Francisco volta a desautorizar o cardeal Sarah: “É aceitável receber a comunhão na boca ou na mão, como preferirmos”

Jesús Bastante –22/03/18  Foto: Flickr “Hoje é o primeiro dia da primavera. Feliz primavera!”. O Papa Francisco improvisou toda uma teologia sobre as raízes e os frutos, aproveitando a chegada da nova estação. E recordando, em uma clara advertência – a enésima – ao cardeal Sarah, que “é aceitável receber a comunhão na boca ou na mão, como preferirmos”. O importante é que “cada vez que tomamos a comunhão, nos transformamos um pouco em Jesus”.  Reportagem de Jesús Bastante, publicada por Religión Digital 21-03-2018

Contra Francisco, contra o Concílio

Anselmo Borges, 16/03/18 O Papa Francisco tem opositores e inimigos? Sim, isso é claro. E é bom que se perceba que opor-se a Francisco é opor-se ao Concílio Vaticano II. A linha de separação passa pelo Concílio. Afinal, depois da primavera conciliar, veio um longo inverno, de que muitos, nomeadamente Karl Rahner, talvez o maior teólogo católico do século XX, se queixaram. Com Francisco, regressou a primavera. Que se passa então? Dou dois exemplos.

“Sem a visão de fé, reduz-se o Papa a personagem”

Entrevista com Víctor Manuel Fernández Andrea Tornielli – 13 Março 2018 “Os grandes santos e reformadores, aqueles qprovocaram mudanças reais na Igreja e na história, não foram amigos de slogans, mas, sim, de gestos e entregas. Contudo, há tempo que na Igreja vivemos de slogan”. A cinco anos da eleição do Papa Francisco, Vatican Insider entrevistou o arcebispo Víctor Manuel Fernández, reitor da Universidade Católica da Argentina, teólogo muito próximo do Pontífice. Entrevista de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 12-03-2018

Francisco. E depois?

Anselmo Borges – 09/o3/2018 Imagem editora San Pabblo “Um Papa cristão, apaixonado pelo Evangelho, notícia boa e felicitante! “A Igreja somos nós todos” ao serviço de todos. O clericalismo e o carreirismo são “a peste da Igreja”. Impõe-se reformar a fundo a Cúria Romana.  Não podemos ficar “mumificados nas nossas estruturas”. Para a pedofilia, tolerância zero – se se equivoca, como aconteceu no Chile, vai emendar o erro. Transparência total no Banco do Vaticano. É preciso descentralizar a Igreja…” 

Tempo de crepúsculo para o ‘Poderoso Chefão’ do Vaticano.

 Os casos de abuso sexual do Chile e o homem que já comandou a Cúria Romana Robert Mickens, Roma,. 23/02/2018 Ele tem agora 90 anos de idade. E o poder pessoal que ele consolidou sistematicamente ao longo de várias décadas, atingindo seu zênite no início da década de 1990, começou a desvanecer-se. Mas por cerca de três décadas ele era o homem no Vaticano que ninguém ousava contradizer. Até mesmo os papas com quem atuou eram cuidadosos para ter seu consentimento, devido à lealdade que inspirava a muita pessoas importantes de todos os níveis da Cúria Romana. Seu nome é Angelo Sodano, o atual decano do Colégio de Cardeais e antigo Secretário de Estado do Vaticano.

Está instalada a guerra nos bastidores do Vaticano

Patrícia Fonseca – 11/02/18 = Foto: Radio Vaticana É um dos papas mais populares e acarinhados de sempre pelo povo, mas, na cúpula eclesiástica, Francisco motiva ódios cada vez mais difíceis de esconder. Um grupo de cardeais acusa-o mesmo de “ensinamentos heréticos” – colocando a ameaça de um cisma a pairar sobre a Igreja, mil anos depois da cisão de Roma e Constantinopla

A guerra contra o Papa Francisco

Andrew Brown – 24/12/2017 A sua modéstia e humildade fizeram dele uma figura popular por todo o mundo. Mas, dentro da Igreja, as suas reformas têm enfurecido os conservadores e provocado uma revolta. O homem que há precisamente uma semana fez 81 anos, e vive com apenas um pulmão, é o primeiro Papa não europeu dos tempos modernos e tem neste momento em mãos uma Igreja dividida. Um dos seus mais ferozes críticos, o cardeal Burke, é o mesmo que serviu de inspiração a uma série de proeminentes figuras laicas de direita nos Estados Unidos, de Pat Buchanan a Steve Bannon ou Newt Gingrich.

O processo: contra Francisco ou de Francisco?

Querem mover um processo somente aqueles que não reconhecem a fé e a Igreja como processo.  Andrea Grillo – 11/12/17  blog: Come se non  Tradução: Orlando  Almeida A reação visceral ao pontificado de Francisco, evidentemente, baseia-se em algo muito mais antigo do que ele, isto é, sobre a resistência, a qualquer custo, da identidade católica ao mundo moderno. Não é Francisco que está em questão, mas a abertura da Igreja à modernidade, que sofreu uma virada decisiva no “processo” iniciado pelo Concílio Vaticano II. Como tal abertura não é realmente compreendida, mas  ao contrário é considerada a causa de todo mal, então a falta de recepção do ‘processo conciliar’ determina a “colocação sob acusação” do Vaticano II e, obviamente, do primeiro papa que aparece, não só biograficamente, como um filho legítimo desse Concílio.

Antes era melhor?

Massimo Faggioli – 16.11.2017  – Foto: Galileu julgado pelo Santo Ofício – Inquisição “A redução da tradição católica a um catolicismo medieval imaginário tem consequências significativas para a vida intelectual da Igreja Católica nos EUA, e para a maneira como ela percebe e responde “politicamente” às mudanças sociais e cultuais dos últimos 50 anos”, analisa Massimo Faggioli, professor de teologia e estudos religiosos da Villanova University. O seu mais recente livro intitula-se “Catholicism and Citizenship. Political Cultures of the Church in the Twenty-First Century” (Liturgical Press, 2017), em artigo publicado por Commonweal, 13-11-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.