O 2018 do Papa, um balanço à luz da “Alegria do Evangelho”

Repassamos o ano de Francisco, com suas alegrias e aflições, olhando para os acontecimentos de 2018 através das lentes da Evangelii Gaudium   Sergio Centofanti– 31/12/2018 Este ano, como disse o Papa Francisco em seu recente discurso de felicitações de Natal à Cúria, foi difícil para a Igreja, “investida por tempestades e furacões”. Precisamente por isso, podemos ler melhor o ano de 2018 do Papa, à luz de sua primeira Exortação Apostólica, a Evangelii gaudium, que no mês passado completou 5 anos. De fato – escreve Francisco – “é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo em meio às piores angústias”.

Os líderes dos bispos contra os escândalos: a verdade a partir do vértice

Alberto Melloni Foto: Vatican-News Tradução Tradução: Orlando Almeida,  Goiânia – GO A crise que tem atormentado a igreja não é uma crise do clero, mas o resultado do comportamento de bispos primeiro impotentes e depois iludidos, achando que bastaria repetir frases como “tolerância zero” e “vergonha” para curar uma ferida que não se podia remediar concentrando os processos em Roma, mas sim libertando-se  do demônio do clericalismo e da heresia de uma “honra” ‘igrejista’, que não existe no cristianismo. O risco de que essa assembleia se concentre em dispositivos legais é grande.

2019: Uma Igreja com antigos e novos desafios

Frei Bento Domingues  – 30 de Dezembro de 2018 Foto: SONY DSC Entre mulheres e homens, jovens e adultos, não há falta de vocações nas comunidades católicas para que toda a Igreja responda à sua missão. Falta, entre outras decisões, alterar o seu estatuto actual. Não cabe na cabeça de ninguém que as comunidades cristãs europeias não possam gerar os serviços de que precisam. Criam-se obstáculos canónicos, como se fossem divinos, para não resolver o que pode ser resolvido sem drama.

Francisco, Simplesmente

Rafael Silva, 20/12/2018 – Foto: PAM “O modelo de Francisco é feito um lindo buquê colorido. Tecido com flores simples por mãos imigrantes, reestabelece as pazes com a teologia que liberta, reposiciona a igreja na sua dimensão profética e se insere na complexa modernidade, para finalmente dizer o óbvio. Quem leu a Laudato Sì’, percebeu que sua prática já era a muito realizada nas periferias do mundo. Então para que a carta? Para reposicionar as estruturas historicamente dadas em relações patriarcais e coloniais. Isso consiste mudar a rota do poder? A história contará”, escreve Rafael Silva, professor da Universidade Federal do Ceará – UFC e doutorando em Sociologia na Universidade de Coimbra.

A sabedoria que falta

Frei Bento Domingues O.P. – 23/12/2018 Foto: Visão-Sapo – Crianças no Yémen devastado Por que razão, havendo recursos, ciência e técnica para tornar a vida humana mais feliz, temos este mundo atolado em fomes, doenças, guerras horríveis e conflitos estúpidos? Como não estamos pré-determinados, como temos de construir a nossa vida com os recursos genéticos e culturais que herdamos, como estamos num mundo cheio de contradições e onde a nossa harmonia interior é sempre precária, é inevitável a pergunta: que fazer?

O Natal de Jesus e a dignidade humana

Anselmo Borges – 22/12/2018 Foto: DN Ernst Bloch, um dos maiores filósofos do século XX, ao mesmo tempo ateu (não acreditava no Deus pessoal) e religioso (estava religado à divina Natureza), quando era professor na Universidade de Leipzig, na antiga República Democrática Alemã, na última aula antes das férias de Natal desejava a todos os estudantes boas-festas, falando-lhes do significado do Natal e terminava, dizendo: “É sempre Advento”, querendo desse modo apelar para a esperança: o mundo e a humanidade continuam grávidos de ânsias e de possibilidades, e a esperança está viva e há razões objectivas para esperar. Apesar do Natal, ainda é Advento, porque a plenitude ainda não chegou.

Quando Sartre meditou sobre o Natal

J P Sartre Foto: Jean-Paul Sartre | D.R. Trad.: Rui Jorge Martins – Publicado em 23.12.2016 Estamos em 1940, na Alemanha, num campo de prisioneiros franceses. Alguns padres pedem a Jean-Paul Sartre, recluso há alguns meses com eles, que redija uma pequena meditação para a véspera de Natal. Sartre, ateu, aceita. E oferece aos seus camaradas “Barioná ou o filho do trovão”, procurando unir crentes e não crentes. 

Quando Thomas Merton me chamou de “totalmente estúpido”

Collman McCarhyty – 20 Dezembro 2018 Foto: Thomas Merton and the Quest – WordPress.com Para muitos de nós, 10 de dezembro traz à mente, infelizmente, o 50º aniversário da morte de Thomas Merton. O dia também marca sua chegada em 1941 no mosteiro trapista de Nossa Senhora de Gethsemani  no Condado de Nelson, Kentucky, onde nos próximos 27 anos sua produção literária, incluindo o autobiográfico “The Seven Storey Mountain” (A montanha de sete andares, em tradução livre) que vendeu mais de 600 mil cópias no primeiro ano, e clássicos espirituais como “The Sign of Jonas: Bread in the Wilderness” (O signo de Jonas: pão no deserto, em tradução livre), lhe garantiram fama e seguidores como um mestre espiritual.

Em um presépio. Reflexão de José Antonio Pagola

José Antonio Pagola, 24 de Dezembro Imagem: riacho – Sapo A leitura que a Igreja propõe para esta Noite de Natal é o Evangelho de Jesus Cristo segundo: Lucas, 2, 1-14. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto.