Depoimento de Irene Guerreiro no XVIII Encontro das Famílias dos Padres Casados

Mesa redonda Muito foi já falado sobre as mulheres. Eu vou me concentrar somente numa mulher: Maria Madalena (MM). Baseio-me em (e cito) especialmente 3 fontes: 1. O artigo “Maria Madalena e outras Marias”, da Biblista Irmã Mercedes Lopes, publicado no site “Ora et Labora” em 25/08/09 2. O artigo “Canonização e Marginalização: Maria de Mágdala” da Teóloga de Harward Karen L. King, publicado na revista “Concilium” Nr 3 de 1998 3. O livro “Maria Magdalena” de Marianne Fredriksson, um romance publicado na Suécia em 1997. As duas últimas baseiam-se não só nos 4 Evangelhos, nos Atos dos Apóstolos, nas cartas de S. Paulo e nas cartas pastorais a ele atribuidas, mas também nos Evangelhos Apócrifos de Filipe e de Maria Madalena (ambos do século II, achados no século XIX no Egito, os quais os Gnósticos conservaram, mas foram rejeitados pela Igreja), Porque MM? MM era uma figura proeminente entre os seguidores de Jesus, com um papel e uma missão muito especial. Infelizmente a imagem dela foi deturpada – e das consequências desta deturpação nós mulheres na Igreja Católica sofremos até hoje.

Os ortodoxos russos põem fim ao diálogo com os luteranos alemães

Em outubro deste ano, 2009, o Sínodo da Igreja Evangélica da Alemanha (EKD) escolheu a bispa regional da Baixa Saxônia, Margot Kässmann, para a chefia da Igreja no país. Uma mulher e, para mais, uma divorciada! A alta hierarquia da Igreja Ortodoxa russa, que, nos últimos cinquenta anos manteve um diálogo constante com a Igreja Luterana alemã, tomou essa nomeação como uma afronta e decidiu romper com um relacionamento que durou meio século. Após a escolha de uma mulher divorciada para chefe da Igreja, não é mais possível continuar o diálogo que se mantinha há cinquenta anos, afirmou, em 12 de novembro, o clérigo Georgi Sawerschinski, porta-voz da Igreja Ortodoxa. A Igreja, disse ele, conforme noticiou a Agência Interfax de Moscou, não permite a ordenação, nem mesmo qualquer papel de chefia de mulheres. “Esta questão é muito séria”, acrescentou. Em última instância, a decisão incumbia ao Patriarca Cirilo I, chefe supremo da maior Igreja Ortodoxa nacional do mundo.

Uma Mulher Líder da Igreja Luterana Alemã

A Igreja Luterana da Alemanha tem bispos que presidem as Igrejas dos “Laender” (o equivalente aos Estados do Brasil). Mas um deles é o “Ratsvorsitzende der Evangelischen Kirche Deutschland (Presidente do Conselho das Igrejas Evangélicas da Alemanha)” e, como tal, cabe-lhe a chefia de todos os demais bispos. Até agora este “Presidente do Conselho das Igrejas Evangélicas Alemãs” era o bispo Wolfgang Huber (67), que desempenhava, ao mesmo tempo, a função de bispo de Berlin-Brandenburg. Wolfgang Huber é uma personalidade marcante, muitas vezes designado como “Papa evangélico”. Eu compará-lo-ia ao bispo católico Karl Lehman, antigo Presidente da Conferência Nacional dos Bispos da Alemanha. Sempre que possível, não perdia um único debate televisivo em que Huber tomasse parte. Porquê? Porque ele sabia transmitir a Boa Nova de Jesus Cristo, de forma inteligente para os tempos de hoje. Expressava, muitas vezes, aquilo que eu sentia, mas não era capaz de pôr em palavras. De alguma maneira, achei-o sempre melhor do que o nosso bispo católico Karl Lehmann.

Teólogo critica duramente ao papa e Vaticano contesta realidade de argumentos

Cidade do Vaticano, 28 out (EFE) – O teólogo dissidente Hans Küng criticou duramente seu antigo amigo Bento XVI por haver aberto as portas aos anglicanos, afirmando que se trata de “uma tragédia”, provocando uma resposta do Vaticano que disse que as acusações estão “muito longe da realidade”. Küng, de 81, em artigo publicado hoje nos diários “The Guardian” (Reino Unido) e “La Repubblica” (Itália), intitulado “Esse papa que pesca nas águas da direita”, afirmou que a decisão de Joseph Ratzinger de acolher na Igreja Católica a todos os anglicanos que o desejem é uma “tragédia”.

Movimento Mundial dos Padres Católicos Casados

Por Luís Guerreiro O Movimento dos Padres Casados (MPC) do Brasil faz parte do Movimento Mundial dos Padres Católicos Casados, movimento que reúne aproximadamente 150.000 padres dispensados do ministério pelo simples fato de terem decidido casar. Antes do Concílio Vaticano II, as dispensas do celibato clerical eram raras. Roma só as concedia em casos excepcionais. A situação mudou desde 1964, quase fins do Concílio, quando foram estabelecidas normas mais suaves, nunca publicadas. Depois, em 1970/1971, Paulo VI introduziu novas normas, facilitando com isso, ainda mais, a concessão de dispensas. Assustado com a vaga de desistências, o seu sucessor, João Paulo II, querendo refreá-las, impôs fortes restrições. Em vão. De uma forma ou de outra, o êxodo continuou, embora talvez em número menos expressivo que na década de 1970.

Fazendo História: as Mulheres e o Sacerdócio

Por Luís Guerreiro Discretamente, elas transgridem as leis canônicas, que as excluem da igualdade de direitos na Igreja, e, sentindo-se, mais do que nunca, responsáveis por ela, vão avançando e multiplicando-se por vários continentes.

Ministérios da mulher: poderão eles contribuir para uma Igreja renovada?

Foi a pergunta que pôs e a que tentou responder Alice Gombault, por longos anos professora do Instituto Católico de Paris, no Congresso da Federação Internacional dos Padres Católicos Casados, realizado em Wiesbaden, Alemanha, de 16 a 19 de setembro de 2005. Aqui um resumo da palestra, feito por Irene Ortlieb Guerreiro Cacais.

A Mulher na Igreja

Por Luís Guerreiro A partir do Iluminismo, as sociedades civis foram reconhecendo à mulher direitos iguais, muito embora, na prática, ela continue sujeita a grandes discriminações. Na Igreja é o inverso: embora não goze de direitos iguais, a mulher acha-se inserida em todos os setores, tanto do ministério da Palavra como do serviço pastoral. Em muitos países, há mulheres que são as responsáveis por toda a vida da comunidade cristã. Mesmo assim, continuam subalternas, por estarem impedidas de receber a ordenação. Os ministérios ordenados – episcopado, presbiterado e diaconato – só podem ser exercidos por homens, segundo o direito eclesiástico (cânon 1024). Não obstante, em países do Leste europeu, durante os regimes comunistas, foram ordenados na clandestinidade não só homens casados como também mulheres. Hoje os homens poderão continuar a exercer o ministério; as mulheres, não.