«Você Questiona o Sínodo da Amazónia? Venha morar aqui durante um ano e veja»

Inês Sanmartin, 24/09/2019 – Foto: da autora À medida que se aproxima o Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazónia, de 6 a 27 de outubro, os críticos perguntam-se em alta-voz porquê se vai realizar o evento, e todos os sinais sugerem que ele poderá ser outro capítulo da batalha em curso entre progressistas encorajados pelo Papa Francisco e conservadores descontentes com ele. A reportagem é de Inés San Martín, publicada por Crux, 23-09-2019. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Demissão do Papa Francisco

Anselmo Borges – 22 Setembro 2019  Foto: O Papa Francisco / YouTube Francisco não exclui a possibilidade de um cisma, mas não tem medo. Ele tem muitos opositores e até inimigos, incluindo cardeais influentes, como G. Müller, R. Burke, W. Brandmüller, R. Sarah, que o acusam de não ser um grande teólogo e de herético. “Existe uma luta política na Igreja entre os que querem a Igreja sonhada pelo Vaticano II e os que a não querem.  Estou convencido de que não se trata só de um ataque contra o Papa.  Francisco está convencido da sua acção desde que foi eleito.  Na realidade, do que se trata é de influenciar a eleição do próximo Papa.”  – diz Arturo Sosa – Superior Geral dos Jesuítas

Bolsonaro cria ‘situação dramática’ ao tentar proteger Flávio, diz ex-procurador da Lava Jato

André Shalders – 03/09/2019 – Direito de imagem: ASCOM MPF PR Image captionCarlos Fernando dos Santos Lima diz que Bolsonaro causou ‘decepção’ ao não apoiar projeto anticrime de Sergio Moro Para Carlos Fernando dos Santos Lima, Jair Bolsonaro (PSL) é hoje uma “fonte de preocupação”. Para ele, atitudes recentes do presidente como mandar o antigo Coaf para o Banco Central e trocar nomes-chave da Receita Federal podem ter sido motivadas pelo desejo de proteger seu filho, o hoje senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

Uma frente ampla é indispensável, quando uma ultradireita destrói o país

Luiz Alberto Gomes de Souza – 03/09/19 –Imagem: Daqui  “No Brasil, creio, a situação é mais grave do que em 1954 com o suicídio de Vargas ou, inclusive, com o golpe militar de 1964″, escreve Luiz Alberto Gomez de Souza, sociólogo, recordando que “um economista conservador, inteligente e insuspeito, Armínio Fraga, acaba de dizer, no Blog de Noblat, que o retrocesso na democracia já ocorreu e o risco é que piore ainda mais”. “Sinto que, de muitos lados, – testemunha o sociólogo – se coagulam, aos poucos, propostas indicando que “um outro mundo é possível”. E caminharíamos para o desenho de “utopias concretas” e de propostas pontuais, unindo o curto prazo com um tempo de ‘longa duração’”.

G7: Macron oferece ajuda para Amazónia, Bolsonaro responde com insultos

  Ricardo Cabral Fernandes – 26 de Agosto de 2019 Foto – O Presidente francês liderou os esforços para o G7 assumir uma posição dura contra Bolsonaro, mas acabou isolado Reuters/PHILIPPE WOJAZER O Presidente brasileiro acusou o seu homólogo francês de tratar o Brasil como se fosse uma “colónia”, depois de este ter anunciado um apoio do G7 ao combate às chamas na Amazónia. Macron respondeu-lhe: “O Brasil merece ter um Presidente à altura do cargo”.

O manifesto do Papa Francisco para salvar a Amazônia da destruição

O papa está um passo à frente na capacidade de ouvir os povos indígenas e os governos poderiam extrair frutos com o método e estilo do sínodo para iniciar políticas conservadoras e promocionais para aquele imenso território de alto risco.   de Carlo Di Cicco –  25/08/2019 –  Foto: Daqui Tradução: Orlando Almeida Somente no Brasil, entre 2003 e 2017, foram 1.119 nativos da Amazônia mortos por defender seus territórios e isso porque questionar o poder de defesa do território e dos direitos humanos “está colocando a vida em risco, abrindo um caminho de cruz e martírio ”. O Papa Francisco foi o primeiro a tentar dar uma resposta cultural orgânica ao clamor das populações indígenas da Amazônia engajadas na luta “contra aqueles que querem destruir a vida” da natureza e não respeitam os direitos humanos “.

Marcha das Mulheres Indígenas divulga documento final: “lutar pelos nossos territórios é lutar pelo nosso direito à vida”

“Seremos sempre guerreiras em defesa da existência de nossos povos e da Mãe Terra”, afirma documento da mobilização Por Assessoria de Comunicação do Cimi – 15/08/2019 Na terça-feira (13), mulheres indígenas ocuparam Brasília em defesa dos seus direitos. Foto: Tiago Miotto/Cimi Outras Fotos: Andressa Zumpano – CPT/MA e Adi Spezia – Cimi ‘ Após cinco dias de debates e manifestações em Brasília, as representantes de mais de 130 povos indígenas que participaram da I Marcha das Mulheres Indígenas divulgam o documento final da mobilização. “Somos totalmente contrárias às narrativas, aos propósitos, e aos atos do atual governo, que vem deixando explícita sua intenção de extermínio dos povos indígenas, visando à invasão e exploração genocida dos nossos territórios pelo capital”, afirmam no documento.

Hostilidade contra cultos de origem africana está a crescer no Brasil

Hugo Silva | 11 Jul 19 | Foto: Ossain, Orixa das folhas, sacerdote de candomblé na Bahia (Brasil). Foto © Toluaye/Wikimedia Commons Os casos registados de ataques a cultos afro-brasileiros têm vindo a aumentar consideravelmente nos últimos anos no Brasil. Os cultos umbanda e candomblé são as principais comunidades vítimas destes actos de intolerância. Se as denúncias de intolerância religiosa terão descido em 2018 – após um grande aumento entre 2011 (onze casos) e 2016 (759) –, segundo estatísticas do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos divulgados pela edição brasileira do El País e pelo jornal O Globo, os relatos de discriminação contra religiões de matriz africana aumentaram de menos de 100 para mais de 200 em 2018 (com números contabilizados só até Novembro).

Amazônia: no centro do mundo e na periferia do Brasil

Jamil Chade – 29/07/2019 – Foto: envolverde.cartacapital.com.br Janeiro de 2019. O Governo de Jair Bolsonaro acabava de começar e, numa sala fechada de um hotel de luxo de Davos, o chanceler Ernesto Araújo explicava a interlocutores que o Brasil precisava dar uma resposta aos ataques que o país sofria por conta do desmatamento. A estratégia diante da pressão internacional não era a de incrementar os controles na floresta. Mas sim mostrar a competitividade do modelo agrícola brasileiro. A reportagem é de Jamil Chade, publicada por El País, 28-07-2019.