Entrevista “Nunca haverá um tempo sem Deus ou religião”

“Há mais de cem anos que andámos a dizer que Deus está morto. Talvez devêssemos deixar de dizer isso.”   Pedro Rios – 9/02/2019. Foto: Daqui Académico que faz best sellers sobre religião, nómada espiritual, crítico de Trump, Reza Aslan é uma das vozes mais ouvidas nos EUA quando se fala de fé e religião. Em Deus – Uma Biografia defende que há milénios que os homens projectam Deus à sua imagem e semelhança – e vão continuar a fazê-lo. “Há mais de cem anos que andámos a dizer que Deus está morto. Talvez devêssemos deixar de dizer isso.” Livros como O Zelota — A Vida e o Tempo de Jesus de Nazaré (ed. Quetzal, 2014) e No God but God: The Origins, Evolution, and Future of Islam (Random House, 2005) figuraram nas listas de melhores livros dos respectivos anos e nos escaparates dos best sellers.

A sabedoria que falta

Frei Bento Domingues O.P. – 23/12/2018 Foto: Visão-Sapo – Crianças no Yémen devastado Por que razão, havendo recursos, ciência e técnica para tornar a vida humana mais feliz, temos este mundo atolado em fomes, doenças, guerras horríveis e conflitos estúpidos? Como não estamos pré-determinados, como temos de construir a nossa vida com os recursos genéticos e culturais que herdamos, como estamos num mundo cheio de contradições e onde a nossa harmonia interior é sempre precária, é inevitável a pergunta: que fazer?

CRISTO NÃO DESEMPREGOU OS SANTOS (1)

Frei Bento Domingues, O.P – 17 junho 2018 “Houve muita confusão em torno da “vida dos santos”. Algumas tornavam a “santidade” detestável. Eram instrumentos de desumanização de Deus e da Igreja. Outras eram auto referentes, idolátricas: Deus tinha de contar com elas ou não sabia o que fazer. Deus estava longe e mal informado das peripécias da vida humana. Os santos eram os mediadores, pontes, entre o Deus distante e a nossa condição. Ao fim e ao cabo, os cristãos entendiam-se mais com eles do que com Deus. Transportavam, para as relações entre o divino e o humano, o sistema das cunhas. (Tráfego de influências – NdR)”

Apostar no génio

Numa grande obra de arte, está inscrita uma abertura à transcendência. Frei Bento Domingues  Público, 03.06.2018 Jesus foi educado num mundo em que a própria religião se tinha tornado a cadeia dos que não tinham defesa. Ele era um leigo. Não tinha frequentado nenhuma das escolas famosas da época, mas a sua experiência de Deus mostrou-lhe que nem da religião nem das leis sociais vigentes se podia esperar o Reino da alegria. Jesus de Nazaré desfatalizou a história. Nada tem de ser como está.

O Pai Nosso, versículo por versículo

    Eduardo Hoornaert – 27/04/2018 O Pai Nosso é a oração mais conhecida e mais famosa da tradição cristã. Desde os inícios do movimento de Jesus, funciona como declaração de identidade cristã. Mas temos de considerar, antes de fazer qualquer comentário, que o próprio Jesus de Nazaré, logo antes de ensinar essa oração a seus discípulos, fez uma advertência que o Evangelho de Mateus expressou nas seguintes palavras:   quando vocês rezam, evitem a verborreia! Seu Pai conhece suas necessidades antes mesmo que vocês as tenham formulado (Mt 6, 7-8).

Jesus teve medo de morrer?

Eduardo Hoornaert – 11/03/18 Dentro de pouco, a liturgia cristã celebra a paixão e morte de Jesus.  Uma morte horrenda. Difícil imaginar uma morte mais cruel. Ora, num determinado momento de sua ação junto ao povo, ele deve ter visualizado a perspectiva desse horror, pois não desconhecia que as autoridades judaicas, já resolvidas a eliminá-lo, não hesitariam a apelar às autoridades romanas, que por certo aplicariam a crucifixão, destino comum de dissidentes e opositores ao sistema.

Alguns apontamentos históricos acerca da saga de Natal

Eduardo Hoornaert, 18/12/2017 Foto: Portal Sul da Bahia Aqui vão alguns apontamentos de caráter historiográfico acerca da base histórica (ou não histórica) de três narrativas evangélicas que compõem a ‘saga de Natal’ que celebramos nos dias de hoje: o nascimento de Jesus; o local de seu nascimento; o massacre dos inocentes, promovido pelo Rei Herodes o Grande.

JESUS NASCEU PARA DESCRUCIFICAR

Porque será mantida a cruz como símbolo cristão, quando o que Jesus procurava era, precisamente, descrucificar? Frei Bento Domingues, O.P.-16/12/17 1. Estamos na quadra litúrgica do Advento, mas tudo parece encenado e polarizado apenas pela memória do nascimento de Jesus, alimentando um terno imaginário da infância, com alguma e passageira solidariedade, própria da estação, sem, no entanto, tocar nos alicerces da sociedade. É como se nada estivesse para acontecer.

Em busca de Jesus de Nazaré

 Eduardo Hoornaert -3/12/17  Faz um ano e alguns meses que publiquei pela Paulus o livro ‘Em busca de Jesus de Nazaré: uma análise literária’. Gostaria de tecer aqui algumas considerações em torno de comentários que recebi acerca desse livro.

METAMORFOSES PASCAIS DO DESEJO (2)

Frei Bento Domingues – 23 abril 2017 “O seu desejo mais ardente era colocar-se ao serviço do desejo libertador de Deus, alegria do mundo. Era vontade humana e divina de alteração radical da nossa sociedade. Os Evangelhos sinópticos mostram, no entanto, que ele teve de lutar contra tentações diabólicas infiltradas nos caminhos do advento e da configuração da era messiânica. Se era realmente o Messias tinha de o provar.