
Tarde de 28 de novembro, sábado. Leisa dirigiu-se à Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Taguatinga, DF, a fim de preparar, como responsável habitual, a liturgia da missa das 18:00 horas. O marido, Geraldo Lopes de Souza, ficaria mais um pouco a descansar e iria mais tarde para a igreja. Já perto da hora da missa, a faxineira, não notando qualquer movimento, chamou por ele. Não houve resposta. Telefonou imediatamente para o genro, Ricardo. Chegaram amigos, chamou-se o pronto-socorro móvel, SAMU, e alguém foi à igreja chamar urgentemente Leisa. Quando ela chegou a casa, Ricardo e o pessoal do SAMU tentavam reanimar Geraldo, mas em vão. Ele estava morto.
Geraldo tinha pressão baixa e, de alguns meses para cá, havia sofrido vários desmaios. Levava, no entanto, uma vida normal. Com 78 anos, ainda na véspera dera aulas na Faculdade aos alunos de Pedagogia, missão que cumpria há mais de trinta anos.
Geraldo Lopes de Souza nasceu em Porto Firme, Zona da Mata, MG, em 17 de novembro de 1931. Frequentou o Seminário da Arquidiocese de Mariana e foi ordenado sacerdote em 1958, exercendo o ministério até 1975. Durante estes anos, licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São João Del’Rei, e especializou-se em História Moderna e Contemporânea, Filosofia e História da Educação, pela Universidade Católica de Minas Gerais.
Contemporaneamente criou e dirigiu, por nove anos, em Tabuleiro, MG, o Ginásio Comercial João XXIII; lecionou no Colégio José Borges de Morais, em Rio Pomba, e, no Colégio Nossa Senhora de Fátima e Colégio Comercial, em Nova Era.
Em 1975 casou-se, civil e religiosamente, com Leisa Maria Motta Lopes, professora, e mudou-se para Brasília, onde nasceria, um ano depois, a filha, Geisa Lopes, hoje casada com Ricardo. Ambos lhe deram uma bela netinha, Sofia, de um ano, que era agora o tema constante da inspiração poética Geraldo.
Aposentado da Fundação Educacional do Distrito Federal, jamais deixou de lecionar várias disciplinas, principalmente Filosofia da Educação, na AEUDF, a primeira Faculdade Particular criada na Capital da República.
Deixou alguns trabalhos publicados que tinham como principal alvo os seus alunos da Faculdade. Vale mencionar: “Introdução Histórico-Crítica às Pedagogias Acríticas: Essencialismo e Existencialismo”; e “Dialética, a Terceira Via da Educação: de Heráclito a Paulo Freire”. Mas se há de referir também uma Monografia não publicada, mas apresentada como requisito parcial para a obtenção do título de especialista em Psicologia: “Dialética do Animus e da Anima, Condição para uma União Conjugal Harmoniosa”.
Geraldo foi Presidente da Associação Rumos, nos anos 1997/1998 e, em certo momento, também Editor do jornal Rumos. Mas, não só: quando de Encontros e do Congresso Internacional, foi, com sua esposa Leisa, um dos colaboradores mais responsáveis e eficientes.
Era um dos participantes assíduos das reuniões do grupo de Brasília. Raramente falava, mas a sua presença era sempre festejada. Ele respondia a essa estima com um sorriso que nos ficará na memória como uma característica inconfundível.
Geraldo agora partiu. Seu sacerdócio, em parte, seguiu rumos “não-canônicos”. Depois de o viver com dedicação, teve a morte que pediu a Deus: durante o sono, sem avisar. Era um homem culto e discreto, simples e bom. Que Deus, que é Pai, o tenha recebido em seus braços e lhe dê a paz! Nós, que tivemos a sorte de conviver com ele, guadaremos a sua memória e o seu exemplo.
Luís Guerreiro
Uma resposta
Mais um irmão que deu testemunho de fé e caridade, mas antes de retornar ao exerício da Ordem para a partilha litúrgica, foi repousar no Coração de Jesus, Caminbo, Verdade e Vida.
Sentimentos à Leisa, filha, genro e demais familiares e companheiros. José Vicente