O papa argentino que ”veio para reabrir a questão de Deus”
O que o Papa Francisco veio fazer? Qual é o sentido do seu pontificado? Na corrida entre vaticanistas e estudiosos de coisas religiosas para chegar em primeiro lugar, com livros instantâneos e livretos baseados em uma velocidade igual à caducidade, Raniero La Valle chega bem em último, mas com um texto entre os mais pensados e de amplo fôlego (Chi sono io, Francesco? Cronache di cose mai viste [Quem sou eu, Francisco? Crônicas de coisas jamais pensadas], Ed. Ponte alle Grazie, 204 páginas).A reportagem é de Umberto Folena, publicada no jornal Avvenire, 26-02-2015. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Na raiz do Evangelho. Um papa radical.
“O Papa Francisco não quer revolucionar a fé e a moral; ele quer interpretar fé e moral a partir do evangelho. De acordo com o caráter querigmático do evangelho, ele faz isso não em uma linguagem doutrinal abstrata, mas em uma linguagem simples, mas comunicativa e dialógica não simplificante, que interpela as pessoas e as envolve.” Antecipamos aqui alguns trechos do livro de Walter Kasper, presidente emérito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, intitulado Papa Francesco. La rivoluzione della tenerezza e dell’amore. Radici teologiche e prospettive pastorali [Papa Francisco. A revolução da ternura e do amor. Raízes teológicas e perspectivas pastorais] (Bréscia: Queriniana, 2015, 134 páginas), lançado no dia 19 de fevereiro.
Papa quer ”demolir” a casta da Cúria Romana
A credibilidade ganha sentido quando a Igreja está do lado dos últimos Também no Vaticano é tempo de reformas institucionais, e o debate entre os cardeais, como se diz, é construtivo. O corte dos dicastérios, embora programado, ainda não entrou em vigor. Por outro lado, já faz dois anos que o papa atira à queima-roupa contra o seu quartel-general, ou seja, contra a própria Cúria Romana liderada por ele e que ele gostariam que fosse fortemente redimensionada em peso em relação às Igrejas locais e à pesada estrutura burocrática.
O ”cenáculo” do Papa Francisco
Eles se chamam “Il Cenacolo di Papa Francesco”. São um grupo de fiéis de diversos países, articulado em torno de três cardeais (Walter Kasper, Francesco Coccopalmerio e Gualtiero Bassetti), com um único objetivo: “Colaborar com o Papa Francisco, a partir da convicção da importância que o papel do papado tem neste momento como autoridade moral e personalidade influente na opinião pública mundial”. O teólogo José María Castillo é membro fundador desse fórum, que também inclui o site Religión Digital como único meio de comunicação espanhol.
Francisco, o Grande Reformador
“Ivereigh compara o sucesso de Aparecida com as conclusões tímidas e controvertidas do recente Sínodo para a Nova Evangelização, que acabou reforçando a impressão de uma Igreja ‘desolada, voltada a si mesma, excessivamente focada nas sombras, com um medo exagerado de ameaças percebidas’”, escreve John Cavadini, consultor do Comitê de Doutrina dos bispos norte-americanos, em artigo publicado por Commonweal, 22-01-2015.
Como a cúpula da Igreja obstrui a mensagem do Papa de dentro do Vaticano
Papa repreendeu Cúria Romana no fim do ano passado Foto: ANSA. ” Somente com uma equipe que reflita sua mentalidade, o Papa pode tornar real uma mudança nos rumos da Igreja Católica. Caso contrário, Francisco corre o risco de continuar sozinho na luta pela libertação dos povos.”
A ‘palmada’ do Papa Francisco no ‘politicamente correto’
Pensava-se que, quando Francisco, no avião, havia exposto aos jornalistas a imagem do soco, se tratava de um deslize. Em vez disso, a nova linguagem parece refletir uma estratégia para sacudir a terminologia do “politicamente correto”, afastando de si qualquer suspeita de bonismo adoçado e começando a levantar interrogações incômodas.
“A opção pelos pobres de Francisco não é de esquerda”.
O padre Juan Carlos Scannone, SJ, encontra-se em Madri convidado pelas duas instituições da Companhia de Jesus, o centro Entreparéntesis e a revista Razón y Fe. Este jesuíta argentino foi professor de Jorge Mario Bergoglio, hojePapa Francisco, que mais tarde seria seu provincial e companheiro de comunidade durante vários anos.
Os “novos” bispos de Francisco no Brasil: mudar para que as coisas continuem as mesmas
Analisando as 41 nomeações episcopais para o Brasil, podem significar “a continuidade do “espírito wojtyliano-ratzingeriano”: pouca preocupação pastoral-missionária de uma “Igreja acidentada” e mais a preocupação com as dimensões administrativa, disciplinar e moral típicas de uma “Igreja autorreferencial”,
Papa Francisco: O bom, o mau e o feio
“O papa não pode ser “tudo para todos”. E a coisa boa sobre o Francisco é que ele não vai nem mesmo tentar sê-lo. Através de seus pontos fracos e de sua falibilidade, o Papa Francisco está ajudando a deixar isto claro. Mesmo considerando o quão importante é o Bispo de Roma para a Igreja Católica, ele não é a figura central ou mais importante. E isto não é necessariamente uma coisa má.”