MUNDO – Uma COP que caiu no poço (por José Sarney)

Os países ricos pensam que irão salvar-se, com esses 300 bilhões de dólares Uma longa e prolongada salva de palmas explodiu quando o Presidente da COP29 anunciou que tinham chegado a um acordo: 300 bilhões de dólares dos países ricos para financiar medidas destinadas a combater e limitar o aumento do clima no mundo. Mas logo em seguida levantou-se um dos delegados — eram três horas da manhã — e disse: “Estes aplausos não são para este vergonhoso acordo, mas sim porque o Sr. Presidente anunciou que está encerrada esta fracassada Conferência.” Nesse momento repetiram-se os aplausos. Os delegados, exaustos, dormiam por todos os lados, uns em sofás amassados, outros no chão em grossos tapetes. Uma coisa muito difícil é o êxito dessas conferências. Esta, a COP29, dias antes do fracasso, transferiu a solução dos financiamentos dos países em desenvolvimento para a próxima Conferência, já convocada para Belém, que tem a sedução chamativa de ser localizada na cidade que fica na foz do Rio Amazonas, com toda a sua grandeza, suas lendas e seus mistérios. A primeira reunião promovida pelas Nações Unidas em busca de um pacto global para enfrentar o problema do Meio Ambiente e o despertar do mundo para a destruição da natureza e a liberação de gases tóxicos ocorreu em Estocolmo, em 1972, quando pela primeira vez se discutiu um novo modelo de desenvolvimento. Eu era Senador nesse tempo e fiz o primeiro discurso no Congresso Nacional sobre Meio Ambiente, analisando o que fora discutido em Estocolmo. Já em 1989 eu era Presidente do Brasil e apresentamos o Brasil para sediar a Segunda Conferência do Meio Ambiente, fizemos um acordo para que se realizasse no Rio de Janeiro, o que foi aprovado: em 1992, quando eu já tinha deixado o Governo, ocorreu a Rio-92, também conhecida como Eco-92. A Conferência foi um sucesso, com grande repercussão social, e despertou o mundo. Mas o problema do clima ainda não era a bola da vez. Assim, estamos agora, com evidência científica, sabendo que, se não enfrentarmos seriamente o aquecimento global até o fim do século, os oceanos crescerão, as cidades das orlas estão ameaçadas de inundação, as chuvas aumentarão, assim como o número de tsunami, de secas e desastres climáticos, e assim começará a destruição da Terra. Fonte: Site Metrópoles Matéria Completa: Acesse Aqui

ECONOMIA – Os super-ricos pagam uma taxa média de imposto entre zero e 0,5%”. Entrevista com Jayati Ghosh

Nesta entrevista, realizada no mês passado em Washington, a economista Jayati Ghosh, uma das promotoras da ideia do imposto para os super-ricos, explica porque é necessário e como seria concebido. A cúpula do G20, que se realiza nos dias 18 e 19 de novembro sob a presidência brasileira no Rio de Janeiro, está prestes a chegar a um consenso sobre uma proposta ousada de aplicação de um imposto sobre a riqueza ou o rendimento dos chamados “super ricos” do planeta, uma das prioridades do Governo Lula. Se isto acontecer, os Estados poderão ter entre 200.000 e 250.000 milhões de dólares em rendimentos adicionais em todo o mundo. Neste momento, como destacou Lulano seu discurso no início da cúpula, 3.000 pessoas têm uma riqueza superior a 13 biliões de dólares – mais do que o PIB agregado da América e da América Latina – enquanto 733 milhões de pessoas passam fome. Apenas um dos 19 países reunidos esta semana se opõe à proposta: a Argentina, cujo presidente, Javier Milei, chegou ao Rio após participar do banquete oferecido porDonald Trump em sua residência em Mar-a-Lago, em Palm Beach, para comemorar sua vitória e em que foi fotografado com o apresentador e com o homem mais rico do mundo, Elon Musk. Nesta entrevista, realizada no mês passado em Washington, a economista Jayati Ghosh, uma das promotoras da ideia do imposto para os super-ricos, explica porque é necessário e como seria concebido. Nascida na Índia em 1955, Ghosh é uma especialista em desenvolvimento da escola heterodoxa, que após 35 anos na Universidade Jawaharlal Nehru, em Deli, ingressou no departamento iconoclasta de Ciências Econômicas da Universidade de Amherst, em Massachusetts, juntamente com Bob Pollin e Isabella Weber. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

ECONOMIA – Por que o Brasil continua dando o capim dos pobres para o bode gordo do empresariado

A conta chegou rápido. Encurralado pela necessidade de manter programas sociais e despesas obrigatórias, o governo passou a sofrer pressão do mercado financeiro para cortar gastos e zerar o déficit fiscal em 2025. No segundo semestre do ano passado, o governo federal enfrentou — e perdeu — uma dura batalha no Congresso Nacional. Na pauta, os incentivos fiscais concedidos a título de desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia. A desoneração permite que empresas desses setores substituam a contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha de salários por alíquotas que variam de 1% a 4,5% sobre a receita bruta, com o objetivo de reduzir encargos trabalhistas e estimular a contratação de mão de obra. Aprovado na Câmara por 430 votos contra apenas 17, o projeto foi integralmente vetado pelo governo. Porém, no fim do ano, o Congresso derrubou o veto e manteve o privilégio. Foi uma das maiores derrotas impostas ao ministro Fernando Haddad e ao governo Lula desde a posse, em 2022. A conta chegou rápido. Encurralado pela necessidade de manter programas sociais e despesas obrigatórias, o governo passou a sofrer pressão do mercado financeiro para cortar gastos e zerar o déficit fiscal em 2025. Em uma tradução livre, o que os especuladores e banqueiros passaram a exigir do governo foi um enxugamento drástico dos investimentos nas áreas mais sensíveis do país — o dinheiro destinado às subvenções sociais para matar a fome dos miseráveis. Haddad reagiu divulgando a lista das empresas que recebem incentivos fiscais e podem se dar ao luxo de pagar menos impostos e contribuições do que os demais brasileiros. A lista divulgada expõe uma relação acintosa e perniciosa de mega conglomerados que se valem da concessão de renúncias fiscais bilionárias para auferir lucros pornográficos. Basta uma análise rápida dessa lista e uma comparação com os dados dos balanços dessas empresas para entender que o governo engorda o gado dos mais ricos e privilegiados, enquanto estes o pressionam para tirar ainda mais dos pobres e remediados. Os números dos privilégios concedidos já falam por si. Mas quando se comparam os benefícios concedidos e o lucro auferido, é possível enxergar o tamanho da distorção. A empresa que mais se beneficiou de incentivos fiscais no ano passado foi a BRF S.A., fruto da fusão da Sadia com a Perdigão. A companhia deixou de recolher R$ 488 milhões em 2023. A empresa vinha acumulando prejuízos há mais de dois anos. No terceiro trimestre de 2024, no entanto, o mercado celebrou a divulgação do balanço parcial, com um lucro apontado de R$ 1,1 bilhão. Como a empresa já havia feito uso de meio bilhão de reais em renúncias fiscais, é lícito supor que o contribuinte brasileiro pagou o caviar da festa dos acionistas da companhia. Todas as demais empresas que compõem o ranking das que mais receberam subsídios do governo federal tiveram lucros. A somatória dos resultados dessas companhias aponta um lucro líquido de R$ 11,65 bilhões em 2023. Fonte: Site ICL Notícias Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – Papa Francisco sugere estudo internacional sobre possível genocídio em Gaza

O pontífice afirmou que alguns especialistas internacionais dizem que “o que está acontecendo em Gaza tem as características de um genocídio ROMA (Reuters) – O papa Francisco sugeriu que a comunidade global deveria estudar se a investida militar de Israel em Gaza constitui um genocídio do povo palestino, em algumas de suas críticas mais explícitas até agora à conduta de Israel em sua guerra que já dura um ano. Em trechos publicados neste domingo de um novo livro a ser lançado, o pontífice afirmou que alguns especialistas internacionais dizem que “o que está acontecendo em Gaza tem as características de um genocídio”. “Devemos investigar cuidadosamente para avaliar se isso se encaixa na definição técnica (de genocídio) formulada por juristas e organizações internacionais”, disse o papa nos trechos, publicados pelo jornal italiano La Stampa. Israel tem negado todas as acusações de genocídio. O Ministério das Relações Exteriores de Israel não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as falas do papa. Em dezembro do ano passado, a África do Sul entrou com um processo contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça por suposta violação da Convenção sobre o Genocídio. Em janeiro, os juízes do tribunal determinaram que Israel garantisse que suas tropas não cometessem atos genocidas. O tribunal ainda não decidiu sobre o cerne do caso — se houve genocídio em Gaza. Francisco, líder da Igreja Católica com 1,4 bilhão de membros, costuma ser cauteloso ao não tomar partido em conflitos internacionais e enfatizar a desescalada. Mas, recentemente, ele tem intensificado suas críticas à conduta de Israel em sua guerra contra o Hamas. O Vaticano não fez comentários sobre as declarações mais recentes de Francisco, mas seu site noticiou neste domingo trechos do livro, incluindo o comentário sobre genocídio. Fonte: Site Brasil 247 Matéria Completa: Acesse Aqui  

MUNDO – Papa Francisco pede investigação para determinar se ações de Israel em Gaza configuram ‘genocídio’

Esta é a primeira vez que o pontífice pede abertamente uma investigação sobre o tema. Israel diz que suas ações em Gaza visam membros do grupo terrorista Hamas, com o qual seu exército trava guerra desde outubro de 2023. O Papa Francisco pediu uma investigação para determinar se os ataques de Israel na Faixa de Gaza constituem genocídio, de acordo com trechos divulgados neste domingo (17) de um novo livro com entrevistas do pontífice. O livro, escrito por Hernán Reyes Alcaide e baseado em entrevistas com o Papa, é intitulado “A esperança nunca decepciona. Peregrinos rumo a um mundo melhor”. Ele será lançado na terça-feira, antes do jubileu de 2025 do papa. O ano jubilar de Francisco deve atrair mais de 30 milhões de peregrinos a Roma para celebrar o Ano Santo. Esta é a primeira vez que Francisco pede abertamente uma investigação sobre alegações de genocídio em relação às ações de Israel na Faixa de Gaza. Em setembro, ele havia dito que os ataques de Israel em Gaza e no Líbano foram “imorais” e desproporcionais, e que seu exército israelense ultrapassou as regras da guerra. Israel trava uma guerra contra o grupo terrorista palestino Hamas, que começou com o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023 no sul do território israelense, que matou cerca de 1.200 pessoas e 250 foram levadas para Gaza como reféns –dezenas ainda permanecem lá até hoje. A operação militar israelense no território matou mais de 43 mil pessoas, sendo mais da metade mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas. Israel nega acusações de genocídio e diz que suas ações militares em Gaza visam apenas membros do Hamas. No entanto, o conflito gerou acusações nesse sentido em tribunais internacionais: Israel é alvo de uma investigação da Corte Internacional de Justiça, em Haia, que apura se o exército do país “submeteu os palestinos a atos genocidas”. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, junto com outras autoridades de Israel e do Hamas, teve um mandado de prisão expedido contra ele pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). A decisão, divulgada em maio, citava uma “responsabilidade criminal” sobre crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Fonte: Site G1 Matéria Completa: Acesse Aqui

SAÚDE – As mudanças a que o Novembro Negro convida

Na Saúde, como em toda a cena brasileira, é preciso mais e melhores políticas afirmativas. Avanços decoloniais das últimas décadas são importantes, mas apenas arranham a grossa camada de racismo. Luta das enfermeiras aponta um caminho Segundo o Conselho Nacional de Enfermagem (Cofen), 53% das profissionais da enfermagem brasileira são negras e pardas; e as mulheres constituem 85% da mão de obra desta categoria, que abarca ao menos 2,5 milhões de pessoas. Cerca de 60% do grupo de trabalhadores negros e pardos são técnicos ou auxiliares de enfermagem, subcategorias cujos vencimentos são menores. Com o Piso Nacional da Enfermagem, já em vigor, a situação melhorou; no entanto, ainda há muito pela frente na garantia de bem estar de pessoas que trabalham de 40 a 60 horas semanais e são fundamentais na economia do cuidado. É provável, aliás, que os números do Cofen estejam subestimados, uma vez que uma vasta quantidade de profissionais da enfermagem trabalha em cuidados domésticos, o que os faz ser registrados como empregados desta categoria ou permanecerem na condição de informais. No ensino superior, a maioria dos estudantes de enfermagem ainda é branca. No mês da consciência negra, Solange Caetano, presidente da Confederação Nacional dos Enfermeiros, analisa a seguir a necessidade do país em avançar em políticas de valorização da população negra e parda no país, cujos indicadores gerais de saúde ficam muito atrás da população branca por diversas razões estruturais (Gabriel Brito).   De acordo com o Censo, em 2022, 55.371 pessoas ingressaram em universidades, faculdades e institutos federais pelo critério étnico-racial. Esse recorte de cotistas só é menor que o de 99.866 que estudavam em escola pública. Ao todo, 45.226 tinham renda per capita inferior a um salário mínimo e meio. Esses dados mostram a importância de políticas públicas de ingresso no ensino superior, mas é preciso ir além; é preciso garantir permanência desses estudantes na universidade, porque muitos acabam deixando de estudar porque precisam trabalhar. Há um problema concreto, a pouca presença de negros e negras em alguns setores da atividade econômica. E mesmo quando há maior presença, eles acabam ficando em posições menos valorizadas e sem cargos de chefia.Existe larga diferença racial nas atividades econômicas. Negros e pardos têm maior proporção em áreas como serviços domésticos (66,4%), construção (65,1%), agropecuária (62%) e transporte, armazenagem e correio (57%). Já a proporção de trabalhadores brancos é maior nas categorias de administração pública, educação, saúde e serviços sociais (50,23%) e informação, financeira e outras atividades profissionais (56,6%). Todos esses números mostram que, apesar de pequenas mudanças, persistem as profundas desigualdades sociais. É um quadro estrutural de desigualdades. Neste mês da consciência negra reconhecemos os poucos avanços, mas para acabar com as desigualdades sociais, origem da discriminação a que os negros ainda estão submetidos nas diversas áreas da sociedade brasileira, é necessário ampliar as políticas públicas afirmativas, pois não é possível tratar de maneira igual aquilo que é muito diferente. Aos estudantes negros que ingressam nas universidades é preciso garantir a permanência e trabalho qualificado após se formarem. O que abordamos aqui é apenas um aspecto da luta que travamos ainda hoje para superar os fortes resquícios da escravidão que ainda hoje permeia a sociedade brasileira. Há outros nas demais camadas sociais que também precisam de atenção e reflexão neste novembro da consciência negra. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – Por que os jovens se distanciaram dos sindicatos?

Não é “despolitização”. Eles desejam autonomia, mas também apoio ao trabalho hoje isolado e precário. Mobilizam-se de forma mais flexível e valorizam a diversidade. Assistência aos “plataformizados” e comunicação inovadora podem ser o começo para a renovação de bases A sindicalização é uma ação contínua e essencial no trabalho de base dos dirigentes e ativistas sindicais. Os desafios para atrair e engajar trabalhadores de todas as idades são constantes, mas os jovens sempre representam uma barreira a ser enfrentada. Os debates indicam a necessidade de inovações nas estratégias que visam à filiação dos trabalhadores aos sindicatos, ampliando, assim, a representatividade, a proteção e o poder sindical. Estudos da OCDE1 indicam que a baixa taxa de adesão sindical entre os jovens é um fator importante na queda global da densidade sindical. De acordo com o levantamento, apenas 7% dos sindicalizados na área da OCDE são jovens e a adesão a sindicatos tende a seguir uma curva em “U” invertido, atingindo seu ponto mais alto em trabalhadores com cerca de 40 anos. Para que um trabalhador decida se sindicalizar é fundamental que se sinta conectado ao sindicato e veja valor em sua atuação e, com o jovem, não é diferente. O que cabe considerar é quais são as características que marcam as atuais novas gerações que chegam para ingressar no mundo do trabalho remunerado. As transformações econômicas, sociais, políticas e culturais definem a visão de mundo e as novas gerações desenvolvem abordagem existenciais e de modo de vida que se diferem das gerações anteriores. O desenvolvimento da relação com o sindicato passa pela presença constante e significativa dos dirigentes no ambiente de trabalho, pela apresentação dos benefícios que a filiação pode proporcionar e pela demonstração do impacto positivo que o sindicato pode ter nas condições de trabalho e de vida dos trabalhadores. Quando um sindicato é percebido como ativo e eficaz, capaz de melhorar salários, defender direitos e cuidar das condições de trabalho, ele se torna mais atrativo também para os jovens, que buscam suporte e segurança em suas trajetórias profissionais. O sindicato também tem o desafio de se apresentar como um espaço de encontro, de acesso e de promoção de atividades culturais e recreativas, de lazer, de momentos lúdicos, com sessões de cinema, teatro, atividades de literatura e de música, com atividades esportivas, entre outras possibilidades. Nesses espaços e momentos as pessoas se conhecem, relacionam-se, criam identidades e confiança. Quem é jovem? Segundo a OIT – Organização Internacional do Trabalho, jovem é a população na faixa etária de 15 a 24 anos. As políticas públicas no Brasil consideram juventude a população na faixa etária de 15 a 29 anos. É longa a extensão da faixa etária da juventude, compreendendo a possibilidade de identificar-se vários recortes que estarão associados a outras características como a inserção educacional, a formação profissional acumulada, a experiência em curso ou vivida de transição escola – trabalho, a necessidade ou urgência de um emprego e de renda etc. E a sua situação econômica, suas carências e necessidades, suas expectativas com o presente e o futuro. A juventude é uma diversidade complexa de vivências, é um período de arriscar-se, de colocar-se no e para o mundo, de conquistar autonomia, de estabelecer relacionamentos. Vencer o desafio de agregar-se, relacionar-se, posicionar-se, estabelecer metas, tomar iniciativa, ser recebido e incluído. A juventude irrompe suas demandas, seus anseios, seus sonhos e esperanças e é com elas que o sindicato deve saber trabalhar. Chegar ao mundo do trabalho é vencer barreiras que estão associadas a educação formal recebida, a qualificação profissional, a origem de classe, de gênero, de raça. Chegar para a procura do primeiro emprego em um mercado de trabalho aquecido é uma coisa, outra é chegar com o desemprego bombando. Procurar o primeiro emprego, ser demitido ou pedir demissão pela primeira vez gera expectativas, ansiedade e causa insegurança, algumas das questões que afligem os jovens. Fonte: Site Outras Palavras Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – Esperança em tempos de escuridão. Editorial do National Catholic Reporter

Suportaremos Donald Trump e seus bajuladores. Seu tempo passará. Infelizmente, ele causará danos significativos. No entanto, podemos, de fato, devemos, limitar esses danos por meio de nossa determinação incessante. O incompetente, desonesto, divisivo e autoritário Donald J. Trump foi novamente eleito presidente dos Estados Unidos. Com o tempo, volumes de livros tentarão explicar esse colossal lapso de julgamento. Mais cedo serão exploradas as terríveis consequências dessa eleição para nossa nação, a família humana mais ampla e o planeta. Por enquanto, enquanto embarcamos em uma jornada desconhecida, não temos tempo para autopiedade ou raiva debilitantes. Livremo-nos dessas tentações em prol da saúde individual e coletiva. Precisamos de equilíbrio e integridade para seguir em frente enquanto protegemos os mais vulneráveis. Precisamos de acuidade mental para decidir como apoiar uns aos outros e às instituições democráticas da nossa nação. Não somos os primeiros a enfrentar tal escuridão; agora nos juntamos a inúmeros outros vivendo vidas incertas em meio à turbulência política. Podemos aprender com eles, primeiro tomando aprendendo com eles e sabendo que nada está garantido e com eles e com resto da família humana compreender e saber melhor como manter a fé, construir coragem e sustentar a resiliência e a resistência. Precisamos uns dos outros mais do que nunca para evitar dúvidas e nos apegarmos aos princípios de justiça, decência e verdade. Então, quão grande é essa comunidade da qual precisamos desse encorajamento? Ela é global, atravessa culturas, raças e religiões e alcança gerações passadas. Donald Trump, presidente dos Estados Unidos da América Precisamos de esperança. Esperança gera esperança. Lembre-se, somos pessoas de esperança. Crescemos em esperança ao abraçar a interdependência e a conexão, apoiando-nos uns nos outros quando vacilamos e oferecendo uma mão quando vemos a necessidade. Nossa esperança não está enraizada em algum otimismo passageiro, mas nas verdades duradouras de nossa fé fundamentadas nos Evangelhos, que ensinam o amor sem limites e a crença central de que a escuridão não tem a última palavra. Considere este ditado tibetano: “A tragédia deve ser utilizada como uma fonte de força.” A dor convida ao propósito. Deixado sem atenção, o desespero paralisa. Com propósito, ele pode se tornar uma força poderosa para a mudança. Precisamos canalizar nossas lutas internas para a ação externa. Sim, temos fardos adicionais, mas sim, temos novos chamados. O sobrevivente do Holocausto Elie Wiesel demonstrou uma resiliência notável ao confrontar o mal e a injustiça. Ele escreveu: “Nunca esquecerei aqueles momentos que massacraram meu Deus e minha alma.” Apesar da dor inimaginável, Wiesel se tornou um defensor incansável da justiça, da paz e da dignidade humana. Ele nos ensinou que, durante os momentos mais sombrios, sempre temos uma escolha: deixar nossa dor nos consumir ou nos levar adiante. Seguindo em frente, damos voz àqueles que não podem falar por si mesmos. Fonte: Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – Não existe a história da Igreja e história secular, o que existe é a história humana. Um depoimento autobiográfico da vida do teólogo Eduardo Hoornaert – Parte II

Nesta parte de seu texto, o teólogo belga fala sobre personagens marcantes em sua trajetória profissional, quando deixou a batina para se casar e como tudo isso impactou no seu modo de compreender o Evangelho Esta é a segunda parte do depoimento autobiográfico de Eduardo Hoornaert, cuja primeira pode ser lida aqui. Neste trecho o teólogo e historiador da Igreja, ou melhor dizendo, da humanidade, projeta um olhar lancinante sobre personagens marcantes de sua vida na América Latina, na segunda metade do século XX. Figuras como Enrique Dussel, José Comblin e Dom Helder Câmara, ganham passagens especiais neste texto. Muitas transformações e amadurecimentos marcaram o seu próprio fazer historiográfico e sua atuação como professor. Isso passa, por exemplo, por compreender que, no fundo, não há uma história da Igreja e outra história secular, mas, simplesmente, uma história da humanidade. Seu trabalho com artistas visuais e poetas também ganham capítulos importantes na narrativa. Para ele, os artistas populares são os verdadeiros intelectuais do povo. “Eles se mostraram capazes de traduzir em termos populares tudo o que nós [os teólogos] tínhamos de intuições, estudos e posicionamentos, de criar imagens e compor dramatizações. Guardo em casa um pequeno arquivo dessa experiência com poetas populares”, conta. Outro evento marcante na trajetória de Hoornaert é o seu casamento com Tereza Dias e abandono da vida paroquial, embora tenha continuado, por muitos anos, como professor em seminários. A grande lição aprendida com Dom Helder Câmara, uma figura internacionalmente relevante no contexto eclesial e com enorme influência no Vaticano e fundador da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, está distante de qualquer institucionalidade. “O que vai ficar é a mudança de rumo, na vida de Helder, quando ele rompe com a lógica da unanimidade, e opta por trabalhar com minorias”, relata o entrevistado. Eduardo Hoornaert cursou dois anos de Línguas Clássicas e História Antiga e, posteriormente, Teologia, na Universidade de Lovaina. Chegou a João Pessoa, no Brasil, em 1958. Foi professor catedrático em História da Igreja, sucessivamente nos Institutos de Teologia de João Pessoa, Recife e Fortaleza. É membro fundador da Comissão de Estudos da História da Igreja na América Latina (CEHILA), entidade autônoma fundada em 1973, em Quito, Equador. Desde 1962 escreve artigos de cunho histórico para a Revista Eclesiástica Brasileira (REB), da Editora Vozes, na área do catolicismo no Brasil e do cristianismo em geral. Fonte: Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – O Brasil é um país inacabado. Um depoimento autobiográfico de Eduardo Hoornaert – Parte I

Testemunha viva dos eventos mais marcantes do século XX, o teólogo e professor nascido na Bélgica viveu momentos marcantes no Brasil, sendo um dos maiores nomes da teologia brasileira Diferentemente do que você está acostumado a ler nesta seção do site do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, esta não é uma entrevista nem uma reportagem. O dever ético de um jornalista diante de um texto desta magnitude é abrir mão da assinatura e entregar ao autor dos parágrafos que se seguem os méritos de uma vida inspiradora e uma escrita elegante. O que ora foram perguntas agora se converte em um texto fluido e fascinante. Eduardo Hoornaert nasceu em Bugres, na Bélgica, em 1930, tendo completado 94 anos no último 7 de outubro. Quando criança, testemunhou pela fresta de uma cortina, durante dois dias e duas noites, as tropas nazistas passaram em frente à sua casa. A imagem da frase Gott mit uns (Deus conosco) o marcou para sempre. Mais tarde no seminário se dedicaria a temas históricos, mas também à obra do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein. No fim da década de 1950, Hoornaert veio para o Nordeste brasileiro, onde daria aulas nos seminários de João Pessoa e Recife – este último a partir de 1963, onde conheceu e se tornou amigo de Dom Hélder Câmara. Em 1969 e 1970, ele lecionou no Seminário do Cristo Rei em São Leopoldo/RS. Conheceu Frei Betto, então perseguido pela ditadura militar e que estava, como ele conta, escondido no Sul do Brasil. Morando em Recife, uma de suas experiências mais marcantes nesse período foi como pároco da comunidade de Alto do Pascoal, onde viveu por nove anos. Compreendeu ali que “o Brasil é um país ‘inacabado’. (…) Eis a memória que eu guardo dos nove anos vividos no Alto do Pascoal. A fragilidade da vida, a luta nunca acabada, o apelo para um futuro melhor. O Brasil é um país em construção permanente, um país de tenacidade e paciência”, classifica. Fonte: Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui