Carta de Viganò expõe conspiração em andamento contra o papa Francisco
Michael Sean Winters – 27 Agosto 2018 O testemunho do arcebispo Carlo Maria Viganò prova uma coisa: o ex-núncio do Vaticano nos Estados Unidos está para a crise de abusos sexuais do clero como Oliver Stone está para o assassinato do presidente John Kennedy, um traficante de teorias conspiratórias que mistura fato, ficção e veneno para produzir algo explosivo, mas também suspeito.
Abusos sexuais na Igreja Católica: pequeno guia de uma grande tormenta
António Marujo – 27/08/2018 Foto: O Papa Francisco respondendo aos jornalistas, Domingo, no voo de regresso a Roma (foto reproduzida daqui) A tormenta não passou, nem passará tão cedo: a crise dos abusos sexuais continua na Igreja Católica, após a viagem do Papa à Irlanda, que deixou um lastro de várias manifestações de crítica à Igreja e a Francisco, que ali esteve para encerrar o Encontro Mundial das Famílias.
O Papa condena com ‘dor e vergonha’ as ‘atrocidades’ dos abusos sexuais. Carta do Papa Francisco ao Povo de Deus
IHU – 20 Agosto 2018 – Foto: Comunità italiana “A dor dessas vítimas é um gemido que clama ao céu, que alcança a alma e que, por muito tempo, foi ignorado, emudecido ou silenciado. Mas seu grito foi mais forte do que todas as medidas que tentaram silenciá-lo ou, inclusive, que procuraram resolvê-lo com decisões que aumentaram a gravidade caindo na cumplicidade”, escreve o Papa Francisco, em carta ao Povo de Deus, referindo-se ao “relatório que foi divulgado detalhando aquilo que vivenciaram pelo menos 1.000 sobreviventes, vítimas de abuso sexual, de poder e de consciência, nas mãos de sacerdotes por aproximadamente setenta anos”. A carta do Papa Francisco, cujo original é em espanhol, publicada pela Sala de Imprensa do Vaticano, na manhã de hoje, 20-08-2018.
Arcebispo de Dublin diz que “não basta pedir desculpa” pelos abusos sexuais na Igreja
A poucos dias da chegada do Papa Francisco à Irlanda, crescem as críticas e os apelos no país para que o Vaticano seja mais determinado na sua resposta aos vários escândalos de abusos sexuais de crianças e jovens. ALEXANDRE MARTINS – 19/08/2018. Foto: LUSA/CIRO FUSCO O Vaticano está a ser pressionado a ter uma atitude mais determinada Quando o Papa Francisco chegar à Irlanda para uma visita oficial de dois dias, no próximo fim-de-semana, não deverá ter à sua espera gigantescos protestos contra o escândalo de abusos sexuais na Igreja Católica da Pensilvânia, revelado na semana passada. Mas as críticas e os alertas de algumas personalidades políticas e religiosas, como a de uma ex-Presidente e o arcebispo de Dublin, indicam que o ambiente não será tão favorável como o da visita do Papa João Paulo II, há 39 anos.
Vaticano sabia dos abusos sexuais na Pensilvânia pelo menos desde 1963
Santa Sé se mostrou tolerante diante de alguns dos casos de pedofilia, mas é impossível saber se tinha conhecimento de todos os detalhes Joan Faus/Laura Delle Femmine – Washington / Madri 18 AGO 2018 Foto: O Papa com o cardeal Wuerl, acusado de encobrir os fatos, em Washington em 2015 / David Goldman AP O primeiro caso que o Vaticano tomou conhecimento há mais de meio século se refere ao padre Raymond Lukac, da diocese de Greensburg. Em 1963, Lukac acumulava pelo menos três queixas conhecidas de abusos sexuais… Teve uma relação com um organista de 18 anos, se casou sendo padre e teve um filho com uma jovem que ele conheceu quando ela tinha 17, além de abusar de outra menina de 11 anos.
EUA. Teólogos e líderes leigos pedem renúncia em massa de bispos
Heidi Schlumpf – 18/ 08/2018 – Foto: Bispos dos USA – / AFP “Nenhuma cura ou reforma genuína podem começar sem uma demonstração de arrependimento”, dizem em declaração. “Ficamos envergonhados e sem palavras diante dos terríveis atos que esses padres cometeram contra crianças inocentes”, disse o comunicado. “Estamos arrasados com a conspiração do silêncio entre os bispos que exploraram as feridas das vítimas como garantia de autoproteção e preservação do poder. É claro que foi a cumplicidade de Deus que permitiu com que esse mal radical surgisse com impunidade.” A reportagem é de Heidi Schlumpf, publicada por National Catholic Reporter, 17-08-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.
Carta sobre abusos endereçada ao Cardeal O’Malley era a segunda enviada por padre a funcionários
Rhina Guidos – 15 Agosto 2018 Foto: Pe. Boniface Ramsey em festa social /Tim Evanson / Flickr Na carta endereçada ao cardeal de Boston Sean O’Malley, em junho de 2015, a que o Catholic News Service teve acesso, um padre de Nova York fala ao religioso sobre alegações de “assédio/abuso sexual” que ele tinha ouvido sobre o então cardeal Theodore McCarrick e pede que ele encaminhe a questão para “o setor competente no Vaticano” se estiver fora de sua alçada. “Levei anos para escrever e enviar a carta”, revela o padre Boniface Ramsey, pastor da Igreja de São José, em Yorkville, Nova York, que a disponibilizou ao CNS no início de agosto. Mas foi a segunda vez que ele tentou escrever sobre funcionários da Igreja.