Francisco obriga o Opus Dei a se refundar

“Perder seus privilégios de excepcionalidade em uma Igreja de irmãos” Opus Dei – Fotos: Religión Digital José Manuel Vidal – 23.07.2022 “Eles foram ganhando cada vez maiores espaços de serviço de poder eclesiástico. Eles eram chamados de ‘santa máfia’. Eles eram uma espécie de Igreja dentro da Igreja “ “A imagem pública e eclesial da Obra (especialmente na Espanha) sempre foi muito ruim. Diziam que ela era ‘adulterada’ de propósito por seus inimigos” “O papa polonês (membro da minoria perdedora do Concílio) chegou ao leme da Igreja com um objetivo claro: restauração ou involução. E, para isso, contou fortemente com suas tropas de elite: os novos movimentos, comandados por Opus” ” Como resolver essas inconsistências? A solução para o problema é tipicamente bergogliana : não vou ficar com todo o bolo resolvendo-o; faça você mesmo, adaptando seus próprios estatutos e decidindo o que você vai fazer. sob meu controle, vem dizer o Papa, em um de seus movimentos de mestre a que já estamos acostumados”

Conclamação pela vida e pela democracia

  (Foto: Pedro Rocha | Sintufrj). Vários Autores – 22 Julho 2022 Este texto, Conclamação Pela Vida e pela Democracia, nasceu como expressão de amor à pátria, ao povo brasileiro, especialmente, aos milhões de empobrecidos e marginalizados que passam fome ou se encontram em graveinsuficiência nutricional e às famílias que choram as mais de 676 mil vítimas do Coronavírus, a maioria delas, evitáveis. Nasceu também como protestação contra os verdadeiros crimes cometidos pelo atual presidente contra o povo, os pobres, os povos indígenas, negros, quilombolas, mulheres, de outra opção sexual e jovens, contra a natureza e a própria humanidade. Especialmente a forma torpe como enxovalhou membros do STF e do TSE e a segurança das urnas eletrônicas diante de 40 embaixadores estrangeiros convocados ao palácio presidencial. O grande desafio consiste na reconstrução do que foi literalmente destruído e na criação de uma atmosfera de civilidade, de dignidade e de irmandade entre todas as pessoas. Esse é o sentido desta Conclamação Pela Vida e pela Democracia ssubscrita principalmente por pessoas ligadas aos direitos humanos, ao trabalho com comunidades de base, por professores universitários, psicólogas, por teólogos e teólogas de várias igrejas, filósofos, por intelectuais e pessoas do meio popular.

Canadá. “Os povos indígenas foram os primeiros guardiões desta terra”. Entrevista com Gilles Mongeau, vice-provincial dos jesuítas

Anne Kurian – 22 Julho 2022 | Foto: DAQUI Quem são as crianças indígenas desaparecidas do Canadá? Qual é a realidade dos cemitérios das escolas residenciais? Antes da “viagem penitencial” do Papa Francisco ao país (24 a 30 de julho de 2022), o vice-provincial dos jesuítas do Canadá Gilles Mongeau lança luz sobre a história das relações entre os colonos e seus descendentes e os povos indígenas. A entrevista é de Anne Kurian, publicada por Cath.ch, 21-07-2022. A tradução é do Cepat.

Francisco no Canadá em “peregrinação de penitência”

Foto:  Francisco com um grupo de Índios canadenses que o visitou no Vaticano/  Vatican Media . Anselmo Borges – 23 Julho 2022  O Papa Francisco estará de amanhã, 24, a 30, no Canadá. Numa “peregrinação penitencial”, como ele próprio disse… Pelas escolas religiosas, financiadas pelo governo canadiano, mas geridas pelas Igrejas cristãs, portanto, também por ordens religiosas católicas, passaram 150.000 crianças, que eram tiradas às famílias e “educadas” e   “instruídas” com duras disciplinas e dentro de um plano sistemático de autêntico “genocídio cultural”.

Religião e eleição. Artigo de Frei Betto

  Frei Betto – 21 Julho 2022  “Há um fator favorável nesse ano eleitoral: por mais que o Cristianismo conservador ressuscite o fantasma do comunismo e do falso moralismo (aborto, kit gay etc.), a população mais pobre enfrenta profundas dificuldades sociais e econômicas devido ao crescente desemprego, à alta da inflação, dos combustíveis, dos preços dos alimentos e dos aluguéis. Somam-se a isso a precarização dos serviços de saúde, o aumento exacerbado dos planos privados e as frequentes endemias em plena pandemia de Covid-19. Essa contradição é o tendão de Aquiles do discurso conservador. E, ao mesmo tempo, a brecha para que o discurso progressista dos partidos e das Igrejas identificadas com a Teologia da Libertação resulte em expressiva votação para candidatos antibolsonaristas.” O artigo é de Frei Betto, escritor.

Da tragédia à presidência da Índia.  “Um raio de esperança” chamado Murmu

  Helena Tecedeiro – 22 Julho 2022 Foto: Vitória de Murmu é vista como triunfo dos povos tribais. © EPA/DIVYAKANT SOLANKI Aos 64 anos, a ex-governadora de Jarcanda é a segunda mulher presidente do país e a primeira natural de um grupo tribal. Grande favorita graças ao apoio do BJP, o partido nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi, Droupadi Murmu foi ontem eleita presidente da Índia. Tornou-se assim na segunda mulher a ocupar este cargo essencialmente cerimonial, e a primeira pessoa natural de um grupo tribal – no seu caso os santal. “A vida de Droupadi Murmu, as suas lutas, o seu serviço precioso e o seu sucesso exemplar motiva todos os indianos”, escreveu Modi no Twitter mal se soube que a antiga governadora do estado de Jarcanda conseguira o apoio de mais de metade dos deputados ao parlamento indiano. Aos 64 anos, esta mulher cuja vida ficou marcada pela tragédia pessoal – em menos de cinco anos, entre 2009 e 2014, perdeu o filho mais novo em circunstâncias misteriosas (chegou a casa dizendo-se cansado e indo dormir, tendo sido encontrado morto na manhã seguinte), o marido, um banqueiro (de ataque cardíaco), e o filho mais velho, num acidente de automóvel – torna-se assim um “raio de esperança para os nossos cidadãos, especialmente os mais pobres, marginalizados e oprimidos”, escreveu ainda o primeiro-ministro. Nomeada para a presidência pelo BJP, que detém a maioria dos deputados, Murmu derrotou facilmente o seu principal adversário, Yashwant Sinha, ele próprio um antigo membro do partido nacionalista hindu que ocupou no passado os cargos de ministro das Finanças e dos Negócios Estrangeiros. Sinha também saudou a vitória da rival: “A Índia espera que enquanto 15.ª presidente da república, aja como a garante da Constituição, sem medos nem favorecimentos”. Quando tomar posse na segunda-feira, Murmu será a segunda mulher a chegar à presidência da Índia, depois de Pratibha Patel, que esteve no cargo entre 2007 e 2012, e sucederá a Ram Nath Kovind, o segundo membro da comunidade dalit, os chamados “intocáveis”, na base do sistema de castas indiano. Modi recebeu Murmu após a sua vitória.   Nascida em 1958, numa família da tribo santal, na aldeia de Uparbeda, distrito de Mayurbhanj, estado de Orissa, a presidente eleita começou a carreira como professora, antes de enveredar pela política. Juntou-se ao BJP em 1997, tendo ocupado vários cargos no governo estadual, antes de chegar a governadora do vizinho Jarcanda. Para os apoiantes de Murmu e para o BJP de Modi, esta vitória representa um triunfo dos povos tribais e um momento de descoberta para a sua comunidade, que geralmente carece de instalações de cuidados de saúde e educação em aldeias remotas. Um dos maiores grupos tribais indianos, os santal encontram-se em vários estados de Jarcanda ao Bihar, de Orissa ao Bengala Ocidental, distribuindo-se ainda pelo norte do Bangladesh, pelo Nepal e Butão. Os santal falam santali, a mais comum das língua Munda. Segundo o linguista australiano Paul Sidwell, falantes de uma língua austro-asiática terão chegado à costa de Orissa, vindos da Indochina, há cerca de 4000 anos, tendo-se espalhado pelo sudeste asiático, misturando-se com as populações indianas locais. Hoje em dia, os santal serão entre 7,5 e dez milhões (os números variam consoante as fontes). Tradicionalmente viviam sobretudo em zonas rurais, apesar de cada vez mais se mudarem para as grandes cidades. Apesar das esperanças do governo e da nova presidente de que a sua eleição possa vir a melhorar a situação de uma comunidade muitas vezes discriminada num país onde apesar de proibido, o sistema de castas continua a moldar a sociedade, os partidos de oposição duvidam que a líder possa contribuir para fortalecer ou mudar a realidade. Mesmo sendo o papel de presidente indiano sobretudo cerimonial, pode ser importante em tempos de incerteza política, como quando o Parlamento é suspenso.   . Helena Tecedeiro helena.r.tecedeiro@dn.pt Fonte:https://www.dn.pt/internacional/da-tragedia-a-presidencia-da-india-um-raio-de-esperanca-chamado-murmu-15038119.html Relacionados: Índia. Drapaudi Murmu. Mulher de minoria étnica eleita nova Presidente da Índia Guerra Na Ucrânia. Modi exibe neutralidade indiana na visita à Europa Covid-19. Índia contesta estudo da OMS que estima mais de 4 milhões de mortos no país  

Boff: “Não há barreira doutrinária ou dogmática que impeça o acesso das mulheres ao sacerdócio”

As decisões do Papa e a conveniência do sacerdócio para as mulheres Leonardo Boff  – 10.07.2022 | Foto: O sacerdócio das mulheres / Religión Digital (todas as fotos) “Não apenas apóstolos e discípulos seguiram Jesus, mas também muitas mulheres que lhe garantiram a infraestrutura. Eles nunca traíram Jesus, o que não pode ser dito dos apóstolos, especialmente o mais importante deles, Pedro. Depois da prisão e da crucificação, todos fugiram. Ficaram ao pé da cruz” “Se uma mulher, Maria, pôde dar à luz a Jesus, seu filho, como não pode representá-lo sacramentalmente na comunidade?” “Somos, portanto, a favor do sacerdócio feminino dentro da Igreja Católica Romana, escolhidos e preparados a partir das comunidades de fé. Cabe a elas dar-lhe uma configuração específica, diferente da dos homens”.

O presidente que desacredita o próprio país

POLÍTICABRASIL Philipp Lichterbeck – 19/07/2022 Foto: Bolsonaro no Palácio da Alvorada após apresentação para embaixadores: poucos aplausosFoto: Eraldo Peres/AP/dp Ao voltar a atacar o sistema que o elegeu e a seus filhos, Jair Bolsonaro continua fiel a si mesmo. Para distrair da incompetência do seu governo, cria controvérsias com absurdos.

Servidores da Abin defendem urna eletrônica

POLÍTICABRASIL DW – 21 julho 2022 – Foto: DW Profissionais da agência de inteligência dizem não haver registros de fraudes de votação desde implantação do atual sistema, há 26 anos. Presidente da entidade deixa o cargo após divulgação do comunicado.

“Só temos verdadeiramente mãos, mãos livres, quando as damos”

Entrevista do cardeal JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA ao “Público”  Bárbara Wong –  julho 20, 2022  Foto: cardeal José Tolentino dando palestra /  DAQUI Mais do que com a solidão, José Tolentino de Mendonça está preocupado com o isolamento e apela a que os mais jovens não sejam “analfabetos” nas relações. Tal como o Papa Francisco, o cardeal, poeta e teólogo coloca a sua esperança no presente.  Depois de alguns anos, o PÚBLICO reencontra-se com José Tolentino de Mendonça em Roma, em Março, altura em que lhe pede uma entrevista. O pedido é aceite pelo arquivista do Arquivo Apostólico do Vaticano e bibliotecário da Biblioteca Apostólica Vaticana, na Cúria Romana, mas adiado para o início de Junho