O Grito de Áureo

Por ocasião dos XVIII encontro dos padres casados em Ribeirão Preto, janeiro passado, Áureo Kaniski me presenteou três livros de sua autoria: ‘Obstinação eclesiástica e celibato sacerdotal’ (Ser, Brasília, 2002), ‘Novos tempos e anacronismo eclesial’ (Ser, Brasília, 2007) e ‘Identidade clerical: a constante vida de renúncia’ (Ser, Brasília, 2008). Não são livros acadêmicos, mas, ao mesmo tempo em que são teoricamente bem fundamentados, são fundamentalmente gritos contra uma situação que Áureo julga ser insuportável.

O SANTO CURA D´ARS, Cônego Francis Trochu, doutor em Letras

Obra premiada pela Academia Francesa Resenha para o Site da Associação Rumos, por Joarez Virgolino Aires Pela solenidade do Sagrado Coração de Jesus, 19 de junho do corrente ano, quando se celebrou também o 150º aniversário da morte do santo Cura de Ars, o Papa Bento XVI convocou um Ano Sacerdotal (19/06 de 2009 a 19/06/2010), proclamando São João Batista Maria Vianney como padroeiro de todos os sacerdotes do mundo. O Papa ressaltou que esta celebração deve incluir todos os presbíteros do mundo inteiro, inclusive os que deixaram o ministério para casar-se. Assim, neste espírito e neste contexto, entendo que vale a pena apresentar aos colegas da Associação Rumos, MFPC a excelente biografia, valiosa obra literária do Cônego Doutor Francis Trochu, premiada pela Academia Francesa.

Padre Cícero Romão Batista: um intelectual orgânico?

Por Joarez Virgolino Aires Em tese de doutorado, o Prof. Luitgade Olveira, em seu livro A Terra da Mãe de Deus, pela Editora Francisco Alves, identifica o movimento dos beatos e conselheiros do Brasil, a partir da matriz ideológica do padre Mestre Ibiapina. Aplicando a teoria de Antônio Gramsci, entende que estes líderes religiosos plasmaram e influenciaram um grupo social e, por isto, mesmo que analfabetos, entram na categoria de intelectuais orgânicos. Depois de São Francisco de Sales, Padre Mestre Ibiapina foi o grande modelo na vida do padre Cícero como de todos os conselheiros e beatos da época.

Diário de Fernando: Nos cárceres da ditadura militar brasileira

Por Eduardo Hoornaert Frei Fernando de Brito (ed. Frei Betto), Diário de Fernando, Nos cárceres da ditadura militar brasileira, Rocco, Rio de Janeiro, 2009. 287 pág. 21 e 14 cm. ISBN 978-85-325-2427-0. Trinta anos atrás, ao prefaciar o livro ‘Cartas da Prisão’ de Frei Betto (Civilização Brasileira, Rio, 1977), Alceu Amoroso Lima, ‘do fundo de seus 83 anos’, comparou os dominicanos presos nos cárceres do sistema militar aos hebreus na fornalha ardente que ‘cantavam no meio das chamas’, segundo o livro do profeta Daniel. Imagem forte que evocava o entusiasmo de Alceu por verificar que algo raro estava acontecendo com esses jovens de pouco mais de vinte anos de idade (Tito, Fernando, Ivo e Betto, e talvez outros cujos nomes não ficaram gravados na memória coletiva), um sonho que ele mesmo sempre procurou realizar em grupo sem consegui-lo: conjugar religião e compromisso social. ‘Coisa rara na história do catolicismo brasileiro’, escreveu Alceu, e ‘de importância capital para o futuro tanto de nossa igreja como da nossa civilização’ (p. 10). E, na pagina seguinte: ‘a passagem, por quatro anos, desse grupo por sucessivos cárceres, um dia será História em ponto grande’ (p. 11). Mas adiante ele retoma o mesmo pensamento, mas com um toque de descrença: ‘É possível que as lições dessa mina de sabedoria (a experiência do cárcere) sejam bem aproveitadas pelas novas gerações’ (p. 15), pois elas testemunham uma ‘vida totalmente vivida’. Mas o contrário também pode acontecer: a experiência pode cair no esquecimento, como acontece tantas vezes na história da humanidade.

Os segredos e o poder das novas seitas da Igreja Católica Romana

  Gordon Urquhart, A Armada do Papa Elaboração: Joarez Virgolino Aires Quem é Gordon Urquhart: Nascido em Manchester em 1949, estudou literatura na Universidade de Warwick. “A Armada do Papa”, de Gordon Urquhart , editado pela Record, edição de 2002, com tradução de Irineu Guimarães, no formato de brochura, o livro contem 530 páginas. O autor publicou também “The Vatican and Family Politics”. Ex-integrante do Focolare, liderou a seção jovem do movimento na Grã-Bretanha e editou publicações do grupo até romper com a organização, em 1976.