MISSA DE ENCERRAMENTO – XXIV Encontro Nacional do Movimento das Famílias dos Padres Casados

A homilia chegou a ser entendida como um “Novo Pentecostes”. A presença fraterna de Dom Diamantino Prata de Carvalho, Bispo Emérito da Diocese de Campanha, Minas Gerais. Texto de Hermínia Maria Firmeza, esposa do padre Luiz Sérgio, casal coordenador do encontro nacional de Belo Horizonte. “Nesse XXIV Encontro Nacional fomos acompanhados 100% pelo D. Diamantino, que também celebrou a Eucaristia por duas vezes. Na Missa de encerramento, em sua homilia, acabou por dar “um pito encostado”, ressaltando que temos na Igreja Doméstica e na comunidade amplo ambiente, inclusive de liberdade, para evangelizar, não se devendo ficar preocupado com estruturas, que inclusive por muitas vezes não exerce sua função, tornando-se um peso na manutenção. A homilia chegou a ser entendida como um “Novo Pentecostes”. Em 2023, No Encontro Nacional em Salvador, na Bahia, a tônica na sinodalidade foi a acolhida e consolidação da opção realizada, seguida de acompanhamento na regularização educacional, civil e canônica do padre católico casado. Agora em2025, no Encontro Nacional em Belo Horizonte, a tônica foi a consciência de uma Igreja Doméstica e seus desafios no processo de envelhecimento do casal, na criação dos filhos diante da TI e AI, na relação Intra e Extra Institucional do MFPC. É, portanto, fundamental refletirmos sobre essa Igreja Doméstica e seus desafios, dentre os quais, apresentar à comunidade um novo modelo de família construída sobre bases evangélicas como amor, diálogo, tolerância etc, com vistas a uma saudável realização pessoal, fundamental para uma vida plena”. Hermínia Firmeza.

RELIGIÃO – Entenda como o filósofo alemão Schopenhauer bebeu nas fontes do budismo

Considerado um dos pensadores mais influentes do século XIX, Arthur Schopenhauer encontrou no budismo inspiração para a busca pela libertação do sofrimento 247 – Arthur Schopenhauer (1788-1860), filósofo alemão conhecido por sua obra-prima “O Mundo como Vontade e Representação”, é frequentemente associado ao pessimismo filosófico. No entanto, poucos sabem que suas ideias foram profundamente influenciadas por tradições orientais, especialmente o budismo. Schopenhauer foi um dos primeiros pensadores ocidentais a se interessar seriamente pelas filosofias do Oriente, e sua conexão com o budismo revela um diálogo fascinante entre duas visões de mundo aparentemente distantes. No início do século XIX, o Ocidente começava a ter acesso a textos e ideias das culturas orientais, graças a traduções e estudos de acadêmicos europeus. Schopenhauer, que já era um ávido leitor de textos filosóficos e religiosos, encontrou nos ensinamentos budistas uma ressonância com suas próprias reflexões sobre a natureza do sofrimento e a busca pela libertação. Ele não teve acesso direto aos textos budistas originais, já que muitas de suas leituras eram baseadas em traduções e interpretações de estudiosos da época. No entanto, Schopenhauer reconheceu no budismo uma visão profunda e coerente sobre a condição humana, que complementava suas próprias ideias. Paralelos entre Schopenhauer e o budismo A natureza do sofrimento: Tanto Schopenhauer quanto o budismo partem da premissa de que a existência é permeada pelo sofrimento (dukkha, no budismo). Para Schopenhauer, a “vontade” (Wille) é a força cega e insaciável que impulsiona todos os seres, gerando desejo, frustração e dor. No budismo, o sofrimento é visto como uma característica intrínseca da vida, causado pelo apego e pelo desejo. A libertação do sofrimento: Schopenhauer propôs que a libertação do sofrimento só poderia ser alcançada por meio da negação da vontade, um conceito que ecoa a ideia budista de nirvana — o estado de libertação do ciclo de desejo e sofrimento. Para ambos, a renúncia aos desejos mundanos e a busca por uma vida de contemplação e ascetismo são caminhos para a paz interior. A compaixão como virtude central: Schopenhauer via a compaixão como a base da moralidade, argumentando que reconhecer o sofrimento dos outros e agir para aliviá-lo é a expressão mais elevada da ética. Essa visão se assemelha ao conceito budista de karuna (compaixão), que é central para a prática espiritual e o desenvolvimento do bodhicitta (a mente iluminada). A ilusão do eu: O filósofo alemão questionou a noção de um “eu” estável e independente, argumentando que a individualidade é uma ilusão criada pela vontade. Essa ideia se aproxima do conceito budista de anatta (não-eu), que ensina que o “eu” é uma construção transitória e interdependente, sem uma essência fixa. Fonte: Site Brasil247 Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – A reforma do papado. Artigo de Eliseu Wisniewski

Nos marcos das reformas do Concílio Vaticano II e do papa Francisco, o presente livro ajuda a entender o significado e a necessidade de uma reforma do papado em nossos dias. “Portanto, não se trata de reinventar a Igreja, mas de continuar a reforma a partir do governo central, descendo aos governos locais. Isso significa repensar o exercício do poder como serviço, sem arrogâncias pagãs do poder sagrado, sem as tiranias monárquicas e sem os pragmatismos dos governos modernos”, escreve Eliseu Wisniewski, presbítero da Congregação da Missão (padres vicentinos) Província do Sul, mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em resenha do livro A reforma do papado (Paulinas, 2024, 224 p.), 22-01-2025. As reformas do papado aconteceram ao longo da história da Igreja. Condicionado pelos contextos socioculturais e políticos, o papado foi sendo construído e reconstruído não somente em seu modo de agir, mas também na sua própria autoimagem. Mais recentemente, desde Paulo VI (1963-1978), os próprios papas têm reconhecido que o modus operandi do ministério papal precisa de uma revisão, de modo que o papa seja mais fiel à sua missão. O papa João Paulo II (1978-2005) fez um apelo explícito neste sentido no número 95 da encíclica Ut Unum Sint. Por sua vez, o papa Francisco no número 32 da Exortação Evangelli Gaudium afirma que: “Dado que sou chamado a viver aquilo que peço aos outros, devo pensar também numa conversão do papado. Compete-me, como Bispo de Roma, permanecer aberto às sugestões tendentes a um exercício do meu ministério que o torne mais fiel ao significado que Jesus pretendeu dar-lhe e às necessidades da evangelização”. No entanto, tal empreitada se depara com um grande empecilho: a Constituição Dogmática Pastor Aeternus que definiu como dogma de fé divinamente revelado a infabilidade papal em matéria de fé e costumes, quando o bispo de Roma fala ex cathedra. Se feitas nessas circunstâncias, as declarações do papa são irreformáveis ex sese, non ex consenso Ecclesiae – por si, não pelo consenso da Igreja. Nesta perspectiva se situa a obra A reforma do papado (Paulinas, 2024, 224 p.), escrita por Tiago Cosmo da Silva Dias, presbítero, mestre e doutorando em Teologia e professor no Instituto de Teologia São Miguel, da Diocese de São Miguel Paulista, São Paulo. Nos marcos das reformas do Concílio Vaticano II e do papa Francisco, o presente livro ajuda a entender o significado e a necessidade de uma reforma do papado em nossos dias. A obra em questão está organizada em quatro capítulos e o caminho proposto pelo autor no texto não é o de esgotar o tema da reforma do papado, mas ser uma espécie de guia para apontar algumas estradas possíveis por onde, efetivamente qualquer mudança poderia ocorrer. No primeiro capítulo Aspectos da conjuntura socioeclesial – séculos XVIII e XIX (p. 17-53), expõem-se os antecedentes históricos que contribuíram para as definições da infalibilidade e do primado de jurisdição do papa, partindo dos acontecimentos da Revolução Francesa (1789), da qual a Igreja já saíra bastante ferida. Nas páginas deste capítulo o autor pontua que no contexto em que a polarização crescia, em 1846 chegou ao governo supremo da Igreja o cardeal Giovanni Maria Mastai Ferreti, que adotou para si o nome de Pio IX (1846-1878) e representou o ápice do distanciamento da Igreja para com o mundo moderno, especialmente em sua tríade de documentos: a carta encíclica Qui Pluribus (1846), a bula Ineffabilis Deus (1854) e a carta encíclica Quanta Cura (1864). Foi durante o pontificado de Pio IX que aconteceu o Concílio Vaticano I (1869-1870), que definiu, na Constituição Dogmática Pastor Aeternus (1870), os dogmas que giram em torno do papa. Se, porém, de um lado, o papa era declarado infalível em matéria de fé e de costumes ao falar ex cathedra, de outro perdia o poder temporal, graças ao movimento de unificação italiana. Segundo o autor olhar para estes fatos auxilia no entendimento dos caminhos que a Igreja ia, aos poucos, traçando para si, cada vez mais se compreendendo como societas perfectas governada por um monarca: o papa. Na sequência, o segundo capítulo intitulado O Concílio Vaticano I e as definições do primado de jurisdição e infalibilidade papal (p. 55-102), faz uma exposição sistemática dos antecedentes históricos e das razões pelas quais o papa Pio IX sentiu-se impelido a convocar um Concílio, cuja abertura aconteceu em 1869. O autor salienta que foi durante este Concílio que o primado de jurisdição e a infalibilidade papal foram proclamados como dogma de fé, revelados pelo próprio Deus, na Constituição Pastor Aeternus, de 18 de julho de 1870. Por estas razões, o autor faz uma análise dos fundamentos do presente documento, na tentativa de verificar se o embasamento bíblico e histórico-eclesial são suficientes para pensar o bispo de Roma como chefe da Igreja e, como tal, com o primado de jurisdição e a infalibilidade, quando fala ex catedra. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

O Papa: uma mulher chefiará o Governatorato do Vaticano

Francisco foi entrevistado por Fabio Fazio no programa “Che tempo che fa” do canal Nove, anunciando uma nova nomeação feminina para o além Tibre: em março, a promoção da religiosa que hoje é a número dois. O Pontífice respondeu a uma pergunta sobre os rumores a respeito dos planos do novo governo Trump de deportar migrantes: se for assim, será uma vergonha, não se pode fazer com que os mais pobres paguem a conta dos desequilíbrios da sociedade. Em primeiro lugar, a novidade: uma mulher, a secretária Irmã Raffaella Petrini, a partir de março à frente do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano. Depois, o olhar para o mundo com a tristeza por uma possível deportação em massa de imigrantes nos EUA, a alegria pela trégua em Gaza, a esperança pela solução de dois Estados. E ainda, a acolhida aos migrantes, o Jubileu, a abertura de uma Porta Santa na prisão, a luta contra os abusos, a saúde pessoal. Temas relacionados aos eventos atuais e aos desafios do mundo, da Igreja e do pontificado, abordados pelo Papa Francisco na entrevista com o jornalista Fabio Fazio no programa italiano Che tempo che fa, transmitido na noite deste domingo, 19 de janeiro, no canal Nove. Francisco já havia concedido uma entrevista ao mesmo programa em 2022, depois uma segunda em 2024. Hoje, uma nova entrevista de cerca de uma hora, também uma oportunidade para apresentar a autobiografia intitulada Spera, realizada pelo jornalista Carlo Musso, publicada pela Mondadori e publicada em cem países: uma obra “muito delicada” composta de muitas histórias “que dão uma ideia de como eu sou”. A Irmã Petrini chefiará o Governatorato O Papa – depois de tranquilizar sobre a condição de seu braço após a contusão de quinta-feira: “Está se movendo melhor” – anuncia en passant que a partir de março, após a aposentadoria do cardeal Fernando Vergéz Alzaga, a secretária Irmã Raffaella Petrini será a presidente do Governatorato do Vaticano. Outra mulher, portanto, à frente de um importante cargo, após a nomeação da Irmã Simona Brambilla como prefeita do Dicastério para a Vida Consagrada. “O trabalho das mulheres nas Cúrias é algo que se desenvolveu lentamente e tem sido bem compreendido. Agora temos muitas delas”, comentou o Papa. E listando as tarefas confiadas a figuras femininas no Vaticano, acrescenta: “no Governatorato, a vice-governadora, que se tornará governadora em março, é uma freira…” “As mulheres sabem administrar melhor do que nós”, brinca. Planos para deportação em massa de imigrantes nos EUA Em seguida, o Papa Francisco responde a uma pergunta sobre os Estados Unidos, à luz dos rumores de um possível plano de deportação em massa de imigrantes após a posse do presidente Donald Trump. Uma eventualidade que o Papa chama de “uma desgraça”, porque “faz com que os pobres infelizes que não têm nada, paguem a conta do desequilíbrio”. Acolhida aos migrantes e desnatalidade Sobre o tema das migrações, o Papa Francisco repete os “quatro verbos” para enfrentar a emergência: “o migrante deve ser acolhido, acompanhado, promovido e integrado”. E retorna ao tema que lhe é caro o da desnatalidade, olhando para a Itália, onde a idade média é de “46 anos”. “Se não fazem filhos, deixem entrar os migrantes”, afirma. A solução de dois Estados e a importância da paz A entrevista não deixa de fora uma pergunta sobre a guerra no Oriente Médio, com o início hoje da trégua em Gaza e a libertação de três mulheres reféns do Hamas. Como no Angelus, o Papa expressa gratidão aos mediadores: “Eles são bons”, depois se detém na hipótese de dois Estados: “acredito que seja a única solução. Alguns estão dispostos, outros não”. “A paz”, acrescenta, ‘é superior à guerra’, mas é preciso ‘coragem’ para fazê-la porque ‘muitas vezes você perde algo, mas ganha mais’. A guerra, ao invés, sempre “é uma derrota”, insiste o Papa, reiterando o valor das negociações e denunciando o “grande” lucro das fábricas de armas que levam “à destruição”. Fonte: Site VATICAN NEWS Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – O caso Sodalício põe em perigo a soberania do Vaticano, a liberdade religiosa e os esforços antiabuso

Ano passado, o Papa enviou os seus dois principais investigadores em casos de abuso sexual, o arcebispo maltês Dom Charles Scicluna, e o monsenhor espanhol Jordi Bertomeu, ao Peru para abrir uma investigação sobre o Sodalitium Chistianae Vitae Admito que sugerir que Castillo, de 74 anos, pode enfrentar o desafio imediato mais difícil de qualquer um dos novos cardeais é uma afirmação ousada. Afinal de contas, os seus colegas empossados ​​incluem o cardeal Ladislav Nemet, o primeiro cardeal na história da Sérvia, país predominantemente ortodoxo onde os habitantes locais não têm sido tradicionalmente entusiasmados com “a Igreja de Roma”, e o cardeal Dominique Joseph Mathieu de Teerã, no Irã. Não é preciso dizer mais nada. No entanto, quando Castillo regressar ao Peru, encontrará um processo criminal contra um funcionário do Vaticano, com implicações para a imunidade e soberania diplomática do Vaticano, para a liberdade religiosa, para a capacidade do Vaticano de gerir escândalos e má conduta, e para a vontade do clero católico em todo o mundo de responder quando o Vaticano pedir ajuda. Em uma palavra: “Ufa!” Ano passado, o Papa enviou os seus dois principais investigadores em casos de abuso sexual, o arcebispo maltês Dom Charles Scicluna, e o monsenhor espanhol Jordi Bertomeu, ao Peru para abrir uma investigação sobre o Sodalitium Chistianae Vitae, movimento fundado pelos leigos peruanos Luis Fernando Figari em 1971, e que agora enfrenta múltiplas acusações de abuso. No início deste ano, duas pessoas que testemunharam nessa investigação apresentaram uma queixa criminal contra Bertomeu nos tribunais peruanos, alegando que ele tinha violado a sua privacidade ao divulgar as suas identidades e o conteúdo dos seus depoimentos à imprensa. Estas alegações foram contestadas por outras partes, incluindo jornalistas peruanos que afirmam que os seus colegas fotografaram as duas pessoas que saíam da embaixada papal em Lima, onde ocorreram as entrevistas, e foi assim que foram identificadas. Em outubro, a queixa foi transferida por um procurador local para o procurador-geral e não está claro o que acontecerá a seguir. Se tal processo for permitido, poderá estabelecer precedentes preocupantes em pelo menos cinco áreas, nenhuma das quais tem qualquer relação direta com a questão de saber se Bertomeu fez as coisas de que foi acusado. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – Papa aos médicos: “Cuidar sempre, nenhuma vida deve ser descartada”

O Papa elogiou o legado da Universidade e a tradição de excelência que remonta ao imperador Frederico II, seu fundador, que deu origem a uma das mais antigas universidades do mundo. Nesta sexta-feira, 29 de novembro, Francisco dirigiu uma saudação aos profissionais da Universidade de Nápoles Federico II, a mais antiga universidade laica do Ocidente, por ocasião do 800º aniversário de sua fundação. O Santo Padre destacou a importância histórica da instituição e sublinhou os valores que devem guiar aqueles que trabalham na área da saúde, inspirados por uma rica tradição ética e cristã. O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta sexta-feira, 29 de novembro, a comunidade acadêmica da Universidade de Nápoles Federico II, composta por reitores, professores e estudantes do setor de medicina odontológica, e proferiu sua saudação relembrando a fundação da universidade, que, há oito séculos, continua sendo um marco histórico na educação e na ciência. Ao iniciar seu discurso, o Papa elogiou o legado da Universidade e a tradição de excelência que remonta ao imperador Frederico II, seu fundador, que deu origem a uma das mais antigas universidades do mundo. O Santo Padre destacou a importância do lema hipocrático que une a lição do grego Hipócrates à autoridade do latino Scribônio: “primum non nocere, secundum cavere, tertium sanare” -“primeiro, não prejudicar; segundo, cuidar; terceiro, curar”. Segundo Francisco, estas máximas continuam a ser um guia indispensável para a prática médica: “Não prejudicar. Isso pode parecer algo óbvio, mas, na verdade, responde a um saudável realismo: antes de tudo, trata-se de não acrescentar mais danos e sofrimentos àqueles que o paciente já está vivendo.” Francisco durante a audiência Sobre o cuidado, Francisco ressaltou que esta é a ação evangélica por excelência, como a do bom samaritano, e que deve ser realizada com o “estilo de Deus”: “E qual é o estilo de Deus? Proximidade, compaixão e ternura. Não esqueçam: Deus é próximo, compassivo e terno. O estilo de Deus é sempre este: proximidade, compaixão e ternura.” Em seguida, o Papa compartilhou uma experiência pessoal: “Eu me recordo de quando, aos vinte anos, tiveram que retirar parte do meu pulmão, que estava doente. Sim, me davam os medicamentos, mas o que mais me dava força era a mão dos enfermeiros que, após aplicar as injeções, seguravam minha mão… Esta ternura humana faz tanto bem!”   Fonte: Site VaticanNews Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – As mulheres livres são um perigo. No Irã e não só. Artigo de Shady M. Alizadeh

O silêncio que acompanha a resistência de mulheres e homens no Irã tornou-se insuportável e encontra eco no resto do mundo. É nossa tarefa fazer ecoar o canto de liberdade e democracia no Irã. O artigo é de Shady M. Alizadeh, advogada e ativista Mulher, Vida, Liberdade, publicada por Domani, 25-11-2024. A tradução é de Luisa Rabolini. Em realidades como a da República Islâmica, mas também em muitas outras partes do mundo, as mulheres livres são consideradas um perigo. É por isso que somos chamadas de “loucas”. As mulheres iranianas, na realidade, são heroínas para todas nós, porque conseguem erguer a cabeça contra um regime belicista. Mulher, Vida, Liberdade não é apenas um lema, mas representa uma visão clara da sociedade e do mundo que assusta porque redesenha os limites do poder e dos poderosos e se contrapõe ao poder patriarcal e violento que só quer abusar e possuir nós, mulheres. Nós, mulheres, relegadas às margens, encarnamos a hipótese obstinada e não mais clandestina de que uma sociedade alternativa sem violências, ódio, abusos e guerras é possível. O que o movimento representa uma clara convicção de que um mundo diferente é possível, um mundo que não nos odeie, e que acabe com essa guerra secular contra nós. Há 45 anos, o povo iraniano está empenhado em uma resistência, também feminista, para a obtenção da liberdade, por um Estado iraniano democrático contra um regime que odeia suas próprias cidadãs e seus próprios cidadãos. Dois anos após o assassinato de Mahsa Jina Amini, testemunhamos violências contínuas, detenções, estupros, torturas, assassinatos e prisões contra aqueles que se manifestam em solidariedade às mulheres. No mês de julho, o regime islâmico condenou à morte Sharifeh Mohammadi, sindicalista, e Pakhshan Azizi, ativista curda iraniana. A culpa deles é a de violar a segurança do Estado. Desde 30 de julho, e todas as terças-feiras da semana, as mulheres no Irã fazem greve de fome promovida por Narghes Mohammadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, e outras ativistas presas na prisão de Evin para exigir o fim das execuções. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – “O Sínodo demonstrou que a Igreja Católica mantém uma confusão que impede qualquer reflexão séria sobre o exercício do poder”. Artigo de Paule Zellitch e Guy Legrand

  Paule Zellitch, presidente da Conférence catholique des baptisés francophones, e Guy Legrand, membro da CCBF, deploram a persistência de uma modalidade de governo arcaica e antidemocrática na Igreja, que “não é estranha à imensa dificuldade do sistema eclesial em combater os abusos”. Em sua forma atual, um sínodo dos bispos é uma assembleia consultiva e deliberativa, com o papa tendo a palavra final. O objetivo inicial do último sínodo, cuja assembleia geral, também aberta a alguns leigos, terminou no final de outubro, era pensar quais mudanças fossem desejáveis na Igreja, no contexto das revelações sobre a disseminação dos abusos de todos os tipos cometidos por padres. No decorrer do processo sinodal, o objetivo primário foi perdido de vista em favor dos meios a serem utilizados para alcançá-lo. O “método sinodal”, o “método de sínodo”, foi usado para avaliar a eficácia do sínodo. O “método sinodal”, concebido como um fim em si mesmo, tornou-se o principal objetivo desse sínodo. Como resultado, a assembleia não conseguiu enfrentar uma série de questões importantes, especialmente os fundamentos da governança. Recusa do debate Em primeiro lugar, quando aos católicos é dada a palavra, eles a usam. O sínodo deu a palavra aos fiéis que, em sua maioria, a usaram, no quadro da ampla consulta organizada na fase de preparação. Assim, apesar da inevitável diluição e reformulação das sínteses produzidas pelos bispos de cada país e depois de cada continente, a reivindicação por uma maior igualdade entre homens e mulheres nas funções eclesiásticas emergiu amplamente da consulta em todo o mundo. No entanto, durante as assembleias gerais do sínodo, assistimos a uma recusa de princípio do debate [o tema do diaconato feminino, entre outros, foi excluído das discussões] como método de construção de consenso pela instituição eclesial. Uma recusa implementada com a escolha da noção de “conversação no Espírito Santo”: o objetivo era reduzir o espaço para o debate e o confronto construtivo, percebido pelo magistério da Igreja como um ataque ao seu conceito de unidade, herdado nas suas modalidades do Império Romano, a partir da época de Constantino. Esses elementos são característicos do paradoxo que esse sínodo deveria ter resolvido: a Igreja Católica Romana, sociedade organizada em ordens hierárquicas, pode coexistir hoje em uma sociedade civil cujo princípio fundamental, agora secular, é a igualdade dos indivíduos, com a organização social que disso resulta? A Igreja e a sociedade civil operam de acordo com dois modelos antinômicos. Uma sociedade de ordens, organizada em duas castas separadas e hierarquizadas (clérigos e leigos), diante de uma sociedade baseada na igualdade dos direitos, sem distinção entre os sexos, com características diferentes: Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

Memórias Parte 3: Alemanha: “não” a avanços precipitados. Artigo de Francesco Strazzari

Em um primeiro momento, Roma interveio notificando aos bispos seu veto em apoiar posições diferentes das da legislação canônica, provocando abalos dramáticos. “Quanto a uma maior liberdade para praticar a intercomunhão (como em casamentos mistos) e para admitir divorciados recasados aos sacramentos, Roma respondeu que era preciso aguardar mais estudos e uma maior uniformidade de consenso na Igreja”, escreve o cientista político italiano Francesco Strazzari, professor de Relações Internacionais na Scuola Universitaria Superiore Sant’Anna, em Pisa, na Itália, em artigo publicado por Settimana News, 12-11-2024. Eis o Artigo. Estamos em 1978. Após três anos de espera sobre os dezesseis “votos” ou pedidos feitos à Santa Sé pelo sínodo das dioceses alemãs, chegou a resposta: um sim, três não, doze “é preciso esperar”. Do sínodo de Würzburg ao Katholikentag 1978 De 1971 a 1975, em Würzburg, celebrou-se o sínodo que, em oito sessões plenárias, visava atualizar a vida cristã às necessidades do povo alemão. Nos documentos aprovados, foram sustentadas algumas posições em contraste com o Código de Direito Canônico. Em um primeiro momento, Roma interveio notificando aos bispos seu veto em apoiar posições diferentes das da legislação canônica, provocando abalos dramáticos. Decidiu-se avançar com pedidos às congregações romanas competentes para que revissem a posição católica sobre dezesseis pontos relativos à vida de toda a Igreja, levando em conta as motivações apresentadas pelos sinodais alemães. Com o atraso de anos na resposta, em várias ocasiões foi expressa a insatisfação com a espera, até que, no Katholikentagde setembro de 1978, o bispo de Speyer, dom F. Wetter, a pedido dos participantes, revelou que a resposta já havia chegado em março de 1978 e forneceu informações sobre seu conteúdo. Roma aceitou apenas um “voto”: a possibilidade de celebrar o sínodo das dioceses alemãs a cada dez anos. Um claro “não” foi dado pela Santa Sé aos pedidos de aumentar o número de orações eucarísticas, de conceder aos sacerdotes a faculdade de administrar o sacramento da crisma e de eliminar o impedimento da diversidade de confissão religiosa no casamento. Quanto a uma maior liberdade para praticar a intercomunhão (como em casamentos mistos) e para admitir divorciados recasados aos sacramentos, Roma respondeu que era preciso aguardar mais estudos e uma maior uniformidade de consenso na Igreja. Sobre os outros dez “votos”, a resposta foi de que era preciso esperar pela reforma do direito canônico. Entre esses, estavam o pedido para admitir ao presbiterado também homens casados, conceder o diaconato às mulheres, permitir que homens e mulheres qualificados recebessem o mandato oficial para a pregação no serviço litúrgico de determinadas comunidades, e deixar liberdade na ordem dos sacramentos (confissão antes da eucaristia para a primeira comunhão das crianças). A decepção era enorme em uma ampla parte do catolicismo alemão e, em especial, nos sinodais. Predominava o slogan: “Agora só resta a lembrança de uma esperança”. Com “Nossa esperança, uma profissão dinâmica de fé neste tempo”, o sínodo despediu-se em 24-11-1975. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

Memórias /2: Inglaterra, os sonhos desfeitos de Hume. Artigo de Francesco Strazzari

A preparação, meticulosa e envolvente, durou cerca de dois anos até a escolha dos delegados. Sobre a ordenação diaconal das mulheres, foi explícito: “Ficaria feliz se a Igreja decidisse pela ordenação das mulheres ao diaconato, porque, de fato, elas já exercem o diaconato.” O artigo é de Francesco Strazzari, professor de Relações Internacionais na Scuola Universitaria Superiore Sant’Anna, em Pisa, na Itália,  publicado por Settimana News, 08-11-2024. EIS O ARTIGO. De 2 a 6 de maio de 1980, mais de dois mil delegados da Igreja Católica da Inglaterra e do País de Gales se reuniram em Liverpool para discutir “Jesus Cristo, caminho, verdade e vida”, no Congresso Nacional Pastoral, uma espécie de “concílio” para debater uma série de questões urgentes: da corresponsabilidade na Igreja ao ministério sacerdotal, da família à sociedade, da educação cristã à justiça no mundo. A preparação, meticulosa e envolvente, durou cerca de dois anos até a escolha dos delegados. Surgiu que metade dos católicos ingleses nunca tinha ouvido falar do Concílio Vaticano II, não aceitava a encíclica de Paulo VI, Humanae Vitae, sobre contracepção, e não concordava com a obrigatoriedade do celibato para os padres. Debates acalorados e francos. O Congresso pediu que fosse discutida a possibilidade de admitir mulheres ao sacerdócio, embora Paulo VI tivesse escrito ao primaz da Igreja Anglicana que a Igreja Católica não estava de modo algum de acordo por razões teológicas e históricas. O Congresso se mostrou favorável à ordenação de homens casados, convidando a hierarquia a examinar a questão. Era sabido que o cardeal Hume, arcebispo de Westminster, era favorável à revisão da prática eclesiástica e que havia discutido isso no Vaticano. O clamor do Congresso reacendeu a esperança de um renovamento da Igreja, mas inquietou Roma. Os padres da National Conference of Priests, que representavam cinco mil padres da Inglaterra e do País de Gales, reuniram-se em Birmingham de 1 a 5 de setembro para refletir sobre os resultados do Congresso de Liverpool, apenas uma semana após a sua conclusão. Aprovaram as conclusões das várias comissões. Um breve comentário sobre o cardeal Hume. Filho de um renomado médico escocês, não católico, e de uma mãe francesa, ele se fez beneditino, adotando o nome Basilio em 1945. Formou-se em História em Oxford e obteve a licença em Teologia em Friburgo. Ensinou línguas modernas e História no célebre colégio beneditino de Ampleforth. Tornou-se abade em 1963; arcebispo de Westminster em março de 1976, e cardeal no mesmo ano, nomeado por Paulo VI. Em 1979, foi eleito presidente do Conselho das Conferências Episcopais da Europa. Participou do concílio, onde, para surpresa dos padres, contou alguns sonhos para descrever a Igreja como “tenda de Abraão”. Perguntei-lhe uma opinião sobre o famoso Congresso de Liverpool em 1980. “Você sabe que a Igreja tem tempos longos. O importante é que chegamos a um congresso, onde bispos, padres, leigos, adultos e jovens se confrontaram e discutiram animadamente. Foi uma ótima experiência.” Quanto à ordenação de homens casados, ele confirmou que o pedido seria enviado a Roma. Da mesma forma, em relação à aceitação de pastores anglicanos casados. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui