De Frei Betto: FAÇA NOVO O TEU ANO
Nada melhor para esse início de ano de 2015 que promete ser um caminho de espinhos e de abrolhos do que estas palavras sábias e esperançadoras de frei Betto, um dos que melhor escreve sobre espiritualidade e sobre engajamento para transformação social a partir dos mais esquecidos e sofredores. Toda sua vida vem marcada por esta opção, em razão da qual está nas origens do programa Fome Zero do governo de Lula-Dilma. Não fez outra coisa que repetir o gesto de Jesus, o de multiplicar os pães e os peixes. Esta iniciativa ficará imorredoura na história de nosso país. L. Boff ******************* Neste ano-novo, se faça novo, reduza a ansiedade, regue de ternura os sentimentos mais profundos, imprima a seus passos o ritmo das tartarugas e a leveza das garças. Não se mire nos outros; a inveja mina a autoestima, fomenta o ressentimento e abre, no centro do coração, o buraco no qual se precipita o próprio invejoso. Espelhe-se em si mesmo, assuma seus talentos, acredite em sua criatividade, abrace com amor sua singularidade. Evite, porém, o olhar narcísico. Seja solidário: estenda aos outros as mãos e oxigene a própria vida. Não seja refém de seu egoísmo. Cuide do que fala. Não professe difamações e injúrias. O ódio destrói a quem odeia, não o odiado. Troque a maledicência pela benevolência. Comprometa-se a expressar alguns elogios por dia. Sua saúde espiritual agradecerá. Não desperdice a existência hipnotizado pela TV ou navegando aleatoriamente pela internet, naufragado no turbilhão de imagens e informações que não consegue síntetizar. Não deixe que a sedução da mídia anule sua capacidade de discernir e o transforme em consumista compulsivo. A publicidade sugere felicidade e, no entanto, nada oferece senão prazeres momentâneos. Centre sua vida em bens infinitos, nunca nos finitos. Leia muito, reflita, ouse buscar o silêncio neste mundo ruidoso. Lá encontrará a si mesmo e, com certeza, um Outro que vive em você e que quase nunca é escutado. Cuide da saúde, mas sem a obsessão dos anoréticos e a compulsão dos que devoram alimentos com os olhos. Caminhe, pratique exercícios, sem descuidar de aceitar as suas rugas e não temer as marcas do tempo em seu corpo. Frequente também uma academia de malhar o espírito. E passe nele os cremes revitalizadores da generosidade e da compaixão. Não dê importância ao que é fugaz, nem confunda o urgente com o prioritário. Não se deixe guiar pelos modismos. Faça como Sócrates, observe quantas coisas são oferecidas nas lojas que você não precisa para ser feliz. Jamais deixe passar um dia sem um momento de oração. Se você não tem fé, mergulhe em sua vida interior, ainda que por apenas cinco minutos. Arranque de sua mente todos os preconceitos e, de suas atitudes, todas as discriminações. Seja tolerante, coloque-se no lugar do outro. Todo ser humano é o centro do Universo e morada viva de Deus. Antes, indague a si mesmo por que, às vezes, provoca nos outros antipatia, rejeição, desgosto. Revista-se de alegria e descontração. A vida é breve e, de definitivo, só conhece a morte. Faça algo para preservar o meio ambiente, despoluir o ar e a água, reduzir o aquecimento global. Não utilize material que não seja biodegradável. Trate a natureza como aquilo que ela é de fato: a nossa mãe. Dela viemos e a ela voltaremos. Hoje, vivemos do beijo na boca que ela que nos dá continuamente: ao nutrir cada um de nós de oxigênio e alimentos. Guarde um espaço em seu dia a dia para conectar-se com o Transcendente. Deixe que Deus acampe em sua subjetividade. Aprenda a fechar os olhos para ver melhor. Feliz 2015! frei Betto é escritor, autor de “A arte de semear estrelas” (Rocco), entre outros livros. FONTE: http://leonardoboff.wordpress.com/2014/12/29/de-frei-betto-faca-novo-o-teu-ano/
TEREZA DE ÁVILA: A poesia das carícias
“Teresa de Jesus era uma grande mulher apaixonada, ardentemente enamorada de Deus e possuidora da força que essa relação a dotava”, diz a pesquisadora. Mística e poesia possuem uma proximidade inegável. Ambas tratam de um tipo de mistério, buscam o inefável e o Absoluto ou, nas palavras da pesquisadora Luciana Ignachiti Barbosa, expressam “o que está mais recôndito nos sentimentos e pensamentos do homem”, atravessando de mãos dadas os limites da lógica e da razão. Neste sentido, ainda que não se considere apropriadamente uma escritora, a poesia é ponto chave na obra de Teresa de Ávila
Natal: festa da humanidade de Deus e da comensalidade humana
Leonardo Boff O Natal é repleto de significados. Um deles foi sequestrado pela cultura do consumo que, ao invés do Menino Jesus, prefere a figura do bom velhinho, o Papai Noel, porque é mais apelativo para os negócios.
Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana
“Tu estás acima dos querubins, tu que transformaste a miserável condição do mundo quando te fizeste como nós” (Santo Agostinho).
Cadê o natal?
Frei Betto – Cadê o Natal como celebração do nascimento de Jesus? Cadê o presépio na sala, a leitura bíblica em família, as crianças catequizadas pelo significado da festa? Cadê a Missa do Galo, que inspirou um dos mais belos contos de Machado de Assis?
“A NOITE CARREGA A AURORA EM SEU SEIO” ou seja DEUS PEDE PASSAGEM
O tempo que antecede à festa de Natal é marcado pela alegria, pela esperança. Somos cientes de que há de começar algo novo em nossas vidas.
Deus ainda tem futuro?
Três debates assinalam, na próxima semana, no Porto, Coimbra e Lisboa, a publicação do livro Deus Ainda Tem Futuro? (ed. Gradiva). Coordenado por Anselmo Borges, o livro resulta do colóquio internacional Igreja em Diálogo 2013, realizado em Valadares (Gaia), em Outubro de 2013. O livro inclui ainda textos de Javier Monserrat e José Ignacio Gonzalez Faus, que não participaram no colóquio. O prefácio é de Eduardo Lourenço.
No ventre de um paradoxo: a vida de Thomas Merton
Monge trapista, eremita e conselheiro dos grandes papas do século XX. Se alguém tivesse que descrever a vida de Thomas Merton, teria que desenhar uma linha que segue caminhos surpreendentes. A reportagem é de Emanuele D’Onofrio, publicada no sítio Aleteia, 22-10-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Viver como crentes no mundo em mudança
«A cultura torna-se, mais que «valores» a defender ou ideias a promover, um trabalho a empreender sobre todo o tecido da vida social, a fim de manter a máquina do consumo oleada.
Quiasmos de incredulidade
“Meu abismo luminoso – Meditação de um crente moderno” é uma preciosa meditação do poeta norte-americano Christian Wiman (My bright abyss – Meditation of a modern believer, Farrar, Straus & Giroux, Nova Iorque, 2013, pp. 182). Aqui o cristianismo torna-se poesia dramática, ação e decisão diante do mal físico que o autor descreve autobiograficamente.