SOCIEDADE – XXVI Encontro Nacional dos Padres Casados do Brasil

Um tempo da graça de Deus pelo caminho percorrido, pelo que já foi alcançado e de busca de novos rumos para o movimento. Hoje (26/01) terminou o Encontro Nacional dos Padres Casados do Brasil, acontecido em Belo Horizonte. Foram quatro dias maravilhosos de rezas, de novas amizades, de comida mineira, de inquietações e reflexões sobre os caminhos de vida dos sacerdotes que se casam. O XXIV Encontro foi marcado pelos 50 anos do Movimento dos Padres Casados do Brasil. Um tempo da graça de Deus pelo caminho percorrido, pelo que já foi alcançado e de busca de novos rumos para o movimento. Nesses dias rezamos pelos quase 8 mil Padres Casados do Brasil e de seus familiares. Na sensibilidade por cada um deles com seus objetivos, seus sonhos, seus desafios e esperança. A alegria do encontro tomou conta dos participantes que aos poucos foram se sentindo uma família que se reúne ao redor da mesa e da amizade que é construída entre os membros do movimento. Terminado o Encontro, cada um volta pro seu mundo, levando na bagagem saudades e a vontade de participar do próximo que virá. Acesse Galeria de Fotos Tudo para a Graça e o Louvor do Senhor! Padre Casado Francisco José Lima da Silva (Zezinho) Coari/Amazonas
SOCIEDADE – Os templos não são mais lugares sagrados: Trump autoriza ataques de migrantes em igrejas, escolas e hospitais

O Governo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cedeu esta terça-feira a operações de imigração em locais antes considerados “protegidos” como escolas, igrejas e hospitais. O Departamento de Segurança Interna (DHS) revogou uma diretriz da administração Joe Biden que instruía as autoridades de imigração a evitar ataques nesses locais ou perto deles. O Governo alega que a decisão desta terça-feira “capacita” os agentes de imigração a “seguirem as leis” e capturarem o que chamam de “criminosos estrangeiros”, segundo um porta-voz do DHS em comunicado. Além disso, o texto afirma, sem citar provas ou exemplos, que existem “criminosos” que “se escondem em escolas e igrejas” nos Estados Unidos para escapar à prisão. As batidas, fundamentais para as promessas de imigração de Trump A decisão surge um dia depois de Trump ter tomado posse e sublinhado que cumprirá a sua promessa de campanha de realizar a maior campanha de deportações de migrantes da história dos EUA. A diretriz revogada foi emitida pelo governo Biden em 2021 e proibia os agentes de imigração de realizar prisões ou batidas em alguns locais sem a aprovação de um superior. Os “locais protegidos” incluíam centros educativos, centros de saúde, locais de culto, abrigos para vítimas de violência doméstica, funerais, manifestações ou centros de ajuda após uma catástrofe natural. A ideia da medida, segundo o memorando de 2021, era evitar que estrangeiros relutassem em frequentar locais onde são oferecidos serviços essenciais.“Podemos cumprir a nossa missão sem negar ou limitar o acesso dos indivíduos à alimentação, ao abrigo ou à fé ”, afirma o documento. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Fórum Social Mundial da Pessoa Idosa: As diferenças regionais no envelhecimento

Com o tema “Envelhecimento nos Territórios”, o debate contou ainda com os membros do Sindnapi Diogenes Sandim e João Pedro Na abertura do segundo dia do Fórum Social Mundial da Pessoa Idosa, que acontece até sexta-feira (24) em Porto Alegre, o debate focou as diferenças que ocorrem nos diversos territórios. “Seja no campo ou na cidade, nos bairros centrais ou na periferia, o envelhecimento não ocorre de forma igual e vários fatores causam essa desigualdade”, destacou a diretora de Assuntos Internacionais do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos – Sindnapi, Andrea Gatto, que coordenou a mesa de debates. Com o tema “Envelhecimento nos Territórios” o debate contou ainda com os membros do Sindnapi Diogenes Sandim e João Pedro, além do economista Airton dos Santos, responsável pela subseção do Dieese no sindicato. Para Andrea é preciso considerar as diferentes realidades na hora da elaborarão de políticas públicas. “Os territórios fornecem um poderoso mapa sob a realidade na ponta e sobre as necessidades urgentes. Em cada contexto é preciso ter uma atuação específica, com políticas públicas que atendam as necessidades daquela população”. João Pedro lembrou a importância do FSM em apresentar propostas para a proteção so idoso, para a criação de políticas públicas que sejam capazes de melhorar a qualidade de vida, um assunto tão importante que é construir a humanidade para o idoso e que muitas vezes não recebe o que lhe é de direito. Durante sua apresentação, João Pedro também falou sobre o trabalho do Sindnapi de lutar pelos diretos dos aposentados, pensionistas e idosos. Já Diogenes reforçou a necessidade da elaboração de políticas públicas específicas para a realidade de cada região. “E cabe também a nos, e não simplesmente aos poderes públicos, propor essas políticas de forma permanente e que surjam através do diálogo, do uso das experiências para que reflitam as reais necessidades dos idosos.” Já Airton destacou a importância da defesa da Previdência Social como forma de garantir que a pessoa, ao envelhecer, tenha uma forma de manter uma vida digna. “As desigualdades surgem já nas oportunidades de formação dos diversos segmentos da população e que refletirá no acesso às profissões que oferecem remuneração mais digna. Isso irá, lá na frente, afetar a aposentadoria.” Fonte: Site REVISTA FÓRUM Matéria Completa: Acesse Aqui
INTERAÇÕES HUMANAS – Quem são os responsáveis por projeto que oferece dinheiro para escanear as íris das pessoas

A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados), vinculada ao Ministério da Justiça, afirmou que instaurou um processo para investigar a iniciativa. Empresas têm promovido o escaneamento de íris em troca de dinheiro em São Paulo. O objetivo, segundo os responsáveis pela iniciativa, é oferecer às pessoas uma forma de “diferenciar interações humanas reais daquelas impulsionadas por inteligência artificial”. A íris é única e a detecção tem sido feita pelo projeto World, comandado pela Fundação World, uma organização sem fins lucrativos com sede nas Ilhas Cayman, e pela Tools For Humanity (TFH), empresa de tecnologia global com sede em São Francisco, nos Estados Unidos. As instituições são comandadas por Alex Blania e Sam Altman, que também é CEO da OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, chatbot de inteligência artificial lançado em 2022. Ele é apoiador do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e doou US$ 1 milhão para sua campanha. Altman chegou a ser demitido do conselho diretivo da OpenAI em novembro de 2023, mas voltou ao posto no mesmo mês. Blania, CEO da TFH, é formado em física e engenharia industrial pela Universidade de Erlangen-Nuremberg, na Alemanha. Ele estuou inteligência artificial durante seu mestrado Instituto Max Planck e como pesquisador no Instituto de Informação e Matéria Quântica da Cal Tech. Além do projeto para escaneamento de íris, Blania também está por trás do criptoativo worldcoin, um dos segmentos do projeto World. Sam Altman, CEO da OpenAI. Foto: Jason Redmond/AFP A ANPD (Autoridade Nacional de Proteção de Dados), vinculada ao Ministério da Justiça, afirmou que instaurou um processo para investigar a iniciativa. A autarquia afirma que dados biométricos, como a íris, são informações sensíveis e pediu explicações à Fundação World e à TFH. A iniciativa tem oferecido uma média de 48 worldcoin, uma criptomoeda que pode ser convertida em reais, para quem permitir o escaneamento da íris. Algumas pessoas relatam que já sacaram até R$ 700 após liberarem os dados biométricos. Fonte: Site Diário do Centro Mundo Matéria Completa: Acesse Aqui
SOCIEDADE – Capitalismo: quem são os novos titãs

No dia da posse de Trump, vale examinar os megafundos que agora controlam a riqueza do Ocidente. Quem são. Como manejam o equivalente a 8,5 vezes o PIB dos EUA. Peter Phillips escreveu um livro que mais parece um relatório de pesquisa, e que é de uma prodigiosa utilidade: em vez de ilustrar as suas opiniões, ele nos dá ferramentas para entender como todo o processo de acumulação do capital se deformou, gerando a convergência das catástrofes da desigualdade e da destruição ambiental. Ao detalhar como as coisas efetivamente funcionam no topo da pirâmide do poder econômico – e, portanto, do poder político, Phillips põe em nossas mãos uma excepcional ferramenta de trabalho. Quem lê os meus trabalhos sabe que eu não sou muito pródigo em flores, mas neste caso, os dois dias que gastei em ler este pequeno livro me deixaram entusiasmado. E como as traduções demoram a aparecer, recomendo a todo o nosso pequeno mundo que se interessa por entender a zona econômica que vivemos, que comprem o livro em inglês mesmo. Nada de complexo nesta escrita. Para já, pensando nas pessoas que têm dúvidas sobre a nossa dependência do poder econômico global, tema central deste livro, vou só apresentar este gráfico, que não está no livro, mas que ilustra este tema no Brasil. O nome BlackRock é pouco familiar para as pessoas no Brasil. Lembremos que em 2024 essa empresa gestora de ativos (fortunas) administra um pouco mais de 10 trilhões de dólares. O presidente americano Joe Biden administras 6 trilhões, orçamento federal dos Estados Unidos. Vejam no gráfico acima para onde essa corporação estende os seus drenos no Brasil, isso que ela se encontra em inúmeros países. Empresas chave da economia brasileira têm os seus interesses ligados à BlackRock, cujo objetivo não é produzir nada, é apenas drenar dividendos, e o máximo possível, como vimos no caso da Petrobrás, elevando os preços para aumentar os dividendos, um dreno amplo sobre toda a população, a chamada profit inflation, inflação gerada por elevação de lucros. O preço que você pagou a mais no botijão de gás ou no posto de gasolina foi para pagar dividendos. Bastam participações acionárias limitadas para colocar as empresas ao seu serviço, ou seja, maximizar dividendos para acionistas, os que hoje chamamos de “proprietários ausentes”, absentee owners. Isso é a realidade da indústria dita nacional. Não tenham dúvida de que quando os diretores da Samarco ou da Vale tiveram de optar entre consertar as barragens ou aumentar os dividendos, optaram pelos dividendos, e os bônus correspondentes para eles mesmos. Privatizar, ou seja, abrir as portas para acionistas internacionais, é também desnacionalizar. Isso para situar o mecanismo que permite aos gigantes financeiro no topo drenar recursos da base da sociedade em escala mundial. Fonte: Site Outras Palavras Matéria Completa: Acesse Aqui
SOCIEDADE – A hipocrisia do grande irmão democrata do Norte. Artigo de Edelberto Behs

“Não importa o partido que esteja no governo dos EUA, se democrata ou republicano. O taxímetro da indústria bélica funciona em ambos os casos, cobrando seus dividendos da corrida militar”, escreve Edelberto Behs, jornalista. Eis o artigo. Às vésperas do Dia D, 6 de junho de 1944, quando tropas aliadas se preparavam para invadir a Normandia, na costa francesa, e quebrar a resistência nazista na área, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, falou à nação encorajando soldados para esse duro embate. Ele comentou, então, que esperava que a Alemanha não se lançasse de novo, numa única geração, à conquista do mundo, o que seria difícil e dispendioso. Declarou, a seguir: “As Nações Unidas estão determinadas a não permitir que, no futuro, raça alguma seja capaz de controlar o mundo inteiro”. Ironia das tantas que ocorrem na história, são os Estados Unidos, hoje, que bancam o xerife do mundo. Recorrendo à Wikipedia, veremos que o “pais que mais se empenha pela democracia no mundo” envolveu-se, desde 1950, em cinco guerras – Guerra da Coreia, do Vietnã, do Golfo Pérsico, do Afeganistão e do Iraque. Mas foi muito maior o envolvimento, sub-reptício, como verificado no golpe cívico-militar no Brasil, em 1964, do “irmão do Norte” em quebras institucionais e derrubadas de governos. De 1952 no Egito e 1953 no Irã, até o apoio a grupos de oposição na Iugoslávia em 2000, passando pela frustrada invasão de Cuba, em 1961, e a queda de Allende, no Chile, em 1973, os Estados Unidos da América se envolveram em 30 “salvamentos da democracia” em diferentes partes do mundo, da América à África e Ásia, e mais recentemente em Gaza. Não importa o partido que esteja no governo dos EUA, se democrata ou republicano. O taxímetro da indústria bélica funciona em ambos os casos, cobrando seus dividendos da corrida militar. Já se referia o historiador romano Tito Lívio: “A guerra alimenta a si mesma”. Relatório da Global Alliance for Banking on Values apontou novos recordes no financiamento de gastos militares em 2023, atingindo um pouco menos de um trilhão de dólares, apoiado por instituições financeiras globais à produção e o comércio de armas. Mais de 500 bilhões de dólares vieram de instituições financeiras dos Estados Unidos. Aquele dado certamente será maior em 2024 devido o conflito em Gaza. Com a guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, o valor das ações das empresas de armamentos disparou. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
SOCIEDADE – Plano de deportação em massa de Trump é viável?

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, cercou-se de um grupo de “falcões” para expulsar migrantes ilegais do país. Mas não se trata de um projeto fácil de executar e pode ter impacto na economia. A dura mensagem anti-imigração de Trump durante sua campanha eleitoral está tomando forma antes de sua posse. O presidente republicano eleito se cercou de uma equipe dura de “falcões” para lidar tanto com aqueles que querem entrar no país quanto com os milhões de imigrantes sem documentos que já residem nele, sobre os quais paira a ameaça de deportações em massa. A primeira nomeação foi a de Tom Homan, o “czar da fronteira”, conhecido e criticado pela política que levou à separação de famílias que buscavam asilo na fronteira durante o primeiro mandato de Trump, quando imagens de crianças em gaiolas chocaram o mundo. A preocupação está se espalhando entre os 11 milhões de migrantes sem documentos que residem no país. “A abordagem é causar medo nas comunidades para que, direta ou indiretamente, elas comecem a duvidar se podem continuar nos Estados Unidos”, disse Ariel Ruiz Soto, analista sênior do Instituto de Política de Migração, com sede em Washington. Muitos deles já estão se organizando para possíveis ações de deportação em massa. “Houve uma grande preparação para tentar lidar com essas políticas. Há grupos de advogados que tentarão intervir para impedi-las, há até mesmo grupos cívicos em diferentes bairros aqui em Chicago que já estão se preparando, por exemplo, se houver uma batida, para espalhar a notícia entre os vizinhos e alertar os advogados para que eles possam intervir”, conta René D. Flores, professor de sociologia da Universidade de Chicago e especialista em migração. Tarefa complexa e cara Os 11 milhões de imigrantes sem documentos são um grupo heterogêneo: alguns estão ilegais há anos, enquanto outros chegaram recentemente. Muitos vivem em famílias com status imigratório misto, onde o pai está sem documentos, a mãe tem residência permanente e os filhos nascidos nos EUA já são cidadãos. Um relatório recente do Conselho Americano de Imigração estimou o custo da deportação de todos os indocumentados em 88 bilhões de dólares por ano. O mesmo estudo lembra que, na história recente da imigração nos EUA, não houve um ano em que mais de meio milhão de imigrantes foram deportados. É realmente possível deportar milhões de pessoas na próxima legislatura? A infraestrutura atual não é propícia para tais planos. “Durante o mandato de Obama e durante o mandato anterior de Trump, o número de centros de detenção nos EUA não cresceu, os leitos de detenção não passam de 50 mil em todo o país. É preciso imaginar o tipo de logística necessária para deter as pessoas e cuidar da papelada que precisa ser feita para poder deportá-las. Não existe infraestrutura para chegar à escala de deportar milhões de pessoas em um ano”, explica Ruiz Soto. Além disso, há migrantes que vêm de países que não têm acordos de deportação com os Estados Unidos, como Cuba, Venezuela ou Nicarágua, o que complica ainda mais a situação. Fonte: Site DW Matéria Completa: Acesse Aqui
SOCIEDADE – Cinema: Religião e política em meio à ditadura

O Pastor e o Guerrilheiro aborda o elo perdido entre comunidades pobres e evangélicas e os militantes de classe média. No filme, uma estudante lê o livro de um combatente do Araguaia — que, no passado, filosofa com um “crente” sobre um Jesus revolucionário Em seu filme O Pastor e o Guerrilheiro (2023), José Eduardo Belmonte procura mostrar como os dejetos emocionais da ditadura atravessam as décadas e permeiam o cotidiano, sem a permissão daqueles que tentam viver o presente. As marcas da violência parecem uma película fina que cobre tudo ao redor, mas que só é realmente perceptível a quem se dispuser a olhá-la com atenção. O fio condutor do filme é Juliana (Julia Dalavia), uma estudante universitária que se engaja nas lutas dos movimentos estudantis de esquerda e, ao se interessar pelo livro perdido de um antigo guerrilheiro do Araguaia, abre um portal para os tempos da ditadura. Ao ler a obra Juliana faz dois tempos históricos — o dela e o do livro — se entrelacem, mostrando a duração das consequências que um período político violento pode ter na vida de todos. Zaqueu (César Mello), por exemplo, era apenas o pastor de uma comunidade simples que foi confundido com um militante e por isso foi parar na cadeia dirigida pelos militares. Ele não tinha qualquer vontade de se associar com os comunistas ou com os militares, mas a neurose do regime em vigor logo o identificou como suspeito. Assim, mesmo sem querer envolvimento direto com o Estado ou com a resistência, Zaqueu é obrigado a conviver com os dois, e de certa forma, escolher um lado. Já Miguel é companheiro de cela do pastor, além de ser guerrilheiro e autor do livro que acompanha Juliana. Ele e Zaqueu entram então em uma convivência forçada em uma das celas imundas do centro de tortura militar. E a partir de então começam a ter discussões filosóficas sobre qual seria a real diferença entre um crente e um guerrilheiro e quais seriam as vontades de um revolucionário como Jesus em um regime de exceção como a ditadura. O filme é um produto perfeito de seu próprio tempo histórico, muito mais do que dos que pretende representar. Ele procura uma espécie de elo perdido entre as comunidades pobres e evangélicas e os revolucionários universitários de classe média, sem deixar escapar a óbvia separação racial que também perpassa essa divisão. As polarizações políticas de hoje aparecem em suas formas embrionárias no passado recente de nossa formação democrática. Fonte: Site Outras Palavras Matéria Completa: Acesse Aqui
SOCIEDADE – Tu vens, tu vens: breve reflexão para cristãos ou não

Aos militantes da teimosa esperança adventícia, cabe mais acender velas que amaldiçoar a escuridão Chegamos ao primeiro domingo do Advento. Esse tempo é mais que “litúrgico”(para quem tem alguma religiosidade): é uma exortação ao renascimento, para todas as pessoas de boa vontade. O evangelho de Lucas (21, 25-28, 34-36) pede ânimo: “levantem-se e ergam a cabeça, porque a Libertação está próxima!” (v. 28). Não se trata de uma fé cega, ingênua, alheia às realidades do mundo. Tanto que o chamado à renovação pessoal e social está emoldurado pela crise, pelas “nações caindo em desespero” (v. 25) e “os homens desmaiando de medo e ansiedade” (v. 26). Foi naquele tempo; é hoje: bombardeios matando população civil (notadamente na terra de Jesus!), planeta doente, exaurido pela ganância, xenofobia expulsando emigrantes, deserdados, exploração do trabalho, racismo, misoginia, homofobia. Entre nós, também a trama golpista contra a frágil democracia, terrorismo do “sr. Mercado Faria Lima” especulando com o dólar, poderosos reagindo à taxação de super-ricos, chantageando para manter a injustiça tributária e aprofundar desigualdades. Enquanto o individualismo cresce no país das apostas, das bets, da “prosperidade” por golpe de sorte, a solidariedade, a luta por direitos, a batalha pelo bem comum parece derrotada. “Tomem cuidado para que os seus corações não fiquem insensíveis, por causa da gula, da embriaguez, das preocupações da vida” (v. 34). O “espírito de Natal”, que o comércio propaga, é, para muitos, o do “compro, logo existo”, do curtir o imediato e dane-se o resto… Mas não! Advento é aposta profética, é acreditar, mais uma vez, no Natal da Eterna Criança, no renascimento, na superação dos males, no sentido redentor do inevitável sofrimento. É desapegar-se de tudo que é efêmero e, atento e forte, elevar-se, em prece e atitude. Nascemos para renascer! “Quanto mais escura a noite, mais carrega em si a madrugada”, profetizou D. Helder Câmara (1909-1999). Aos militantes da teimosa esperança adventícia, cabe mais acender velas que amaldiçoar a escuridão. Para melhor enxergar as possibilidades da História e acreditar que o obscurantismo não prevalecerá! Fonte: Site ICL Notícias Matéria Completa: Acesse Aqui
SOCIEDADE – “A alegada universalidade e neutralidade do canônico é um ponto de vista masculino”. Entrevista com Adriana Cavarero

A filósofa e feminista italiana Adriana Cavarero (Bra, 1947) comete um roubo de enredo: sequestra certas figuras femininas que aparecem nos textos de Platão (pelas quais o autor não sente uma simpatia especial), e as ressignifica, dando-lhes uma visão, um significado diferente, tornando-as soberanas de si mesmas, com profundidade (e altura) singulares. O resultado, A pesar de Platón (Galaxia Gutenberg). Eis o Artigo Quando é apropriado contrariar o mandamento divino e roubar, saquear, saquear, roubar, descontextualizar? É conveniente quando se deseja reinterpretar o texto filosófico a partir de uma perspectiva inesperada, como a do sujeito feminino que a tradição do texto patriarcal expulsou, confinando as mulheres à esfera doméstica e retirando-lhes a voz. Aristóteles diz, por exemplo, que as mulheres falam, mas as suas palavras não têm autoridade. Basicamente, elas conversam. Mais do que com Platão, não deveríamos confrontar todos aqueles que continuam a manter a desigualdade que encontramos desde o início na maioria dos textos filosóficos? Claro, Platão é apenas o pai da filosofia e todos os seus filhos, ao longo dos séculos, coletando seu legado, aderem à abordagem misógina de filosofar. Nos meus livros roubo todos os seus textos, é um prazer. O que acontece com todas aquelas mulheres que se identificam com Platão, na perspectiva que você combate, com Circe, com Penélope, vista do ponto de vista canônico? É natural que muitas mulheres eruditas continuem a seguir a tradição em que foram educadas. Nas últimas décadas, porém, os Estudos sobre a Mulher e os Estudos de Gênero desenvolveram-se numa grande parte do mundo acadêmico, o que torna mais fácil estar atento à alegada universalidade e neutralidade do ponto de vista canônico, que é na verdade um ponto de vista masculino. O lugar da mulher a que o homem relegou foi o oikos, a casa e os seus habitantes, o mundo da escuta, dos afetos. Será mais a impossibilidade de abandoná-la do que o próprio lugar atribuído que pesou na desigualdade? É difícil escapar a todos os papéis estereotipados que a tradição atribuiu às mulheres e que continuam a pesar na sua vida real. Porém, desde Mary Wollstonecraft e toda a história do feminismo até hoje, a crítica à desigualdade e a consciência da liberdade feminina deram passos gigantescos. Pelo menos no mundo ocidental, há uma grande diferença entre a prisão doméstica em que a minha avó viveu e o mundo das mulheres livres e emancipadas em que as mulheres vivem hoje. O feminismo em que me reconheço tem o objetivo preciso de ajudar as mulheres a pensarem-se fora dos papéis tradicionais, mesmo fora de um modelo de igualdade que corre o risco de assimilá-las aos homens e aos valores masculinos, em suma, ajudá-las a pensar livre na sua diferença. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui