Arcebispo de Dublin diz que “não basta pedir desculpa” pelos abusos sexuais na Igreja
A poucos dias da chegada do Papa Francisco à Irlanda, crescem as críticas e os apelos no país para que o Vaticano seja mais determinado na sua resposta aos vários escândalos de abusos sexuais de crianças e jovens. ALEXANDRE MARTINS – 19/08/2018. Foto: LUSA/CIRO FUSCO O Vaticano está a ser pressionado a ter uma atitude mais determinada Quando o Papa Francisco chegar à Irlanda para uma visita oficial de dois dias, no próximo fim-de-semana, não deverá ter à sua espera gigantescos protestos contra o escândalo de abusos sexuais na Igreja Católica da Pensilvânia, revelado na semana passada. Mas as críticas e os alertas de algumas personalidades políticas e religiosas, como a de uma ex-Presidente e o arcebispo de Dublin, indicam que o ambiente não será tão favorável como o da visita do Papa João Paulo II, há 39 anos.
Vaticano sabia dos abusos sexuais na Pensilvânia pelo menos desde 1963
Santa Sé se mostrou tolerante diante de alguns dos casos de pedofilia, mas é impossível saber se tinha conhecimento de todos os detalhes Joan Faus/Laura Delle Femmine – Washington / Madri 18 AGO 2018 Foto: O Papa com o cardeal Wuerl, acusado de encobrir os fatos, em Washington em 2015 / David Goldman AP O primeiro caso que o Vaticano tomou conhecimento há mais de meio século se refere ao padre Raymond Lukac, da diocese de Greensburg. Em 1963, Lukac acumulava pelo menos três queixas conhecidas de abusos sexuais… Teve uma relação com um organista de 18 anos, se casou sendo padre e teve um filho com uma jovem que ele conheceu quando ela tinha 17, além de abusar de outra menina de 11 anos.
EUA. Teólogos e líderes leigos pedem renúncia em massa de bispos
Heidi Schlumpf – 18/ 08/2018 – Foto: Bispos dos USA – / AFP “Nenhuma cura ou reforma genuína podem começar sem uma demonstração de arrependimento”, dizem em declaração. “Ficamos envergonhados e sem palavras diante dos terríveis atos que esses padres cometeram contra crianças inocentes”, disse o comunicado. “Estamos arrasados com a conspiração do silêncio entre os bispos que exploraram as feridas das vítimas como garantia de autoproteção e preservação do poder. É claro que foi a cumplicidade de Deus que permitiu com que esse mal radical surgisse com impunidade.” A reportagem é de Heidi Schlumpf, publicada por National Catholic Reporter, 17-08-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.