weiss já esteve em Gaza sob escolta militar para explorar possíveis locais). E na semana passada, Uri Tsafon, que aguardava há um ano, fez a sua primeira tentativa de apropriação de terras no sul do Líbano – onde soldados israelenses ainda estão presentes após o acordo de cessar-fogo. Em 5 de Dezembro, o fundador do grupo, Amos Azaria, professor de ciências da computação na Universidade Ariel, na Cisjordânia ocupada, atravessou a fronteira para o Líbano juntamente com seis famílias numa tentativa de estabelecer um posto avançado. Chegaram à zona de Maroun A-Ras, entrando cerca de dois quilômetros em território libanês, e plantaram alguns cedros em memória de um soldado israelense que morreu em combate no Líbano há dois meses. Várias horas se passaram antes que o exército israelense os expulsasse e os obrigasse a retornar a Israel. (Em resposta ao pedido da revista The Hottest Place in Hell para comentar este incidente, a polícia israelense disse que, de acordo com o exército, nenhum civil israelense tinha atravessado para o Líbano.) Mesmo em junho, na “Primeira Conferência sobre o Líbano” de Uri Tsafon, realizada através do Zoom, os membros já falavam sobre a colonização da Síria. O Dr. Hagi Ben Artzi, cunhado de Benjamin Netanyahu e membro do grupo, disse aos participantes que foi prometido ao povo judeu as fronteiras de Israel nos tempos bíblicos: “Não queremos nem um metro além do rio Eufrates. Somos humildes. [Mas] o que nos foi prometido, devemos conquistar.” Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – A hipocrisia do grande irmão democrata do Norte. Artigo de Edelberto Behs

“Não importa o partido que esteja no governo dos EUA, se democrata ou republicano. O taxímetro da indústria bélica funciona em ambos os casos, cobrando seus dividendos da corrida militar”, escreve Edelberto Behs, jornalista. Eis o artigo. Às vésperas do Dia D, 6 de junho de 1944, quando tropas aliadas se preparavam para invadir a Normandia, na costa francesa, e quebrar a resistência nazista na área, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, falou à nação encorajando soldados para esse duro embate. Ele comentou, então, que esperava que a Alemanha não se lançasse de novo, numa única geração, à conquista do mundo, o que seria difícil e dispendioso. Declarou, a seguir: “As Nações Unidas estão determinadas a não permitir que, no futuro, raça alguma seja capaz de controlar o mundo inteiro”. Ironia das tantas que ocorrem na história, são os Estados Unidos, hoje, que bancam o xerife do mundo. Recorrendo à Wikipedia, veremos que o “pais que mais se empenha pela democracia no mundo” envolveu-se, desde 1950, em cinco guerras – Guerra da Coreia, do Vietnã, do Golfo Pérsico, do Afeganistão e do Iraque. Mas foi muito maior o envolvimento, sub-reptício, como verificado no golpe cívico-militar no Brasil, em 1964, do “irmão do Norte” em quebras institucionais e derrubadas de governos. De 1952 no Egito e 1953 no Irã, até o apoio a grupos de oposição na Iugoslávia em 2000, passando pela frustrada invasão de Cuba, em 1961, e a queda de Allende, no Chile, em 1973, os Estados Unidos da América se envolveram em 30 “salvamentos da democracia” em diferentes partes do mundo, da América à África e Ásia, e mais recentemente em Gaza. Não importa o partido que esteja no governo dos EUA, se democrata ou republicano. O taxímetro da indústria bélica funciona em ambos os casos, cobrando seus dividendos da corrida militar. Já se referia o historiador romano Tito Lívio: “A guerra alimenta a si mesma”. Relatório da Global Alliance for Banking on Values apontou novos recordes no financiamento de gastos militares em 2023, atingindo um pouco menos de um trilhão de dólares, apoiado por instituições financeiras globais à produção e o comércio de armas. Mais de 500 bilhões de dólares vieram de instituições financeiras dos Estados Unidos. Aquele dado certamente será maior em 2024 devido o conflito em Gaza. Com a guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, o valor das ações das empresas de armamentos disparou. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui  

MUNDO – Ainda faz sentido a COP30? Videconferência no IHU com Luiz Marques

Luiz Marques responde à questão em videoconferência nesta quinta-feira, 10-12-2024, em evento promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU A realização de 29 Conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COPs) não tem surtido os efeitos esperados. Os países-membros têm dificuldades de reduzir a emissão de gases do efeito estufa e elaborar políticas públicas de mitigação e enfrentamento dos eventos climáticos extremos. A incapacidade de financiar o combate à crise climática e políticas de adaptação ficou visível na Conferência realizada em Baku, no Azerbaijão, mês passado. A COP29 “foi uma COP Zumbi”, “um cadáver insepulto”, lamenta Luiz Marques, professor da Ilum Escola de Ciência do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A morte, contudo, ocorreu cinco anos antes, segundo o anúncio do pesquisador em 2021: “A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, nascida em 1992, está morta. Morreu em Madri, em 2019, e o enterro foi em Glasgow [Escócia]. A Missa de Sétimo Dia será no Egito, em 2022 (COP27), e a missa de um ano será oficiada nos Emirados Árabes Unidos, em 2023 (COP28), uma das capitais do petróleo”. As consequências da falta de políticas públicas de enfrentamento ao novo regime climático foram sentidas neste ano em diversas partes do mundo, devastadas por eventos climáticos extremos. O aumento da temperatura, que tem sido anunciado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), é um deles. Segundo dados do observatório europeu Copernicus, a temperatura global em 2024 será a mais elevada da história: 1,6ºC acima da média pré-industrial. A continuação da emissão de gases do efeito estufa na atmosfera agravará ainda mais a situação, adverte Marques. “Isso resultará em um provável aumento na temperatura média global de cerca de 1°C acima do valor atual até 2025 e 3°C antes do final do próximo século”, salienta. Ano passado “a produção de petróleo e gás atingiu um recorde histórico: 55,5 bilhões de barris de petróleo equivalente (bboe)”, informa. Somente nos EUA, exemplifica, o presidente Joe Biden aprovou “quase 50% mais licenças de exploração de petróleo e gás em terras federais do que Trump em seus primeiros três anos de governo”. Com a eleição de Trump neste ano, acrescenta, “os Estados Unidos sairão novamente da convenção do clima”. Apesar do impacto político negativo, a presença dos EUA nas COPs “sempre atrapalhou mais do que ajudou as negociações”, assegura. Neste contexto, surge a pergunta: “Ainda faz sentido a COP30?” Refletir sobre os limites e possibilidades da próxima conferência climática é o tema da videoconferência de Luiz Marques na próxima quinta-feira, 19-12-2024, no Instituto Humanitas Unisinos – IHU. O evento será transmitido às 17h30min na página eletrônica do IHU, no YouTube e nas redes sociais. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – Plano de deportação em massa de Trump é viável?

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, cercou-se de um grupo de “falcões” para expulsar migrantes ilegais do país. Mas não se trata de um projeto fácil de executar e pode ter impacto na economia. A dura mensagem anti-imigração de Trump durante sua campanha eleitoral está tomando forma antes de sua posse. O presidente republicano eleito se cercou de uma equipe dura de “falcões” para lidar tanto com aqueles que querem entrar no país quanto com os milhões de imigrantes sem documentos que já residem nele, sobre os quais paira a ameaça de deportações em massa. A primeira nomeação foi a de Tom Homan, o “czar da fronteira”, conhecido e criticado pela política que levou à separação de famílias que buscavam asilo na fronteira durante o primeiro mandato de Trump, quando imagens de crianças em gaiolas chocaram o mundo. A preocupação está se espalhando entre os 11 milhões de migrantes sem documentos que residem no país. “A abordagem é causar medo nas comunidades para que, direta ou indiretamente, elas comecem a duvidar se podem continuar nos Estados Unidos”, disse Ariel Ruiz Soto, analista sênior do Instituto de Política de Migração, com sede em Washington. Muitos deles já estão se organizando para possíveis ações de deportação em massa. “Houve uma grande preparação para tentar lidar com essas políticas. Há grupos de advogados que tentarão intervir para impedi-las, há até mesmo grupos cívicos em diferentes bairros aqui em Chicago que já estão se preparando, por exemplo, se houver uma batida, para espalhar a notícia entre os vizinhos e alertar os advogados para que eles possam intervir”, conta René D. Flores, professor de sociologia da Universidade de Chicago e especialista em migração. Tarefa complexa e cara Os 11 milhões de imigrantes sem documentos são um grupo heterogêneo: alguns estão ilegais há anos, enquanto outros chegaram recentemente. Muitos vivem em famílias com status imigratório misto, onde o pai está sem documentos, a mãe tem residência permanente e os filhos nascidos nos EUA já são cidadãos. Um relatório recente do Conselho Americano de Imigração estimou o custo da deportação de todos os indocumentados em 88 bilhões de dólares por ano. O mesmo estudo lembra que, na história recente da imigração nos EUA, não houve um ano em que mais de meio milhão de imigrantes foram deportados. É realmente possível deportar milhões de pessoas na próxima legislatura? A infraestrutura atual não é propícia para tais planos. “Durante o mandato de Obama e durante o mandato anterior de Trump, o número de centros de detenção nos EUA não cresceu, os leitos de detenção não passam de 50 mil em todo o país. É preciso imaginar o tipo de logística necessária para deter as pessoas e cuidar da papelada que precisa ser feita para poder deportá-las. Não existe infraestrutura para chegar à escala de deportar milhões de pessoas em um ano”, explica Ruiz Soto. Além disso, há migrantes que vêm de países que não têm acordos de deportação com os Estados Unidos, como Cuba, Venezuela ou Nicarágua, o que complica ainda mais a situação. Fonte: Site DW Matéria Completa: Acesse Aqui

ARTIGO – MARIA, A NOVA EVA

“Se alguém tivesse o poder de criar sua mãe, como seria ela? Perfeita, não?”. Pois bem, Jesus como Deus teve esta possibilidade. Logo, Maria foi criada assim, perfeita. No entanto, ela era humana. As narrativas bíblicas não mostram esta trajetória de Maria. Os apócrifos são duvidosos. Assistindo o filme Virgem Maria (2024), alguns aspectos me chamaram a atenção. Ela é gerada na velhice de Joaquim e Ana. Pela promessa deles ela é consagrada e vai viver no templo sob a proteção de uma profetisa. Quando por obra do Espírito Santo concebe o filho, é expulsa do templo e corre o risco do apedrejamento. Por duas vezes ela é tentada pelo demônio para desistir de sua missão. O filho é perseguido por Herodes e termina sendo apresentado no templo. Curioso, Noa, que faz o papel de Maria, é uma jovem israelense de 21 anos. Por meio dela muito é recuperado. A nova Eva, mãe da humanidade, agora de Deus e da Igreja. O círculo amoroso divino se entrelaça com o círculo amoroso humano. Nos tornamos irmãos e filhos adotivos, numa nova criação. Os gestos de doação – entrega na confiança em Deus, geram possibilidades imensas para todos os humanos. Se o fundamental na vida de Cristo foi uma morte e ressurreição para a salvação de todos, Maria obediente, tornou-se a porta de entrada e a mãe que continua gerando novos filhos e filhas na vida eclesial. Maria concebida sem pecado, rogai por nós. Fortaleza, 08. 12.2024 – Ozanir Martins Silva (Festa da Imaculada conceição).

SOCIEDADE – Cinema: Religião e política em meio à ditadura

O Pastor e o Guerrilheiro aborda o elo perdido entre comunidades pobres e evangélicas e os militantes de classe média. No filme, uma estudante lê o livro de um combatente do Araguaia — que, no passado, filosofa com um “crente” sobre um Jesus revolucionário Em seu filme O Pastor e o Guerrilheiro (2023), José Eduardo Belmonte procura mostrar como os dejetos emocionais da ditadura atravessam as décadas e permeiam o cotidiano, sem a permissão daqueles que tentam viver o presente. As marcas da violência parecem uma película fina que cobre tudo ao redor, mas que só é realmente perceptível a quem se dispuser a olhá-la com atenção. O fio condutor do filme é Juliana (Julia Dalavia), uma estudante universitária que se engaja nas lutas dos movimentos estudantis de esquerda e, ao se interessar pelo livro perdido de um antigo guerrilheiro do Araguaia, abre um portal para os tempos da ditadura. Ao ler a obra Juliana faz dois tempos históricos — o dela e o do livro — se entrelacem, mostrando a duração das consequências que um período político violento pode ter na vida de todos. Zaqueu (César Mello), por exemplo, era apenas o pastor de uma comunidade simples que foi confundido com um militante e por isso foi parar na cadeia dirigida pelos militares. Ele não tinha qualquer vontade de se associar com os comunistas ou com os militares, mas a neurose do regime em vigor logo o identificou como suspeito. Assim, mesmo sem querer envolvimento direto com o Estado ou com a resistência, Zaqueu é obrigado a conviver com os dois, e de certa forma, escolher um lado. Já Miguel é companheiro de cela do pastor, além de ser guerrilheiro e autor do livro que acompanha Juliana. Ele e Zaqueu entram então em uma convivência forçada em uma das celas imundas do centro de tortura militar. E a partir de então começam a ter discussões filosóficas sobre qual seria a real diferença entre um crente e um guerrilheiro e quais seriam as vontades de um revolucionário como Jesus em um regime de exceção como a ditadura. O filme é um produto perfeito de seu próprio tempo histórico, muito mais do que dos que pretende representar. Ele procura uma espécie de elo perdido entre as comunidades pobres e evangélicas e os revolucionários universitários de classe média, sem deixar escapar a óbvia separação racial que também perpassa essa divisão. As polarizações políticas de hoje aparecem em suas formas embrionárias no passado recente de nossa formação democrática. Fonte: Site Outras Palavras Matéria Completa: Acesse Aqui