Da Aletheia à Parresia. Vamos sair da passividade e ousar na perspectiva das práticas de inovação da democracia?
“As manifestações de junho de 2013, na fase de maior maturidade, tinham decretado que esse sistema estava podre e agora está se mostrando isso no plano judiciário”, afirma o cientista político. Foto: http://paginabrazil.com/ Entrevista: Giuseppe Cocco – Patícia Fachin – 06/03/2016 A nova fase da investigação da Operação Lava Jato, batizada como Aletheia, que significa o desvelamento da verdade, “transforma em termos judiciários o que poderia ser uma crítica política, quando Lula embarcava no jatinho da OAS para ir defender a construção de estradas no Território Indígena Parque Nacional Isiboro Secure – Tipnis, na Bolívia”, diz Giuseppe Cocco à IHU On-Line.
O Brasil da Corrupção ainda é o mesmo, infelizmente, mas os brasileiros, hoje, somos outros”
Em quase 100 cidades do Brasil ontem, domingo, 13, os brasileiros saíram às ruas para se manifestarem contra o atual governo, afundado em profundas crises. “Isso é uma resposta categórica da população que está engajada e atenta às decisões políticas do nosso país. O tema é claro, combate à corrupção”, disse à ZENIT Jailton de Almeida, filósofo, professor de ética e um dos líderes do Vem Pra Rua no Brasil.
O sacrifício da democracia no altar do Capital
“O bom para a maioria dos cidadãos ditos ‘de bem’ é ter patrão, polícia e condutores moralizantes. Essa é a urgência e a necessidade de Estado sob quaisquer circunstâncias”, constata o cientista social Edson Passetti. Foto: Mídia Ninja Compreender quais são os dispositivos de exceção que determinam a democracia no capitalismo é fundamental para entendermos as questões de fundo que estão por trás dos discursos que fundamentam a aprovação, no Senado, do Projeto de Lei 101/15, o qual dispõe sobre os crimes de terrorismo. Passados pouco mais de dois anos dos levantes de Junho de 2013, a reforma política ficou somente na promessa, mas a definição de quem são os novos inimigos da nação está para sair do forno político.
Lei de terrorismo, aprovada no Senado, fragiliza protestos no Brasil
Moradores da periferia queimam um ônibus para protestar contra a morte de um jovem nas mãos da polícia. Durante uma manifestação de estudantes contra o fechamento de escolas estaduais, uma estação do metrô é apedrejada. Em passeata pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, um rapaz que vestia camiseta vermelha é agredido com tapas e pontapés. De acordo com uma lei aprovada na noite desta quarta no Senado, todos os exemplos podem ser enquadrados como atos de terrorismo, e aqueles que os praticaram estão sujeitos a penas de 16 a 24 anos.
Crise política: não há disputa. Há uma composição
“Haverá um distanciamento cada vez maior das instituições políticas dos anseios da população com o fechamento do sistema político em si, o que soa trágico”, afirma o pesquisador. Dizer que a Agenda Brasil é uma proposta do Senador Renan Calheiros “não esconde o fato de existir uma aliança cada vez mais forte entre PT e PMDB, com protagonismo deste último em relação ao primeiro”, diz Marcelo Castañeda em entrevista à IHU On-Line.
Os explicadores do Brasil
“Neste momento, no Brasil, os preços aumentam, o consumo diminui, mas será que isso é crise? O fato de alguns deixarem de viajar a Orlando com a família porque o dólar está alto é sinal de crise? É o que se diz na TV. Minha impressão é que os grandes meios de comunicação têm interesse em falar em ‘crise’.” Eduardo Hoornaert
Entidades rechaçam golpismo e cobram de Dilma agenda vencedora em 2014
Em encontro com centenas de representantes de movimentos sociais, Dilma é cobrada por retomada de projeto que defendeu nas eleições e afirma que “nunca mudou de lado”. Movimentos sociais gritaram palavras de ordem como “não vai ter golpe” e alertaram: “É pra nós que você deve governar” . Foto: Roberto Stuckert Filho
Uma nova frente de esquerda, distinta do Podemos e Syriza,pode ser criada no País
“O esgotamento do lulismo está deixando um vácuo no campo da esquerda no país”, afirma o economista. Apesar de o lulismo dar sinais de esgotamento, o modelo neodesenvolvimentista, implantado pelo ex-presidente Lula e seguido pela presidente Dilma em seu primeiro mandato, não deve ser visto como um “fracasso”, pois “proporcionou ganhos reais à maioria dos brasileiros por um período de mais de uma década, mas, hoje, diante da crise econômica mundial e do engessamento político do PT, não tem mais gerado aqueles ganhos”, ressalta Felipe Amin Filomeno na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por e-mail.
Políticas da Multidão: a luta diária por um mundo melhor e uma vida menos ordinária.
“As grandes e mais positivas mudanças são feitas por quem ousa desobedecer. Nosso futuro depende dos desobedientes”, defende o pesquisador. A construção permanente da cidadania é o trabalho silencioso e diário da multidão nas metrópoles. “As políticas da multidão são as lutas pela liberação, são as lutas por direitos. Lutas pelo direito de afirmar suas subjetividades, seja no sentido de lutar pelo direito de ser quem se é, seja no sentido de lutar pelo direito de tornar-se outro ou outra”, argumenta Adriano Pilatti, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.
Brasil precisa de ‘BNDES dos pobres’, diz economista vencedor do Nobel da Paz
Para o economista bengali Muhammad Yunus, ganhador do Prêmio Nobel da Paz o país precisa de um “BNDES para os pobres” para avançar no combate à pobreza. “Se o BNDES quer fazer isso (financiar as grandes empresas), tudo bem. Mas deve haver um BNDES para os pobres – apenas para os pobres. Assim a coisa não se confunde. Se o banco faz um pouquinho aqui, outro pouquinho ali, não funciona. É importante que as políticas e as intenções sejam claras para o financiamento dos mais carentes.”