SEIS ANOS DEPOIS: DESAFIOS PARA FRANCISCO
Anselmo Borges, 17/03/2019 Foto: Francisco visita famílias de Padres casados, em Roma / CTV José Arregi, diz que: “todo o feminismo é um machismo com saias” “Sim, o problema talvez tenha que ver com saias, mas com as saias do clero com sotaina. Tem muito que ver com o clericalismo que sacraliza e enaltece os clérigos, que exalta a figura desencarnada de Maria Mãe e Virgem para assim humilhar a mulher de carne e osso, que impõe o celibato como estado mais perfeito e sagrado, que ‘sacrifica’ o sexo a troco de poder sagrado e hierárquico, que reprime e por isso exacerba a sexualidade.
Por que a Igreja oficial reluta a discutir a sexualidade e a lei do celibato
Leonardo Boff – 13/03/2019 – Foto: Carta Maior / Daqui: Por que a Igreja romano-católica não abole a lei do celibato? Porque seria contraditório à sua estrutura de base. Ela é, socialmente, (teologicamente demandaria outro tipo de reflexão) uma instituição total, autoritária, patriarcal, machista e fortemente hierarquizada. Uma Igreja que se estrutura ao redor do poder sagrado realiza o que C. G. Jung denunciava: “onde predomina o poder aí não há amor nem ternura”. É o que ocorre com o machismo e a rigidez, não em todos, mas em significativa parte dos padres e bispos que presidem as comunidades cristãs.
Francisco, seis anos depois: que há de bom, de mau e de misericordioso. Artigo de Thomas Reese
Thomas J. Reese – 14/03/20169 – Foto: América Latina en movimiento “Para Francisco, a Igreja não é um clube de campo para os bons e os belos. Pelo contrário, é uma ‘Igreja pobre para os pobres’, um ‘hospital de campanha’ para os feridos. É por isso que ele enfatiza a compaixão e a misericórdia.” O comentário é do jesuíta estadunidense Thomas J. Reese, ex-editor-chefe da revista America, dos jesuítas dos Estados Unidos, de 1998 a 2005, e autor de “O Vaticano por dentro” (Ed. Edusc, 1998), em artigo publicado por Religion News Service, 13-03-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
O Cardeal Stella explica as linhas mestras aplicadas nos casos dos padres de rito latino que têm filhos. O critério a seguir é o bem das crianças
Andrea Tornielli, 27/02/2019. Foto: Card. Beniamino Stella/ Vatican News Tradução: Orlando Almeida O dos “filhos dos padres” é um tema que se manteve por muito tempo tabu, com a consequência de que frequentemente, sobretudo no passado, estas crianças cresciam sem ter um pai conhecido e reconhecido. Trata-se, no entanto, de um problema distinto do que foi enfrentado na semana passada no Vaticano, centrado sobre os abusos cometidos contra menores.
Francisco e a ira de Deus. Artigo de Raniero La Valle
Raniero La Valle – 27 Fevereiro 2019 Foto: Um raio sobre a cúpula de S. Pedro / photos.com.br “É difícil encontrar entre os antecessores de Francisco um papa corajoso como ele. De fato, ele teve a coragem de repensar a fundo a Igreja e de mostrá-la com palavras e gestos simples como uma Igreja possível. E talvez aqui esteja uma chave para entrever um futuro que hoje ainda nos parece tão velado e coberto.” A opinião é de Raniero La Valle, jornalista e ex-senador italiano, em artigo publicado em Chiesa di Tutti, Chiesa dei Poveri, 29-02-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
«O celibato obrigatório não faz sentido», P.e Anselmo Borges em entrevista ao «Público»
Natália Faria – Feb 21/02/2019 – Foto: Adriano Miranda Anselmo Borges, padre e professor de filosofia da Universidade de Coimbra, não espera grandes anúncios do encontro entre o Papa e os presidentes das conferências episcopais do mundo inteiro, mas diz acalentar a esperança de ver os candidatos a padres sujeitos a um escrutínio psicológico e formados fora dos seminários. A ordenação de mulheres e de homens casados e o fim do celibato obrigatório – defende ainda – são imprescindíveis.
O 2018 do Papa, um balanço à luz da “Alegria do Evangelho”
Repassamos o ano de Francisco, com suas alegrias e aflições, olhando para os acontecimentos de 2018 através das lentes da Evangelii Gaudium Sergio Centofanti– 31/12/2018 Este ano, como disse o Papa Francisco em seu recente discurso de felicitações de Natal à Cúria, foi difícil para a Igreja, “investida por tempestades e furacões”. Precisamente por isso, podemos ler melhor o ano de 2018 do Papa, à luz de sua primeira Exortação Apostólica, a Evangelii gaudium, que no mês passado completou 5 anos. De fato – escreve Francisco – “é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta mas firme confiança, mesmo em meio às piores angústias”.
Os líderes dos bispos contra os escândalos: a verdade a partir do vértice
Alberto Melloni Foto: Vatican-News Tradução Tradução: Orlando Almeida, Goiânia – GO A crise que tem atormentado a igreja não é uma crise do clero, mas o resultado do comportamento de bispos primeiro impotentes e depois iludidos, achando que bastaria repetir frases como “tolerância zero” e “vergonha” para curar uma ferida que não se podia remediar concentrando os processos em Roma, mas sim libertando-se do demônio do clericalismo e da heresia de uma “honra” ‘igrejista’, que não existe no cristianismo. O risco de que essa assembleia se concentre em dispositivos legais é grande.
DISCURSO DO PAPA FRANCISCO À CÚRIA ROMANA NA APRESENTAÇÃO DE VOTOS NATALÍCIOS
DISCURSO DO PAPA FRANCISCO À CÚRIA ROMANA NA APRESENTAÇÃO DE VOTOS NATALÍCIOS Sala Clementina Sexta-feira, 21 de dezembro de 2018 «A noite adiantou-se e o dia está próximo. Despojemo-nos, por isso, das obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz» (Rm 13, 12).
“A Igreja não pode continuar a ser machista e misógina”
Entrevista a Anselmo Borges por Vanda Marques, 17/12/2018 Anselmo Borges, padre e professor universitário, faz um balanço da actuação do Papa num ano em que rebentou o escândalo da pedofilia. Frontal e defensor do Papa Francisco, Anselmo Borges defende que a actuação do líder da Igreja Católica tem sido muito positiva, mas ainda é preciso “superar uma Igreja centralizada, vaticanista”. Anselmo Borges refere ainda que é tempo da Igreja Católica dar mais espaço às mulheres e destaca até o facto de o Papa já ter nomeado assessoras para a Cúria.