SOCIEDADE – Assim as mulheres desafiam a maré fascista

Surge, em muitos países, uma clivagem política de gênero: mulheres assumem posições e votos claramente mais à esquerda. O machismo reage com rancor. Possível contra-ataque: ir além do doméstico e ocupar mais espaços de poder Desde 2014, nosso país viu a ascensão da extrema direita – antes tida como caricata e isolada nas pequenas rodas privadas do pensamento comum e reacionário – assumindo um protagonismo político capaz de se apresentar como a “única saída”, e de urgência, sobre a crise política e econômica que atravessamos no mundo. Figuras como Jair Bolsonaro saem, assim, do círculo do folclore do baixo clero do Congresso Nacional e assumem um lugar messiânico para a maioria da classe média e da elite brasileira. Do outro lado, vemos o maior revés do campo popular e democrático desde o fim da ditadura, em 1985. Da eleição de 2014 até o golpe que resultou no impeachment da presidenta Dilma, era como se estivéssemos imersos em uma “grande noite” – parafraseando Frantz Fanon – que autorizava uma crescente onda fascistizante reforçada pela misoginia, pelo racismo e pelo ódio contra o povo. Mesmo quem se contrapunha a isso não conseguia enxergar uma saída. Claro que essas questões já estavam profundamente enraizadas na estrutura da nossa sociedade e foram abertas ali como uma caixa de pandora do fascismo. A percepção de muitos era de que estávamos derrotados e condenados a sermos governados por uma onda de extremismo que varria o mundo, sem que pudéssemos fazer nada. Nesse contexto, os movimentos feministas assumem um papel central – o ano era 2018, e milhares de mulheres tomaram as ruas de centenas de municípios brasileiros. Suas palavras de ordem eram claras: articulação política ampla. Através de encontros produzidos pela internet, buscavam construir um cordão sanitário de proteção da democracia: de um lado, Bolsonaro; de outro, todas as pessoas que se posicionassem contra suas ideias autoritárias. O movimento, popularmente conhecido como #EleNão, foi a maior mobilização social da última década e simbolizou mais do que uma resistência eleitoral – representou um marco histórico na luta contra a extrema direita no Brasil. Sob a perspectiva de Achille Mbembe em torno da ideia de Fanon, poderíamos dizer que essa mobilização foi um gesto concreto de busca pela saída da “grande noite” que se abateu sobre nós depois do período eleitoral de 2014 e que paralisou parte da esquerda. As mulheres, assim, encontravam um caminho possível e um espaço para construir a resistência. Às vésperas do processo eleitoral de 2018, a força política do #EleNão pode ter sido decisiva para que a chapa que eu compunha como candidata à vice-presidência de Fernando Haddad chegasse ao segundo turno. Naquele mesmo ano, inaugurou-se um ciclo de pesquisas que evidenciou a diferença de comportamento eleitoral entre mulheres e homens. Em julho, 22% dos homens declaravam espontaneamente votar em Bolsonaro, enquanto apenas 7% das mulheres faziam o mesmo. Em outubro, outro levantamento apontava que, entre eleitores do sexo masculino, Bolsonaro tinha 37% das intenções de voto, enquanto entre as mulheres o número era aproximadamente a metade: 21%, o que o deixava em empate técnico com Haddad, que marcava 22%. Essa diferença se consolidou em 2022, quando Lula venceu com 50,9% dos votos válidos, em grande parte devido ao voto feminino. Estima-se que 58% das mulheres tenham escolhido Lula, enquanto 52% dos homens optaram por Bolsonaro. Quando analisadas as intenções de voto das pessoas pardas e negras, a vantagem de Lula foi ainda maior: 57% a 35%. Esse protagonismo das mulheres – especialmente das mulheres negras – na luta contra a extrema direita não é um detalhe, mas uma evidência de que a resistência feminina, organizada a partir de suas próprias experiências e urgências, é uma força motriz de transformação. O #EleNão, como expressão dessa resistência, não só enfrentou as trevas autoritárias que ameaçavam engolir a democracia brasileira, como também acendeu uma luz capaz de nos guiar para fora da “grande noite”, em direção a um futuro mais justo, plural e democrático. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui

SAÚDE – Dados do SUS nas calculadoras de risco da saúde privada?

Sob a lógica da especulação financeira, corporações utilizam a inteligência artificial para decidir quem recebe os melhores tratamentos – e quem fica de fora. Em nome de uma estranha “digitalização da saúde”, Brasil entrega informações a essas empresas… O ano de 2024 terminou com episódio envolvendo uma das maiores seguradoras de saúde dos Estados Unidos, a UnitedHealth (UHG). Retomando os fatos: em 9 de dezembro um de seus diretores executivos foi assassinado de chofre em plena rua na cidade de Nova Iorque, antes de sua participação no dia anual de investidores do grupo. O suspeito é um jovem americano, que deixara um manifesto contra as empresas do setor de saúde, chamando-as de “parasitas” e mencionando o tamanho descomunal da UHG em seu país. Não fosse só por isso, após o caso ganhar as redes sociais, “a morte do executivo desencadeou uma onda de sentimentos negativos sobre o setor e atraiu críticas ao próprio braço de seguros”. Em poucas palavras, milhares nas redes sociais saíram a favor do assassino. Nos projéteis utilizados para execução, o suspeito deixou marcado “Deny, Defend, Depose”, cujo significado Reinaldo Guimarães resumiu aqui no Outra Saúde: “negue o atendimento da demanda para cobertura de serviço, defenda-se no tribunal se o demandante o acionar, e derrube o demandante contando com a morosidade da justiça, quando ele já pode ter morrido”. O cenário é de uma longa crise estrutural do sistema de saúde estadunidense – um dos mais caros per capita do mundo e um dos mais inefetivos, “curiosamente” também o mais privatizado e financeirizado. Algo que, por sinal, tem feito da agenda dos negócios com a saúde uma corrida ainda mais brutal por “cortes de gastos”. Como sabemos, uma das maneiras de diminuir custos no setor é a radicalização dos cálculos de riscos. Algumas seguradoras, por exemplo, recusam ou aumentam os preços para pessoas com histórico de doenças, por se tratarem de pacientes potencialmente mais custosos; ou classificam os perfis dos pacientes de maior “custo-benefício” para receber determinados tratamentos, priorizando aqueles com maior expectativa de vida ou chance de recuperação; ou ainda, tornam exames e consultas mais burocráticos ou caras, desestimulando a procura precoce por atendimento. Entre tantas outras possibilidades – legais e ilegais. De acordo com um relatório recente de Investigações do Senado dos Estados Unidos, as taxas de recusas em assistência à saúde têm crescido anualmente e aceleradamente em todas as seguradoras do país, sendo justamente a UHG a campeã dentre elas – com a marca de 32% de recusa em 2024. Não por acaso, já em 2009 aproximadamente 44 mil trabalhadores e trabalhadoras estadunidenses morriam anualmente por falta de seguro médico, por desassistência deliberada – sem somar as mortes em razão do cálculo voltado ao “custo da operação”. Fonte: Site OUTRASAÚDE Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – Homossexuais no Sacerdócio: portas entreabertas. Artigo de Luís Corrêa Lima

O papa Francisco reiterou a posição de seu antecessor, em 2016, e teve conversas com os bispos italianos a portas fechadas sobre este assunto. Em uma delas, no ano passado, ele comentou em tom de brincadeira que em certos seminários já existe muita “viadagem” (frociaggine). “É chegado o momento de reconhecer que pessoas homossexuais podem ser sacerdotes de valor, com integridade, zelo e responsabilidade. Assim como em outras áreas e profissões, a orientação homossexual não é empecilho e não deve ser vista como ameaça”, escreve Luís Corrêa Lima, padre jesuíta, professor da PUC-Rio e autor de “Teologia e os LGBT+”, em artigo publicado por Contém Amor, 03-02-2025. Eis o artigo. A Conferência Episcopal Italiana publicou novas diretrizes para os seminários. Uma grande novidade dessas diretrizes é a admissão de candidatos homossexuais ao sacerdócio — desde que eles, assim como os demais candidatos, empenhem-se em viver a castidade no celibato. À primeira vista, este assunto é algo interno da Igreja Católica. Porém, há implicações sobre a imagem da pessoa homossexual, com consequências éticas e pastorais. Há duas décadas esta questão envolve controvérsias e agora um novo cenário se apresenta. Em 2005, uma Instrução aprovada pelo papa Bento XVI afirmava que a Igreja não deve admitir ao seminário e à ordenação os que: “praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente radicadas ou apoiam a chamada cultura gay. Estas pessoas encontram-se, de fato, numa situação que obstaculiza gravemente um correto relacionamento com homens e mulheres”. E cabe ao bispo ou ao superior religioso chamar à ordenação depois de ouvir os encarregados da formação. O cardeal que assina a Instrução afirmou, em entrevista, ser inoportuno ordenar candidatos homossexuais, ainda que haja sacerdotes de conduta exemplar com essa orientação sexual. Mas como a questão remete aos bispos locais e superiores religiosos, alguns deles se manifestaram com interpretações mais matizadas e flexíveis. O então presidente da Conferência Episcopal Alemã, cardeal Karl Lehmann, afirmou que se deve entender por tendências homossexuais profundamente radicadas não quaisquer tendências pelo mesmo sexo, mas aquelas que são um grave obstáculo a uma correta relação com os fiéis. Nesta linha, também as tendências heterossexuais profundamente enraizadas são um grave obstáculo. O ex-superior geral dos dominicanos, Timothy Radcliffe, trabalhou em todo o mundo com bispos e padres, diocesanos e religiosos. Ele afirmou não ter dúvidas de que Deus chama homossexuais ao sacerdócio e que eles estão entre os sacerdotes mais dedicados e impressionantes que encontrou. Por isso, nenhum sacerdote que esteja convencido de sua vocação deve se sentir classificado pela Instrução como incapaz. E presume que Deus continuará chamando ao sacerdócio tanto homo como heterossexuais, porque necessita dos dons de ambos. O papa Francisco reiterou a posição de seu antecessor, em 2016, e teve conversas com os bispos italianos a portas fechadas sobre este assunto. Em uma delas, no ano passado, ele comentou em tom de brincadeira que em certos seminários já existe muita “viadagem” (frociaggine). A frase se tornou pública. O papa, então, comunicou que nunca teve a intenção de ofender ou de se expressar em termos homofóbicos, e pediu desculpas aos que se sentiram ofendidos pelo uso do termo. Na época, bispos italianos explicaram à imprensa o que ficou claro para eles: Francisco não pretendia se referir aos homossexuais como tais, mas àqueles que, nos seminários, não mantêm a castidade. Pouco depois, o papa escreveu a um jovem que afirmava ter sido expulso do seminário por se declarar homossexual. Francisco disse: “a Igreja deve estar aberta a todos. Irmão, siga em frente com sua vocação”. Recentemente, o papa tornou Timothy Radcliffe cardeal, o que revela notável apreço por este dominicano e suas posições. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – “A inteligência artificial está nos levando a uma nova fase do conhecimento”. Entrevista com Paolo Benanti

A entrevista é de Ignacio Santa Maria, publicada por Ethic, 06-02-2025. A tradução é do Cepat. Ele frequenta as universidades, fóruns de debate e estúdios de televisão ao redor do mundo com o seu hábito de frade franciscano e uma mochila nas costas. Paolo Benanti (Roma, 1973) é um dos especialistas em inteligência artificial mais requisitados do mundo. Assessor da ONU, do Papa Francisco e do Governo italiano, acaba de publicar na Espanha o livro A era digital, no qual aborda os grandes desafios antropológicos, éticos e sociais que os últimos avanços tecnológicos estão levantando. A entrevista é de Ignacio Santa Maria, publicada por Ethic, 06-02-2025. A tradução é do Cepat. Eis a entrevista. Em ‘A era digital, você diz que a quarta revolução em que estamos imersos não é apenas tecnológica. Quais são suas outras implicações? Representa uma transformação radical da nossa compreensão da realidade e de nós mesmos. Hoje, graças à tecnologia, podemos remapear a realidade segundo outros paradigmas. É a mesma coisa que aconteceu séculos atrás com a invenção da lente convexa, que deu origem a dois instrumentos: o telescópio, que nos permitiu estudar o infinitamente grande, e o microscópio, que nos abriu caminho para estudar o infinitamente pequeno. Esses dois instrumentos transformaram nossa compreensão da realidade porque percebemos que não somos o centro do universo, mas um planeta de um sistema solar secundário e, por outro lado, entendemos que não somos uma coisa única, somos feitos de pequenas partículas vivas que chamamos de células. Ou seja, o telescópio e o microscópio mudaram a cosmologia e a antropologia. Hoje, a inteligência artificial, que estuda não o infinitamente grande ou pequeno, mas o infinitamente complexo, está reescrevendo nossa compreensão da realidade e de nós mesmos e nos levando a uma nova fase do conhecimento. No entanto, pensadores como Pascal Bruckner argumentam que, com a transformação digital, passamos da era da compreensão à da distração. Dizer que a era digital é apenas uma época da distração é o mesmo que dizer que há uma competição entre o homem e a máquina. Isto não está certo. A máquina é um instrumento. É verdade que também pode ser uma arma, mas como instrumento pode ampliar nossas capacidades de conhecimento. E quais são, em sua avaliação, os maiores riscos éticos da inteligência artificial? A máquina pode chegar a tirar a liberdade do ser humano? Se aplicarmos os algoritmos à liberdade das pessoas, não só serão capazes de prever um comportamento, como também de produzi-lo. Nas plataformas, sabem disso muito bem, pois quando fazem sugestões aos usuários, não só estão prevendo o seu comportamento, como também fazendo com que comprem determinadas coisas. Este é o motivo pelo qual precisamos ter uma boa governança sobre essas inovações. Então, o dilema ético não está na tecnologia em si, mas nos seres humanos que a controlam? É importante destacar que a máquina sozinha não faz nada. Os homens podem delegar tarefas às máquinas ou utilizá-las para controlar outros homens. Os riscos dependem do que o homem quer que a máquina faça. Quando falamos de riscos e problemas éticos, a questão deve sempre recair sobre o lado humano. A máquina não inicia sozinha, não se constrói sozinha, não começa a funcionar sozinha. Portanto, é uma questão do que queremos que a máquina seja e o que queremos que ela faça. Quais são os desafios políticos e sociais desta era digital em que estamos imersos? A realidade que estamos vivendo está definida pelo software. Nos dispositivos, nós, usuários, somos proprietários do hardware, mas temos apenas uma licença de software. No Direito Romano, eram estabelecidos três direitos relativos à propriedade de uma coisa: usus, abusus e fructus. Podemos usar nosso celular ou tablet como quisermos, mas os frutos desse uso não são nossos, vão para a nuvem ou outro tipo de formato. E isto é importante, porque na Roma Antiga aqueles que eram privados dos frutos das coisas eram os escravos. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – 51 anos do assassinato de Osvaldão, o gigante da Guerrilha do Araguaia

Militante do Partido Comunista do Brasil, ele foi o primeiro guerrilheiro a se estabelecer na região e foi morto pelos militares Há 51 anos, em 4 de fevereiro de 1974, Osvaldão, comandante da Guerrilha do Araguaia, era assassinado pelas forças da ditadura militar brasileira (1964-1985). Militante do Partido Comunista do Brasil, ele foi o primeiro guerrilheiro a se estabelecer na região do Araguaia, onde conquistou a admiração dos camponeses e ribeirinhos. Osvaldão liderou uma série de combates contra as tropas do regime — e chegou a ser mitificado pelos habitantes locais, que, impressionados por sua força, habilidade e coragem, o apelidaram de “o gigante invencível”.   A juventude de Osvaldão Osvaldo Orlando da Costa nasceu em Passa Quatro, no sul de Minas Gerais, em 27 de abril de 1938. Era o caçula de 12 irmãos, filho de Rita dos Santos e José Orlando da Costa. José nascera de pais escravizados, mas cresceu liberto graças à Lei do Ventre Livre. Trabalhava como cozinheiro e era dono de uma padaria, com a qual sustentava a numerosa família. Rita faleceu quando Osvaldão ainda era bem pequeno. Ele seria criado pelos irmãos — em especial a irmã mais velha, Irene, a quem costumava chamar de mãe. A visão política de Osvaldão foi bastante influenciada pelo seu pai, um simpatizante das ideias comunistas. Ainda adolescente, Osvaldão partiu para São Paulo, a fim de dar continuidade aos estudos. Entre 1952 e 1954, ele frequentou o Curso Industrial Básico de Cerâmica. Em seguida, mudou-se para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Escola Técnica Nacional. Nessa instituição, tornou-se amigo de Wladimir Pomar, membro do Partido Comunista, e iniciou sua militância no movimento estudantil, chegando a ser eleito como presidente da Associação dos Estudantes Técnico Industriais. Osvaldão se formou como técnico em construção de máquinas e motores em 1958. Ele também cursou por um ano o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) — órgão de formação de quadros do Exército Brasileiro. Fonte: Site OPERA MUNDI Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – Trump 2 concilia big techs e complexo militar-industrial. Por que isso é tão perigoso?

Riquezas, recursos e mercados internacionais interessam tanto ao tradicional complexo militar-industrial quanto às big techs, e Trump parece conseguir unificar diferentes e contraditórios setores capitalistas O novo governo Trump começa a se desenhar. Até o momento, fica claro que ele está dividido em duas alas principais. Uma, a de trumpistas raiz, de fascistas sinceros, representantes de um movimento plebeu de milhões de cidadãos da classe média e trabalhadores desorganizados cansados do “sistema”. Outra, de grandes magnatas movidos por puro pragmatismo. Mas essas alas do novo governo não são homogêneas. A primeira conta também com personagens como RFK Jr. e Tulsi Gabbard, ex-democratas com posicionamentos esquerdistas. São eles, justamente, os mais combatidos pelos meios de comunicação e porta-vozes do establishment. A ala dos grandes magnatas nitidamente já demonstrou ser a mais privilegiada do governo. A maioria dos postos de primeiro escalão é ocupada por representantes tradicionais do regime americano, em particular pelos conhecidos “falcões”, como Marco Rubio e Elise Stefanik. São os funcionários do complexo militar-industrial que domina o Estado desde que ele se tornou imperialista. Porém, o complexo militar-industrial não tem mais a mesma hegemonia de outrora. Elon Musk e Peter Thiel chegaram para competir com ele. As novas empresas de tecnologia do Vale do Silício querem também uma fatia da indústria bélica dos Estados Unidos. E elas têm se apresentado como sendo muito mais leais a Trump do que o velho complexo militar-industrial, que vê com preocupação as movimentações do novo presidente para trocar peças-chave do comando das forças armadas e das agências de inteligência por homens de confiança – possivelmente do próprio MAGA. Seu maior medo é que Trump politize esses órgãos de segurança, abrindo as suas portas para as massas plebeias do trumpismo. Fonte: Site Diálogos do Sul Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – Kanye West e Bianca Censori: o que o caso do Grammy 2025 ensina sobre o patriarcado

Rapper teria pressionado a esposa a se despir no tapete vermelho; o episódio escancara a dinâmica do poder masculino na sociedade como um todo O rapper Kanye West, de 47 anos, voltou ao centro das atenções no Grammy Awards 2025 ao protagonizar um episódio polêmico que gerou indignação entre o público presente e nas redes sociais. Bianca Censori, esposa do artista, chegou ao tapete vermelho vestindo apenas um vestido transparente, cobrindo-se com um casaco de pele até o momento em que Kanye teria instruído que ela o removesse. A cena gerou um impacto imediato e mobilizou a equipe da CBS, emissora responsável pela transmissão do evento, que temia reclamações de anunciantes e sanções por exibição de conteúdo inadequado ao vivo. Segundo fontes do DailyMail.com, os organizadores do Grammy foram alertados poucos minutos após a chegada do casal e determinaram que eles deixassem o evento para evitar maiores problemas. Leitor labial revela instruções “perturbadoras” de Kanye para Bianca Um vídeo publicado pelo CBS Mornings no TikTok revelou um momento tenso entre Kanye e Bianca no tapete vermelho. A especialista em leitura labial Nicola Hickling, fundadora da LipReader, analisou as imagens e identificou comandos que o rapper teria dado à esposa antes da exposição. De acordo com Hickling, Kanye teria dito: “Agora você está chamando atenção.” Bianca teria acenado afirmativamente, ao que Kanye continuou: “Faça um escândalo, eu direi que faz todo o sentido.” A revelação gerou uma onda de críticas contra o artista, acusado de manipular e expor sua esposa de forma degradante. Essa atitude de Kanye reforça um padrão de comportamento controlador que ele já demonstrou em outros relacionamentos, incluindo seu casamento com Kim Kardashian.   Fonte: Site Revista Fórum Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – O necessário resgate do Eros na escola

Educação convencional aspira ao controle por meio de protocolos e cartilhas. Deixa escapar o “radar sensível”: a ativação do desejo coletivo, o futuro aberto e o saber-fazer. O mundo é instável. E o pânico da incerteza só atrofia o aprendizado Tenho tido o privilégio de trabalhar em institutos públicos como “professor visitante” na disciplina de Filosofia há vários anos. Por que digo privilégio? Porque me parece que a escola hoje é um observatório excepcional para olhar e pensar a sociedade em que vivemos. Um microcosmo onde as tendências e os problemas que moldam o mundo compartilhado se reúnem; e onde também, talvez por razões de escala, às vezes se pode intervir, agir e tentar mudar alguma coisa. Um dos problemas que encontro nas centros públicos onde trabalho, onipresente nas conversas e preocupações da comunidade escolar, é a questão dos protocolos. A multiplicação dos protocolos escolares, expressão de uma tendência geral à tecnificação da existência. Gostaria de falar sobre isso aqui, de abordar o geral a partir do particular, de abrir uma discussão que me parece urgente. Os protocolos são caminhos a seguir. Protocolos são aplicados, por exemplo, para lidar com eventos imprevistos ou interrupções no bom funcionamento da escola: bullying, gangues, vícios. Como é sabido, o mal-estar entre os jovens de hoje tem intensidades e modos de expressão (automutilação, suicídio) que ultrapassaram os limiares da visibilidade e fizeram soar todos os alarmes. O número de protocolos abertos nas escolas por questões de segurança hoje é altíssimo. Mas o que se pretende ser um modo de “ativação da atenção” (observação e monitoramento) corre o risco de ser um modo de desativá-la. O que quero dizer? Um novo fetiche O protocolo pode ser um quadro de referência, um campo de orientações possíveis, um repertório de respostas possíveis. Cristalizar um saber sobre o passado para que seja útil para o futuro. O problema é que, em meio à pressão pelo desempenho, à precariedade e à falta de tempo, ao transbordamento cotidiano e à individualização da vida escolar, o protocolo é elevado a fetiche, impondo-se de forma obrigatória. O que é um fetiche? Um objeto que se torna sujeito, convertendo sujeitos em objetos. A crítica do fetichismo é uma perspectiva clássica do pensamento crítico: as mercadorias se tornam fetiches no capitalismo segundo Marx, as máquinas se tornam fetiches no sistema industrial segundo Simone Weil, as imagens são fetichizadas na sociedade do espetáculo segundo Guy Debord. As coisas ganham vida própria (elas decidem, agem, comandam), enquanto os seres humanos se tornam coisas (força de trabalho, engrenagens, espectadores). Nossa cultura tecnológica fetichiza protocolos. Ela pressupõe que tudo tem uma solução e que sempre há um jeito de alcançá-la. E qual é o problema dessa protocolização generalizada? Em primeiro lugar, a protocolização dessingulariza o que é apresentado. O protocolo não trata de casos singulares, mas se aplica a diferentes exemplos na mesma série (assédio, etc.). Mas o que acontece na vida escolar e na vida em geral é muitas vezes da ordem dos acontecimentos. Cada mal-estar é singular, algo único que demanda uma escuta e uma resposta específica, particular, própria. O protocolo homogeneíza e torna equivalentes o que são situações distintas. Em segundo lugar, a protocolização passiva. Apresenta um caminho a seguir, uma série de etapas, uma organização do tempo em tais fases ou sequências, bloqueando assim a capacidade de ação e criação da comunidade escolar. O que percebemos nas palavras ou no comportamento desse menino, dessa menina, dessa criança? O que vamos fazer a respeito? Em qual tempo? O protocolização impede que o problema em questão se torne uma área de pesquisa e construção autônoma. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui

TECNOLOGIA – Redes sociais: a possível diáspora

Após adesão das Big Techs à ultradireita, surge uma saída: redes federadas como Mastodom ou Bluesky, onde usuários do mundo todo usam a mesma plataforma, mas as regras de moderação são definidas por comunidades autônomas Como chegamos aqui? O sistema centralizado de moderação de conteúdo, que começou a se fragmentar, foi moldado por uma combinação de valores políticos norte-americanos, normas sociais e realidades econômicas, como argumentou a pesquisadora e professora Kate Klonick na Revista de Direito de Harvard, em 2018. O ensaio de Klonick, The New Governors, detalha como as políticas de governança das plataformas foram amplamente elaboradas por advogados dos EUA, cuja formação estava voltada para a Primeira Emenda à Constituição do país [– a que protege a “liberdade de expressão”]. Essas plataformas eram de propriedade privada e operadas por empresas, mas sua governança seguia o espírito da legislação norte-americana. No entanto, a maioria delas também considerava seu dever moderar conteúdos “obscenos, violentos ou de ódio”. Isso se devia, em parte, ao desejo de serem vistas como ligadas a “boas práticas corporativas”, mas também era uma questão puramente pragmática: “A viabilidade econômica depende de atender às normas de discurso e comunidade dos usuários”, escreveu Klonick. Quando as plataformas criavam ambientes que atendiam às expectativas dos usuários, estes passavam mais tempo no site, e a receita poderia aumentar. Economia simples. No entanto, enquanto as plataformas buscavam equilibrar responsabilidade corporativa, segurança dos usuários e viabilidade econômica, as regras tornaram-se cada vez mais pontos de conflito. As decisões de moderação de conteúdo passaram a ser vistas não como governança neutra, mas como julgamentos carregados de valores — declarações implícitas sobre quais vozes eram bem-vindas e quais não eram. A remoção pelo Facebook da icônica foto Garota do Napal, em 2016 — devido à aplicação automatizada de regras contra nudez — provocou uma reação global, forçando a plataforma a reverter sua decisão e reconhecer as complexidades da moderação em larga escala. Na mesma época, o Twitter enfrentou críticas por não responder adequadamente ao crescimento de propagandistas do Estado Islâmico e a campanhas de assédio como o Gamergate (um movimento online de 2014, supostamente sobre ética no jornalismo de games, mas amplamente visto como uma campanha de trolls contra mulheres do setor). Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui  

NOVA IA – Seja bem-vindo, DeepSeek

Com inteligência, criadores da IA chinesa driblaram a força bruta dos EUA. E compartilharam o que produziram! Falta o mais difícil: criar relações sociais que tornem a tecnologia companheira, e não algoz. Mas vale aplaudir o passo dado… Agora, todos já sabem. A DeepSeek, uma empresa chinesa de inteligência artificial (IA), lançou um modelo chamado R11, que é comparável em capacidade aos melhores modelos de empresas como OpenAI, Anthropic e Meta, mas foi treinado a um custo radicalmente mais baixo e usando chips de GPU inferiores ao estado da arte. A DeepSeek também tornou públicos detalhes suficientes do modelo para que outros possam executá-lo em seus próprios computadores sem custos. A DeepSeek é um torpedo que atingiu abaixo da linha d’água as chamadas “Sete Magníficas” empresas de tecnologia dos EUA. A DeepSeek não usou os chips e softwares mais recentes e avançados da Nvidia; e não precisou de gastos astronômicos para treinar seu modelo de IA, ao contrário de suas concorrentes americanas; e ainda assim oferece um número semelhante de aplicações úteis. A DeepSeek construiu seu modelo R1 com chips mais antigos e mais lentos da Nvidia, aqueles cuja exportação para a China foi permitida pelas sanções dos EUA. O governo dos EUA e os gigantes da tecnologia acreditavam ter um monopólio no desenvolvimento de IA devido aos enormes custos envolvidos na fabricação de chips melhores e modelos de IA mais avançados. Mas agora o R1 da DeepSeek sugere que empresas com menos recursos financeiros poderão, em breve, operar modelos de IA competitivos. O R1 pode ser usado com um orçamento reduzido e muito menos poder computacional. Além disso, o R1 é tão eficiente quanto seus concorrentes na “inferência”, o jargão da IA para descrever o processo em que os usuários fazem perguntas ao modelo e obtêm respostas. E ele pode rodar em servidores de diversas empresas, eliminando a necessidade de pagar preços exorbitantes para alugar infraestrutura de empresas como a OpenAI. O mais importante é que o R1 da DeepSeek é “código aberto”, ou seja, seus métodos de codificação e treinamento estão disponíveis para que qualquer um possa copiar e desenvolver. Isso representa um golpe significativo nos segredos “proprietários” que OpenAI e o Gemini do Google mantêm em uma “caixa preta” para maximizar seus lucros. A analogia aqui é com a indústria farmacêutica, quando se compara medicamentos de marca e genéricos. A grande questão para as empresas de IA dos EUA e seus investidores é que pode não ser necessário construir imensos centros de dados repletos de chips caríssimos para alcançar resultados suficientemente bem-sucedidos. Até agora, as empresas americanas vinham aumentando massivamente seus planos de gastos e tentando captar bilhões para esse fim. De fato, na mesma segunda-feira em que o R1 da DeepSeek foi anunciado, a Meta revelou um novo investimento de US$ 65 bilhões, e poucos dias antes, o presidente Trump anunciou subsídios governamentais de US$ 500 bilhões para os gigantes da tecnologia como parte do chamado projeto Stargate. Ironicamente, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, disse que estava investindo porque “Queremos que os EUA definam o padrão global de IA, e não a China.” Oh, querido… Agora, os investidores estão preocupados de que esses gastos sejam desnecessários e, mais do que isso, que afetem a lucratividade das empresas americanas, caso a DeepSeek consiga oferecer aplicações de IA a um décimo do custo. Cinco das maiores ações de tecnologia focadas em IA — a fabricante de chips Nvidia e os chamados “hiperescalares” Alphabet, Amazon, Microsoft e Meta Platforms — perderam coletivamente quase US$ 750 bilhões em valor de mercado em um único dia. Além disso, a DeepSeek ameaça os lucros das empresas de data centers e das operadoras de água e energia que esperavam se beneficiar da grande ‘expansão’ promovida pelas Sete Magníficas. O boom do mercado de ações dos EUA está fortemente concentrado nessas empresas. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui