Um Pouco de História: o Celibato Obrigatório

Por Luís Guerreiro Ouve-se amiúde que o celibato clerical, na Igreja do Ocidente, só foi introduzido no século XII. Engano. É mais antigo. Recomendado ou imposto em razão da pureza cultual, mas também da ascese, do prestígio social, de interesses econômicos e da vontade de domínio, nunca foi bem aceito ou respeitado. Foi, porém, nessa época que ele se consolidou na forma em que hoje perdura. Deve-se a Gregório VII (1073-1085) um passo decisivo. Sua vontade está bem expressa numa frase conhecida: “A Igreja não poderá libertar-se da submissão aos leigos, se antes os clérigos não se libertarem das suas esposas”. O importante não era, segundo parece, a santidade sacerdotal, mas a independência da Igreja. E a Igreja era o clero. Logo a seguir, em 1095, no pontificado de Urbano II, o Concílio de Piacenza condenava, de uma vez por todas, o casamento dos padres. As suas esposas foram vendidas como escravas. Mas tal condenação não surtiu efeito. Por isso, o I Concílio de Latrão (1123) proibiu a vida comum do padre com a sua legítima esposa. Não estava ainda em questão a nulidade do casamento do padre, mas logo se chegaria lá. Contrariando a tradição, o II Concílio de Latrão (1139) declararia nulo todo o casamento contraído por clérigo de ordens maiores. Uma decisão que o pai dos canonistas, Graciano, afirmaria carecer tanto de fundamento bíblico como patrístico, não sendo justificável por nenhum argumento teológico ou ético. Mas sobreviveu até hoje.

O Calvário Vergonhoso da Igreja de Roma

Deus Abençoou o Sagrado Matrimonio Celibato – Um Dogma Conflitante Heitor Carvalho Há poucas semanas o mundo inteiro tomou conhecimento dos últimos fatos ocorridos na entranhas da assim chamada “Igreja Católico Romana”, com a notícia estampada nos principais jornais do mundo sobre os escândalos dos padres pedófilos. O homossexualismo sempre se fez presente no meio do clero regular (religiosos) e no clero secular (diocesano), mas sempre foi abafado pela alta hierarquia da Igreja de Roma, também não tão “santa” assim.