MUNDO – A história dos insurgentes Médicos para o Povo

Expondo falhas do sistema belga, esta notável organização mostra um caminho para a luta pelo direito à saúde em nosso tempo. Oferece consultas gratuitas – mas também mobiliza por farmacêuticas públicas, abordagem preventiva e locais de trabalho seguros Como defender – e ampliar – o direito à saúde no século XXI? Em meio a uma nova onda global de precarização e privatização nos sistemas de saúde, essa é uma pergunta a que muitos buscam resposta. Uma das mais instigantes iniciativas de nosso tempo é a da organização belga Médicos para o Povo (MPLP, na sigla em francês), com quem é possível retomar a lição sobre a indissociabilidade entre a mobilização social e popular e a garantia da saúde para todos – um aprendizado histórico que, no Brasil, esteve no centro da conquista do Sistema Único de Saúde (SUS). Surgido em 1971 oferecendo consultas de graça aos moradores dos bairros operários e fabris da cidade de Antuérpia, o MPLP está longe de se resumir à garantia imediata de cuidados aos que mais precisam. Por incrível que pareça, a Bélgica não possui um sistema público e gratuito de saúde – mas um sistema misto, onde a Previdência ressarce apenas parte dos gastos dos cidadãos com consultas e remédios, o que dificulta o acesso de milhares de pessoas pobres à saúde. “Para combater as doenças, acreditamos que é preciso sair dos consultórios médicos e nos debruçar sobre as condições sociais que deixam as pessoas doentes”, define o portal da organização. É de autoria do MPLP, por exemplo, a ideia do Instituto Salk da Europa, uma proposta de empresa farmacêutica pública que concentre o desenvolvimento de pesquisas para baratear os preços e ampliar o acesso a medicamentos, orientando-se pelas necessidades da população e não pelo lucro. Além disso, seus 11 centros comunitários de saúde que atendem 25 mil pessoas são operados por equipes multiprofissionais, que integram saúde, ciência e mobilização. “O que queremos mostrar é que é possível organizar a saúde de uma forma acessível, barata, empoderadora e de alta qualidade. Queremos mostrar que existe outro caminho”, defende a médica de família Sofie Blancke, que atua em uma das clínicas dos Médicos para o Povo. Em entrevista a Outra Saúde, Blancke conta detalhes sobre a história e as ações da organização. Como ela explica, as atividades do MPLP também se estendem à realização de campanhas em defesa da saúde do trabalhador e da redução do preço dos medicamentos, à promoção de uma abordagem preventiva na saúde belga e à condução de pesquisas científicas. Assim, suas clínicas também se tornam “centros de ação pelo direito à saúde”, diz a médica. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – Trabalho: a maldição das zonas cinzentas

Agora, o capital não se limita a informalizar. Mesmo as ocupações “com carteira” são precárias: prontidão sem fim, tarefas em casa, trabalho não pago, insegurança constante. Para um contra-ataque, é preciso recalibrar conceitos – e lutas! Por Tiago Magaldi e Matheus Silveira de Souza A ofensiva capitalista das últimas décadas tem produzido transformações profundas no mundo do trabalho, das quais a flexibilização das leis trabalhistas são a principal expressão. Levada a cabo seja com o auxílio entusiasta de governos aliados, seja a contragosto por governos que se dizem progressistas, nos últimos anos o capital e seus prepostos atuaram agressivamente para reorganizar o mundo conforme o seu espírito mais recente. No Brasil, a Lei 13.467/2017, assinada a golpes de mesóclise pela elegante caneta de Michel Temer, é o melhor exemplo do primeiro caso; o PLP 12/2024, proposto pelo atual governo Lula, que visa regulamentar o trabalho de motoristas subordinados a aplicativos, o é do segundo. A “uberização” é fruto reluzente dessa ofensiva. Embora apresente várias facetas, ela significou, sobretudo, a instituição de novas formas de controle e a atualização de velhas formas de organização. Se a “flexibilização” havia se tornado palavra de ordem onipresente no mercado de trabalho a partir da década de 1970, essas mudanças foram hoje cristalizadas na rotina dos trabalhadores, ganhando fôlego renovado com o fenômeno da plataformização. Nesse novo cenário, categorias de análise que nos ajudavam a compreender o universo laboral parecem, por vezes, não serem mais suficientes para explicar as relações sociais de trabalho reconfiguradas. O arcabouço teórico e o horizonte de proteção social que temos hoje têm por origem a chamada “regulação fordista”, que tinha por base a experiência do Estado de bem estar social dos países capitalistas centrais. A perspectiva do trabalho “livre”, mas protegido, é o alvo preferencial da blitzkrieg neoliberal da última década, em Estados do norte e do sul global. O Brasil, que buscou tardiamente estabelecer um Estado Social a partir da redemocratização na década de 1980, com a promulgação da Constituição de 1988, nunca entregou plenamente esse conjunto de direitos sociais à população. A noção de zonas cinzentas de trabalho, desenvolvida, entre outros, por Rizek1, Azais e Kesselman2, oferece uma análise mais precisa do conjunto de fenômenos explicitados por esse processo de desmonte, justamente por não se limitar a categorias binárias – formal ou informal, autônomo ou subordinado – para explicar o mundo do trabalho atual. O conceito de zonas cinzentas demonstra que há uma série de relações laborais surgidas nas últimas décadas que correm por dentro e por fora da regulação estatal, desafiando o arcabouço teórico criado tendo o fordismo como horizonte. É importante ressaltar que mudar os termos da interpretação do fenômeno não significa renunciar ao horizonte de proteção social construído no último século; é evidente a importância desses direitos e garantias para a melhora das condições de vida dos trabalhadores e trabalhadoras. Praticamente toda a literatura sociológica brasileira é unânime neste ponto. Entretanto, se a intervenção política eficaz exige uma leitura precisa da realidade, é importante termos à disposição categorias de análise finamente ajustadas às mais recentes transformações no mundo do trabalho. Fonte: Site OUTRASPALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – Política global de drogas: saúde, não guerra

Na 68ª sessão da Comissão de Narcóticos da ONU, a América Latina brilhou: com suas propostas e exemplos, Colômbia, Brasil e Uruguai mostraram que só uma abordagem baseada na saúde pública, e não na violência, faz uma boa política de drogas Por Cláudia Braga, para a coluna Cuidar das pessoas, cuidar das cidades Aconteceu em Viena, entre os dias 10 e 14 de março de 2025, a 68ª sessão da Comissão de Narcóticos (Commission on Narcotic Drugs – CND), órgão da ONU responsável pela formulação de políticas relacionadas às drogas. A CND serve como fórum global para discussões e formulações de respostas aos desafios relacionados às drogas, abrangendo desde organizações e economias ilícitas até os impactos na vida das pessoas afetadas pelo tráfico e pelo uso de substâncias. Nas sessões anuais, os Estados-membros da ONU, incluindo o Brasil, estabelecem compromissos internacionais que influenciam mudanças nas legislações e políticas públicas nacionais — daí a importância de acompanhar as decisões tomadas nesse espaço. A 68ª CND foi histórica devido ao ineditismo de algumas resoluções adotadas e ao próprio processo de aprovação, com todas sendo submetidas à votação em um ambiente onde a norma é buscar o consenso — prática conhecida como “espírito de Viena”. Mais uma vez, os EUA desafiaram o multilateralismo, levando blocos de países que historicamente se opõem devido a divergências em políticas de drogas a votarem juntos. Entretanto, não foi apenas por isso que essa CND foi histórica. As intensas trocas entre países e sociedade civil nos eventos paralelos à plenária, compartilhando inovações e discussões locais e demandando transformações, direcionaram novos rumos para refletir sobre políticas de drogas e redução de danos, a partir de uma perspectiva do Sul Global. A guerra às drogas afeta desproporcionalmente pessoas e países. Se é verdade que boas e efetivas respostas para políticas públicas são aquelas que dialogam com os problemas e necessidades reais das pessoas, a formulação de novos entendimentos e respostas para políticas de drogas só pode vir dos países do Sul mais afetados pela política de guerra às drogas. E é o que parece estar acontecendo, como mostrou a atuação das delegações do Brasil, da Colômbia e do Uruguai. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – Uma Igreja a ser “desmasculinizada”

Com estas palavras de desaprovação, o Pontífice sublinhou, naquele contexto, a embaraçosa escassez da presença feminina. Na Aula Magna do Seminário de Mântua, no dia 28 de fevereiro, dia da Páscoa de Ivana Ceresa, primeira aluna da ISSR, Lucia Vantini, presidente da Coordenação das Teólogas Italianas, e Donata Horak, professora de Direito Canônico e membro do conselho da CTI, fizeram um relato do que está se movendo na Igreja a partir do neologismo extemporâneo, mas significativo – smaschilizzare – cunhado pelo Papa Francisco e usado por ele, em 2023, diante de um público exclusivamente masculino durante a Comissão Teológica Internacional. “Desculpem-me a franqueza… Uma, duas, três, quatro mulheres: coitadas! Eles estão sozinhos! Ah, desculpe: cinco! Precisamos avançar nisso.” Com estas palavras de desaprovação, o Pontífice sublinhou, naquele contexto, a embaraçosa escassez da presença feminina. A reportagem é de Laura Destro, publicado por Settimana News, 19-03-2025. “Desmascaramento” é, portanto, o convite do Papa e, para isso, ele confia ao Conselho de Cardeais a tarefa de um debate aberto com as mulheres. O fruto dos quatro encontros, realizados entre o final de 2023 e o início de 2024, está contido em uma quadrilogia, da qual os palestrantes presentes também são autores. Na esteira da sensibilidade profética de Ivana Ceresa que, já em 1994, em seu livro Minhas Queridas Irmãs, expressava o forte desejo de leitoras das Escrituras, capazes de falar de Deus, Lucia Vantini aprofunda o tema da desmasculinização da Igreja, tema do primeiro livro. Os tópicos abordados nas reuniões subsequentes estão definidos em Mulheres e Ministérios na Igreja Sinodal, Mulheres e Homens: uma Questão de Cultura, Poder e Vida. A pedido do Papa, o primeiro encontro explora o princípio petrino e mariano enunciado pelo teólogo suíço von Balthasar, que Lucia Vantini define como inquietante, assim como o verbo “desmascarar” o é, pela ideia subjacente de diferença de gênero e pelas reações que ela produz nas almas mais conservadoras do mundo católico, incluindo homens e mulheres. Por petrino entendemos aquilo que diz respeito à objetividade (o público, a autoridade, o ministério), dimensão própria dos homens; por mariano, a subjetividade (privada, emocional, de gestão da dor), uma esfera de relevância feminina. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

ARTIGO – Profecia de uma comunidade intercongregacional na Amazônia

Eis o artigo. Uma comunidade intercongregacional de religiosas na Amazônia peruana, situada na Tríplice Fronteira entre Colômbia, Peru e Brasil. Três freiras que administram a paróquia do Senhor dos Milagres na Islândia (Peru), às margens do Rio Yavarí. Este texto é uma provocação para que diferentes comunidades religiosas se unam a esta comunidade intercongregacional ou para que outras comunidades religiosas formem outra comunidade intercongregacional na Tríplice Fronteira Amazônica da Colômbia, Peru e Brasil. Diferentes carismas na mesma comunidade As freiras que compõem esta fraternidade intercongregacional são duas freiras brasileiras e uma freira equatoriana, cada uma pertencente a uma congregação religiosa com diferentes identidades carismáticas dentro da Igreja Católica. Na Tríplice Fronteira Amazônica, existem diversas comunidades religiosas, masculinas e femininas, que atuam no Vicariato de San José del Amazonas (Peru), no Vicariato de Letícia (Colômbia) ou na Diocese de Alto Solimões (Brasil). Várias dessas comunidades religiosas são fraternidades internacionais, ou seja, são formadas por religiosos e religiosas, e alguns por leigos, do mesmo carisma, mas de países diferentes. Existe apenas uma comunidade religiosa que é intercongregacional, com irmãs de diferentes carismas dentro da Igreja Católica vivendo e servindo juntas. Está localizada na Islândia (Peru), no vicariato apostólico de San José del Amazonas. Esta comunidade intercongregacional se torna uma voz profética de fraternidade, missão compartilhada, sinodalidade, humildade e serviço carismático para o bem do povo de Deus da Amazônia. Superando as diferenças em prol da unidade Algo que chama a atenção nessa comunidade intercongregacional é que, apesar de as religiosas terem carismas diferentes, elas conseguem, por assim dizer, superar essas identidades carismáticas, concentrando-se em ter o mesmo Deus, a mesma Igreja, a mesma fé, o mesmo batismo e o chamado a viver em fraternidade, compartilhando a vida, a oração e a missão. Outra característica única desta comunidade intercongregacional é que são mulheres que lideram e acompanham uma paróquia na Amazônia peruana. Uma paróquia que, em seu centro urbano, tem uma minoria de católicos, pois a grande maioria de seus habitantes pertence a uma seita chamada Israelitas. A freguesia é muito grande, com muitas comunidades ribeirinhas e indígenas que fazem fronteira com o Brasil e a Colômbia. Essas freiras, em suas viagens missionárias para visitar as diferentes comunidades da Amazônia peruana dentro da jurisdição da paróquia que acompanham, encontram realidades complexas decorrentes da negligência do Estado, como falta de emprego, pobreza e cobertura limitada de saúde, entre outras realidades. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – Satélites da Starlink avançam na educação no Amazonas e Pará

Governo do Amazonas renova contrato milionário com revendedora da Starlink, apesar de suspeita em acordo anterior Uma revendedora brasileira da Starlink, de Elon Musk, tem fechado contratos milionários com o governo do Amazonas — e conseguido estender e aumentar o valor desses acordos ano após ano. Segundo a Agência Pública apurou, nos primeiros meses de 2025, o governo do Amazonas alterou pela 34ª vez um contrato de R$ 42,9 milhões com a Via Direta Telecomunicações. Duas semanas depois, o governo fez uma alteração num segundo contrato com a mesma empresa, ainda mais caro: de R$ 203 milhões. Anteriormente, a Via Direta, com a DMP Design Marketing e Propaganda, já havia conseguido ao menos 27 alterações num terceiro contrato de mais de R$ 18 milhões, assinado em 2015, no qual o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) já havia apontado “suspeita de ilegalidades”. Esse acordo também foi alvo de uma ação civil de improbidade administrativa, que segue ainda em tramitação, movida pelo Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM) em 2020. Juntando os três contratos, o governo já teria se comprometido a pagar R$ 263,9 milhões para as empresas. A Via Direta fornece o serviço de acesso à internet via satélite da Starlink, de Elon Musk, que é usado para transmitir as aulas nas escolas públicas localizadas em áreas remotas do Amazonas. O dono da empresa é Ronaldo Lázaro Tiradentes, ex-deputado estadual do Amazonas (PPR), ex-secretário de Comunicação do governo de Amazonino Mendes (PPR) e dono do grupo de rádio e TV Tiradentes (89,7). Ele é dono também da DMP. Ao menos desde 2015, a empresa tem fechado negócios com diversos governos. A Via Direta se apresenta como a primeira revenda autorizada da Starlink no Brasil e diz atuar no Paraná, Pará e Bahia. Em 2025, a empresa esteve na Paraíba durante a primeira Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), evento que reúne secretarias estaduais de todos os estados do Brasil. No site da Starlink, a empresa aparece como revendedora autorizada na América Latina e Caribe. Fonte: Site ICL Notícias Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – Desmercantizar a moradia, luta pós-capitalista

Submetido às lógicas do lucro, o morar corrói salários, endivida e precariza. E se viver em casa digna fosse direito universal e gratuito, como devem ser Educação e Saúde? Miragem? Construir outra sociedade requer desafiar o senso comum Imaginemos por um momento que trabalhássemos para uma empresa que nos paga muito abaixo dos rendimentos que geramos para organizar nossa vida. Na verdade, não será tão difícil imaginar isso, porque o capitalismo se baseia precisamente nessa dinâmica: os trabalhadores geram riqueza com seu trabalho, da qual só recuperam uma pequena parte na forma de salário, enquanto todo o valor restante é apropriado pela classe capitalista. Os benefícios que nunca retornam aos trabalhadores, que nunca são objeto de administração democrática por parte da força de trabalho, constituem o que Marx chama de mais-valia. Em resumo, a acumulação de capital de alguns poucos se baseia no princípio de não remunerar integralmente os frutos dos esforços dos próprios trabalhadores. Mas agora imaginemos que, além desse roubo sistemático, os trabalhadores tivessem que pagar pela luz, seguros ou créditos que os capitalistas adquirem. Nos pareceria absurdo. A tirania dentro da tirania. Afinal, o trabalhador já vende sua força de trabalho por um preço injusto; além disso, teria que arcar com os custos que envolvem a atividade econômica? Eis um aspecto crucial da acumulação de capital: o trabalhador recebe um salário que, na maioria das vezes, é o mínimo que o empregador está disposto ou obrigado a pagar. É tão miserável que obriga o trabalhador a gastá-lo quase inteiramente na luta pela sobrevivência. Ou seja, para comer, beber, abrigar-se e reproduzir-se. De fato, é curiosa a crítica de Marx de que, no sistema capitalista, só nos sentimos livres ao cobrir necessidades básicas, o que paradoxalmente reduz nossa vida à ditadura do ciclo de trabalho, consumo, descanso e reinício do ciclo; limitando o tempo para a participação política, a criatividade pessoal e a socialização com entes queridos. A esse respeito, Federici vem realizando análises magistrais que apontam que a base sobre a qual todo o sistema capitalista se sustenta é a reprodução da força de trabalho. Ou seja, se os trabalhadores não se reproduzem, não são criados e não conseguem sobreviver, simplesmente o sistema de acumulação de capital não pode funcionar. Alguém tem que criar a riqueza que os capitalistas saqueiam e, por enquanto, esse sujeito tem um corpo biológico com necessidades materiais. O argumento é bastante simples, até mesmo óbvio, e no entanto está oculto por trás de falsos consensos. Em outras palavras, se não há atividade empresarial sem que o ser humano tenha acesso a bens como água, ar, alimentação ou cuidados, por que esses bens devem ser custeados pelos trabalhadores? O empresário não estaria externalizando custos que deveria assumir para os trabalhadores? Essa externalização dos custos não só permite que a classe capitalista acumule mais riqueza, mas também gera um circuito fechado no qual o trabalhador não pode se emancipar, já que não tem possibilidade real de economizar, o que o leva a uma maior dependência e vulnerabilidade. O capitalismo tende a conceder, no máximo e a contragosto, um salário ajustado para consumir bens básicos; oferecidos muitas vezes a preços inflacionados. Um bom exemplo cinematográfico é o filme As Vinhas da Ira, baseado no romance de John Steinbeck e ambientado na crise de 1929. No filme, alguns trabalhadores migrantes são mal pagos pelos donos de uma fazenda agrícola em troca de colher frutas. E sua escassa remuneração se esvai no momento de comprar alimentos, que são fornecidos pelos próprios donos da fazenda. Mas no filme, além dos alimentos, há outro bem básico para a reprodução da vida que leva ao desaparecimento de todo o salário restante: a moradia, que também é monopolizada pelos latifundiários da fazenda. Fonte: Site OUTRAS PALAVRAS Matéria Completa: Acesse Aqui  

MUNDO – A Terra é de todos. Terra e humanidade são uma coisa só. Artigo de Leonardo Boff

“Formamos uma única entidade, vale dizer, um único ser, complexo, diverso, contraditório e dotado de grande dinamismo. Tal asserção pressupõe que o ser humano não está apenas sobre a Terra. Não é um peregrino errante, um passageiro vindo de outras partes e pertencendo a outros mundos. Não. Ele, como homo (homem) vem de húmus (terra fértil). Ele é Adam (que em hebraico significa ‘o filho da terra fértil’) que nasceu da Adamah (‘terra fecunda’; Gen 2,7). Ele é filho e filha da terra. Mais, ele é a própria Terra em sua expressão de consciência, de liberdade e de amor. Através dele ela contempla o universo”, escreve Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor. Eis o artigo. Nos últimos tempos estamos assistindo, estarrecidos, conflitos e guerras em várias partes no planeta, por pedaços de territórios, especialmente na Faixa de Gaza, no Sudão e na Ucrânia. A partir de uma visão ecológica, tudo isso nos parece um tanto ridículo. Já em 1795, no famoso texto A Paz Perpetua, escrevia o filósofo Immanuel Kant (1724-1804) que a Terra pertence à humanidade e é um bem comum de todos. Ninguém é dono da Terra ou recebeu do Criador uma escritura de posse dela. Por essa razão não há por que lutarmos entre nós, se tudo é nosso. Hoje enriqueceríamos esta leitura de Kant dizendo que a Terra pertence à comunidade de vida, à natureza, à flora e a fauna e aos quintilhões de quintilhões de micro-organismos escondidos no subsolo, bactérias, fungos e vírus. A Terra é de todos eles, pois foram gerados por ela e precisam dela para viver. Se houvesse um mínimo de sensatez na cabeça dos humanos, isso seria uma evidência e todos viveríamos dentro da mesma Terra como a Nossa Casa Comum numa paz perpétua. Mas como somos, ao mesmo tempo, sapientes e dementes, portadores de razoabilidade e de insanidade, há épocas em que predomina insanidade e, em outras, predomina a sensatez. Hoje parece predominar a insanidade generalizada. Daí a disputa por terras em razões das quais se fazem guerras letais. Mas vejamos alguns dados. O universo já existe há 13,7 bilhões de anos. O sol há 5 bilhões de anos. A Terra há 4,45 bilhões de anos. O ser humano primitivo há 7-8 milhões de anos. O homo sapiens sapiens, de quem descendemos, há 100 mil anos. Se reduzirmos os 13,7 bilhões de anos em um ano cósmico, como o fez o cosmólogo Carl Sagan, nós nascemos no dia 31 de dezembro, às 23 horas e 59 minutos e 59 segundos. Somos, portanto, um momento quase imperceptível do curso cósmico, um minúsculo grão de areia no conjunto dos seres. Mas a nossa grandeza reside em termos consciência de que somos isso e que sabemos o nosso lugar e nossa responsabilidade face ao conjunto dos seres. De lá da Lua, testemunham os astronautas, a Terra emerge como um planeta esplendoroso, azul e branco, que cabe na palma da mão, um pequeníssimo corpo na imensidão escura do universo. É o terceiro planeta do Sol, de um Sol de subúrbio, estrela média de quinta grandeza, um entre outros duzentos bilhões de sóis de nossa galáxia, a Via Láctea. Esta galáxia é uma entre outras cem bilhões de outras galáxias junto com conglomerados infindáveis de galáxias. O sistema solar dista 28 mil anos luz do centro da Via Láctea, na face interna do braço espiral de Orion. O testemunho do astronauta Russel Scheweickhart, que pôde ver a Terra de fora da Terra, resume os relatos de seus companheiros: “Vista a partir de fora, percebemos que tudo o que nos é significativo, toda a história, a arte, o nascimento, a morte, o amor, a alegria e as lágrimas, tudo isso está naquele pequeno ponto azul e branco que podemos cobrir com seu polegar. E a partir daquela perspectiva se entende que tudo em nós mudou, que começa a existir algo novo, que a relação não é mais a mesma como fora antes” (The Overview Effeckt, Boston 1987, p. 200). Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

SOCIEDADE – Conselho Mundial de Igrejas acusa Trump de “propor limpeza étnica” em Gaza

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 05-02-2025. O anúncio do presidente dos EUA de expulsar os habitantes de Gaza da Faixa de Gaza para reconstruir a área e transformá-la em uma espécie de “Riviera Maia” no Oriente Médio está ” propondo uma limpeza étnica em larga escala e uma neocolonização da terra natal de dois milhões de palestinos em Gaza”. Foi assim que o Secretário-Geral do Conselho Mundial de Igrejas, Jerry Pilay, foi direto ao responder à proposta de Donald Trump durante seu encontro com o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Em uma declaração , Pillay insistiu que a proposta “viola todos os princípios aplicáveis ​​do direito internacional humanitário e dos direitos humanos, desrespeita décadas de esforços da comunidade internacional, incluindo os EUA, para alcançar uma paz justa e sustentável para os povos da região e, se implementada, constituiria múltiplos crimes internacionais do tipo mais grave “. “A posição dos Estados Unidos da América como um membro responsável da comunidade internacional foi seriamente prejudicada pela proposta em si, sem mencionar sua implementação real”, enfatizou o reverendo, que critica duramente o anúncio de Trump de que ele “assumirá o controle” da Faixa de Gaza. “Após tantos meses de violência desenfreada, morte, destruição e deslocamento infligidos ao povo de Gaza pelas forças armadas israelenses apoiadas pelos EUA, esta proposta de limpeza étnica do território revela o objetivo final inconcebível deste conflito, há muito buscado por elementos extremistas na política e na sociedade israelense”, disse Pillay, acrescentando que “a proposta do presidente Trump ignora flagrantemente os direitos fundamentais do povo de Gaza, que tem lutado e sofrido por tantas décadas”. “O Conselho Mundial de Igrejas apela ao Presidente Trump para reconsiderar esta proposta vergonhosa e respeitar o direito internacional e a dignidade humana e os direitos do povo de Gaza”, enfatizou o secretário-geral do CMI, que apela a “todas as pessoas de fé e boa vontade para se oporem a esta terrível violação da dignidade humana e do direito internacional”. Pillay pediu que igrejas e comunidades cristãs ao redor do mundo se manifestem por justiça, defendam a proteção das vidas e direitos palestinos e pressionem seus governos a rejeitar quaisquer propostas que facilitem a limpeza étnica e a ocupação permanente. “Que as igrejas sejam firmes em seu testemunho enquanto Cristo nos chama para ficar com os oprimidos e buscar a paz baseada na justiça. Oramos por paz, justiça e respeito por todas as pessoas que sofrem sob a tirania dos poderosos neste mundo.” Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui

MUNDO – Conselho Mundial de Igrejas acusa Trump de “propor limpeza étnica” em Gaza

A reportagem é de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital, 05-02-2025. O anúncio do presidente dos EUA de expulsar os habitantes de Gaza da Faixa de Gaza para reconstruir a área e transformá-la em uma espécie de “Riviera Maia” no Oriente Médio está ” propondo uma limpeza étnica em larga escala e uma neocolonização da terra natal de dois milhões de palestinos em Gaza”. Foi assim que o Secretário-Geral do Conselho Mundial de Igrejas, Jerry Pilay, foi direto ao responder à proposta de Donald Trump durante seu encontro com o Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Em uma declaração , Pillay insistiu que a proposta “viola todos os princípios aplicáveis ​​do direito internacional humanitário e dos direitos humanos, desrespeita décadas de esforços da comunidade internacional, incluindo os EUA, para alcançar uma paz justa e sustentável para os povos da região e, se implementada, constituiria múltiplos crimes internacionais do tipo mais grave “. “A posição dos Estados Unidos da América como um membro responsável da comunidade internacional foi seriamente prejudicada pela proposta em si, sem mencionar sua implementação real”, enfatizou o reverendo, que critica duramente o anúncio de Trump de que ele “assumirá o controle” da Faixa de Gaza. “Após tantos meses de violência desenfreada, morte, destruição e deslocamento infligidos ao povo de Gaza pelas forças armadas israelenses apoiadas pelos EUA, esta proposta de limpeza étnica do território revela o objetivo final inconcebível deste conflito, há muito buscado por elementos extremistas na política e na sociedade israelense”, disse Pillay, acrescentando que “a proposta do presidente Trump ignora flagrantemente os direitos fundamentais do povo de Gaza, que tem lutado e sofrido por tantas décadas”. “O Conselho Mundial de Igrejas apela ao Presidente Trump para reconsiderar esta proposta vergonhosa e respeitar o direito internacional e a dignidade humana e os direitos do povo de Gaza”, enfatizou o secretário-geral do CMI, que apela a “todas as pessoas de fé e boa vontade para se oporem a esta terrível violação da dignidade humana e do direito internacional”. Pillay pediu que igrejas e comunidades cristãs ao redor do mundo se manifestem por justiça, defendam a proteção das vidas e direitos palestinos e pressionem seus governos a rejeitar quaisquer propostas que facilitem a limpeza étnica e a ocupação permanente. “Que as igrejas sejam firmes em seu testemunho enquanto Cristo nos chama para ficar com os oprimidos e buscar a paz baseada na justiça. Oramos por paz, justiça e respeito por todas as pessoas que sofrem sob a tirania dos poderosos neste mundo.” Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui