O grito de Lucetta Scaraffia contra outra peste: as demasiadas mulheres abusadas na Igreja
Sandro Magister – 26 março 2020 Foto: Lucetta Scaraffia – Tradução: Orlando Almeida (s.m.1) Recebo e publico. A autora da carta, professora de história contemporânea na Universidade “La Sapienza” de Roma, dirigiu durante sete anos “Donne Chiesa Mondo”, (“Mulheres Igreja Mundo”), o suplemento mensal de “L’Osservatore Romano”, desde a sua fundação em 2012 até março de 2019, quando se demitiu junto com todo o comitê de redação.
“Estamos assistindo a um colapso do sistema de poder católico”
Entrevista com Henri Tincq Jérôme Cordelier e Thomas Mahler – 04 Outubro 2019 Foto: Daqui Observador informado do mundo católico, Henri Tincq denuncia em um livro engajado o governo “clerical” e “sexista” da Igreja. A entrevista é de Jérôme Cordelier e Thomas Mahler, publicada por Le Point, 02-10-2019. A tradução é de André Langer.
A história do bispo Franco Mulakkal acusado de estuprar repetidamente uma freira e o caso da Irmã Lúcia Kalapura
IL SISMOGRAFO – 16/08/2019 Foto: DAQUI Tradução: Orlando Almeida Há um ano, cinco Irmãs Clarissas Franciscanas, numa praça em Kochi, na Índia, fizeram uma manifestação pública para denunciar o bispo, mons. Mulakkal, acusado de graves e repetidas violências sexuais contra uma religiosa com uma deficiência física parcial
Porquê um tão longo silêncio (III) – Romper o silêncio, quebrar os silêncios
… CONTINUAÇÃO (III) Ignace Berten, OP | 14 Ago 19 Na Foto: Multidão de católicos à espera do resultado do conclave, em 2005: Francisco pede “a participação ativa de todos os elementos do povo de Deus”, escreve Ignace Berten. Foto © Wikimedia Commons Tradução: Florbela Gomes Não há na Igreja contemporânea apenas o silêncio dos responsáveis sobre aos crimes sexuais praticados, há também o silêncio imposto aos teólogos e indiretamente aos fiéis sobre as questões doutrinais. Existe uma ligação clara entre o clericalismo e os ministérios e é urgente lançar sobre ambos um debate teológico verdadeiramente livre. (A publicação deste ensaio fica completa com esta terceira parte, depois da primeira sobre a estratégia do silêncio e a segunda acerca do clericalismo e abuso de poder.)
Porquê um tão longo silêncio (I) – Alguns sabiam, mas não quiseram saber
Ignace Berten, OP | 12 Ago 19 Foto ©:“Padres pedófilos? Isso é um problema americano…” Sob a capa: Ficheiros (dossiês – NdR) dos casos da Polónia, da Áustria, da França, da Irlanda… Ilustração: Direitos Reservados; (ilustração na capa: grafite em Lisboa, representando um padre atrás de crianças / Milliped/Wikimedia Commons) No auge da crise desencadeada pelas revelações quanto à amplitude da pedofilia na Igreja Católica, com a divulgação dos relatórios sobre a Pensilvânia e o Chile, Ignace Berten (dominicano, mestre em teologia e figura de relevo internacional – ver perfil no final do texto), publicou uma reflexão que, um ano depois, mantém grande atualidade. O 7MARGENS publica o texto em três capítulos. Neste primeiro, o autor procura elucidar as causas do silêncio sobre aquelas práticas eclesiais criminais.
Apologia do Papa Elétrico
… este texto foi elaborado por três pessoas não-crentes, mas com um sentido e lucidez verdadeiramente surpreendentes e questionadores. Gorka Larrabeiti, Santiago Alba Rico e Carlos Fernández Liria ÊXODO 148 – Maio 2019 – Foto: O Popular O presente “Punto de mira1” neste número de Éxodo pode causar surpresa aos nossos leitores. Antes de tudo, pelo seu título, mas sobretudo pelo seu conteúdo. Difere, sem dúvida, do que normalmente visa oferecer um ‘punto de mira’: apresentar o estado da questão, da temática que se pretende abordar em cada edição. Portanto, requer duas palavras que o “situem” no contexto deste número. À primeira vista, este ‘punto de mira’ parece ser mais um artigo na seção “A fondo”.
Francisco, seis anos depois: que há de bom, de mau e de misericordioso. Artigo de Thomas Reese
Thomas J. Reese – 14/03/20169 – Foto: América Latina en movimiento “Para Francisco, a Igreja não é um clube de campo para os bons e os belos. Pelo contrário, é uma ‘Igreja pobre para os pobres’, um ‘hospital de campanha’ para os feridos. É por isso que ele enfatiza a compaixão e a misericórdia.” O comentário é do jesuíta estadunidense Thomas J. Reese, ex-editor-chefe da revista America, dos jesuítas dos Estados Unidos, de 1998 a 2005, e autor de “O Vaticano por dentro” (Ed. Edusc, 1998), em artigo publicado por Religion News Service, 13-03-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
‘Se eu publicasse as minhas gravações, o vaticano explodia’
Cardeais homossexuais praticantes, padres que pagam para ter sexo com rapazes e até um teólogo que adotou um prostituto e o tratou como a um filho. No Armário do Vaticano (ed. Sextante) descreve de forma perturbadora o que se passa no seio da Igreja e como o Papa está a tentar mudar o sistema. José Cabrita Saraiva – 4 de março 2019 . Foto: No Armário do Vaticano (ed. Sextante) descreve de forma perturbadora o que se passa no seio da Igreja e como o Papa está a tentar mudar o sistema. / Jornal SOL – Sapo Graças à sua rede de contactos na comunidade gay, Frédéric Martel teve acesso à vida íntima de padres, bispos e cardeais no Vaticano. O resultado da sua investigação de quatro anos é um livro explosivo sobre a predominância das tendências homossexuais entre os prelados e a guerra que o combate à hipocrisia promovido pelo Papa Francisco desencadeou na Santa Sé. O autor sabe que vai chocar: “E digo a católicos: ‘Talvez não gostem do meu livro. Talvez não o queiram ler. Talvez achem que eu sou um mentiroso. Mas [se tudo se mantiver como está] nos próximos 50 anos vão continuar a ouvir esta história, todos os anos terão bispos acusados de abusos sexuais. Vai ser muito doloroso para vocês’. A nosso ver, pequenas imperfeições na sua leitura bíblica, não lhe tiram o mérito da grande pesquisa.
As enormes consequências do escândalo dos abusos sexuais. Artigo de Massimo Faggioli
Massimo Faggioli – 26 Fevereiro 2019 Foto: Franco Origlia via Getty Images “No horizonte da crise dos abusos sexuais, podem ser intuídas enormes consequências de longo prazo para o papel e a vida da Igreja: o efeito da cultura da transparência e da responsabilidade sobre a religião organizada; a capacidade da Igreja de gerir a psicologia da indignação desafogada nas mídias sociais; uma epocal renegociação das relações entre Igreja e Estado.” A opinião é do historiador italiano Massimo Faggioli, publicada por L’Huffington Post, 25-02-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Abusos sexuais na Igreja: chegou a hora de fazer as contas com alguns momentos e passagens do pontificado de João Paulo II
Luis Badilla 24/02/2019 – Foto: Outras Palavras Que a tragédia da pedofilia clerical, e especialmente o erro e o horror das políticas de ocultação e acobertamento, tenha a ver com algumas passagens e momentos relevantes do longo pontificado de Karol Wojtyla, é indiscutível. Embora em grande parte ainda seja um assunto tabu, na realidade é outro segredo de polichinelo. Há tempo se fala sobre isso, em diferentes ambientes, dentro e fora da Igreja, dentro e fora da Cúria e no curso do Encontro sobre a proteção dos menores – que recentemente terminou – o “período doPapa Wojtyla” pairava em cada instante, mas sempre como algo “inominado”. O comentário é de Luis Badilla, publicado por Il Sismografo, 23-02-2019. A tradução é de Luisa Rabolini.