MUNDO – Olhar sobre o deboche, arma da ultra direita

Enquanto outras formas de humor convidam a questionar o poder, a chacota zomba dos fracos, testa os limites da violência “aceitável” contra eles e constroi identidades coletivas brutais. Por isso, é tão importante encontrar antídotos Eram 14h em um subúrbio do Rio de Janeiro, em outubro de 2022. Um vira-lata, magro, sem dono, pedia comida na manifestação em apoio a Bolsonaro. Um manifestante gritou: “Cuidado com esse cachorro: se Lula ganhar, teremos que chamá-lo de picanha!”. Ao redor, dezenas de pessoas começaram a rir alto, e enriqueceram a piada: “Se Lula ganhar, ele será o primeiro a comê-lo!” gritou um homem vestido de amarelo. “Teremos que tomar cuidado ao comprar um cachorro-quente!”, disse um jovem com uma camiseta de seu líder. Nesse momento, Bolsonaro apareceu no palco. Milhares de bandeiras do Brasil, verdes e amarelas, se levantaram ao grito de “Mito, mito, mito!”, esquecendo o cachorro de rua. Em outra parte da América Latina, na periferia de Buenos Aires, um seguidor de Milei dizia durante sua campanha em setembro de 2023: “Milei é bom, é um homem que gosta de cães”. “Seus cães fazem parte do seu pensamento”, dizia outro rapaz que havia participado da marcha com sua bicicleta do Uber Eats. “Mas os kirchneristas comem gatos, em breve estaremos comendo cachorros se essa máfia continuar governando!”, exclamou, mais assustado, um homem de meia-idade. “Corremos o risco de ser como a Venezuela, um país risível, um país comunista!”, apontou entre risos e indignação uma mulher idosa. Essas piadas assustadoras viajaram pelo mundo. Viveram transmutacões e adaptações, até chegar em 2024 ao momento em que Donald Trump afirmou, em um debate presidencial contra Kamala Harris, que os haitianos residentes nos EUA “estão comendo os cães”. A risada de Harris foi sua primeira reação, pois encontrou no discurso do oponente o absurdo retórico que só poderia ser compreendido como chacota. Logo depois, ela mudou de expressão, tentando levar Trump para um terreno mais “sério”. Neste artigo, analiso o papel que o humor – em especial, sua descaída patife, o deboche — desempenha nos processos de polarização e radicalização política das extremas direitas, especificamente as latino-americanas. Bukele, Milei, Bolsonaro, Kast… não se conectam apenas por seu militarismo, por seu componente autoritário, por seus discursos violentos, pela defesa de várias vertentes de um capitalismo ou pela apropriação do aparato estatal. Eles também o fazem pelo uso do deboche, como influenciadores políticos diretos, e como pontos em torno dos quais seus seguidores constroem relatos humorísticos, principalmente nas redes sociais. O “sério” vs o “humorístico” A codificação do discuro a partir das chaves de “seriedade” ou “humor” estrutura-se a partir da suposta dicotomia entre modelos de comunicação opostos. Se o “sério” nos leva a compreender a comunicação de forma direta, de sentido literal, sem interpretação, o humor seria um código comunicativo caracterizado pela interpretação ambígua dos significados, e pela flexibilidade de conceder ou não credibilidade ao conteúdo das informações transmitidas. Elementos humorísticos também podem produzir, com base em sua interpretação múltipla, desinformação e conteúdo falso. Talvez esse último elemento seja o que melhor representa o perigo que o deboche pode exercer no terreno político. Indicar que as pessoas estão ou estarão em breve comendo cachorros pode ser interpretado de diversas maneiras: ao serem perguntados sobre essa questão, alguns manifestantes no Brasil garantiam, com medo (apesar das risadas anteriores), que não queriam comer cachorros nem qualquer outro animal doméstico; outras pessoas dissecavam o humor, separando o elemento fictício, e indicavam que se tratava apenas de uma zombaria para rir do adversário político. De qualquer uma das interpretações, concluía-se que o humor agia como um potente antidepressivo, construindo amplamente identidades coletivas e normalizando uma violência muito concreta: que a esquerda não teria aquilo que Cardoso de Oliveira chamava de uma “substância moral digna”, e seria um espaço político que não mereceria ser considerado “humano”, pois quebraria o tabu social de se alimentar de animais de estimação e seres com os quais se estabeleceu um vínculo afetivo.   Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui

ARTIGO – IGREJA DOMÉSTICA DESAFIOS DA CRIAÇÃO E MANUTENÇÃO

CONCEITO Ser uma “Igreja doméstica” refere-se a uma prática em que a família ou um grupo pequeno de pessoas se reúne para adorar a Deus, estudar as Escrituras e fortalecer a fé em casa. Esse conceito remonta ao início do cristianismo, quando os primeiros seguidores de Jesus se encontravam nas casas, pois não havia templos ou locais específicos para cultos cristãos, e essas reuniões permitiam que a fé fosse praticada e vivenciada em um ambiente íntimo e comunitário. Na prática, uma Igreja doméstica busca: 1. **Cultivar a fé em ambiente familiar**: O lar se torna um espaço de devoção onde a família participa ativamente do estudo da Bíblia, da oração e do ensino dos princípios cristãos. 2. **Fortalecer a comunhão entre os membros**: Esse modelo promove uma maior conexão entre os presentes, com discussões abertas, apoio mútuo e fortalecimento espiritual. 3. **Formação espiritual contínua**: Ser uma Igreja doméstica é um convite a transformar o lar em um espaço sagrado, onde a prática da fé acontece não só nos cultos, mas no dia a dia, por meio de conversas, oração e atitudes que refletem os valores do evangelho. 4. **Evangelização e hospitalidade**: Muitas igrejas domésticas também acolhem vizinhos, amigos e pessoas que buscam um ambiente menos formal para conhecer mais sobre a fé cristã. Em resumo, a Igreja doméstica representa o compromisso de viver a fé cristã não apenas no templo, mas em casa, tornando o lar um centro de espiritualidade, comunhão e prática do evangelho. IGREJA DOMÉSTICA NOS DOCUMENTOS DA IGREJA A expressão “Igreja Doméstica” é utilizada pela Igreja Católica para descrever a família cristã como uma comunidade de fé, esperança e caridade, refletindo a vida e a missão da Igreja no lar. Diversos documentos recentes do Magistério abordam esse conceito: 1. Catecismo da Igreja Católica (1992): O Catecismo dedica uma seção à família como “Igreja Doméstica”, enfatizando seu papel na educação da fé e na oração: “A família cristã é o primeiro lugar da educação para a oração. Fundada sobre o sacramento do matrimônio, ela é ‘a Igreja doméstica’, onde os filhos de Deus aprendem a orar ‘como Igreja’ e a perseverar na oração.” 2. Exortação Apostólica “Familiaris Consortio” (1981): O Papa João Paulo II destaca a família como uma manifestação específica da comunhão eclesial: “Uma revelação e atuação específica da comunhão eclesial é constituída pela família cristã que também, por isto, se pode e deve chamar ‘Igreja doméstica’.” “Também o Sínodo, retomando e desenvolvendo as linhas conciliares, apresentou a missão educativa da família cristã como um verdadeiro ministério, através do qual é transmitido e irradiado o Evangelho, ao ponto de a mesma vida da família se tornar itinerário de fé e, em certo modo, iniciação cristã e escola para seguir a Cristo. Na família consciente de tal dom, como escreveu Paulo VI, «todos os membros evangelizam e são evangelizados” (FAMILIARIS CONSORTIO, 39) Vaticano 3. Exortação Apostólica “Amoris Laetitia” (2016): O Papa Francisco reforça a importância da família como “Igreja Doméstica” e seu papel na transmissão da fé: “A família é chamada a ser Igreja doméstica, santuário onde a vida é gerada e cuidada, e onde se aprende a fé e a prática das virtudes.” 4. Documentos do Sínodo dos Bispos sobre a Família (2014-2015): Nos preparativos e reflexões sinodais, a família é frequentemente referida como “Igreja Doméstica”, enfatizando sua missão evangelizadora e formativa no seio da Igreja. 5. Relatório do Sínodo dos Bispos (2023) – Intitulado ‘Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão’, destaca: “A família é o primeiro lugar onde os fiéis experimentam a comunhão e a participação na vida da Igreja.’ Ressalta a importância da formação espiritual e pastoral das famílias como protagonistas na missão evangelizadora. Esses documentos sublinham a centralidade da família na vida cristã, reconhecendo-a como o primeiro espaço onde a fé é vivida e transmitida, e onde os valores cristãos são cultivados e compartilhados. IGREJA DOMÉSTICA NA BÍBLIA A ideia de Igreja Doméstica não aparece explicitamente com essa terminologia na Bíblia, mas a base para o conceito está presente em várias passagens que mostram o papel central da família e das casas como lugares de vivência e partilha da fé. Aqui estão algumas referências bíblicas que fundamentam essa ideia: 1. Casas como locais de reunião e culto Atos 2:46 – “Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam o pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração.” As primeiras comunidades cristãs frequentemente se reuniam em casas para celebrar a fé, partilhar refeições e viver em comunhão. Atos 12:12 – “Quando isso ficou claro para ele, foi à casa de Maria, mãe de João, também chamado Marcos, onde muitas pessoas estavam reunidas e oravam.” A casa de Maria é mencionada como um lugar de oração e encontro comunitário. 2. A Igreja nas casas de fiéis Romanos 16:3-5 – “Saudai Priscila e Áquila, meus cooperadores em Cristo Jesus (…). Saudai também a igreja que está na casa deles.” Paulo reconhece a casa de Priscila e Áquila como um local onde a comunidade cristã se reunia. 1 Coríntios 16:19 – “As igrejas da Ásia vos saúdam. Áquila e Priscila, com a igreja que está na casa deles, vos saúdam calorosamente no Senhor.” Mais uma referência a uma igreja doméstica liderada por Áquila e Priscila. Colossenses 4:15 – “Saudai os irmãos que estão em Laodiceia, bem como Ninfa e a igreja que está em sua casa.” Aqui também é mencionado que a comunidade se reunia em uma casa específica. Filemom 1:2 – “E à igreja que está em tua casa.” O apóstolo Paulo saúda a igreja que se reunia na casa de Filemom, evidenciando que as famílias eram centros de vivência comunitária da fé. 3. Famílias como transmissores da fé Josué 24:15 – “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” Josué declara a centralidade da fé no ambiente familiar. 2 Timóteo 1:5 – “Recordo-me da tua fé não fingida, que habitou primeiro em tua avó Loide e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita

ARTIGO – A MATURIDADE

Existimos para nos construirmos. Esta construção em primeiro lugar é a identidade; depois vem a confirmação social e por ultimo a absoluta, definitiva. Tudo isto acontece por meio dos círculos existenciais. Pelo trabalho realizamos nosso papel na realidade. Ele mostra nossa capacidade laborativa e recebe a aceitação social. Hoje, quem nos faz pensar, agradecer e admirar é nossa querida Adriana. Não só pelo tempo de vida, mas pela qualidade de vida dedicada a si, à família e ao trabalho pela justiça. Competência e experiência fundam a maturidade de Adriana. Isto vemos por palavras e obras. Quando aquelas famílias marcadas pelos reveses da vida choram agradecidas, quando ela narra as intervenções defendendo os clientes, nos deixa orgulhosos e agradecidos. Além de tudo, continua aquela cuidadosa pela família. A intensa preocupação com todos. Mesmo nos momentos de tensão, ela não se cala, sofre e reconstrói a tranquilidade. Ela é daquelas pessoas que pensam cinco coisas ao mesmo tempo, pede três ações ao mesmo tempo, se desliga e se liga em questão de segundos. O Deus dela está na centelha do coração de cada um, está na energia do universo e nas inspirações de bondade, de generosidade. É uma parceira que me segura em pé ao seu lado, me aquece com sua energia e me guia com o bom senso. Obrigado Senhor por esta pequena e grande Adriana. Sem ela, sei não…   Parabéns Adriana: Ozanir, Matheus, Victor e Giovanna.

BRASIL – Manifestações indígenas no Pará completam sete dias sem negociação

Manifestantes pedem saída de secretário de educação e revogação de lei que prejudica o ensino em áreas rurais Sem reposta satisfatória por parte do governo do Estado, as manifestações indígenas pelo direito à educação no Pará ganharam força nos últimos dias. Na terça-feira (21), dois ônibus com manifestantes saíram de Santarém com destino ao quilômetro 83 da BR 163, no município de Belterra, onde um grupo de indígenas realiza o bloqueio da rodovia em ato de apoio aos protestos. “Estamos aqui com representantes dos 14 povos do Baixo Tapajós, se somando nessa luta, juntamente com os sindicatos dos professores do Oeste e do Pará, porque são vários municípios que estão aqui presentes, vários professores, e é um momento histórico, um momento que os povos indígenas realmente estão na dianteira dessa luta pela educação”, explica Lucas Tupinambá, vice coordenador do Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns, em entrevista ao portal Tapajós de Fato. O grupo está acampado perto da rodovia desde a quinta-feira (16) e recebe apoio de professores e representantes de movimentos populares que pedem a retirada da lei estadual 10.820, que revoga a norma que garante a manutenção do Sistema Modular de Ensino (Some), programa de educação voltado para comunidades do campo, ribeirinhas e indígenas. “É uma lei que é um ataque direto à educação dos indígenas, à educação dos quilombolas, à educação dos povos tradicionais e à educação também dos povos que vivem na periferia”, ressalta Lucas. De acordo com o sindicato e com lideranças presentes no local, o governo do estado vem gradativamente implementando alterações no sistema educacional que colocam em risco a educação indígena e de outras populações. Os manifestantes pedem também pela saída do atual secretário de educação do estado, Rossieli Soares. Manifestantes que estão na Seduc informam que, até o momento, a secretaria não apresentou resposta satisfatória às reivindicações. As lideranças exigem que o governador dialogue diretamente com os povos indígenas e atenda às pautas apresentadas, consideradas inegociáveis. Fonte: Site ICLNotícias Matéria Completa: Acesse Aqui  

MUNDO – Fórum Social Mundial da Pessoa Idosa: As diferenças regionais no envelhecimento

Com o tema “Envelhecimento nos Territórios”, o debate contou ainda com os membros do Sindnapi Diogenes Sandim e João Pedro Na abertura do segundo dia do Fórum Social Mundial da Pessoa Idosa, que acontece até sexta-feira (24) em Porto Alegre, o debate focou as diferenças que ocorrem nos diversos territórios. “Seja no campo ou na cidade, nos bairros centrais ou na periferia, o envelhecimento não ocorre de forma igual e vários fatores causam essa desigualdade”, destacou a diretora de Assuntos Internacionais do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos – Sindnapi, Andrea Gatto, que coordenou a mesa de debates. Com o tema “Envelhecimento nos Territórios” o debate contou ainda com os membros do Sindnapi Diogenes Sandim e João Pedro, além do economista Airton dos Santos, responsável pela subseção do Dieese no sindicato. Para Andrea é preciso considerar as diferentes realidades na hora da elaborarão de políticas públicas. “Os territórios fornecem um poderoso mapa sob a realidade na ponta e sobre as necessidades urgentes. Em cada contexto é preciso ter uma atuação específica, com políticas públicas que atendam as necessidades daquela população”. João Pedro lembrou a importância do FSM em apresentar propostas para a proteção so idoso, para a criação de políticas públicas que sejam capazes de melhorar a qualidade de vida, um assunto tão importante que é construir a humanidade para o idoso e que muitas vezes não recebe o que lhe é de direito. Durante sua apresentação, João Pedro também falou sobre o trabalho do Sindnapi de lutar pelos diretos dos aposentados, pensionistas e idosos. Já Diogenes reforçou a necessidade da elaboração de políticas públicas específicas para a realidade de cada região. “E cabe também a nos, e não simplesmente aos poderes públicos, propor essas políticas de forma permanente e que surjam através do diálogo, do uso das experiências para que reflitam as reais necessidades dos idosos.” Já Airton destacou a importância da defesa da Previdência Social como forma de garantir que a pessoa, ao envelhecer, tenha uma forma de manter uma vida digna. “As desigualdades surgem já nas oportunidades de formação dos diversos segmentos da população e que refletirá no acesso às profissões que oferecem remuneração mais digna. Isso irá, lá na frente, afetar a aposentadoria.” Fonte: Site REVISTA FÓRUM Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – Três desafios para a Igreja do Vaticano II: Descerdotalização, desromanização e desantropologização.

Artigo de Jorge Costadoat Em 2025 completar-se-ão sessenta anos desde o encerramento do Concílio Vaticano II. Vale a pena perguntar, então, se a Igreja Católica está caminhando na direção que tomou. Saber o que estava em jogo entre 1962 e 1965 é essencial porque, caso contrário, é muito provável voltar atrás. Já haverá quem este ano estude a questão em perspectiva, comparando o pré e o pós-conciliação. Não faremos isso aqui. Em vez disso, diremos algumas breves palavras sobre o que nestas últimas seis décadas surgiram como os maiores desafios para uma Igreja que quer ser fiel à sua tradição. Ao longo dos anos, vemos três desafios, entre outros, tornando-se extremamente importantes. São elas: a descerdotalização do Cristianismo Católico; a desromanização das igrejas regionais; e a desantropologização da espiritualidade Em relação ao primeiro, a Igreja Católica, especialmente na sua versão latina, durante séculos, ofereceu “salvação” através da pessoa e da ação de um ministro chamado sacerdote. O problema é que este ministro, especialmente formado para celebrar os sacramentos, administra a separação e relação entre o sagrado e o profano, controla o acesso à comunhão eucarística e, de uma forma muito problemática hoje, é reconhecido ou pede para ser reconhecido como santo homem Esta forma de entender o ministério é hoje fortemente discutida tanto pela teologia como pela cultura, pois constitui aquela versão penitencial do cristianismo do segundo milênio que o Vaticano II quis superar. O Concílio guiou a Igreja na direção oposta: declarou que o sacramento do batismo deve ter precedência sobre o sacramento das ordens sacerdotais. Recordou que a Igreja é, antes de tudo, o Povo de Deus no qual os batizados caminham juntos rumo à pátria eterna como irmãos e irmãs (Lumen gentium, II); e esperava que os ministros, como todos os batizados, se concentrassem principalmente no anúncio do Evangelho. O Vaticano II queria que estes ministros fossem chamados de “presbíteros” e, se possível, não mais “sacerdotes”. A avaliação da aceitação destas inovações fica para outro momento. A nossa opinião é que esta espécie de “descerdotalização” do ministério ordenado promovida pelo Concílio deve continuar. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

INTERAÇÕES HUMANAS – Quem são os responsáveis por projeto que oferece dinheiro para escanear as íris das pessoas

A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados), vinculada ao Ministério da Justiça, afirmou que instaurou um processo para investigar a iniciativa. Empresas têm promovido o escaneamento de íris em troca de dinheiro em São Paulo. O objetivo, segundo os responsáveis pela iniciativa, é oferecer às pessoas uma forma de “diferenciar interações humanas reais daquelas impulsionadas por inteligência artificial”. A íris é única e a detecção tem sido feita pelo projeto World, comandado pela Fundação World, uma organização sem fins lucrativos com sede nas Ilhas Cayman, e pela Tools For Humanity (TFH), empresa de tecnologia global com sede em São Francisco, nos Estados Unidos. As instituições são comandadas por Alex Blania e Sam Altman, que também é CEO da OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, chatbot de inteligência artificial lançado em 2022. Ele é apoiador do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e doou US$ 1 milhão para sua campanha. Altman chegou a ser demitido do conselho diretivo da OpenAI em novembro de 2023, mas voltou ao posto no mesmo mês. Blania, CEO da TFH, é formado em física e engenharia industrial pela Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha. Ele estuou inteligência artificial durante seu mestrado Instituto Max Planck e como pesquisador no Instituto de Informação e Matéria Quântica da Cal Tech. Além do projeto para escaneamento de íris, Blania também está por trás do criptoativo worldcoin, um dos segmentos do projeto World. Sam Altman, CEO da OpenAI. Foto: Jason Redmond/AFP A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados), vinculada ao Ministério da Justiça, afirmou que instaurou um processo para investigar a iniciativa. A autarquia afirma que dados biométricos, como a íris, são informações sensíveis e pediu explicações à Fundação World e à TFH. A iniciativa tem oferecido uma média de 48 worldcoin, uma criptomoeda que pode ser convertida em reais, para quem permitir o escaneamento da íris. Algumas pessoas relatam que já sacaram até R$ 700 após liberarem os dados biométricos. Fonte: Site Diário do Centro Mundo Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – Donald Trump e os Estados Unidos que virão

Neste quarto de século, um século que – para citar novamente o Pontífice – está marcando uma “mudança de época” ainda mais do que “uma época de mudanças”, as forças das grandes potências econômicas, políticas e militares do planeta também se remodelaram. Um editorial do jornal L’Osservatore Romano enfoca os desafios mais urgentes que aguardam o novo presidente dos EUA poucas horas antes da cerimônia de posse. Para o ocupante da Casa Branca, será crucial se esforçar para superar as polarizações que há anos marcaram a vida política estadunidense. Os Estados “desunidos” da América seriam de fato um sério perigo para um mundo já dividido e fragmentado. Não, a história “não terminou” com a queda do Muro de Berlim e a dissolução da União Soviética. O que havia sido uma ilusão de alguns cientistas políticos e expoentes políticos no final do século passado acabou se revelando dramaticamente errado. Afinal, isso já havia sido entendido no início do século XXI com o evento “impensável” do ataque terrorista às Torres Gêmeas, que provocou um despertar sombrio para aqueles que imaginavam uma era de estabilidade mundial sob a bandeira da economia liberal. Nos mais de 30 anos que se passaram desde aquele dia histórico em que, junto com o Muro, desmoronou também um dos sistemas totalitários mais liberticidas da história, a humanidade vivenciou um número cada vez maior de conflitos que passaram de locais a regionais, até assumirem o perfil angustiante do que, com precisão profética, o Papa Francisco vem chamando há anos de “Terceira Guerra Mundial em pedaços”. Portanto, a história está longe de terminar. Neste quarto de século, um século que – para citar novamente o Pontífice – está marcando uma “mudança de época” ainda mais do que “uma época de mudanças”, as forças das grandes potências econômicas, políticas e militares do planeta também se remodelaram. Hoje vivemos em um mundo multipolar que torna a busca por acordos, especialmente em situações de crise, mais complexa e menos linear. No entanto, este é o mundo em que vivemos, e o princípio da realidade exige que todos os líderes (especialmente aqueles com maior poder) percebam que os grandes desafios de nosso tempo devem ser abordados com novos paradigmas, com a criatividade que rejeita a atitude do “sempre foi feito assim”. É nesse contexto histórico que, na próxima segunda-feira, Donald Trump jurará, pela segunda vez, defender a Constituição dos Estados Unidos e servir ao povo estadunidense. Um evento, como já foi amplamente dito e escrito, que tem características que são, em muitos aspectos, sem precedentes e que é visto com esperança e preocupação porque não escapa a ninguém – mesmo em um mundo onde não há mais uma única superpotência – o quanto os Estados Unidos ainda podem influenciar a dinâmica política e econômica internacional. O presidente eleito Trump declarou várias vezes que trabalhará para pôr fim à guerra na Ucrânia. Ele também afirmou que, sob sua presidência, os EUA não se envolverão em novos conflitos. Resta saber qual será sua atitude em relação aos órgãos internacionais. A imigração, o meio ambiente e o desenvolvimento econômico (cada vez mais impulsionado pela tecnologia) estão entre as principais questões sobre as quais o 47º inquilino da Casa Branca será observado de perto não apenas pelo povo estadunidense, mas por toda a comunidade internacional. Historicamente, os Estados Unidos da América tiveram seu melhor desempenho quando se abriram para o mundo (as Nações Unidas são, afinal, “uma invenção estadunidense”) e, juntamente com seus aliados, construíram um sistema que – com as limitações de todos os esforços humanos – garantiu a liberdade, o desenvolvimento econômico e o progresso dos direitos humanos. Isso ocorreu com presidentes republicanos e com presidentes democratas. Um país voltado para si mesma seria, portanto, algo sem sentido. O presidente Trump está sendo chamado a trabalhar para superar as divisões e polarizações que caracterizam a vida política estadunidense há anos e que tiveram na invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021 uma das datas mais tristes da história nacional. É uma tarefa difícil, sem dúvida. No entanto, é uma tarefa necessária para o novo governo. Pois os Estados “desunidos” da América seriam um grave perigo para um mundo já dividido e fragmentado. Fonte: Site VATICAN NEWS Matéria Completa: Acesse Aqui

ARTIGO – RELATIVIZAR O QUE É RELATIVO

A Igreja Católica tem sérias dificuldades para se adaptar aos tempos e isso não é novidade para ninguém. Carregando nas costas uma história de vinte séculos, essa instituição que preserva uma comunidade com uma missão, passou por realidades e tempos que sequer conseguimos imaginar. No entanto, o desafio parece aumentar nos últimos decênios, pois a velocidade com a qual as mudanças acontecem é algo que a Igreja nunca enfrentou. Em um momento em que o Papa pede uma conversão sinodal de toda a instituição e de seus mecanismos caducos, uma questão precisa ser enfrentada com seriedade e realismo: a crise nas vocações. Poucas são as igrejas particulares (dioceses) que possuem abundância de vocações. Realidades como partes da África e da Ásia ainda estão bem nutridas de vocações, mas não se pode dizer o mesmo da velha Europa, nem da América Latina. Uma parte considerável da vida religiosa parece estar entrando no ocaso de sua existência. Comunidades formadas por idosas e idosos. Imensos seminários e conventos vazios. Províncias se fundindo para que as forças que restam possam dar conta das estruturas que foram sendo construídas ao longo de seculares histórias. A vida consagrada feminina sangra ainda mais que a masculina, pois a mulher nunca teve um lugar preciso na estrutura da Igreja. O grande jardim da Igreja está em pleno inverno! Contudo, as dioceses e seus padres também começam a sentir o peso de um mundo que caminha sem olhar para trás. Dioceses europeias, outrora imensas exportadoras de missionários pelo mundo, estão com um clero envelhecido e com paróquias vacantes. O Brasil já começa a sentir a força desse mesmo processo. Em primeira pessoa falo pela diocese de onde sou oriundo. No passado chegamos a ter tantas vocações à vida presbiteral que chegamos a oferecer seminaristas para outras dioceses menores. Padres foram enviados em missão por todo o país. Bispos foram ordenados para pastorear outras dioceses. Hoje parece que a fonte começou a secar. O sul do Brasil, que considerava a si mesmo como um “celeiro vocacional” sente o inverno eclesial a nível vocacional bater à porta. Explicações? Talvez tantas. Pode-se culpar a secularização? Em partes, mas não se pode dar toda a culpa a ela. Secularização em sentido positivo é colocar as esferas civil e religiosa em seus devidos lugares, sem intromissões e interdependência. Foi graças a uma salutar secularização que os fanatismos do passado deixaram de fazer vítimas. Então, como entender esse período na vida da Igreja? Bom, a sociedade atual oferece uma série de oportunidades aos jovens que antes não existiam. O acesso à educação e a uma qualificação profissional faz com que a maioria dos jovens sequer cogitem a possibilidade de pensar na vida presbiteral. As famílias cada vez menores encaminham os filhos para destinos profissionais “brilhantes”, garantindo ao fim do ensino médio o ingresso imediato na universidade. Além de que o crescimento do fundamentalismo religioso católico afasta da religião os jovens humanamente saudáveis e com cabeças arejadas intelectualmente. É uma crise. A crise, no entanto, denuncia que existe vida, como recorda o Papa Francisco. Somente um organismo vivo pode ter febre. A questão é como curar a doença. Particularmente penso que essa crise não é ruim em si mesma. Antes, pode ser um sinal claro de Deus para que a Igreja mude. A Igreja demora a relativizar estruturas históricas defasadas. Basta pensar que os seminários, tomadas as devidas proporções, permanecem como foram pensados na sua origem, no Concílio de Trento (1545-1563). Retirar os jovens do convívio familiar e comunitário e os manter por anos dentro da estrutura de seminários, provavelmente é uma maneira de formação destinada a cair por terra. A ideia do presbítero como um profissional do sagrado, dedicado integralmente à Igreja, também pode ser algo assustador para as novas gerações. A obrigatoriedade do celibato e a impossibilidade de homens casados terem acesso à ordem presbiteral é outro sério empecilho a ser estudado. O peso administrativo e decisório que se deposita nas mãos dos padres também é parte de um passado muito mais ligado a Constantino e aos velhos feudos que ao Evangelho de Jesus. E tudo isso é relativizável! Tenho esperanças que a Igreja enfrente a crise de forma adulta, abandonando o que é caduco e se deixando conduzir pelos caminhos que o Espírito sugere. É possível que eu não veja as mudanças necessárias que trarão a primavera a esse imenso jardim. Porém, sei que elas virão, cedo ou tarde. Pe. Leonardo Lucian Dall’Osto

ARTIGO – O PRINCÍPIO MISERICÓRDIA

Uma pessoa amiga me falou que estava cansada de fazer empatia, colocarse e assumir os problemas dos outros. Terminava sofrendo e sem saber o que fazer. Outra pessoa me informava que ouvia os problemas dos outros e voltava a questão perguntando o que ela pensava em fazer e o por que não fazia. Alguém me contou que andando a noitinha por uma estrada deserta viu alguém caído. Pensou em parar o carro, mas temeu, talvez fosse uma simulação, um assalto. Outra pessoa em situação semelhante parou, verificou que a pessoa fora assaltada, prestou os primeiros socorros, levou para uma clínica e disse que qualquer despesa a mais ela pagaria. (o bom samaritano). O nosso país é um país de humilhados: primeiro por um racismo estrutural, e histórico. Depois pela situação de carências econômicas na moradia, alimentação, educação, saúde, discriminação de gênero, etnias. Mas, o pior é que quem discrimina é indiferente ao problema ou diz que a população é a responsável por esta situação. É muita humilhação. Aqui entra Jesus de Nazaré como um salvador da situação. Ele não possui uma receita mágica, mas o projeto do Pai de tirar o pecado do mundo. (Falta de amor). Foram várias as situações encontradas por ele e também várias soluções: multiplicar pães e peixes, curar aleijados, cegos, endemoniados, mudar água em vinho. Ele é movido pela misericórdia. Afinal, quem é esse Jesus de Nazaré? É o Messias, o Filho de Deus, O Divino que se faz humano, filho de Maria, o servo sofredor, o crucificado, o ressuscitado. Se fôssemos procurar uma síntese de Jesus de Nazaré: “Aqui queremos propor que o princípio que nos parece mais estruturante da vida de Jesus é a Misericórdia; por isso deve ser também da igreja.” (Sobrino, Jon 36, A misericórdia, Vozes, 2020). “O Princípio Misericórdia é entendido como o amor específico que está na origem de um processo, presente e ativo ao longo dele, dá-lhe determinada direção e configura os diversos elementos dentro do processo.” (idem,37). Ou seja, sente, internaliza a dor, verifica as causas e lutas contra as injustiças dos opressores, desumanizadores e chega à alegria da vitória, da libertação da falta de amor, do pecado. Provoca a humanização, a descida da cruz. Haja misericórdia! Fortaleza, 10.01.2025. Ozanir Martins Silva