Despedida de d. Paulo: Punho cerrado na madrugada da Catedral

 Marcelo Godoy, em O Estado de SP 16-12-2016. Alejandro Santander chorava. Uma mulher lhe ofereceu ajuda. Tomou um copo de água e coragem para se levantar do banco e caminhar até a nave central. Postou-se diante do caixão do homem que lhe salvara a vida. Ergueu o punho cerrado e o saudou em silêncio. Somente a ladainha de uns poucos fiéis se ouvia na catedral. “Senhor, tende piedade de nós; Cristo, tende piedade de nós.” Alejandro ajoelhou-se. O punho manteve fechado. E no alto. Tudo o que era devia àquele homem, repetia.

Quando passa a ser aceitável falar em fascismo?

Meu medo é que quando finalmente passar a ser aceitável chamar de fascismo tudo o que se comporta como fascismo, então já será tarde demais. Milly Lacombe – 08/03/2016 “É preciso sangue-frio para criticar abusos de poder contra inimigos, mas é exatamente isso o que nos torna dignos. Se hoje as instituições se vestem de uma suposta legalidade para vomitar poder sobre aqueles de quem não gostamos, e nos levam à euforia, é porque não pensamos que amanhã esse mesmo abuso de poder pode ser usado contra cada um de nós.”

Francisco recorda o jesuíta Espinal, “profeta da liberdade” morto em 1980

O Papa fez uma breve pausa, esta manhã, no local do assassinato, recordando a figura do sacerdote e jornalista e pedindo um minuto de silêncio. Esta manhã, após a cerimônia de boas-vindas na Bolívia, o Papa Francisco fez uma breve pausa no local do assassinato do Padre Luis Espinal Camps, sacerdote jesuíta, jornalista, cineasta, fundador e diretor da revista Católico Aqui. Ativo nas lutas sociais e símbolo da greve de gome de 19 dias, durante o período da ditadura em 1977, Espinal, por três semanas viveu noite e dia ao lado das famílias de mineiros. Foi morto pelos esquadrões da morte no dia 21 de março de 1980.

  A religião como crítica à opressão. A figura messiânica de Óscar A. Romero (1917-1980)

 Enrique Dussel – 26.05.2015   “Houve a necessidade de que um Papa latino-americano reconhecesse que Romero foi um mártir da fé, que se lançou defendendo politicamente seu povo reprimido, para que, agora, possa ser venerado como figura messiânica exemplar. Nem João Paulo II, nem Bento XVI podiam desafiar a oligarquia salvadorenha, latino-americana e norte-americana dando esse passo. Agora é possível, ainda que nunca se saiba por quanto tempo!”, escreve o filósofo Enrique Dussel, em artigo publicado pelo jornal La Jornada, 23-05-2015. A tradução é do Cepat.  

Escolas do MA que homenageavam ditadores têm nomes substituídos

Escolas do MA que homenageavam ditadores têm nomes substituídos (Foto: Lauro Vasconcelos) “O governador Flávio Dino explicou que, a partir da identificação de torturadores pelo Relatório da Comissão Nacional da Verdade, não é razoável que prédios públicos continuem a homenageá-los.”

CNV responsabiliza Estado por crimes cometidos pelo regime militar

Dilma chora ao falar no recebimento dos documentos da CNV – Ela mesma criou a CNV em 2012  Em relatório final, comissão recomenda punir os envolvidos em violações cometidas pelo Estado durante a ditadura e pede que as Forças Armadas reconheçam sua responsabilidade. Documento aponta 377 autores de violações.

Contar sobre a ditadura até que a história crave nos ossos dos mais jovens

 “Lembrar é fundamental para que não deixemos certas coisas acontecerem novamente. Que o Supremo Tribunal Federal reconsidere e afirme que crimes contra a humanidade, como a tortura, não podem ser anistiados, nunca”, escreve Leonardo Sakamoto *, em artigo publicado em seu blog, 01-04-2014.

‘A partir de d. Paulo mudou tudo’, diz Frei Betto sobre apoio da Igreja ao golpe

No primeiro momento, a Igreja Católica e outras organizações religiosas apoiaram o golpe militar de 1964. Alguns religiosos, como o então cardeal de São Paulo d. Agnelo Rossi, chegaram a encobrir torturas e outras atrocidades. Foi só com o passar do tempo, o surgimento de denúncias rotineiras sobre desrespeitos aos direitos humanos e a caracterização cada vez mais clara do regime como uma ditadura, que a Igreja mudou de lado e passou a ser um dos pilares na defesa da democracia. A opinião é do escritor Carlos Alberto Libânio Christo, o Frei Betto, testemunha e personagem desta história.