Ata da Reunião das Esposas dos Padres Casados no Encontro de São Luís, MA, em 2002

Um grupo de mulheres participantes do XIV Encontro Nacional do Movimento dos Padres Casados, realizado em São Luís, Maranhão, no dia 13 de julho se reuniram e discutiram e fizeram as seguintes considerações sobre o encontro, quanto os itens que se segue: 1- Sentimentos e observações das “mulheres” dos padres em relação a este encontro. # Um grupo de mulheres se sente marginalizada nas discussões do encontro, apontando como razões: – Temáticas e a dinâmica do encontro não proporcionaram uma vinculação do assunto tratado com o cotidiano/ síntese/ necessidades da família: relacionamento humano, droga, educação dos filhos, etc – Vergonha/ timidez – Sentimento de desigualdade em relação aos maridos, em decorrência de sua educação e até de suas prepotências. # Um outro grupo de mulheres não se percebe excluído das discussões e afirmam que se não manifestam não o fazem porque não querem ou porque estão satisfeitas como a temática vem sendo trabalhado eu ainda por elas mesmas não criaram espaços para tal. Registram ainda que: * Percebem haver uma grande ansiedade na maioria dos padres, em relação à Igreja e ao exercício ministerial. Os homens demonstram ainda com muito conflito em relação à questão: divórcio com o Vaticano. * Confirmaram a consciência de que nós mulheres de padres casados, somos junto com nossos maridos profetas de uma nova Igreja. * Reconheceram a importância da mulher no MPC, nas diferentes formas de participação: * Incentivando, acompanhando e criando condições de participação “somos sustentáculos desta causa”. 2- O que sugerem: a) Em relação aos próximos encontros maior envolvimento das mulheres nos encontros: preparação prévia, estudo, sugestões de temas. Encontros cuja dinâmica propicie espaços para discussões/ trocas de experiências entre os casais, conforme interesse das famílias. Fortalecer o “fogo”’ dos grupos regionais. b) Em relação ao Jornal Rumos: Rumos continua sendo o órgão representativo da Associação, deve aperfeiçoar-se, trazendo temas sobre MPC e outros assuntos de interesses da atualidade: ética, saúde, educação, ecologia, etc. c) Em relação à Associação: Criar uma taxa para manutenção da entidade, mínimo de R$ 120,00, mas que poderão ser parceladas. Quem não puder pagar, pedirá à Diretoria isenção ou redução de taxa. O associado inscrito e quite tem direito ao Jornal Rumos. São Luís, 13 /07/2002.

Carta de São Luís

Reunidos em São Luís do Maranhão, no XIV Encontro Nacional do Movimento de Padres Casados, de 11 a 14 de julho de 2002, sob o tema “Espiritualidade e Globalização’’, queremos tornar públicas nossas considerações e conclusões. Acreditamos que a experiência da Espiritualidade é o grande antídoto para sanar a angústia, a impotência e até mesmo o desespero de milhões de nossos irmãos que anseiam por uma vida digna e significativa. Entendemos Espiritualidade como a vivência e realização da própria individualidade, através do contato, do amor a si mesmo, do respeito pelas próprias possibilidades, através da expansão da consciência de si mesmo, à procura do mais íntimo e global significado da pessoa humana. Temos consciência, entretanto, de que a Globalização é uma realidade sem retorno no mundo atual e, ao mesmo tempo, sentimos a necessidade de contrapor a ela um processo que permita ao indivíduo não perder a dignidade, vivendo sua cidadania, como condição essencial de sobrevivência. Somos o Povo de Deus em marcha, num mundo em permanentes e rápidas mudança. Como Padres Casados, sentimos o imperioso dever de apontar possíveis caminhos, dado que somos, no mundo e na Igreja, uma espécie de ponte por onde passam, de um lado, a desesperança de muitos de nossos irmãos e, de outro, os desejos de um mundo melhor, centrado no respeito pela pessoa humana, pela sua integridade física, mental e religiosa, pilares de uma nova visão de Espiritualidade. Diante disto, apresentamos algumas de nossa conclusões: 1- Reiteramos nosso compromisso na defesa dos direitos humanos, pela superação dos problemas sócio-econômicos, que afligem a maior parte da humanidade, provocados pelo modelo neo-liberal de uma globalização desumana. 2- Unimos nossos esforços a grupos religiosos, ONGS, a correntes que pleiteiam um gerenciamento mais humano das coisas dos Homens, sendo sinal de uma nova caminhada que se delineia, corajosa e decidida, neste início de milênio. 3- Defendemos uma Igreja, Povo de Deus, empenhada na transformação de estruturas arcaicas e legalistas, em um movimento respeitoso pelas opções religiosas que estão surgindo no mundo., 4- Defendemos a abolição do celibato obrigatório, para que possa surgir na Igreja um Ministério Sacerdotal, desvinculado de gênero ou estado civil e que seja sinal do amor de Cristo a todos os homens que desejam servi-lo na liberdade de Filhos de Deus. 5- Defendemos que cada cristão, em particular os Padres Casados, movidos pelo Espírito, sirvam o Povo de Deus, em íntima coerência com os dons que receberam do Pai, fiéis à sua consciência, dando visibilidade à Igreja, Povo de Deus, como nos primeiros tempos do Cristianismo. 6- Acreditamos que nossas vidas ganham sentido e se tornam visíveis quando, chamados pelo Espírito de Deus, respondemos, humilde e corajosamente, aos problemas do mundo, colocando todo nosso ser a serviço de nossos irmãos, na Fé, na Esperança e no Amor. São Luís do Maranhão, 14/07/2002

Relatório do IV Encontro Nacional, 1982

O Relatório do IV Encontro Nacional do MPC, acontecido em São Paulo, em 1982, faz parte do projeto de resgate da memória do movimento, e pode ser lido logo abaixo: Relatorio do IV Encontro Nacional – S. Paulo

Relatório do III Encontro Nacional do MPC, 1981

O Relatório do III Encontro Nacional do MPC, acontecido em São Paulo em 1981, integra o nosso projeto de resgate da memória do movimento e pode ser lido logo abaixo: Relatorio do III Encontro Nacional – S. Paulo