Não Bastam Palavras
Frei Bento Domingues, O.P. – 01/03/2020 O documento do Papa “Querida Amazônia” é longo e magnífico em quase tudo. Para não ficar só em palavras, precisava de uma decisão urgente que não aconteceu. É impossível que não existam candidatos à ordenação. O que falta é clarividência e vontade dos bispos para discernir quem, casado ou solteiro, homem ou mulher, esteja em condições de poder assumir o ministério da presidência da Eucaristia.
A fé do Brasil dividido
José de Souza Martins – 26 Janeiro 2020 “No Brasil, o embate político principal já não é entre direita e esquerda, apesar de tudo que se diz. O embate é religioso. É busca do poder como meio de impor ao conjunto da sociedade os valores desses grupos culturalmente minoritários, conservadores e frequentemente intolerantes. Está surgindo aqui uma religião do poder e por meio dela se firma o poder da religião. Nessa metamorfose, a democracia sucumbe, não o catolicismo”, escreve José de Souza Martins, sociólogo, professor Emérito da Faculdade de Filosofia da USP, pesquisador Emérito do CNPq e membro da Academia Paulista de Letras. Entre outros livros, autor de A Política do Brasil Lúmpen de Místico (Contexto) em artigo que nos foi enviado pelo autor. O artigo foi publicado originalmente por Valor, 24-01-2020.
Experimentar o silêncio nos “ashrams” da Índia – um testemunho
Rui Manuel Grácio das Neves | 23 Jan 20 | Um dos lugares de meditação em torno de árvores, no Anjali Ashram, ashram católico em Mysore, Estado de Karnataka (Índia). Foto Rui Manuel Grácio das Neves Um dos meus hábitos, que, felizmente, tenho podido praticar nos últimos tempos, é passar o mês de férias que me corresponde cada ano num ashram da Índia (depois de ter vivido lá durante três anos).
Vaticano: Papa escreve ao Fórum de Davos, defendendo importância da «ética» na Economia
Ecclesia. Cidade do Vaticano, 21 de janeiro de 2020. Foto: Lusa O papa enviou uma mensagem ao Fórum Económico Mundial, que se inicia hoje na cidade suíça de Davos, defendendo a superação de “abordagens tecnológicas ou económicas de curto prazo”, valorizando a “dimensão ética” na definição de políticas internacionais.
Bancos lucram enquanto famílias sofrem pagando boletos
Rosana Pinheiro-Machado 24 de Dezembro de 2019, 2h03 Foto: Gabriel Cabral/Folhapress ENQUANTO BANCOS TÊM LUCRO RECORDE, pessoas adoecem tentando pagar boletos. Em 2019, o lucro acumulado do Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e Banco do Brasil foi de R$ 59,7 bilhões, o maior desde 2006. A euforia do capital financeiro contrasta com o sofrimento financeiro de grande parte da população. Segundo a CNC, 65,1% das famílias brasileiras estão endividadas — índice recorde desde 2013.
Sem-teto acusam PMs de truculência sob lema “agora é Bolsonaro” e “Lula está morto”, em AL
– Leonardo Sakamoto – 27/12/2019 Líderes sem-teto acusam polícia de truculência em ocupação em Maceió Imagem: Reprodução “Duas viaturas da polícia apareceram aqui na ocupação na manhã de hoje. Fizeram uma ação violenta. Renderam pessoas, mandaram outras entrarem nos barracos, invadiram e quebraram coisas da cozinha coletiva. Rasgaram nossos livros de registros. Gritavam ‘quem manda agora é Bolsonaro’ e ‘Lula está morto’.
“O migrante desconhecido também é partícipe da vitória de Cristo”. Discurso do Papa Francisco aos migrantes e refugiados de Lesbos
Sala de Imprensa da Santa Sé – 20 Dezembro 2019 Papa Francisco e a cruz do migrante desconhecido (Foto: Vatican News) “Esta cruz é transparente: ela se apresenta como um desafio para olhar com mais atenção e para buscar sempre a verdade. A cruz é luminescente: quer encorajar a nossa fé na Ressurreição, o triunfo de Cristo sobre a morte. O migrante desconhecido, que morreu com a esperança em uma nova vida, também é partícipe dessa vitória.” No fim das audiências da manhã dessa quinta-feira, 19 de dezembro, o Santo Padre Francisco se encontrou com refugiados de Lesbos recém-chegados à Itália graças a um corredor humanitário organizado pelo esmoleiro papal, o cardeal Konrad Krajewski. O papa fez com que uma cruz fosse colocada no acesso ao Palácio Apostólico a partir do Pátio do Belvedere, em memória dos migrantes e refugiados.
Teocracia? Não, obrigado
Ainda estamos a tempo de aprender que nenhuma teocracia é melhor do que a outra. Não importa se é islâmica, judaica, cristã ou outra qualquer. Definitivamente, não José Brissos-Lino| 12 Dez 201919 Imagem: evivaafarofa.blogspot.com.br A história da velha Europa devia servir pelo menos para perceber que quando a religião manda no Estado a coisa vai sempre correr mal, mais tarde ou mais cedo. As guerras religiosas que os povos europeus sofreram há séculos são o exemplo acabado disso mesmo. A revolução americana mostrou que a via do estado laico é melhor garantia da liberdade de crença e prática religiosa a todos os cidadãos. Todavia, as religiões sempre pugnaram por deter nas suas mãos o poder político ou pelo menos viverem em concubinato com ele, influenciando-o no sentido da satisfação dos seus próprios interesses.
Do samba ao funk, o Brasil que reprime manifestações culturais de origem negra e periférica
Ao longo da história, cultura e religiões de matriz negra ou africana foram tratadas com violência pelas autoridades, que se empenham em impedir a ocupação do espaço público. GIL ALESSI – São Paulo – 07 DEC 2019 Foto: CRIS ISIDORO/DIADORIM IDEIAS Na década de 1930 andar pelas ruas do Rio de Janeiro carregando um pandeiro bastava para levar um tapa na cara da polícia e passar a noite na cadeia. Para as autoridades, frequentar uma roda de samba também justificava o esculacho. Mais de oitenta anos depois, a repressão se volta para outro gênero musical: o funk. Basta ir a um baile —ou fluxos, como são conhecidos— nas periferias de São Paulo para estar sujeito a tiro, porrada e bomba.
Cuidar da Terra ou arriscar a nossa destruição?
Marcus Eduardo de Oliveira – 05/12/2019 -/ Wix.com “Há muito tempo a comunidade humana abusa das condições dos ecossistemas planetários, comprometendo assim, de maneira integral, os sistemas geradores de vida da Terra. Não é de hoje, apontam os mais diversos indicadores de insustentabilidade, que se afetam os fatores e se inviabilizam as condições que tornam possível a vida no planeta”, escreve Marcus Eduardo de Oliveira, economista, ativista ambiental, mestre em Integração da América Latina pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “Civilização em desajuste com os limites planetários”.