Memórias Parte 1: Holanda, padres casados e celibato. Artigo de Francesco Strazzari

A Holanda está preocupada com o caso Schillebeeckx, o teólogo dominicano julgado pela então Congregação para a Doutrina da Fé. “O Sínodo começa na segunda-feira, 14 de janeiro de 1980, em Roma. O presidente da Conferência Episcopal, card. Johannes Willebrands, propôs à Santa Sé dar a conhecer o documento de trabalho e estudar a melhor forma de consultar especialistas, sacerdotes e leigos. Teria havido discussão sobre colegialidade, já que os bispos holandeses não se davam bem.”, escreve o cientista político italiano Francesco Strazzari, professor de Relações Internacionais na Scuola Universitaria Superiore Sant’Anna, em Pisa, na Itália. O artigo foi publicado por Settimana News, 02-11-2024. EIS O ARTIGO É novembro de 1979. Faz frio na zona rural de Brabant. Walter Goddjin, professor da Universidade de Tilburg, que conheci na sua casa em Diessen, é um sociólogo da religião de renome internacional, uma figura de destaque na época do famoso “Conselho Holandês” (1965-1970). A Holanda está preocupada com o caso Schillebeeckx, o teólogo dominicano julgado pela então Congregação para a Doutrina da Fé. E também estão preocupados porque o sínodo de meados de Janeiro de 1980, convocado por João Paulo II, é um assunto de alto nível. A agenda dos trabalhos não é conhecida, mantida oculta, diz-se, para que bispos e padres não a discutam com a base. O Sínodo começa na segunda-feira, 14 de janeiro de 1980, em Roma. O presidente da Conferência Episcopal, card. Johannes Willebrands, propôs à Santa Sé dar a conhecer o documento de trabalho e estudar a melhor forma de consultar especialistas, sacerdotes e leigos. Teria havido discussão sobre colegialidade, já que os bispos holandeses não se davam bem. A Santa Sé nomeou dois bispos tradicionalistas, Dom Adrianus Simonis e Dom Joannes Baptist Matthijs Gijsen, respectivamente nas sés de Rotterdam e Roermond. Sacerdotes e fiéis reagiram aos ataques contra padres casados levados a cabo por Gijsen, recordando a Assembleia Pastoral Nacional, realizada em Outubro de 1978 em Noordwijkerhut, onde na verdade tudo aconteceu. Bispos desafiados, o cardeal Willebrands em dificuldade, Dom Bluyssen, bispo de Hertogenbosch, aplaudiu e Gijsen e Simonis vaiaram. Durante a Assembleia, os bispos holandeses aprovaram nove “recomendações” entre dez, mas opuseram-se à sétima: “Convidamos fortemente a experimentar o acesso ao serviço sacerdotal de homens casados, mulheres, sacerdotes que querem casar ou que já são casados, pedimos novamente à Conferência Episcopal que levante também a questão em Roma sobre se os professores (sacerdotes) casados devem ser readmitidos em locais de formação teológica. Por isso, pedimos ao nosso Arcebispo que atenda novamente ao pedido, há muito expresso no seio da Igreja holandesa, numa conversa colegiada com os representantes do episcopado mundial sob a direção do Papa”. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
RELIGIÃO – Santa Sé proíbe missa tradicional em latim na catedral de bispo demitido pelo papa

A paróquia de São José Operário, confiada aos cuidados da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP), é a única paróquia da diocese autorizada a “usar o Missal de 1952 A missa tradicional em latim não será mais celebrada na catedral de Tyler, Texas, EUA, a partir de 1° de dezembro, por ordem do administrador apostólico, dom Joe S. Vásquez, com autorização da Santa Sé. Vásquez substitui o bispo Joseph Strickland, um dos críticos mais declarados do papa Francisco, demovido do cargo há um ano. Vásquez, bispo de Austin, é administrador apostólico da diocese de Tyler desde a saída de Strickland em 11 de novembro do ano passado. Ele anunciou a proibição em uma carta aos paroquianos da catedral da Imaculada Conceição em Tyler, ao celebrar uma missa no domingo (10) às 14h (horário local). Um porta-voz da diocese de Tyler disse também à CNA, agência em inglês da EWTN News, que as missas celebradas segundo a forma litúrgica pré- concílio Vaticano II também serão suspensas em outras quatro paróquias: Maria Rainha do Paraíso em Malakoff, Sagrado Coração em Texarkana, São Francisco de Assis em Gilmer e Sagrado Coração em Nacogdoches. A carta foi obtida pela jornalista católica Diane Montagna, que a divulgou na rede social X no fim de semana. “Seguindo a orientação da Santa Sé”, escreveu dom Vásquez em uma carta datada de 6 de novembro, “a celebração da liturgia de acordo com os livros litúrgicos aprovados por São Paulo VI e São João Paulo II de acordo com o Concílio Vaticano II” não será mais permitida na catedral a partir de dezembro, mas será permitida em apenas uma paróquia na diocese de Tyler. A paróquia de São José Operário, confiada aos cuidados da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP), é a única paróquia da diocese autorizada a “usar o Missal de 1952, de acordo com as disposições do Traditionis Custodes”, motu proprio publicado pelo papa Francisco em 2021 que restringiu drasticamente a celebração da missa tradicional em latim em todo o mundo. Segundo a carta de dom Vásquez, a paróquia de São José Operário é uma “paróquia pessoal” estabelecida em 2003 para “cuidar pastoralmente de todos aqueles na diocese que celebravam de acordo com as formas litúrgicas mais antigas”. Um porta-voz da diocese disse à CNA: “No futuro, como afirma a carta, a Paróquia de São José Operário em Tyler, uma paróquia pessoal confiada à FSSP, continuará a servir os fiéis da diocese de acordo com as normas da Traditionis Custodes”. A carta não especifica por que as missas tradicionais em latim não serão mais celebradas na catedral, embora a recusa de Strickland em implementar totalmente a Traditionis custodes seja amplamente considerada um fator que levou à sua remoção. A Santa Sé não divulgou publicamente exatamente por que o papa Francisco demitiu Strickland. Fonte: Site ACDIGITAL Matéria Completa: Acesse Aqui
ENTREVISTA – “O Papa é um ‘kairós’ que ninguém esperava, um grande dom”. Entrevista com Gustavo Gutiérrez

Um dos últimos ‘gurus’ vivos aposta em Francisco, “um kairós, um grande dom”, após participar do I Encontro Ibero-Americano de Teologia, realizado na Boston College. Aos 88 anos, Gustavo Gutiérrez, o pai da Teologia da Libertação, é um vovô afetuoso que, apesar de sua fama, não se dá importância, e a quem todos veneram. Pequeno, com sua bengala sempre na mão, continua a ditar o rumo da corrente teológica que fundou e pela qual foi perseguido por 20 anos. Agora, recebe os reconhecimentos do próprio Papa Francisco e de toda a comunidade teológica mundial. Um dos últimos ‘gurus’ vivos aposta em Francisco, “um kairós, um grande dom”, após participar do I Encontro Ibero-Americano de Teologia, realizado na Boston College. A entrevista é de José Manuel Vidal, publicada por Religión Digital, 01-03-2017 Veja a entrevista completa no link abaixo. Fonte: Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
Gustavo Gutiérrez: cidadão do calvário. Artigo de Ademir Guedes Azevedo

Gutiérrez situa a reflexão teológica no nível de um “ato segundo” ele está tentando dizer que não existe uma teologia que sirva de explicação para todos os contextos “A teologia nasce onde pisam os pés. E os pés de Gutiérrez pisavam no chão do calvário das inúmeras vítimas que viviam sempre às margens. Elas, contudo, tiveram um irmão mais velho que as defendia e as pôs no centro do discurso sobre Deus; estas vítimas, de certa forma, acompanharam a caminhada deste servo de Jesus que hoje fez a sua Páscoa, pois o calvário que Gutiérrez optou não tinha a última palavra, foi apenas a ponte para a sua Páscoa”, escreve Ademir Guedes Azevedo, padre, missionário passionista e mestre em teologia fundamental pela Pontifícia Universidade Gregoriana, Roma. Fez a sua Páscoa o patriarca da chamada teologia da libertação: refiro-me ao ilustre discípulo de Jesus, Gustavo Gutiérrez Merino (1928-2024). Peruano, de traços indígenas, dotado de cultura refinada e marcado pelo bom-humor cultivado na sabedoria de quem aprendeu a viver enraizado no contexto e sem as fantasias que tendem a negar aquele real e dramático aspecto, inerente a condição da vida humana: o sofrimento. Neste sentido, gostaria de ler a sua vida a partir do calvário. Que lugar é este? Consiste naquilo que Gutiérrez chama de a descoberta do “mundo do outro”. Neste mundo se encontram os pobres, aqueles que não podem viver. Nascem e morrem, mas não vivem realmente, porque alguns mais fortes não deixam. Morrem antes da hora, pois são prematuramente abandonados, tornados invisíveis, nem sequer podem dormir serenos, uma vez que são atormentados pelo eterno pesadelo da desigualdade. É este pobre, portanto, que representa esta categoria de alteridade: o outro sofrido. Em outras palavras: se trata do homem crucificado de hoje. Ele vive eternamente num calvário. Pois bem, para descobrir este “mundo do outro”, Gutiérrez se fez também um pobre, falou a partir deste outro crucificado, rezou, lamentou, profetizou…enfim escreveu a sua teologia só depois de ter frequentado esta escola do calvário. Talvez um dado da sua biografia possa iluminar esta espontaneidade evangélica de viver de olhos abertos para o sofrimento alheio: na sua infância e adolescência ele experimentou na carne a doença da osteomielite, a qual lhe fez permanecer numa cadeira de rodas dos 12 aos 18 anos. Gutiérrez tornou-se cidadão do calvário desde os primórdios de sua existência. Ele foi um teólogo provocador. Desde este calvário do pobre crucificado, ele inverteu o modo de escrever a teologia. Para entender a sua originalidade, deve-se partir daquilo que ele chamava de “ato primeiro”, o qual consiste numa experiência mística vivendo inserido neste “mundo do outro”. Aqui se adora e contempla a Deus na sua carne sofredora. Antes de escrever a teologia, é necessário primeiro experimentar o primado divino (a espiritualidade). Gutiérrez foi um daqueles bons samaritanos: ele via e se inclinava para sentir o clamor de Jesus Crucificado nos corpos crucificados suspensos nos calvários das favelas, no desemprego, na fome, na falta de terra. Então só depois, num segundo momento, ele elaborava o discurso teológico. A teologia passa a ser “ato segundo”, pois nasce da chamada práxis contemplativa e da mística do sofrimento humano. É uma teologia da kénosis: precisa descer, inclinar-se, tocar as feridas, chorar primeiro com os que choram e isso faz toda a diferença. A teologia deixa de ser um discurso dedutivo, perde a sua arrogância de querer sempre corrigir a realidade e adota a indução: sente, observa, escuta, questiona sobre as causas do sofrimento e busca as respostas a partir da própria experiência de vida do mundo do pobre. Fonte: Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
LUTO – Faleceu o pai da Teologia da Libertação, Gustavo Gutiérrez

A informação foi divulgada oficialmente pela Província Dominicana de San Juan Bautista do Peru e seus restos mortais serão sepultados na Sala Capitular do Convento de Santo Domingo, em Lima. A América Latina e sua Igreja perderam uma de suas figuras mais influentes na teologia e no compromisso evangélico: Gustavo Gutiérrez Merino, teólogo, sacerdote, dominicano e fervoroso defensor dos pobres e da Igreja dos pobres. Faleceu em Lima (Peru) nesta última terça-feira, 22-10-2024, aos 96 anos. Seu legado está marcado pela profunda marca que deixou na Igreja Católica e na vida de milhões de fiéis, especialmente daqueles que sofrem exclusão e pobreza no continente latino-americano. A informação foi divulgada oficialmente pela Província Dominicana de San Juan Bautista do Peru e seus restos mortais serão sepultados na Sala Capitular do Convento de Santo Domingo, em Lima. Embora chamado por muitos de “pai da Teologia da Libertação”, Gutiérrez foi mais do que um teólogo. Foi um pensador e um homem de ação, um profeta que compreendeu que a fé não pode ser separada da vida real das pessoas, especialmente da vida dos pobres. Nasceu em Lima, em 08-06-1928, em uma família que viveu em primeira mão as limitações de um sistema econômico e social que marginalizou muitos. Sua infância foi marcada por doenças, pois sofria de osteomielite, o que o obrigou a usar dispositivos ortopédicos para se locomover e, por fim, uma cadeira de rodas. Essa experiência o levou a uma profunda reflexão bíblica sobre o sofrimento e a desenvolver uma sensibilidade única em relação aos mais vulneráveis. Desde muito jovem, o Pe. Gutiérrez encontrou na educação uma forma de servir outras pessoas. Foi conselheiro e inspiração de estudantes e jovens, da União Nacional dos Estudantes Católicos (UNEC), e colaborador próximo de movimentos que tiveram origem na Ação Católica, como o JOC, o MOAC, JEC, MIEC, MIIC, MIJARC e outros. Neles ajudou muitas gerações a refletir sobre a presença de Deus e, a partir daí, incentivar uma práxis que transforme a realidade. Neste espaço, forjou comunidades críticas que refletiram sobre a injustiça na América Latina e a necessidade de mudanças estruturais baseadas na fé. O seu papel na UNEC foi crucial para que muitos jovens assumissem um compromisso cristão com os oprimidos no Peru. A relação de Gutiérrez com a hierarquia eclesiástica no Peru e na América Latina foi muito boa. Sempre ouvidos e apoiados por figuras latino-americanas como o cardeal Juan Carlos Landázuri (Peru), Enrique Alvear (Chile), Leonidas Proaño (Equador), Paulo Evaristo Arns e Pedro Casaldáliga (Brasil), e Óscar Arnulfo Romero, santo mártir latino-americano. Estes e muitos outros bispos endossaram as suas contribuições às Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano de Medellín, Puebla, Santo Domingo e Aparecida. No entanto, alguns bispos, como o ex-arcebispo de Lima e membro do Opus Dei, amigo do Sodalício (sociedade que produziu centenas de vítimas de abusos sexuais, de consciência e de poder), não só o criticaram, mas procuraram condená-lo, sem sucesso. Ao entrar no novo milênio, Gutiérrez ingressou na Ordem dos Pregadores e como frade dominicano fortaleceu a sua vocação, encontrando nesta comunidade um espaço de proteção e apoio que lhe permitiu continuar a sua missão com maior apoio hierárquico. Fonte: Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
Francisco: a hora da verdade (fracassada?). Artigo de Jesús Martínez Gordo

Admito ter ficado surpreso e quase alucinado com a vitalidade desse homem singular que, aos 87 anos, coloca uma viagem muito longa a algumas das “periferias” da outra parte do mundo entre o peito e as costas e que, como se isso não bastasse, às vésperas da última sessão do Sínodo Mundial 2024 – que já está sendo realizada em Roma de 2 a 29 de outubro – viaja, de 26 a 29 de outubro em setembro, para Luxemburgo e Bélgica para celebrar, neste último país, o 600º aniversário de uma das maiores universidades católicas do mundo: a de Louvain. Além disso, o meu reconhecimento por tal vitalidade anda de mãos dadas com a gratidão, porque, como teólogo, tenho desfrutado desde a sua eleição como Papa de uma liberdade de pensamento que a grande maioria dos meus colegas que me precederam não teve. E que, felizmente, todos os cristãos no coração da Igreja Católica também desfrutam. Mas, já que me aprofundei no provérbio, não acho supérfluo lembrar que “o educado não tira o bravo”, sem que isso signifique que eu sou um, mas, sim, que vou fazer uso da liberdade que digo estar desfrutando graças a Francisco. Acho que tenho que usá-lo para explicar por que coloquei entre parênteses e perguntas que o momento da verdade de Francisco (fracassado?) chegou. Eu gostaria que não falhasse, mas tenho indicações importantes de que, no fim, será assim, pelo menos, em quatro questões que considero cruciais para o futuro da reforma da Igreja Católica na Europa Ocidental: 1) o acesso das mulheres ao sacerdócio ordenado; 2) a defesa de sua dignidade e protagonismo em igualdade de condições com os homens; 3) o despejo do exercício e justificação do modelo de um poder único, absolutista e monárquico que continua a prevalecer; 4) o compromisso claro e firme em favor de uma reorganização codecisiva, descentralizada e policêntrica em tudo o que é discutível, o que, aliás, é muito; muito mais do que se acredita. E como é altamente provável que Francisco falhe ou fique muito aquém da resolução dessas questões, não tenho escolha a não ser esperar por outro papa que, além de “abrir processos” de reforma (como o atual diz e faz), os encerre de forma criativa e esperançosa. E, igualmente, esperar que não seja do perfil, por exemplo, de João Paulo II e que haja, pelo menos, remanescentes ou brasas significativas da Igreja Católica na Europa Ocidental. Tenho muitas dúvidas sobre a primeira das questões: acho que Francisco vai falhar novamente na primeira das emergências. Sinto-o desde o início do seu pontificado, em particular quando expôs o seu programa. Desde então, ele não fez nada além de repetir, ativa e passivamente, que “o sacramento da ordem sacerdotal é reservado aos homens”. É por isso que, parece-me, ele criou três comissões para não dar em nada e, dessa forma, dar a impressão de que a solução para o problema não é sua. Mas isso, embora importante, não é tudo. Há poucos dias, na Universidade Católica de Lovaina, repetiu de novo, em resposta a perguntas de estudantes e professores, algo que também já disse sobre a igualdade de gênero: “as mulheres, no povo de Deus, são filhas, irmãs, mães”. A dignidade que “caracteriza a mulher”, sentenciou, “não é determinada por consensos ou ideologias”, mas “garantida por uma lei original, não escrita no papel, mas na carne”. Fonte: Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
RELIGIÃO – Diferenças claras emergem no Sínodo Mundial

Como relataram os participantes do Sínodo, um teólogo foi consultado para esclarecer a disputa teológica sobre os limites e possibilidades da autoridade descentralizada. Na Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre as mudanças na Igreja Católica, houve uma discussão invulgarmente clara sobre questões teológicas fundamentais na quarta-feira. Tal como foi relatado na coletiva de imprensa do Vaticano, tratava-se de estruturas novas e descentralizadas na maior comunidade religiosa do mundo e, acima de tudo, de se o ensino vinculativo da Igreja só pode ser estabelecido de forma geral pela sede em Roma. Em resposta às sugestões de mudanças feitas por alguns participantes, um membro do Sínodo advertiu: “Uma fé fragmentada também significa uma Igreja fragmentada!” Sublinhou que a unidade da Igreja, garantida na pessoa do Papa e através da sua autoridade máxima, é indispensável para a Igreja Católica. NOVOS ORGÃOS PARA UMA IGREJA DESCENTRALIZADA? Anteriormente, entre outras coisas, houve apelos para a criação de órgãos continentais consultivos e de tomada de decisão com as suas próprias regras, além ou como alternativa às conferências episcopais nacionais existentes. Eles também deveriam ter autoridade própria em questões de doutrina e disciplina eclesial. Isto inclui, entre outras coisas, o celibato dos padres. Como relataram os participantes do Sínodo, um teólogo foi consultado para esclarecer a disputa teológica sobre os limites e possibilidades da autoridade descentralizada. A liderança do Sínodo pediu esclarecimentos ao professor Gilles Routhier, que leciona na renomada universidade “Institut Catholique” de Paris. O canadense tentou então explicar em uma breve palestra o conceito de autoridade docente, da qual também participam os bispos, com base nas decisões do Concílio Vaticano II (1962-1965). Segundo os observadores, as propostas para a descentralização e regionalização das estruturas de tomada de decisão da Igreja estarão provavelmente entre os pontos mais polêmicos na votação final do Sínodo em 26 de outubro. Fonte: Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui