MUNDO – Palestinos, judeus, armênios e mais: a limpeza étnica que mancha a história do mundo

O plano de reassentar moradores de Gaza lembra a perseguição que muitas minorias sofreram no passado. Desde os tempos antigos até hoje, em muitos conflitos foram feitas tentativas de exterminar um povo inteiro. A reportagem é de Enrico Franceschini, publicada por Repubblica, 06-02-2025. “Evitem qualquer forma de limpeza étnica em Gaza”: ontem, o secretário-geral da ONU, António Guterres, respondeu desta forma à proposta de Donald Trump de transferir os dois milhões de palestinos da Faixa para vários países árabes e transformá-la num balneário “internacional”. Enquanto isso, a porta-voz da Casa Branca voltou atrás parcialmente nas palavras do presidente, afirmando que Trump não se comprometeu a enviar tropas americanas a Gaza para “tomar posse dela”, como havia dito na entrevista coletiva conjunta com o primeiro-ministro israelense Netanyahu, e que a transferência de palestinos seria apenas uma medida temporária. Mas enquanto o mundo árabe e a Europa discordam de um projeto que violaria as normas internacionais, nos Estados Unidos não faltam aqueles que o consideram um estímulo à paz, à prosperidade e aos negócios, desenvolvendo a construção e o turismo em “40 quilômetros de litoral”. Washington nega que isto tenha sido uma “limpeza étnica”. Aqui está um histórico deste termo e os casos aos quais ele foi aplicado no passado. O que é limpeza étnica? Limpeza étnica refere-se a uma variedade de ações que visam remover à força de um território a população de uma minoria étnica ou religiosa, mesmo recorrendo à violência, a fim de preservar a identidade e a homogeneidade de um grupo étnico predominante. Pode ocorrer por meio de deportação em massa ou métodos indiretos que visam forçar a minoria a migrar e impedir seu retorno, como assassinato, estupro e destruição de propriedade . O termo entrou em uso comum com os conflitos entre albaneses e sérvios em Kosovo a partir da década de 1980 e com as guerras na antiga Iugoslávia na década de 1990, mas o fenômeno tem precedentes muito antigos. Foi definido como um crime contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia e pelo Tribunal Penal Internacional em Haia. Nos tempos antigos Entre os primeiros exemplos de limpeza étnica, os historiadores consideram a expulsão de dezenas de milhares de judeus do Reino de Israel pelo Império Babilônico em 597 a.C., o massacre de romanos que viviam na Anatólia cometido pelo rei Mitrídates VI em 88 a.C., e as guerras romanas contra os judeus entre 115 e 136 d.C., nas quais centenas de aldeias foram arrasadas e centenas de milhares de pessoas mortas ou expulsas. Da Idade Média à Idade Moderna Casos mais recentes incluem a expulsão e o extermínio de armênios e gregos da Anatólia durante as invasões turcas entre 1071 e 1453 d.C.; a expulsão de judeus de vários países europeus, incluindo Espanha, França e alguns estados alemães entre os séculos XIII e XVI, com a medida alternativa, em Espanha, de conversão compulsória ao catolicismo; o deslocamento forçado de nativos americanos de 1492 até a segunda metade do século XIX por colonos britânicos, espanhóis e finalmente americanos, que segundo muitos historiadores assumiu as características de genocídio; o confisco de terras e a expulsão dos irlandeses na atual Irlanda do Norte por tropas e colonos ingleses entre 1566 e 1652; o extermínio em massa das populações mongóis na região de Dzungar por ordem da dinastia chinesa Qing entre 1755 e 1757; o extermínio e deslocamento de aborígenes na Austrália por colonos brancos de 1788 até o início do século XX. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

ECONOMIA – Déficit comercial dos EUA bate recordes em 2024 com salto nas importações

Dólar forte ajudou a impulsionar aumento nas importações dos EUA no ano passado O déficit comercial dos EUA aumentou acentuadamente no final de 2024, em meio a um aumento nas importações antes do início do segundo mandato de Donald Trump como presidente e sua execução da promessa de tarifas abrangentes. O déficit em dezembro no comércio de bens e serviços cresceu quase 25% em relação ao mês anterior, alcançando US$ 98,4 bilhões, mostraram os dados do Departamento de Comércio na quarta-feira. Isso resultou em um déficit anual de US$ 918,4 bilhões, o segundo maior desde 1960. A enxurrada de importações no final do ano foi ampla e incluiu um aumento nas remessas de produtos industriais, que provavelmente refletiu os esforços das empresas americanas para garantir produtos antes das tarifas de Trump. Além disso, muitos importadores esperavam mitigar as interrupções de uma possível greve dos trabalhadores portuários que foi evitada no mês passado. Os números mensais do comércio estão prestes a ganhar maior importância econômica e geopolítica, à medida que a administração Trump busca tarifas para estimular a produção interna, melhorar a segurança nacional e se ajustar ao que considera políticas comerciais injustas. Como visto apenas algumas semanas após a posse de Trump, esses esforços se estendem aos maiores parceiros comerciais da América. Trump havia ordenado tarifas de 25% sobre todos os bens do Canadá e do México, que deveriam entrar em vigor na terça-feira, mas as suspendeu por 30 dias após os líderes dos dois países se comprometerem a fazer maiores esforços para conter a migração ilegal e o tráfico de drogas ilícitas. Tarifas gerais de 10% sobre importações da China já entraram em vigor. Os dados comerciais mais recentes mostraram que o déficit de bens dos EUA com o México diminuiu ligeiramente em relação ao mês anterior, para US$ 15,2 bilhões ajustados sazonalmente em dezembro, enquanto o déficit com o Canadá aumentou para o maior desde julho de 2022. Os números comerciais do Canadá mostraram um salto nas exportações de petróleo bruto. Fonte: Site InfoMoney Matéria Completa: Acesse Aqui

ECONOMIA – O rombo de 1 trilhão de reais

Brasil pagou este valor, em doze meses, ao parasitismo financista. Mas insiste em cortes nos gastos sociais que podem aprofundar desigualdades e abrir espaço para a privatização de serviços públicos. Se 2026 já começou, como diz Lula, é hora de reorientar a política econômica A maioria dos alunos matriculados na quarta ou na quinta série do ensino fundamental já começou a tomar os primeiros contatos com números decimais nas aulas de matemática. Assim, ali percebem nas salas com seus professores que o número 0,95 pode ser arredondado para 1,00. Por dedução, também o número 950 pode ser aproximado para 1.000. Pois, então, são essas regras que nos permitem afirmar que as despesas com juros realizadas pelo governo federal ao longo de 2024 alcançaram a trágica marca de um trilhão de reais. Uma tragédia! O Banco Central (BC) divulgou há poucos dias o seu relatório mensal com a atualização das informações de política fiscal. Com a publicação deste boletim mais recente, é possível realizarmos a consolidação das informações para os 12 meses do ano passado. Em dezembro foram gastos R$ 96 bilhões com a rubrica de juros da dívida pública. Ainda que não tenha sido um recorde na série histórica mensal, o montante é muito alto e ocupa o segundo lugar no quesito, só sendo ultrapassado pelos R$ 111 bi ocorridos dois meses antes, em outubro. Esse valor representa um crescimento de 51% em relação ao realizado em dezembro de 2023. Juros: nunca antes na História deste país Para não ficarmos apenas nas variações comparativas entre períodos de apenas 30 dias, talvez seja interessante ampliar o espaço analisado. Se considerarmos o último trimestre, por exemplo, percebemos que as despesas com juros atingiram o total de R$ 300 bi apenas para o período entre outubro e dezembro do ano passado. Esse total representa uma elevação de 77% na comparação com os R$ 169 bi que ocorreram para o mesmo período de 2023. Não existe nenhum outro tipo de variável de gasto público federal que tenha alcançado tal majoração. Caso a comparação seja entre os valores do segundo semestre dos dois exercícios considerados, a diferença também é expressiva. Para o período julho/dezembro de 2024, o total de despesas com juros alcançou R$ 496 bi. Esse montante representou um crescimento de 30% em relação aos R$ 381 bi verificados no mesmo período de 2023. Finalmente, pois para os 12 meses de 2024 o montante total de despesas com pagamento de juros da dívida pública foi de R$ 950 bi, que arredondados nos levam ao trilhão. Este valor significa uma elevação de 32% sobre os R$ 718 bi que foram transferidos do Orçamento da União para mesma função associada o parasitismo financista. Infelizmente esta parece ser a prioridade na agenda da área econômica do governo. Nada de limite, de corte ou de contingenciamento nesse item dos gastos. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui  

MUNDO – Não vai ter COP 30! O Brasil que não sabe ouvir os Povos Indígenas. Artigo de Gabriel Vilardi

O artigo é de Gabriel dos Anjos Vilardi, jesuíta, bacharel em Direito pela PUC-SP e bacharel em Filosofia pela FAJE. É mestrando no PPG em Direito da Unisinos e integra a equipe do Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Por isso, revogar a acintosa Lei 10.820/2024 não é mais suficiente se não vier acompanhada da demissão imediata do secretário responsável pela pasta. Ora, está mais do que comprovado que Rossieli Soares, vindo do centro-sul do país, não demonstrou a mínima sensibilidade para com os donos ancestrais da região, os povos originários. Seria, pois, uma excelente oportunidade para Helder Barbalho finalmente aprender com humildade que a dignidade e a resistência dos indígenas são inegociáveis. Nunca é tarde, governador! Eis o artigo. “Seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma forma de educação que proporcionasse às classes dominadas perceberem as injustiças sociais de maneira crítica”, alertou Paulo Freire[1], há mais de 40 anos. De fato, nunca foi interesse dos governantes um povo educado para a cidadania. E o estado do Pará, capital da próxima conferência mundial do clima, não parece ser exceção. Na calada da noite e sem qualquer escuta dos afetados, o governo de Helder Barbalho (MDB-PA) aprovou a Lei 10.820/2024 que altera profundamente a educação em regiões de difícil acesso. Os atingidos? Povos Indígenas, ribeirinhos, camponeses e quilombolas. Mas os descendentes dos cabanos se levantaram com indignação! A referida lei fragiliza conquistas obtidas com duras lutas dos movimentos sociais e traz nefastas mudanças que apenas sucateariam ainda mais a educação pública estadual. Entre elas estão a não garantia de continuidade do Sistema de Organização Modular de Ensino (Some) e o Sistema Modular de Ensino Indígena (Somei) – que permitem a educação presencial em comunidades remotas –, a facilitação da ampliação do ensino à distância e o enfraquecimento do controle social, com a exclusão do sindicato dos professores do comitê de avaliação. É de se perguntar com franqueza: quantos especialistas em educação foram realmente ouvidos e a quem interessam as medidas adotadas pelo estado? Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – Padre alimenta polêmica e repete ‘gesto nazista’ de Elon Musk

Comportamento em evento antiaborto fez Calvin John Robinson ser expulso da Igreja Católica Anglicana Um padre da Igreja Católica Anglicana repetiu nesta semana o “gesto nazista” feito pelo magnata Elon Musk durante a posso do presidente Donald Trump em Washington, em 20 de janeiro. Musk negou que essa fosse sua intenção. Em vez disso, o bilionário alegou que estava gesticulando que o seu coração estava alcançando a multidão. O britânico Calvin John Robinson partipava da Cúpula Nacional Pró-Vida, na capital dos EUA, quando diante de uma multidão fez referência ao polêmico gesto de Musk ao se despedir do público e declarar que os EUA “são o único país que está lutando pela vida”. “Esta é a última resistência da cristandade. É hora do tudo ou nada. Todo o Velho Mundo está desmoronando. Todos os países da Europa estão abraçando a morte. A América (como os americanos e muitos europeus chamam os EUA), até onde posso ver, é a única lutando pela vida, e isso depende de vocês. Então, Deus abençoe todos vocês pelo que estão fazendo. Por favor, continuem fazendo isso. Espero poder encorajá-los, e meu coração está com vocês. Deus os abençoe”, disse o reverendo, terminando com o gesto, que foi recebido com risos e aplausos da multidão, relatou o site “Mediaite”. Na quarta-feira (29/1), após a repercussão do discurso e do gesto de Robinson, o religioso foi expulso da Igreja Católica Anglicana, um movimento cristão com raízes políticas que é separado da Igreja Anglicana. Além do seu trabalho religioso, Robinson se estabeleceu como uma figura proeminente na política conservadora no Reino Unido. O homem de 39 anos já concorreu ao cargo de deputado pelo Partido Conservador e foi ligado a várias de organizações de direita e extrema direita — incluindo a Turning Point UK. Ele se tornou porta-voz do Partido da Independência do Reino Unido em 2024. Fonte: Site EXTRA Matéria Completa: Acesse Aqui

ECONOMIA – Inflação de alimentos: especialista explica as causas; elevar juros não adianta

Além dos fatores conjunturais, o país tem uma questão estrutural, a internacionalização da sua agricultura, que afeta até mesmo produtos que não estão na pauta de exportação e importação; entenda A inflação de alimentos no Brasil continua no centro das atenções. O governo federal tem estudado medidas para amenizar o impacto, em especial para as famílias mais pobres. Mas, para o diretor do Instituto Fome Zero, José Giacomo Baccarin, embora existam fatores conjunturais na recente elevação de preços, o problema é outro. Também professor livre docente do Departamento de Economia, Administração e Educação, da Unesp, Baccarin destaca que não se trata de um cenário novo: entre 2007 e 2023, a média anual do IPCA ficou de 5,8%, enquanto o Índice de Preços de Alimentação e Bebidas (IPAB), um dos nove grupos que integra o IPCA, chegou a 7,8%. Neste período, em apenas quatro anos (2009, 2017, 2021 e 2023), a inflação oficial superou a de alimentos, sendo que, em 2021, isso só aconteceu por conta da elevação dos preços dos combustíveis: a gasolina subiu 47,49% e o gás de botijão, 36,99%. O professor da Unesp falou sobre o tema em uma live na TV Economista que discutiu a relação entre a internacionalização da agricultura e os impactos na inflação de alimentos no Brasil. E a participação do Brasil no mercado internacional está na raiz da elevação de preços, segundo ele. A internacionalização da agricultura brasileira se intensificou a partir da década de 1990 e ganhou ainda mais força no século 21, fazendo do Brasil um dos maiores exportadores de commodities agrícolas do mundo. Esse cenário traz impactos diretos para os preços internos, especialmente para os consumidores mais pobres. Enquanto a média nacional de gastos com alimentação gira em torno de 18% a 19% da renda, para as famílias de baixa renda esse percentual pode chegar entre 30% e 40%, detalha Baccarin. Fonte: Site Revista Fórum Matéria Completa: Acesse Aqui

ECONOMIA – Os mercadores globais do saber

Um olhar sobre o oligopólio das revistas científicas. Como desviam recursos da pesquisa, cobrando (até R$ 73 mil!) para que cientistas publiquem artigos ou para que o público os leia. A alternativa da Ciência Aberta e o esforço para sabotá-la O ano de 2025 pode trazer mudanças na ciência internacional. Novas iniciativas prometem dar um basta na exploração comercial de conhecimentos científicos que é exercida por um oligopólio internacional de editoras científicas. Tais empresas controlam o acesso a este conhecimento cobrando taxas crescentes para leitura de artigos científicos que elas publicam; cobram também para disponibilizar esses artigos de forma aberta em suas plataformas digitais. Isso tem drenado recursos públicos que financiam a maior parte dos estudos científicos internacionalmente. Ao invés de atender a interesses privados, tais valores poderiam ser empregados para fazer novas pesquisas, em especial em países que investem pouco em ciência e tecnologia, como o Brasil. Com o intuito de alterar este cenário, a partir do ano que entra, o governo do Japão e uma das maiores filantropias para a ciência, a Fundação Bill e Melinda Gates, dos Estados Unidos, exigirão que os resultados de todas as pesquisas que financiam tenham acesso gratuito e não pagarão mais taxas a editoras comerciais para que isso aconteça. Se essa moda pegar, isso trará avanços para a disseminação mais igualitária de conhecimentos. Mas é improvável que apenas isso altere o status quo da ciência. Umas das razões é que tais políticas não levam em conta que o poder desse oligopólio não resulta apenas do controle que ele tem sobre os artigos que publica. Algoritmos presentes em suas plataformas digitais definem também o que os cientistas leem e citam. Ademais, esses algoritmos fornecem indicadores de produção científica que são usados, ironicamente, pela própria comunidade científica para determinar quais pesquisadores receberão verbas para desenvolver novos projetos. Está nas mãos desta comunidade alterar esta situação mudando a forma de avaliar o mérito de pesquisadores. Quanto custa ler um artigo Artigos (ou papers) são produtos resultantes de pesquisas científicas escritos em linguagem técnica e que têm o objetivo de disseminar conhecimentos entre especialistas. Há centenas de milhões de artigos publicados desde 1900 disponíveis online. Para ler boa parte deles é necessário pagar às editoras comerciais que os publicam em revistas científicas (também chamadas de periódicos). Por exemplo, é necessário desembolsar cerca de R$ 240 para baixar um artigo que trata do impacto da emergência climática na floresta amazônica, liderado pela cientista Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) (US$39,95, com dólar a R$6,00 câmbio que será usado nesta reportagem). Este artigo foi publicado na revista Nature em 2023 – a revista científica considerada a número 1 do mundo. O artigo não custa caro só porque foi destaque de capa de uma revista prestigiosa, pois o valor se aproxima da média praticada pelas revistas científicas em geral. Tal custo existe a despeito de empresas como a Nature não financiarem pesquisas que dão origem aos artigos e jamais terem remunerado autores por suas publicações. Além disso, o controle de qualidade dos artigos não é realizado pelas revistas e sim por outros pesquisadores. A maioria deles revisa gratuitamente o mérito dos artigos (revisão por pares, ou peer review). Os demais agem como editores, que decidem se um trabalho contribui para a literatura e merece ser publicado, só alguns dos quais são contratados pelas revistas científicas. Todo este processo reflete a forma tradicional de publicação de artigos que existe há séculos e será tratada aqui. Até os anos 1940, pagava-se menos para ler artigos porque as revistas pertenciam a sociedades científicas sem fins lucrativos e que tinham custos baixos: editoração, impressão e distribuição pelo correio. Isso mudou no pós Segunda Guerra Mundial, como detalhado em uma reportagem informativa de 2017 do jornal britânico The Guardian, escrita por um de seus editores de opinião, Stephen Buranyi. Os governos da época, ao identificarem a importância de promover ciência para o desenvolvimento, começaram a financiar a maior parte das pesquisas e pesquisadores, como fazem até hoje. Só que tais recursos públicos não se estenderam às associações científicas que publicavam artigos. Isso fez com que elas não conseguissem disseminar artigos de forma considerada eficiente por estes Estados. A consequência disso foi a criação de espaço para a entrada de empreendimentos comerciais neste setor, com aporte financeiro privado que assegurou publicações mais rápidas. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – Olhar sobre o deboche, arma da ultra direita

Enquanto outras formas de humor convidam a questionar o poder, a chacota zomba dos fracos, testa os limites da violência “aceitável” contra eles e constroi identidades coletivas brutais. Por isso, é tão importante encontrar antídotos Eram 14h em um subúrbio do Rio de Janeiro, em outubro de 2022. Um vira-lata, magro, sem dono, pedia comida na manifestação em apoio a Bolsonaro. Um manifestante gritou: “Cuidado com esse cachorro: se Lula ganhar, teremos que chamá-lo de picanha!”. Ao redor, dezenas de pessoas começaram a rir alto, e enriqueceram a piada: “Se Lula ganhar, ele será o primeiro a comê-lo!” gritou um homem vestido de amarelo. “Teremos que tomar cuidado ao comprar um cachorro-quente!”, disse um jovem com uma camiseta de seu líder. Nesse momento, Bolsonaro apareceu no palco. Milhares de bandeiras do Brasil, verdes e amarelas, se levantaram ao grito de “Mito, mito, mito!”, esquecendo o cachorro de rua. Em outra parte da América Latina, na periferia de Buenos Aires, um seguidor de Milei dizia durante sua campanha em setembro de 2023: “Milei é bom, é um homem que gosta de cães”. “Seus cães fazem parte do seu pensamento”, dizia outro rapaz que havia participado da marcha com sua bicicleta do Uber Eats. “Mas os kirchneristas comem gatos, em breve estaremos comendo cachorros se essa máfia continuar governando!”, exclamou, mais assustado, um homem de meia-idade. “Corremos o risco de ser como a Venezuela, um país risível, um país comunista!”, apontou entre risos e indignação uma mulher idosa. Essas piadas assustadoras viajaram pelo mundo. Viveram transmutacões e adaptações, até chegar em 2024 ao momento em que Donald Trump afirmou, em um debate presidencial contra Kamala Harris, que os haitianos residentes nos EUA “estão comendo os cães”. A risada de Harris foi sua primeira reação, pois encontrou no discurso do oponente o absurdo retórico que só poderia ser compreendido como chacota. Logo depois, ela mudou de expressão, tentando levar Trump para um terreno mais “sério”. Neste artigo, analiso o papel que o humor – em especial, sua descaída patife, o deboche — desempenha nos processos de polarização e radicalização política das extremas direitas, especificamente as latino-americanas. Bukele, Milei, Bolsonaro, Kast… não se conectam apenas por seu militarismo, por seu componente autoritário, por seus discursos violentos, pela defesa de várias vertentes de um capitalismo ou pela apropriação do aparato estatal. Eles também o fazem pelo uso do deboche, como influenciadores políticos diretos, e como pontos em torno dos quais seus seguidores constroem relatos humorísticos, principalmente nas redes sociais. O “sério” vs o “humorístico” A codificação do discuro a partir das chaves de “seriedade” ou “humor” estrutura-se a partir da suposta dicotomia entre modelos de comunicação opostos. Se o “sério” nos leva a compreender a comunicação de forma direta, de sentido literal, sem interpretação, o humor seria um código comunicativo caracterizado pela interpretação ambígua dos significados, e pela flexibilidade de conceder ou não credibilidade ao conteúdo das informações transmitidas. Elementos humorísticos também podem produzir, com base em sua interpretação múltipla, desinformação e conteúdo falso. Talvez esse último elemento seja o que melhor representa o perigo que o deboche pode exercer no terreno político. Indicar que as pessoas estão ou estarão em breve comendo cachorros pode ser interpretado de diversas maneiras: ao serem perguntados sobre essa questão, alguns manifestantes no Brasil garantiam, com medo (apesar das risadas anteriores), que não queriam comer cachorros nem qualquer outro animal doméstico; outras pessoas dissecavam o humor, separando o elemento fictício, e indicavam que se tratava apenas de uma zombaria para rir do adversário político. De qualquer uma das interpretações, concluía-se que o humor agia como um potente antidepressivo, construindo amplamente identidades coletivas e normalizando uma violência muito concreta: que a esquerda não teria aquilo que Cardoso de Oliveira chamava de uma “substância moral digna”, e seria um espaço político que não mereceria ser considerado “humano”, pois quebraria o tabu social de se alimentar de animais de estimação e seres com os quais se estabeleceu um vínculo afetivo.   Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui

BRASIL – Manifestações indígenas no Pará completam sete dias sem negociação

Manifestantes pedem saída de secretário de educação e revogação de lei que prejudica o ensino em áreas rurais Sem reposta satisfatória por parte do governo do Estado, as manifestações indígenas pelo direito à educação no Pará ganharam força nos últimos dias. Na terça-feira (21), dois ônibus com manifestantes saíram de Santarém com destino ao quilômetro 83 da BR 163, no município de Belterra, onde um grupo de indígenas realiza o bloqueio da rodovia em ato de apoio aos protestos. “Estamos aqui com representantes dos 14 povos do Baixo Tapajós, se somando nessa luta, juntamente com os sindicatos dos professores do Oeste e do Pará, porque são vários municípios que estão aqui presentes, vários professores, e é um momento histórico, um momento que os povos indígenas realmente estão na dianteira dessa luta pela educação”, explica Lucas Tupinambá, vice coordenador do Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns, em entrevista ao portal Tapajós de Fato. O grupo está acampado perto da rodovia desde a quinta-feira (16) e recebe apoio de professores e representantes de movimentos populares que pedem a retirada da lei estadual 10.820, que revoga a norma que garante a manutenção do Sistema Modular de Ensino (Some), programa de educação voltado para comunidades do campo, ribeirinhas e indígenas. “É uma lei que é um ataque direto à educação dos indígenas, à educação dos quilombolas, à educação dos povos tradicionais e à educação também dos povos que vivem na periferia”, ressalta Lucas. De acordo com o sindicato e com lideranças presentes no local, o governo do estado vem gradativamente implementando alterações no sistema educacional que colocam em risco a educação indígena e de outras populações. Os manifestantes pedem também pela saída do atual secretário de educação do estado, Rossieli Soares. Manifestantes que estão na Seduc informam que, até o momento, a secretaria não apresentou resposta satisfatória às reivindicações. As lideranças exigem que o governador dialogue diretamente com os povos indígenas e atenda às pautas apresentadas, consideradas inegociáveis. Fonte: Site ICLNotícias Matéria Completa: Acesse Aqui  

MUNDO – Três desafios para a Igreja do Vaticano II: Descerdotalização, desromanização e desantropologização.

Artigo de Jorge Costadoat Em 2025 completar-se-ão sessenta anos desde o encerramento do Concílio Vaticano II. Vale a pena perguntar, então, se a Igreja Católica está caminhando na direção que tomou. Saber o que estava em jogo entre 1962 e 1965 é essencial porque, caso contrário, é muito provável voltar atrás. Já haverá quem este ano estude a questão em perspectiva, comparando o pré e o pós-conciliação. Não faremos isso aqui. Em vez disso, diremos algumas breves palavras sobre o que nestas últimas seis décadas surgiram como os maiores desafios para uma Igreja que quer ser fiel à sua tradição. Ao longo dos anos, vemos três desafios, entre outros, tornando-se extremamente importantes. São elas: a descerdotalização do Cristianismo Católico; a desromanização das igrejas regionais; e a desantropologização da espiritualidade Em relação ao primeiro, a Igreja Católica, especialmente na sua versão latina, durante séculos, ofereceu “salvação” através da pessoa e da ação de um ministro chamado sacerdote. O problema é que este ministro, especialmente formado para celebrar os sacramentos, administra a separação e relação entre o sagrado e o profano, controla o acesso à comunhão eucarística e, de uma forma muito problemática hoje, é reconhecido ou pede para ser reconhecido como santo homem Esta forma de entender o ministério é hoje fortemente discutida tanto pela teologia como pela cultura, pois constitui aquela versão penitencial do cristianismo do segundo milênio que o Vaticano II quis superar. O Concílio guiou a Igreja na direção oposta: declarou que o sacramento do batismo deve ter precedência sobre o sacramento das ordens sacerdotais. Recordou que a Igreja é, antes de tudo, o Povo de Deus no qual os batizados caminham juntos rumo à pátria eterna como irmãos e irmãs (Lumen gentium, II); e esperava que os ministros, como todos os batizados, se concentrassem principalmente no anúncio do Evangelho. O Vaticano II queria que estes ministros fossem chamados de “presbíteros” e, se possível, não mais “sacerdotes”. A avaliação da aceitação destas inovações fica para outro momento. A nossa opinião é que esta espécie de “descerdotalização” do ministério ordenado promovida pelo Concílio deve continuar. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui