MUNDO – “Gaza tem a maior limpeza étnica desde a Segunda Guerra Mundial, a UE não deve ficar parada assistindo”. Discurso de Josep Borrell

O discurso é de Josep Borrell, publicado por La Repubblica, 25-04-2025. Discurso do antigo Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança e Vice-Presidente da Comissão Europeia Eis o discurso. Em 18 de março, Benjamin Netanyahu quebrou a trégua que havia sido estabelecida em Gaza alguns dias antes da posse de Donald Trump. Em poucas horas, os bombardeios causaram mais de 400 mortes. Dessa forma, ele garantiu sua sobrevivência política: continuar a guerra foi a condição imposta por seu parceiro de extrema direita, Bezalel Smotrich, para não derrubar a coalizão governante. Desde então, milhares de outros civis palestinos, a maioria mulheres e crianças, foram mortos e as vidas dos reféns sobreviventes estão em perigo. O bloqueio total e a fome generalizada agravaram catastroficamente uma situação já dramática, num contexto em que a maior parte dos edifícios e infraestruturas estão destruídos. A última usina de dessalinização de água não está mais funcionando. Todos concordam com esse diagnóstico terrível. As Nações Unidas alertaram que a situação em Gaza atingiu seu pior nível desde o início da guerra. A ONG Médicos Sem Fronteiras descreveu Gaza como um cemitério para milhares de moradores da Faixa, mas “também para aqueles que tentam ajudá-los”. Doze das maiores ONGs internacionais de ajuda humanitária acabaram de lançar um apelo desesperado. Parece que ninguém os ouve. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, reiterou mais uma vez nos últimos dias que “nenhuma ajuda humanitária entrará em Gaza”. Bezalel Smotrich, ecoando-o, confirmou que a pressão máxima está sendo exercida para “evacuar a população para o sul e implementar o plano de migração voluntária do presidente Trump para os habitantes de Gaza”. Um projeto que Israel Katz, quando era Ministro das Relações Exteriores, já nos havia apresentado no Conselho da UE no início de 2024. O exército israelense conquistou metade do território e colocou dois terços de Gaza sob ordem de evacuação, transformando-os em “zonas proibidas”, incluindo a cidade fronteiriça de Rafah. O objetivo é claramente criar as condições para a maior operação de limpeza étnica desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Afirmar que “nem mesmo um grão de trigo entrará em Gaza” é uma violação flagrante do direito internacional humanitário. É impossível não ver nisso a intenção de extermínio que o Tribunal Penal Internacional já havia levado em conta quando emitiu mandados de prisão contra Benjamin Netanyahu e seu ex-ministro da Defesa. Não é menos grave do que o encontrado no passado pela justiça internacional em Srebrenica e Ruanda. Ao mesmo tempo, na Cisjordânia, o exército está travando sua maior ofensiva em décadas. Mais de 40.000 palestinos já foram deslocados à força do norte do território, aparentemente abrindo caminho para planos que legisladores de extrema direita estão promovendo para expandir assentamentos que são ilegais segundo o direito internacional. Em 23 de março, porém, o governo legitimou 13 dessas colônias. A extrema direita fundamentalista espera que Trump apoie seus planos de anexar parte ou toda a Cisjordânia, o que acabaria com qualquer possibilidade, se é que alguma vez existiu, de criar um estado palestino. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Francisco, o profeta da teopatia. Artigo de Vito Mancuso

O termo teologia é inadequado para o pensamento e, eu diria, também para a vida de Jorge Mario Bergoglio. “Acredito que ele [Papa Francisco] foi o primeiro profeta a liderar a Igreja em dois mil anos de história. Não é coincidência o fato de ele ter sido o primeiro a adotar o nome do santo mais profético e mais irregular do calendário eclesiástico, Francisco de Assis, o louco que falava com lobos e pássaros e que desdenhava o poder e os poderosos”, escreve Vito Mancuso, teólogo italiano, em artigo publicado por La Stampa, 21-04-2025. A tradução é de Luisa Rabolini. Eis o artigo. O termo teologia é inadequado para o pensamento e, eu diria, também para a vida de Jorge Mario Bergoglio. Em vez disso, outro termo precisa ser cunhado para ilustrar adequadamente o seu falar de Deus, seu representá-Lo, seu ser (para citar a famosa definição do Papa dada por Santa Catarina de Sena) “o doce Cristo na terra”. Este neologismo, não bonito, mas em minha opinião eficaz, é o seguinte: teopatia. Não teo-logia, mas teo-patia. Assim como se fala de simpatia e empatia para marcar a ressonância da emoção diante de outro ser humano ou de uma situação da vida, assim também, para o pensamento de Deus expresso pelo Papa Francisco em seus escritos e especialmente em sua vida, deve-se falar de teo-patia. Ele não pensou Deus, ele o padeceu. Não foi a lógica, mas a paixão que constituiu o sinal de seu encontro com o Mistério do mundo capaz de produzir o Amor ao qual tradicionalmente nos referimos falando de Deus. Esse encontro apaixonado entre o Mistério, de um lado, e sua consciência e sentimentos, de outro, produziu no Papa Francisco tanto a doçura, o ímpeto e o entusiasmo quanto a indignação, o protesto e, às vezes, a raiva. Existe, de fato, um lado sombrio, um “Dark Side of the Moon”, como cantava o Pink Floyd, até mesmo na paixão por Deus. Estou argumentando que Francisco não foi um teólogo (como foi Bento XVI), nem um pastor sábio (como João Paulo II), nem um intelectual penetrante e eventualmente hesitante (como Paulo VI), nem um legislador e diplomata (como Pio XII): não, Francisco foi um profeta. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Morre o Papa Francisco

Anúncio do Camerlengo Farrell da Casa Santa Marta: “Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e da Igreja” Vatican News Morre o Papa Francisco. O anúncio foi dado, com pesar, poucos instantes atrás diretamente da Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, por Sua Eminêcia, o cardeal Farrell, com as seguintes palavras: “Queridos irmãos e irmãs, com profunda tristeza devo anunciar a morte de nosso Santo Padre Francisco. Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja. Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados. Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino.” Ontem, domingo, o Pontífice apareceu na sacada da Basílica de São Pedro para a mensagem de Páscoa Urbi et Orbi, deixando sua última mensagem para a Igreja e o mundo. Fonte: Site VATICAN NEWS Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Papa Francisco: a vida e a carreira do primeiro papa sul-americano

O Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja. Morre o Papa Francisco. O anúncio foi dado, com pesar, poucos instantes atrás diretamente da Capela da Casa Santa Marta, no Vaticano, por Sua Eminêcia, o cardeal Farrell, com as seguintes palavras: Às 7h35 desta manhã, o Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja. Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados. Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino.” Ontem, domingo, o Pontífice apareceu na sacada da Basílica de São Pedro para a mensagem de Páscoa Urbi et Orbi, deixando sua última mensagem para a Igreja e o mundo. MORRE PAPA FRANCISCO Morreu nesta segunda-feira, 21/04, aos 88 anos, o papa Francisco, primeiro papa sul-americano e não europeu da história da igreja Católica. No último domingo (20/4), Domingo de Páscoa, ele fez uma aparição pública na Praça São Pedro, no Vaticano, e desejou “Feliz Páscoa” aos milhares de fieis que estavam no local. Após a bênção, o Papa foi conduzido pela praça. Ao passar pela multidão, sua procissão parou várias vezes para que bebês fossem trazidos para ele abençoar. Francisco havia sido internado no hospital Gemelli, em Roma, em fevereiro deste ano para passar por tratamento e exames de bronquite. Após algumas semanas de internação, ele recebeu alta. Em março de 2023, o papa já havia passado três noites no mesmo hospital, para tratar também de uma bronquite. A ascensão do papa Francisco ao trono de São Pedro foi uma ocasião carregada de ineditismos, o que alimentou o debate sobre a liderança da Igreja Católica. Aos 76 anos de idade, o cardeal Bergoglio da Argentina se tornou o primeiro pontífice das Américas e do hemisfério sul em 2013. Converteu-se também no primeiro papa jesuíta — ordem que, historicamente, era vista com desconfiança por Roma. Desde a morte de Gregório 3º, nascido na Síria em 741, todos os papas haviam sido europeus. Outro fato inusitado: o antecessor de Francisco, Bento 16, havia sido o primeiro papa a renunciar em quase 600 anos. Por quase uma década, portanto, os jardins do Vaticano foram lar de dois papas. Findo o pontificado conservador de Bento 16, muitos católicos presumiram que o papa seria um homem mais jovem. Bergoglio se apresentou como um candidato de centro: apaziguando os conservadores com visões ortodoxas sobre questões sexuais, ao mesmo tempo que acenava aos reformadores com posições liberais a respeito de justiça social. Esperava-se que seu histórico pouco ortodoxo ajudasse a rejuvenescer o Vaticano e revigorar sua missão sagrada. Porém, dentro da burocracia do Vaticano, algumas das tentativas de reforma de Francisco encontraram resistência e seu antecessor permaneceu popular entre os tradicionalistas. Fonte: Site BBC NEWS BRASIL Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Entenda a ofensiva de Trump contra universidades de ponta

Governo de Donald Trump usa bloqueio de verbas como ferramenta para pressionar instituições acadêmicas a se alinharem a suas visões políticas e ideológicas. Entre os alvos, estão Harvard, Princeton e Columbia. Desde que voltou à Casa Branca, Donald Trump tem colocado em risco a pesquisa universitária nos Estados Unidos por meio do bloqueio de financiamentos e de interferência na gestão de algumas das mais importantes instituições acadêmicas do mundo. Com um Congresso submisso, controlado pelo Partido Republicano, e uma Suprema Corte dominada por conservadores, o presidente americano não tem tido dificuldade em cumprir sua promessa de campanha de recuperar as instituições educacionais americanas do que ele chama de “esquerda radical”. O governo Trump tem determinado nas últimas semanas a suspensão de centenas de milhares de dólares em financiamentos de diversas instituições de ensino superior, incluindo Harvard, Columbia, Princeton, Johns Hopkins e Universidade da Pensilvânia, e ameaçou ir além caso essas instituições insistam numa suposta “postura antissemita”. Na visão da atual administração, isso inclui ações que questionem o governo de Israel, como acolher manifestações estudantis contra a guerra em Gaza. O governo Trump mandou investigar cerca de 100 instituições de ensino superior por discriminação e antissemitismo. Algumas delas conseguiram recorrer na Justiça contra sanções mas, de forma geral, elas estão se curvando às pressões, já que não podem prescindir dos recursos federais. Segundo levantamento da agência de notícias Associated Press, essas universidades, juntas, receberam 33 bilhões de dólares (R$ 188,4 bilhões) entre 2022 e 2023, o que representa, em média, 13% de seus orçamentos. Recusa de Harvard A Universidade de Harvard foi a primeira a se recusar a cumprir as exigências da Casa Branca, como acabar com programas de inclusão e diversidade que, segundo o governo Trump, “alimentam o assédio antissemita”. Nesta segunda-feira (14/04), o Departamento de Educação anunciou, por isso, o congelamento de 2,3 bilhões de dólares em subsídios e contratos para a instituição. Em uma carta enviada a Harvard, o governo americano havia exigido reformas amplas na administração da universidade, a adoção de políticas de admissão e contratação “baseadas em mérito”, além da realização de uma auditoria com estudantes, professores e dirigentes. O presidente de Harvard, Alan Garber, acusou as exigências de Washington de violar os direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA – que garante as liberdades fundamentais, em particular a liberdade de expressão. “Nenhum governo – independentemente do partido que estiver no poder – deve ditar o que universidades privadas podem ensinar, quem podem admitir ou contratar, e quais áreas de estudo e pesquisa podem seguir”, escreveu Garber em uma carta. Considerada a universidade com mais recursos do mundo, Harvard é acusada pela força-tarefa federal contra antissemitismo de não proteger seus estudantes judeus e de promover “ideologias divisórias através da livre pesquisa”. Por conta disso, o órgão havia ameaçado cortar 9 bilhões de dólares (R$ 51,4 bilhões) da Harvard em contratos e subsídios federais. Fonte: Site DW Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Guerra comercial: a China diz não a Trump. Artigo de Antonio Martins

Pequim rejeita chantagem dos EUA, mantém represália ao tarifaço e parece não temer nova taxa sobre seus produtos. Por trás da atitude está longo esforço para desenvolver autonomia, coroado agora por forte aposta no consumo interno” escreve Antonio Martins, jornalista e editor de Outras Palavras, em artigo publicado por Outras Palavras, 08-04-2025. Eis o artigo. Na segunda-feira, o poderoso Japão, até então impávido, pareceu ceder. Diante das tarifas impostas Making China Great Again, sobre seus produtos por Donald Trump (24%) e da queda abrupta da bolsa de valores de Tóquio (-20%, em três dias), o primeiro-ministro Shighero Ishiba chamou Donald Trump ao telefone e, após 25 minutos, concordou em enviar a Washington uma delegação que tentará uma barganha. O presidente dos EUA esnobou recorrendo às maiúsculas, em sua rede social: “Eles não compram nossos carros, mas nós compramos MILHÕES dos deles. Tudo tem que mudar, mas especialmente com a CHINA”. Ishiba não foi o único a ceder. A revista Economist relata que, segundo a Casa Branca, 70 governos – entre eles o do Brasil – procuraram os EUA para abrir negociações desde que Trump exibiu, em 2/4, um placar com números esotéricos e decretou seu grande tarifaço. A exceção é, precisamente, o alvo prioritário de Trump: a China. Em 4/4, depois de ser atingido por três rodadas de sobretaxas aduaneiras, o governo chinês reagiu e impôs – além de outras medidas dolorosas, porém discretas – uma vistosa alíquota de 34% sobre todos os produtos norte-americanos. Trump retrucou em poucas horas, “exigindo” a retirada da medida e ameaçando impor, em caso de não haver recuo, mais 50%. Deu prazo: zero hora de 8/4. Os chineses reagiram 24 antes, e o fizeram com calculado desdém. A resposta ao presidente dos EUA veio por meio de uma mera nota do Ministério do Comércio chinês. Ela apontava, na atitude de Washington, “um erro em cima de outro erro”, qualificava o gesto de “extorsivo” e alertava que a China “lutará até o fim” contra tal tipo de prática. Os 50% suplementares entrarão em vigor em 9/4. Espera-se para breve um novo lance de Pequim. Há menos de duas décadas, as economias chinesa e norte-americana estavam tão integradas entre si que havia quem falasse na existência de “G-2”, que – protagonizado evidentemente por Washington… – influenciava fortemente a política internacional. Que mudanças deram a Pequim a margem de manobra de que parece desfrutar agora? Outra matéria, na última edição de Economist, ajuda a compreender. A revista, espécie de porta-voz do liberalismo e do eurocentrismo ilustrados, é insuspeita de simpatias pela China. Seu texto revela, com base em fatos, como a autonomia chinesa foi alcançada; e como a chantagem de Trump poderá surtir efeito oposto ao esperado, tanto no terreno econômico quanto no geopolítico. A China agiu diligentemente para defender-se dos EUA, mostra a Economist. As primeiras sobretaxas a suas importações vieram no primeiro governo Trump, e foram agravadas por seu sucessor, Joe Biden. Produziram efeito considerável – redução de cerca de 0,8% no PIB chinês. E não houve apenas restrições comerciais. Em agosto de 2018, Washington proibiu a venda de equipamentos e softwares a duas empresas chinesas, Huawey e ZTE. A primeira, então a maior fabricante mundial de celulares, foi forçada a retirar-se por anos deste mercado. Salvou-se da falência graças ao apoio de Pequim. A Casa Branca voltou à carga, já com Biden. Em 2022, tentou-se estrangular o rápido desenvolvimento de inteligência artificial na China. Foram banidas as exportações, para o país, tanto de chips avançados quanto das máquinas utilizadas para fabricá-los. As sanções têm caráter extraterrritorial: atingem também empresas estrangeiras, que, caso forneçam a Pequim, sofrem punições em Washington. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
GUERRA – “Como é possível que Israel continue a roubar territórios, matando quantos palestinos quiser a qualquer momento, e nada aconteça?” Entrevista com Pankaj Mishra

O escritor Pankaj Mishra tornou-se um dos pensadores mais lúcidos na compreensão da dinâmica de poder entre o Norte e o Sul globais. Nós o entrevistamos por ocasião da publicação do seu último ensaio, El mundo después de Gaza. Una breve historia (Galaxia Gutenberg, 2025). A entrevista é de Patrícia Simón, publicada por La Marea, 07-04-2025. A tradução é do Cepat. Ao longo da sua carreira de mais de três décadas, o escritor e jornalista Panjak Mishra (Jhansi, Índia, 1969) tornou-se um dos pensadores mais lúcidos do nosso tempo. Ao se tornar um renomado cronista de conflitos e focos de terrorismo islâmico na primeira década deste século, ganhou alguns dos prêmios mais importantes por seus romances e tornou-se um dos ensaístas mais influentes sobre as questões definidoras da nossa era: o declínio dos impérios, a ascensão das ideologias do ódio e o neoliberalismo como uma ideologia de submissão colonialista. Seu artigo “O Ocidente não sabe de nada”, no qual analisa por que a credibilidade da maioria dos meios de comunicação estadunidenses e europeus chegou ao fundo do poço com sua cobertura do genocídio de Gaza, tornou-se uma leitura obrigatória para qualquer pessoa interessada em relações internacionais em geral e para estudantes de Jornalismo em particular. Agora publica El mundo después de Gaza. Una breve historia (O mundo depois de Gaza. Uma breve história), um ensaio fundamental para entender como o atual genocídio que Israel está perpetrando contra Gaza foi forjado e as consequências de longo prazo desse exercício de ostentação de impunidade e crueldade pelo Norte global. La Marea o entrevistou na sede de sua editora em Barcelona, onde durante uma hora explicou, de maneira apaixonada, como a cumplicidade dos Estados Unidos e da Europa com a ocupação israelense e o regime de apartheid contribuiu para o ressurgimento dos fascismos em seus territórios, a relação entre o sionismo e a hipermasculinidade, o plano de rearmamento da Europa e onde encontrar esperança, entre outras questões cruciais da atualidade. Eis a entrevista. Um dos aspectos mais difíceis de reportar como jornalistas não é a violência mais visível da ocupação, mas o intrincado e perverso sistema de controle e repressão que o Estado sionista projetou para transformar todos os aspectos da vida dos palestinos em um inferno. Você conta em seu livro que foi em uma viagem à Palestina em 2008 que você entendeu a escala do regime de ocupação e de apartheid e suas semelhanças com a Índia ocupada pela Grã-Bretanha, um modelo que você acreditava ter desaparecido no século XX. Como essa experiência mudou sua maneira de pensar? Na Índia, crescemos com uma narrativa segundo a qual as mentes mais brilhantes do nosso país se uniram para derrotar o supremacismo branco e o imperialismo racial. Quer dizer, eu cresci pensando que esse é o caminho que a justiça toma no mundo moderno. Mas depois vou para a Palestina e vejo que o mesmo racismo, supremacismo branco e imperialismo que achava que tinham sido superados décadas atrás ainda estão dominantes aí. Como é possível que Israel continue a roubar territórios, matando quantos palestinos quiser a qualquer momento, e nada aconteça? É como viajar para um lugar onde você descobre que a escravidão ainda existe. Foi um choque muito profundo. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Entidade palestina e Alemanha defendem investigação após Israel admitir “erro” na morte de paramédicos em Gaza

A Sociedade do Crescente Vermelho Palestino (PRCS, na sigla em inglês) pediu nesta segunda-feira (7) uma investigação internacional independente sobre as mortes de 15 paramédicos, em 23 de março, atingidos por disparos israelenses durante uma intervenção para atender feridos perto de Rafah, no sul da Faixa de Gaza. O exército de Israel admitiu que seus soldados “cometeram erros” na abordagem das ambulâncias, de um carro da ONU e um caminhão de bombeiros da Defesa Civil palestina. A reportagem é publicada por RFI, 07-04-2025. “Pedimos ao mundo que estabeleça uma comissão internacional independente e imparcial para esclarecer as circunstâncias do assassinato deliberado de pessoal de ambulâncias na Faixa de Gaza”, disse o presidente da organização, Younis Al Khatib, a repórteres em Ramallah, na Cisjordânia ocupada. “Por que você escondeu os corpos?”, continuou Khatib, como se estivesse interrogando um soldado hebreu. Os disparos israelenses mataram oito paramédicos do Crescente Vermelho Palestino, seis membros da agência de Defesa Civil de Gaza e um funcionário da agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês). Seus corpos foram encontrados enterrados perto de Rafah no que o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) descreveu como uma vala comum. Inicialmente, o Exército de Israel afirmou que seus soldados “não atacaram aleatoriamente” nenhuma ambulância. Suas forças teriam disparado contra “terroristas”, que se aproximaram em veículos “suspeitos” na escuridão. Um porta-voz militar, o tenente-coronel Nadav Shoshani, disse que as tropas abriram fogo contra veículos que não tinham autorização prévia das autoridades israelenses e que estavam com as luzes apagadas. Mas imagens de celular divulgadas no sábado (5), filmadas por um dos paramédicos que foi morto, mostraram que os veículos de resgate estavam com as luzes acesas, contrariamente às alegações de Israel. A divulgação do vídeo obrigou o exército israelense a recuar e admitir que seus soldados haviam errado ao abrir fogo contra o grupo de socorro em emergências. Na noite de sábado, um oficial das forças de defesa israelenses (IDF) informou os jornalistas que os soldados haviam disparado anteriormente contra um carro com três membros do Hamas. Questionado sobre o fato de os paramédicos terem sido enterrados em uma vala comum, e seus corpos cobertos com areia, o oficial israelense disse que foi para evitar que animais selvagens ou cachorros se alimentassem dos restos mortais dos 15 socorristas. Os veículos foram removidos do local, no dia seguinte, para liberar a estrada, acrescentou. O caso provocou uma onda de indignação de agências da ONU, ONGs internacionais de defesa dos direitos humanos e governos. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
ECONOMIA – Super-ricos aprofundam a desigualdade e colocam a democracia em perigo. Entrevista especial com Pedro Abramovay

Para o advogado a alternativa para as encruzilhadas sociais, políticas e ambientais que vivemos passa por combater a insuportável desigualdade que caracteriza os tempos de hoje Entre o final dos anos 1970 e 2008, quando houve a grande crise financeira internacional, o neoliberalismo viu sua curvatura ascendente como grande paradigma econômico, político e social. De lá para cá, o que se sucedeu foram sempre posturas ainda mais reativas a qualquer avanço social promovido pelo Estado, capturando-o em favor do sistema financeiro mundial. Hoje vivemos a aceleração radical disso com consequências políticas concretas em relação às populações vulnerabilizadas. “A partir de 2008, com a crise financeira global, passou a ficar cada vez mais difícil defender a ideia de que era possível gerar prosperidade com um estado mínimo. Mas o debate se intensificou com a emergência da China como uma superpotência global, valorizando um modelo de desenvolvimento no qual o Estado tem um papel enorme na definição das prioridades do país e na implementação de políticas industriais”, pondera Pedro Abramovay, em entrevista por e-mail ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Na contramão de um discurso ainda hegemônico que se deve reduzir impostor, Abramovay demonstra que o único caminho possível é o contrário. “Reforçar a capacidade dos Estados de arrecadar recursos próprios é o ponto central para que os Estados possam ser soberanos e também para que a democracia possa fazer sentido. Pois tanto um estado mínimo quanto um estado profundamente endividado transformam a democracia em um esforço vazio, afinal a disputa política se dá em torno de uma instituição sem autonomia, sem poder”, propõe. Pedro Abramovay é advogado e vice-presidente de programas da Open Society Foundations. Formado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, possui mestrado em Direito Constitucional pela Universidade de Brasília e doutorado em ciência política pelo IESP-UERJ. Casos como o de Elon Musk, herdeiro, extremista de direita e bilionário que após a vitória de Trump faturou milhões de dólares em ativos financeiros, são exemplares de como os super-ricos produzem desigualdades insuportáveis. “Claro que o caso mais gritante é o de Elon Musk, o homem mais rico do mundo, que praticamente comprou seu assento no Salão Oval da Casa Branca, nos Estados Unidos. Após décadas de discussão sobre os mecanismos de controle para que o dinheiro privado não pudesse controlar diretamente a política, todos esses mecanismos desabam e vemos o uso do poder beneficiando diretamente pessoas que compraram a acesso a ele”, acrescenta. “A democracia não é um exercício simbólico. É uma forma de se decidir sobre o exercício do poder. As décadas de prevalência do neoliberalismo foram esvaziando o papel do Estado, tanto do ponto de vista decisório (com enorme pressão de organismos internacionais para a adoção de uma agenda ‘consensual’) quanto do ponto de vista de recursos”, sublinha o entrevistado. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui
MUNDO – Papa Francisco: “Em Gaza, as pessoas são forçadas a viver em condições inimagináveis, sem abrigo, sem comida, sem água limpa”

A reportagem é de Jesus Bastante, publicada por Religión Digital, 06-04-2025. Por fim, vimos e ouvimos novamente o Papa Francisco, que abençoou os fiéis durante o Jubileu dos Enfermos. Ele não leu, embora o Vaticano tenha distribuído, sua reflexão do Angelus, na qual pudemos ver o próprio Bergoglio fiel à interpretação fiel da realidade e atento aos pequenos detalhes, como sua gratidão aos internos da Rebibbia, que nesta Quinta-feira Santa esperavam sua visita no Lava-Pés, e que lhe enviaram um cartão. Francisco, que continua informado sobre a dura realidade de um mundo que continua sangrando pelas costuras. “Continuemos a rezar pela paz: na atormentada Ucrânia, atingida por atentados que causaram muitas vítimas civis, incluindo muitas crianças”, disse o Papa no texto distribuído pela Santa Sé no final da Missa do Jubileu dos Enfermos. “E a mesma coisa está acontecendo em Gaza, onde as pessoas são forçadas a viver em condições inimagináveis, sem abrigo, sem comida, sem água potável”, lamentou Bergoglio, pedindo “a deposição de armas e a retomada do diálogo; a libertação de todos os reféns e o alívio da população”. “Rezemos pela paz em todo o Oriente Médio; no Sudão e no Sudão do Sul; na República Democrática do Congo; em Mianmar, também severamente testado pelo terremoto; e no Haiti, onde a violência está em alta e matou duas freiras há alguns dias”, concluiu. Jubileu dos Enfermos Em seu discurso de abertura, Francisco confessou que “assim como durante minha hospitalização, agora em minha convalescença sinto o ‘dedo de Deus’ e experimento sua carícia amorosa”. No dia do Jubileu dos Doentes e do Mundo da Saúde, “peço ao Senhor que este toque de seu amor possa alcançar aqueles que sofrem e encorajar aqueles que cuidam deles”, disse ele. “E rezo pelos médicos, enfermeiros e profissionais de saúde, que nem sempre têm condições de trabalho adequadas e às vezes são até vítimas de agressão. A missão deles não é fácil e deve ser apoiada e respeitada”, ela proclamou, exigindo que “espero que os recursos necessários sejam investidos em cuidados e pesquisas, para que os sistemas de saúde sejam inclusivos e cuidem dos mais vulneráveis e pobres”. Fonte: Site Instituto Humanitas Unisinos Matéria Completa: Acesse Aqui