RELIGIÃO – 45 anos do martírio de Óscar Romero e uma Igreja em libertação. Artigo de Gabriel Vilardi

Ao canonizar Dom Óscar Romero, o Papa Francisco indicou para toda a Igreja o exemplo e o testemunho deste mártir latino-americano, brutalmente assassinado há 45 anos, em 24-03-1980. A despeito das estruturas clericais que tendem sempre a controlar e a “domesticar” tantas figuras radicais no seguimento de Jesus, São Romero não pode se tornar apenas mais uma festa litúrgica no calendário romano. O artigo é de Gabriel dos Anjos Vilardi, jesuíta, bacharel em Direito pela PUC-SP e bacharel em Filosofia pela FAJE. É mestrando no PPG em Direito da Unisinos e integra a equipe do Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Eis o artigo. Em uma realidade ferida por tantas crises e extremismos, guerras e extermínios, neocolonialismos e neoimperialismos, big techs e discursos de ódio, o mundo está carente de testemunhos que inspirem esperança e confiança noutros caminhos possíveis. No lugar de Trump, Musk e Netanyahu e seus massacres, xenofobias e autoritarismos sem fim é preciso recordar as inúmeras pessoas que deram e dão a vida pela justiça social, pela proteção da Casa Comum, pela libertação dos marginalizados. Entre elas, São Óscar Romero, o bispo que não se calou diante da barbárie. Neste tempo quaresmal, os ensinamentos paulinos são bastante claros: “não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, a saber, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito” (Rm 12, 2). Imprescindível voltar a essa admoestação, especialmente aqueles que insistem em querer transformar o seguimento cristão num devocionismo vazio e num ritualismo intimista. Dom Romero mostrou que o caminho do discipulado é muito mais do que deturpadas práticas egoístas e autocentradas. “Ninguém é tão livre como o que não está subjugado ao deus dinheiro”, asseverou o bispo-mártir, “e ninguém é tão escravo como o idólatra do dinheiro” [1]. O arcebispo de El Salvador ficaria horrorizado com o que se tornou o país sob a presidência de Nayib Bukele, um regime de direita fundado no populismo penal e no encarceramento em massa. Recentemente o Estado centro-americano recebeu migrantes venezuelanos deportados dos Estados Unidos, na megaprisão nomeada Centro de Confinamento de Terroristas. No acordo Trump-Bukele o país receberá migrantes em seus cárceres, em troca de 20 mil dólares por cada um ao ano. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – Hünermann: as mulheres devem finalmente entrar no clero

Na Igreja Católica alemã, o diaconato das mulheres é uma questão há anos. Peter Hünermann, ex-professor de dogmática em Tübingen, vem defendendo isso veementemente há muito tempo. E ele não se contém nas críticas. Em uma entrevista ao katholisch.de, ele explica o porquê. A reportagem é de Madeleine Spendier, publicada por Katholisch.de, 18-03-2025. Peter Hünermann é considerado um dos mais importantes teólogos alemães. De 1971 a 1982, o padre, hoje com 96 anos, ensinou dogmática na Universidade de Münster e depois na Universidade de Tübingen até sua aposentadoria em 1997. O ex-professor de dogmática vem defendendo o diaconato das mulheres há décadas. Em uma entrevista ao katholisch.de, ele explica seus motivos. Eis a entrevista. Professor Hünermann, o senhor testemunhou o Concílio Vaticano II e também a introdução do diaconato permanente para os homens. De acordo com o direito canônico, a ordenação ainda é reservada apenas aos homens… Não acredito que seja a vontade de Deus. Então seu desejo seria que as mulheres se tornassem diaconisas? Sim, as mulheres devem ser ordenadas como diáconas. Este ofício sacramental deve finalmente ser aberto às mulheres. Estamos esperando por isso há muito tempo. Eu sei que as decisões da igreja são processos lentos. É preciso muita paciência. O argumento de que Jesus chamou apenas homens para serem apóstolos é repetidamente apresentado… Isso é simplesmente errado. Por exemplo, Jesus também chamou Júnia e Maria Madalena para serem apóstolas, testemunhas da ressurreição. Eles são mencionados pelo nome no Novo Testamento. Os ofícios pós-apostólicos na Igreja surgem do trabalho dos apóstolos. Portanto, é justo esperar que as mulheres ocupem cargos na Igreja na sucessão dos apóstolos. É simplesmente errado que os homens de hoje na igreja não queiram ver isso. Quando a Hagia Sophia, a catedral de Constantinopla, foi concluída no século VI, 56 diaconisas pertenciam ao clero da catedral. Você diz que as mulheres devem estar no clero? Sim, as mulheres podem ser clero. É tolice ainda excluir as mulheres deste ofício eclesiástico hoje em dia. Não há fundamento teológico ou bíblico contra isso. Você consegue entender que é exaustivo para as mulheres ouvir argumentos contra a ordenação de mulheres repetidamente? Sim, eu sei sobre isso. Essas relações de poder foram estabelecidas ao longo de cerca de dois mil anos desde a antiguidade. Você só pode alterá-los passo a passo. Há uma eremita que disse em uma entrevista que gostaria de celebrar a Eucaristia e dizer as palavras de consagração. O que você acha disso? O fato de ela ser mulher não é contra isso. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – O peso do papado: a urgência de uma aposentadoria com dignidade dos pontífices

As recentes imagens do Papa Francisco no Hospital Gemelli, visivelmente envelhecido e mostrando sinais de sofrimento, reabriram um antigo debate: os papas devem permanecer ativos até o fim de seus dias? A história recente do papado mostrou os danos físicos e mentais que o exercício do poder pode causar em um homem idoso, especialmente em figuras como João Paulo II, que suportou a última fase de seu pontificado com uma evidente deterioração que o deixou praticamente incapacitado. O artigo é publicado por Ataque al poder, 17-03-2025. A tradução é de Luisa Rabolini. Em um mundo em que a expectativa de vida aumentou e a medicina permite que a vida seja prolongada além da plena capacidade de cada um, a liderança da Igreja Católica continua presa a uma lógica que associa a permanência no cargo à vontade divina. Essa visão, no entanto, não só pode afetar a capacidade de governo da Igreja, mas também impõe um sacrifício desnecessário aos próprios papas. A renúncia de Bento XVI em 2013 marcou um ponto de virada na história do papado, mas não foi suficiente para consolidar uma norma sobre a aposentadoria dos bispos de Roma. A Igreja, como qualquer outra instituição, precisa de uma liderança dinâmica e ativa. Um papa idoso, enfraquecido pelo peso dos anos, inevitavelmente delega responsabilidades às pessoas mais próximas a ele, com o risco de que o poder real acabe nas mãos de outros. No caso de João Paulo II, a fase final de seu pontificado foi marcada pela crescente influência de seu secretário pessoal e da Cúria do Vaticano, que tomavam decisões em seu nome, enquanto o pontífice se mostrava cada vez mais frágil. Essa situação não apenas questionou a governança efetiva da Igreja, mas também projetou uma imagem de sofrimento desnecessária. A tradição católica exalta o valor do sacrifício, vendo o sofrimento como uma forma de se aproximar de Deus. Entretanto, essa visão não pode ser aplicada indiscriminadamente à gestão da Igreja. A insistência de que os papas devem morrer durante o seu mandato, independentemente de sua saúde, é uma visão anacrônica que contradiz a própria mensagem sobre a dignidade humana que a Igreja defende. Permitir que um pontífice se aposente com honra, quando sua saúde assim o exigir, é uma questão de humanidade e de responsabilidade institucional. Outro argumento a favor da aposentadoria papal é a possibilidade de uma renovação doutrinária e pastoral. A Igreja Católica se vê enfrentando desafios constantes que exigem respostas rápidas e uma adaptação às realidades do mundo contemporâneo. É improvável que um papa idoso e debilitado consiga empreender com energia as reformas necessárias ou responder prontamente às crises que poderiam se apresentar. A permanência indefinida no cargo limita a capacidade da Igreja de se renovar e se conectar com as novas gerações. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – A religião como fonte de utopias regeneradoras e libertárias

A antropologia em geral e, especialmente, a escola psicanalítica de C. G. Jung veem a experiência religiosa emergindo das camadas mais profundas da psiqué. Hoje predomina o convencimento de que o fator religioso é um dado do fundo utópico do ser humano. Depois que a maré crítica da religião feita por Marx, Nietzsche, Freud, Popper e Dawkins retrocedeu, podemos dizer que os críticos não foram suficientemente críticos. No fundo, todos eles laboraram num equívoco: quiseram colocar a religião dentro da razão, o que fez surgir todo tipo de incompreensões. Estes críticos não se deram conta de que o lugar da religião não está na razão, embora possua uma dimensão racional, mas na inteligência cordial, no sentimento oceânico, naquela esfera do humano onde emergem as utopias. Bem dizia Blaise Pascal, matemático e filósofo no famoso fragmento 277 de seus “Pensées”: “É o coração que sente Deus, não a razão”. Crer em Deus não é pensar Deus, mas sentir Deus a partir da totalidade de nosso ser. A religião é a voz de uma consciência que se recusa a aceitar o mundo tal qual é, sim-bólico e dia-bólico. Ela se propõe transcendê-lo, projetando visões de um novo céu e uma nova Terra, e de utopias que rasgam horizontes ainda não vislumbrados. A antropologia em geral e, especialmente, a escola psicanalítica de C. G. Jung veem a experiência religiosa emergindo das camadas mais profundas da psiqué. Hoje sabemos que a estrutura em grau zero do ser humano não é razão (logos, ratio), mas é a emoção e o mundo dos afetos (pathos, eros e ethos). A pesquisa empírica de David Golemann com sua Inteligência emocional (1984) veio confirmar uma larga tradição filosófica que culmina em M. Meffessoli, Muniz Sodré e em mim mesmo (Direitos do coração, Paulus 2016). Afirmamos ser inteligência saturada de emoções e de afetos. É nas emoções e nos afetos que se elabora o universo dos valores, da ética, das utopias e da religião. É deste transfundo que emerge a experiência religiosa que subjaz a toda religião institucionalizada. Segundo L. Wittgenstein, o fator místico e religioso nasce da capacidade de extasiar-se do ser humano. “Extasiar-se não pode ser expresso por uma pergunta. Por isso não existe também nenhuma resposta”(Schriften 3, 1969,68). O fato de que o mundo exista, é totalmente inexprimível. Para este fato “não há linguagem; mas esse inexprimível se mostra; é o místico”(Tractatus logico-philosophicus, 1962, 6, 52). E continua Wittgenstein:”o místico não reside no como o mundo é, mas no fato de que o mundo é”(Tractaus, 6,44). “Mesmo que tenhamos respondido a todas as possíveis questões científicas, nos damos conta de que nossos problemas vitais nem sequer foram tocados” (Tractatus, 5,52). Fonte: Site BRASIL DE FATO Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – 21 bispos se juntam a cientistas e ativistas para assinar carta contra exploração de petróleo no Brasil

Um grupo de 100 cientistas, ambientalistas, ativistas sociais e católicos — incluindo 21 bispos — divulgou uma carta pública em 18 de fevereiro criticando os planos do governo Lula para exploração de petróleo perto da foz do Rio Amazonas. A reportagem é de Eduardo Campos Lima , publicada por National Catholic Reporter, 27-02-2025. A carta afirma que a exploração de petróleo perto da costa do estado amazônico do Amapá, no norte do Brasil, seria um “suicídio ecológico” e pede uma redução imediata na produção e no consumo de combustíveis fósseis. Segundo os signatários, a produção de petróleo naquela área não só seria arriscada para os biomas locais, mas também significaria a continuidade de um modelo econômico que libera uma quantidade excessiva de carbono na atmosfera, o que contribui para as emissões de gases de efeito estufa que retêm calor e aquecem o planeta. Dom Vicente de Paula Ferreira, da Diocese de Livramento de Nossa Senhora, Bahia, é um dos bispos mais atuantes na denúncia dos impactos das atividades extrativistas na Terra e nas populações tradicionais. “A retórica do governo é baseada em uma mentalidade capitalista de lucros ilimitados. Mas o planeta não tem mais recursos para crescimento ilimitado. Temos que proteger o que sobrou”, disse o bispo, que lidera a Comissão Especial de Mineração e Ecologia Integral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. O padre italiano Dario Bossi, membro da comissão, disse que o grupo queria que a igreja desempenhasse um papel significativo entre os signatários da carta, por isso buscou o apoio de bispos de todas as regiões do Brasil. “Isso mostra que não é só um segmento social que critica o projeto do governo, mas uma aliança complexa com diferentes atores”, disse. A ideia de prospectar petróleo na chamada Margem Equatorial — região que abrange o litoral brasileiro do Rio Grande do Norte ao Amapá e além até a Guiana Francesa, Suriname e Guiana — não é nova. Desde 2014, a estatal petrolífera Petrobras solicitou autorização da agência ambiental do governo, Ibama, em diversas ocasiões para explorar as reservas de petróleo da região. O esforço enfrentou uma luta política significativa a partir de 2023, durante o primeiro ano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu terceiro mandato, embora alguma controvérsia tenha existido antes. Após a destruição ecológica da administração do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019–2022), grande parte da campanha de Lula se concentrou na promessa de reconstruir as políticas de proteção ambiental do Brasil. Marina Silva, uma conservacionista de longa data que começou seu ativismo político ao lado do ícone amazônico Chico Mendes (1944–1988), foi nomeada por Lula como ministra do meio ambiente e mudanças climáticas. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – A religião como arma na política brasileira. Artigo de Ana Carolina Evangelista

Ana Carolina Evangelista, cientista política, é diretora-executiva e pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (ISER) do Rio de Janeiro. “No contexto de crises, os políticos, religiosos ou não, utilizam o religioso e as suas formas contemporâneas mais individualistas e dogmáticas como forma de apresentar alternativas que prometem o retorno à ordem, à previsibilidade, à segurança e à unidade. Na política brasileira atual, a religião é um recurso discursivo de pertencimento e recuperação da ordem utilizado pelos ultraconservadores, ou neoconservadores, para fazer avançar suas agendas nos espaços institucionais”. A reflexão é de Ana Carolina Evangelista, em artigo publicado por Le Monde Diplomatique Cono Sur, edição de fevereiro de 2025. A tradução é do Cepat. Eis o artigo. A religião parece brotar da terra toda vez que se analisa hoje a política no Brasil, e não apenas no Brasil. Seja durante os processos eleitorais ou nos corredores dos poderes Executivo e Legislativo, não passa um dia sem que falemos sobre como está a intenção de voto do segmento evangélico, ou sobre o posicionamento do deputado A, B, C… que tem manifestado suas referências religiosas para justificar seu voto ou seu novo projeto de lei, e as repercussões que isso teria no Governo. Mas o que aconteceu? Por que vemos mais religião na política? Ela sempre esteve aí e simplesmente não prestávamos atenção nisso? Por que já não é mais possível falar de eleições e de política sem que um pouco de religião queira aparecer? E será que tudo realmente tem a ver com religião? Eu diria que não. Se extrapolarmos para o contexto brasileiro uma pesquisa recente publicada nos Estados Unidos, talvez mais pessoas comecem a se perguntar se de fato estamos falando de uma invasão indiscriminada da religião na política ou se estamos testemunhando uma incorporação sistemática, radicalizada e instrumental da religião por um dos polos político-ideológicos. A segunda opção parece mais precisa. A diferença religiosa O Pew Research Center entrevistou cerca de 12.600 adultos em fevereiro de 2024 e constatou que a grande maioria dos adultos estadunidenses concorda que a influência da religião na vida pública está diminuindo: 80% deles, a percentagem mais alta já registrada pelo instituto nas suas pesquisas. Porém, metade considera isso algo negativo. Mas qual metade? Existem diferenças importantes entre republicanos e democratas, entre evangélicos e católicos, entre adultos mais velhos e adultos jovens. Entre os republicanos, 68% consideram o declínio da influência da religião na sociedade uma coisa má, em comparação com apenas 33% entre os democratas. A mesma pesquisa indica que a maioria apoia o princípio da separação entre Igreja e Estado, e poucos acreditam que o Governo Federal deveria declarar o cristianismo como religião oficial do país. No entanto, existe uma aparente divisão entre aqueles a favor e contra a promoção dos valores morais cristãos pelo Governo: 44% contra 39%. Nem tudo tem a ver com a religião, mas muito tem a ver com a polarização. Os adultos jovens são mais propensos do que os adultos mais velhos a dizer que o governo não deve declarar o cristianismo como religião oficial ou promover os valores morais cristãos. Da mesma forma, são os mais jovens que rejeitam com mais veemência a ideia de que a diminuição da influência da religião na vida pública seja algo negativo. Há também um sentimento crescente de que as próprias crenças religiosas das pessoas entram em conflito com a sociedade em que vivem e que é melhor não discutir diferenças religiosas. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – Portugal acolheu nova reunião “secreta” de bispos promovida por organização dos EUA muito crítica do Papa

A reportagem é de António Marujo, publicada por 7MARGENS, 03-02-2025. Foi uma reunião quase “secreta” de pelo menos 80 cardeais e bispos católicos de todo o mundo. Vieram a Portugal convidados e com viagens e alojamento pagos num dos hotéis mais caros de Portugal, por uma instituição dos Estados Unidos muito crítica das ideias do Papa Francisco. O encontro teve lugar entre 14 e 18 de Janeiro – confirmou o 7MARGENS no local e junto de alguns dos participantes. A reunião decorreu no Penha Longa Resort, de Sintra, onde um quarto individual para quatro noites nesta semana (de terça a sábado, os mesmos dias em que há três semanas se realizou a iniciativa) custa 1041 euros já com uma “promoção” – e admitindo que, num encontro como este, pode ter sido negociado um preço mais reduzido – mas sem contar com as refeições. A organização e o pagamento é do Acton Institute for the Study of Religion and Liberty (Instituto Acton para o Estudo da Religião e a Liberdade), dos Estados Unidos, que teve no padre Robert Sirico, muito ligado ao Partido Republicano dos EUA, um dos seus fundadores. Na maior parte, os bispos são oriundos de países pobres e muitos deles não podem viajar senão quando é estritamente necessário ou por convite. Por isso, o Acton oferece-lhes as viagens, estadia e uma ida a Fátima, com a contrapartida de ouvirem intervenções por pessoas que integram todas a estrutura do instituto e que são normalmente muito cuidadosos na forma como falam do Papa, como confirmam bispos que participaram no encontro. O padre Sirico é um dos que, desde a primeira hora, é muito crítico das ideias sociais do Papa Francisco. Antigo pastor evangélico e padre católico desde 1989, é conhecido por ser um defensor do mercado livre capitalista e da “opção preferencial pela liberdade”, em oposição à “opção preferencial pelos pobres”, defendida por muitos bispos da América Latina. Nisso, aliás, afasta-se do próprio João Paulo II, que defendia essa ideia, bem como a centralidade do trabalhador, perante o capital, nos conflitos laborais. A iniciativa tornou-se já, nos últimos anos, uma espécie de ritual – no lugar e na data. Este ano, ela contou com um convidado “especial”: o bispo Rolando Alvarez, da Nicarágua, expulso do país pelo regime de Daniel Ortega, depois de meses de prisão, que deu um testemunho sobre a perseguição de que foi vítima, bem como sobre as perseguições que têm sido movidas à Igreja Católica, organizações de defesa dos direitos humanos e a outras instituições da sociedade civil. Um dos últimos episódios, de que o 7MARGENS deu conta, foi o desaparecimento, no dia 29 de Janeiro, de 30 monjas clarissas, cujo paradeiro continua desconhecido. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – Trabalho junto com o Papa Francisco para desmasculinizar a Igreja. Jesus ensina a igualdade perante Deus”. Entrevista com Linda Poche

A entrevista é de Francesca Visentin, publicada por Corriere Veneto, 19-01-2025. A tradução é de Luisa Rabolini. Freira, teóloga e filósofa, o pontífice confiou a ela a tarefa de trabalhar pela igualdade: “Mulheres diáconas, vamos em frente. Na Igreja, as assimetrias de poder devem ser resolvidas como no resto da sociedade”. “O machismo é uma realidade contrária ao Evangelho, a direção certa é a valorização das mulheres e dos homens”. Palavras do Papa Francisco, que desencadearam um percurso de “desmasculinização” da Igreja, chamado exatamente assim. Na linha de frente está uma freira, teóloga e filósofa do Friuli, a Irmã Linda Pocher, professora de Cristologia e Mariologia na Pontifícia Faculdade Auxilium em Roma e na Pontifícia Academia Mariana Internacional, a quem o pontífice confiou a tarefa de trabalhar pela igualdade. A pedido do papa, a irmã Linda Pocher organizou encontros de formação sobre o tema para ele e para o Conselho de Cardeais. Um trabalho reunido no livro Smaschilizzare la Chiesa (Edizioni Paoline) com um prefácio do Papa Francisco, que ilustra as muitas maneiras pelas quais a diferença de gênero foi interpretada e implementada como desigualdade na Igreja. No livro, Linda Pocher, juntamente com Lucia Vantini e Luca Castiglioni, abordam as questões críticas, libertando o Evangelho de interpretações que ocultaram e marginalizaram as mulheres. O próprio Papa reiterou em várias ocasiões: “Um dos grandes pecados que cometemos foi ‘masculinizar’ a Igreja”, mesmo antes da Comissão Teológica Internacional. Sacerdotes, teólogos e teólogas discutiram essas questões até sábado, 18 de janeiro, em Pádua, na conferência “Desmasculinizar a Igreja? Por uma Igreja de mulheres e homens”, organizada pelo Instituto Superior de Ciências Religiosas de Pádua e pela Irecoop Veneto. E a irmã Pocher reiterou a necessidade de uma presença feminina igualitária na Igreja. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – A Pastoral Universitária e seus desafios. Artigo de Matias Soares

“Sem dúvida, uma “pastoral da cultura’ é sempre necessária, já que esta é a manifestação sensível de tudo o que é humano. E o ser humano é a via da Igreja”, escreve Pe. Matias Soares, pároco de Santo Afonso M. de Ligório, Natal, Rio Grande do Norte. Eis o artigo. A Igreja tem tido presente a urgência da pastoral em chave missionária. A saída para as fronteiras é uma prerrogativa que gradativamente, principalmente, no pós-concílio, tem sido considerada a partir do paradigma missionário. A sua pastoralidade assumiu a necessidade do diálogo com a cultura. Esta não é mais um empecilho, uma realidade a ser combatida; mas uma via a ser seguida, com a atenção à leitura dos sinais dos tempos. Tudo o que é humano não pode ser indiferente a vida da Igreja, já que ela é chamada a ser “Mãe e Mestra”. Na universidade estão os cristãos e não cristãos, que têm as “sementes do Verbo”. A luz da razão é lugar teológico. Nela a verdade de Deus encontra morada. A tradição cristã reconhece e tem uma linha transversal que não renega a racionalidade do caminho da fé. Tenhamos presente o que São João Paulo II nos ensinou na Fides et Ratio (Fé e Razão), como “as duas asas pelas quais podemos contemplar a Verdade”. Até a passagem da idade média para o início da Era moderna, esse era o caminho do conhecimento. A modernidade ocidental, com seu projeto cientifico, a partir de Francis Bacon, com sua autonomia racional e política, através do Iluminismo, corporificados na Revolução Industrial, assumiu outras vias que geraram muitas barreiras, preconceitos e negação das possibilidades da aliança entre a fé e a razão. A pastoral universitária encontra nesse desenrolar histórico seu entrave contemporâneo e sua emergência pastoral nas fronteiras da academia. A Igreja Particular de Natal tem uma trajetória profícua e marcada por protagonismo nestas conjunturas do conhecimento, apesar do reconhecimento destes fatores históricos, que demarcaram o início da modernidade. A pastoral universitária já existira em tempos passados, com testemunhos de muitas lideranças que até os nossos dias recordam de personalidades eclesiásticas que contribuíram com a promoção da ciência em nosso estado. Foram tantos ministros ordenados que foram professores e contribuíram em vários cursos de humanidades e fundação de escolas e cursos. Eram outros tempos e desafios; mas também com outras possibilidades. Com suas bases na área das ciências humanas, línguas clássicas e a própria credibilidade da Igreja, alguns tinham vias “mais amenas” para ingressarem na universidade. Muito diferente do que temos hoje, quando as exigências são outras: doutorados e pós-doutorados, com concursos mais concorridos e o olhar de desconfiança para com a Igreja são barreiras que se nos são postas, já que houve um hiato no investimento da formação acadêmica dos ministros ordenados em tempos passados e que perdura no moderno. Temos que avançar e ter coragem de assumir outros horizontes e estratagemas. A proximidade e o diálogo com a academia têm que seguir outros métodos de presença. Sem dúvida, o caminho é a proximidade e a articulação, a começar das paróquias, dos fiéis leigos que aí estão e têm sua presença efetiva no ambiente da academia. Já defendi e continuo com a ideia de que a pastoral universitária precisa acontecer em todas as paróquias da Arquidiocese, com a abertura e empenho dos irmãos presbíteros na viabilização deste canal de evangelização junto aos professores, alunos e demais integrantes das universidades que têm a sua vida de fé e estão nas comunidades eclesiais. Mas, como a nossa prática pastoral continua a ser a da manutenção, o medo da relação com o diferente nos atrofia e distancia destas realidades. Além das muitas escolas católicas presentes em nosso território arquidiocesano, é digno de nota e atenção o que fora vivido pela nossa Igreja Local durante o “Movimento de Natal”, pelo final da década de cinquenta e toda década de sessenta, com as “escolas radiofônicas” (cf. Alceu R. Ferraro, “Igreja e Desenvolvimento – O Movimento de Natal”, pág. 179-184), através do SAR – Serviço de Assistência Rural. A experiência exitosa iria ser assumida pelo Estado com a fundação do MEB – Movimento Educacional Brasileiro. Como já escrevi em outra oportunidade (Disponível aqui), esse espírito de protagonismo, com a abertura de coração aos novos sinais dos tempos, nesse “admirável mundo novo”, pode ser revivido, porque temos a beleza transcendente da “Alegria do Evangelho”. É Ele a nossa força e a razão de ser da missão da Igreja. O magistério do Papa Francisco tem nos oferecido muitas possibilidades de inserção na cultura contemporânea, inclusive no âmbito da academia, através da proposta do “Pacto Educativo Global”. Ampliando as perspectivas, temos a riqueza propositiva do pensamento social da Igreja, desde Leão XIII, e seus sucessores, até os nossos dias. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

RELIGIÃO – Papa: a salvação das almas deve estar no centro dos processos de nulidade matrimonial

A inauguração do Ano Judiciário do Tribunal da Rota Romana foi o grande evento no Vaticano esta sexta-feira, 31 de janeiro. O Papa recordou os 10 anos da publicação de dois documentos para a reforma do processo de nulidade matrimonial, não com a intenção de favorecê-la, mas de acelerar os processos. Francisco recordou que este ano celebra-se o décimo aniversário de dois “Motu Proprio” (Mitis Iudex Dominus Iesus e Mitis et Misericors Iesus), com os quais reformou o processo para a declaração de nulidade do matrimônio. E aproveitou este encontro para evocar o espírito que permeou esta reforma. Uma das intenções era tornar os processos mais acessíveis e ágeis, tendo no centro a figura do bispo diocesano. A ele, com efeito, cabe a responsabilidade de administrar a justiça na Diocese, constituindo o tribunal. Por isso, o Pontífice pediu a inserção da atividade dos tribunais na pastoral diocesana, encarregando os bispos de garantir que os fiéis saibam da existência do processo como possível remédio à situação de necessidade em que se encontram. “É triste, às vezes, saber que os fiéis ignoram a existência desta via”, disse Francisco, acrescentando que é importante que seja garantida a gratuidade do procedimento para que a Igreja manifeste o amor gratuito de Cristo. No centro da reforma, prosseguiu o Papa, estava a preocupação com a salvação das almas, que deve guiar a sua aplicação. “Nos interpelam a dor e a esperança de muitos fiéis que buscam clareza sobre a verdade de sua condição pessoal e, consequentemente, sobre a possibilidade de uma plena participação à vida sacramental.” Para quem viveu uma experiência matrimonial infeliz, a verificação da validez ou não do matrimônio representa uma importante possibilidade. Ao garantir o direito de defesa e a presunção de validez matrimonial, a finalidade do processo não é complicar inutilmente a vida dos fiéis e muito menos de exacerbar o conflito, mas prestar um serviço à verdade. A intenção, portanto, não é favorecer a nulidade dos matrimônios, mas a celeridade dos processos. Por isso, foi suprimida a necessidade da dupla sentença. Com essas mudanças, a quem atua neste campo requer-se uma particular prudência na aplicação das normas, com sentido de “veneração” à realidade conjugal e matrimonial, recordando que a família é o reflexo vivo da comunhão de amor que é Deus Trino. Por fim, o Papa recordou que os cônjuges unidos em matrimônio receberam o dom da indissolubilidade, que não é uma meta a alcançar com o próprio esforço nem um limite à sua liberdade, mas uma promessa de Deus. E concluiu: “Queridas irmãs, queridos irmãos, a Igreja lhes confia uma tarefa de grande responsabilidade, mas antes ainda de grande beleza: ajudar a purificar e restaurar as relações interpessoais. O contexto jubilar em que nos encontramos enche de esperança este trabalho, de esperança que não decepciona. Invoco sobre todos vocês, peregrinos de esperança, a graça de uma alegre conversão e a luz para acompanhar os fiéis rumo a Cristo, que é o Juiz manso e misericordioso.” Fonte: Site VATICAN NEWS Matéria Completa: Acesse Aqui