Reflexões sobre o XIII Encontro em Belo Horizonte, em 2000
À MARGEM DE UM ENCONTRO Pe. Nonato Silva* Nemo de sacrificio potest iudicare, nisi artifex: Só o artífice pode julgar da arte (Cícero). Realizou-se em Belo Horizonte-MG o XIII Encontro de Padres casados. Deve-se dizer, inicilmente, que há incoerência e ilogicidade em cognominar-se “padre casado” e continuar-se chamá-lo de “ex-padre”, “ex-colega”, tanto na oralidade quanto na escrita. Se é “padre casado” tem que ser “padre” e nunca “ex-padre”. E não se deve ter vergonha ou escrúpulo de assinar-se e ser chamado “padre”, podendo adicionar à formação “padre” outros títulos ou láureas que possua. A ordenação presbiteral é igual para todos, não ocorrendo dicotomia entre padre casado e padre celibatário O Encontro, em si, va leu. Máxime no que concerne à contribuição das mulheres e dos jovens. No entanto, os aspectos doutrinários, filosóficos, teológicos, jurídico-canônicos foram fracos. Sem objetivos claros e adredemente definidos. Como a matéria estava a exigir. Em nível de que, hoje, sem rodeios, se deve propor e fazer. Com firmeza e coragem. Francamente.
‘O poder da Igreja de hoje me dá pena e coragem’, diz teólogo espanhol
José María Castillo é um dos grandes da Teologia na Espanha e no mundo. É um teólogo de fibra, que sabe combinar perfeitamente o ensaio profundo, o livro sério, com a divulgação. Por isso, se converteu em um teólogo de referência, tanto a nível clerical como a nível das bases. Há alguns anos deixou a Companhia de Jesus. Dizia, naquela época, que para se sentir mais livre. É um teólogo, como todos os que estão em campos de fronteira, perseguidos pela Congregação para a Doutrina da Fé (com vários monitums [advertências] contra ele), mas que segue na luta. Não se queimou. É daqueles que seguem dando o pão de seus livros às pessoas. Por exemplo, seu novo ensaio editado pela Trota: La humanización de Dios. A entrevista é de José Manuel Vidal e está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 09-12-2009. A tradução é do Cepat. Eis a entrevista.
Jornal Rumos 213
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Diretoria Nacional de Rumos é recebida pelo novo Arcebispo de Olinda e Recife
A Diretoria Nacional da Associação Rumos e Movimento das Famílias dos Padres Casados do Brasil (MFPC), acompanhada por colegas do grupo de padres casados do Recife, fez uma visita de cortesia ao novo arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido. O encontro aconteceu no Palácio dos Manguinhos, Cúria Metropolitana do Recife, no dia 04 de dezembro de 2009. Em nome do grupo, o presidente Félix Batista Filho apresentou ao arcebispo os objetivos da Associação Rumos. Entregou também as três últimas edições do JORNAL RUMOS. Em seguida, os padres casados presentes ao encontro fizeram um breve relato das suas atividades pastorais. Destacaram, também, as dificuldades encontradas para servir ao Povo de Deus, principalmente por conta da exclusão do padre casado da pastoral oficial da Igreja Católica Romana. Dom Fernando Saburido se comprometeu a estreitar laços de união fraterna com o grupo de padres casados do Recife, inclusive, como sinal de abertura e de novos tempos na Arquidiocese, irá convidar um casal para participar, representando o MFPC, da Assembléia Arquidiocesana de Pastoral que vai acontecer no próximo mês de fevereiro de 2010.
Sem aviso, partiu ao encontro do Pai
Tarde de 28 de novembro, sábado. Leisa dirigiu-se à Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Taguatinga, DF, a fim de preparar, como responsável habitual, a liturgia da missa das 18:00 horas. O marido, Geraldo Lopes de Souza, ficaria mais um pouco a descansar e iria mais tarde para a igreja. Já perto da hora da missa, a faxineira, não notando qualquer movimento, chamou por ele. Não houve resposta. Telefonou imediatamente para o genro, Ricardo. Chegaram amigos, chamou-se o pronto-socorro móvel, SAMU, e alguém foi à igreja chamar urgentemente Leisa. Quando ela chegou a casa, Ricardo e o pessoal do SAMU tentavam reanimar Geraldo, mas em vão. Ele estava morto. Geraldo tinha pressão baixa e, de alguns meses para cá, havia sofrido vários desmaios. Levava, no entanto, uma vida normal. Com 78 anos, ainda na véspera dera aulas na Faculdade aos alunos de Pedagogia, missão que cumpria há mais de trinta anos. Geraldo Lopes de Souza nasceu em Porto Firme, Zona da Mata, MG, em 17 de novembro de 1931. Frequentou o Seminário da Arquidiocese de Mariana e foi ordenado sacerdote em 1958, exercendo o ministério até 1975. Durante estes anos, licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São João Del’Rei, e especializou-se em História Moderna e Contemporânea, Filosofia e História da Educação, pela Universidade Católica de Minas Gerais.
Padre confessou paixão
“Dona Laurinda, vou directo ao assunto, sem rodeios: estou apaixonado pela Fátima e decidi que vou viver com ela. Quero dizer-lhe também que já não sou padre.” O padre Rui confessou a paixão por Fátima Silva e, no passado dia 16, ambos fugiram para parte incerta. A população foi apanhada de surpresa. Fonte : Correio da manhã Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009 – 11:40 Celorico de Basto – Portugal Incrédulos e chocados. É assim que os habitantes de Carvalho, uma freguesia de Celorico de Basto, reagem à notícia de que o padre Rui fugiu com Fátima. O padre tem 26 anos e apenas 16 meses de sacerdócio. A jovem, que frequentemente visitava a casa paroquial, fez 18 anos um dia antes da fuga. Desapareceram no final da semana passada, depois de o padre Rui ter pedido ‘permissão’ à família para se casarem. Negaram-na, e eles desapareceram. ‘Estou estupefacto, é o que posso dizer. Ainda não acredito que isto tenha acontecido’, disse ao CM o padre António Gonçalves, amigo do jovem sacerdote. Nas localidades em que Rui era pároco (Basto, Santa Tecla e Borba da Montanha) a surpresa é geral. Mas é na freguesia de Carvalho, onde residia a jovem, que todos se mostram mais surpreendidos.
Entrevista com Luís Guerreiro, padre casado e escritor
Por Francisco Salatiel de Alencar Barbosa No dia 4 de outubro, mais de quarenta pessoas do grupo MPC/Rumos de Brasília reuniram-se num almoço festivo, oferecido pelo casal Lenna e Edvar, para comemorar o 80º. Aniversário natalício do colega Luís Guerreiro Pinto Cacais. O homenageado – hoje escritor – nasceu em Gondarém, município de Vila Nova de Cerveira, noroeste de Portugal, em 8 de julho de 1929. Filho de Domingos Pinto Cacais, pedreiro, e de Maria da Purificação Guerreiro, mulher do campo. Era o mais velho de quatro irmãos, três irmãos e uma irmã, e é o único que resta. Antes de entrar no seminário, foi ajudante de pedreiro, de pintor e de mineiro. Ingressou no Seminário Menor Redentorista em 1943. Fez a profissão religiosa na Espanha, em 1959, e lá continuou com os estudos de Filosofia e Teologia. Ordenou-se em 1956. Regressando nesse ano a Portugal, foi, primeiro, professor do Seminário Menor, depois Reitor e Diretor, mais tarde, em 1964, Diretor do Seminário Maior. Em 1963, estudou em Roma: Pedagogia, curso de um ano, no Pontificio Ateneo Salesiano, e Meios de Comunicação Social na Pro Deo, Università degli Studi Sociali. Em 1967, foi enviado como Vice-Provincial às missões redentoristas de Angola, onde trabalhou até 1974, ano em que deixou o sacerdócio, vindo para o Brasil, Brasília. Em Brasília, formou-se ainda em Administração, trabalhou sete anos numa empresa de construção, foi tradutor autônomo e se aposentou, por fim, como administrador financeiro do Goethe-Intitut de Brasília, após dez anos de serviços. Salatiel lhe dirigiu algumas perguntas que ele respondeu por e-mail.
No Rescaldo de uma Decisão Polêmica
Por Luís Guerreiro Quando, em janeiro de 2009, Bento XVI resolveu levantar a excomunhão que pesava, desde 1988, sobre os bispos tradicionalistas da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, a sua decisão foi recebida com espanto por muitos católicos. Tão incompreensível era que parte da imprensa, para salvar o Papa, atribuiu o escorregão à falta de uma assessoria atenta. Seria? Como é sabido, cinco dias depois, em 29 de janeiro, um grupo de teólogos, assinava uma Petição, a ser dirigida ao Papa, onde se reivindicava um “reconhecimento irrestrito das decisões do concílio Vaticano II”. Eles estavam conscientes de que, com decisões como essa, se tentava desconstruir as esperanças que o concílio suscitou. Depois a Petição correu mundo. Muitos a assinaram. Em 9 de abril, data final fixada para a recolha de assinaturas, elas somavam 54.104. Com esses resultados na mão, os autores da Petição, tentaram debalde apresentá-los pessoalmente em Roma à Congregação para a Doutrina da Fé. Em 28 de maio, a Congregação mandou dizer, por intermédio da Nunciatura Apostólica de Berlim, que “considerava desnecessário receber os autores da Petição, cujo conteúdo lhe era bem conhecido e seria por ela levado em conta no futuro”. Em 15 de junho, por inspiração do Núncio, voltaram a insistir, alegando que seria uma desconsideração com os assinantes não recebê-los para um diálogo. Não tendo resposta, em 20 de julho, instaram de novo. A resposta chegaria em 14 de agosto, mas mais uma vez por meio da Nunciatura de Berlim: “A Congregação para a Doutrina da Fé confirma o reccebimento das suas duas cartas mencionadas. O discurso do Santo Padre perante a Cúria Romana, por ocasião da apresentação da saudação de Natal (22 de dezembro de 2005), apresenta os princípios hermenêuticos para a interpretação correta dos documentos do Concílio Vaticano II”. Segundo os autores da Petição, esse discurso tratava de princípios bastante genéricos ou até mesmo de rejeição. Portanto, a resposta da Congregação para a Doutrina da Fé, não respondia aos objetivos da Petição.
A Igreja Católica necessita hoje de uma Reforma Protestante
Por Eduardo Hoornaert* A igreja católica hoje tem necessidade urgente de ‘protestantes’, ou seja, de pessoas que – na linha de personalidades dos séculos XV-XVI como Huss, Wycliff, Lutero, Zwingli, Calvino, Karlstadt, Münzer, Erasmo e Morus – protestam contra a condução da igreja católica pelos seus mais altos representantes em Roma.
Celibato: Graça vinda do alto ou imposição de um fardo?
Por José Lino e Beatriz Logo que tomamos conhecimento da fala do cantor Pe. Fábio de Mello sobre celibato e castidade, onde ele deixa transparecer que fica impaciente quando ouve as pessoas se perderem em argumentos rasos sobre se o padre pode ou não pode se casar, nós nos sentimos tentados a fazer, também, algumas considerações sobre o assunto, buscando, contudo, dar uma abrangência maior ao tema. Acreditamos que Pe. Fábio e outros, que escolheram “ficarem só”, possam, realmente, encontrar a verdadeira alegria, a verdadeira paz e verdadeira realização, afinal de contas, supõe-se que para se sentirem assim devem ter feito a escolha certa, com total liberdade e consciência do que estavam fazendo. Parabéns para ele e para todos. Nós, padres casados, que, também, um dia fizemos voto de castidade, e nos fizemos, momentaneamente, celibatários, sem ter a dimensão total de nossa escolha, por razões que não dependiam de nós, pensávamos que tínhamos a certeza de que estávamos de posse do céu, até que descobrimos que podíamos chegar lá por outros caminhos muito menos áridos, onde podíamos colher belas flores, sem nos machucar nos espinhos, construindo a nossa felicidade a dois e, sobretudo, que podíamos ser muito mais úteis ao “Povo de Deus” , sendo casados.