Brasil: Bolsonaro tenta reescrever a História da Ditadura Militar

   Jorge Almeida Fernandes – 30 de Março de 2019, Foto – Getty Images   O Presidente brasileiro quer transformar o golpe na “revolução democrática de 1964”. A comemoração de amanhã será minimalista, a pedido dos próprios militares. Sentencia um colunista: “Reescrever a história é um item previsível no manual dos candidatos a autocratas”. Faz lembrar Orwell.

Bolsonaro, 1964 e o negacionismo como política

Entendendo Bolsonaro* Igor Tadeu Camilo Rocha – 28/03/23019 Foto: Bolsonaro passa em revista as tropas / Marcos Corrêa/PR Na semana que marca os 55 anos do golpe de 31 de março de 1964, que deu início ao mais recente período ditatorial da história republicana do Brasil, tendo chegado ao fim em 1985, o presidente Jair Bolsonaro determinou que se fizessem as “comemorações devidas” à data. Com a iminência da solenidade, a ser realizada nesta sexta-feira (29), o assunto foi pauta de entrevista concedida pelo presidente ao jornalista José Luiz Datena, da TV Bandeirantes, na última quinta-feira (27). Perguntado a respeito,Bolsonaro negou que tenha havido ditadura no período.

MP critica Bolsonaro por incentivar celebração do golpe: “enorme gravidade”

Alex Tajra – Do UOL, em São Paulo – 26/03/2019 Foto: Jair Bolsonaro no Túmulo do Soldado Desconhecido, monumento dedicado aos soldados norte-americanos que perderam suas vidas sem terem seus restos mortais identificados. Imagem: REUTERS Na nota, o MPF classifica o golpe de 1964 – que submergiu o país em uma ditadura civil-militar que perdurou por 21 anos – como um “rompimento violento e antidemocrático da ordem constitucional”, sem qualquer possibilidade de revisionismo histórico.

‘Governo virou República da caserna’, diz líder do DEM na Câmara

Vera Rosa – Brasília 04/03/2019 Foto: Elmar Nascimento, líder do DEM na CâmaraImagem / Reprodução O protagonismo dos militares no governo de Jair Bolsonaro está incomodando potenciais aliados. Para o líder do DEM na Câmara, deputado Elmar Nascimento (BA), o presidente precisa melhorar muito sua relação com o Congresso, se não quiser ter problemas em votações consideradas prioritárias, como a reforma da Previdência. “O governo saiu da política de sindicato e passou para a república da caserna”, afirmou o deputado, em uma referência ao número de militares no primeiro, segundo e terceiro escalões da máquina federal, em contraposição à quantidade de sindicalistas nas gestões petistas. Além de comandar a bancada do DEM, Elmar é líder do “blocão”, grupo que reúne 301 dos 513 deputados e ajudou a reconduzir Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara. Na avaliação do deputado, Bolsonaro precisa chamar a classe política para ser “sócia” de seu projeto. Nesta entrevista, ele negou, porém, que isso signifique um toma lá, dá cá.

Militarização atinge 2º e 3º escalões do governo Bolsonaro

Após a indicação para o comando de oito ministérios, presidente expande presença de integrantes das Forças Armadas; já são pelo menos 103 em diversos postos   Tânia Monteiro, Adriana Ferraz, Carla Bridi, Matheus Lara e Tulio Kruse, – 03/03/2019 Foto: Bolsonaro na solenidade de Passagem de Comando do Exército / Marcos Corrêa/PR O governo de Jair Bolsonaro vai ampliar a militarização na máquina pública federal, com a entrega para a Marinha de postos de comando nas superintendências de portos, no Ibama e no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio). Após a nomeação para ministérios importantes, os militares agora são chamados a ocupar também cargos no segundo e terceiro escalões. Veja aqui o mapa completo de onde estão os militares no governo. Bolsonaro na solenidade de Passagem de Comando do Exército (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Deus acima de (quase) todos

Carlos Rittl – 19 Fevereiro 2019 Foto: Imagem de satélite do desmatamento no norte da Terra Indígena Parakanã, no Pará -/ El Pais Brasil “As Forças Armadas conhecem o valor estratégico da Amazônia. Deveriam unir-se ao papa e a toda a sociedade na busca de soluções para seu desenvolvimento sustentável em vez de ressuscitar antigas paranoias”, escreve Carlos Rittl, ambientalista e integrante do comitê de coordenação do Observatório do Clima, em artigo publicado por El País, 15-02-2019.

Governo de coturnos. O Exército na política nacional.

Entrevista especial com Eduardo Raposo   Por: João Vitor Santos | Edição: Ricardo Machado | 15 Fevereiro 2019 Foto: Desfile Militar em Brasília | Victor Soares – Agência Brasil A participação das Forças Armadas no governo nacional não é de hoje. Do Império Ultramarino Português à atual vice-presidência da república, da proclamação da república, aos governos desenvolvimentistas de Vargas e Dilma Rousseff, os militares sempre tiveram um papel estratégico, seja pela atuação prática (como braço armado dos regimes autoritários ou na garantia de execução de projetos como a construção de Belo Monte e a “neutralização” dos protestos contrários à Copa do Mundo e Olimpíadas), seja pela inspiração política (desenvolvimentismos, milagre econômico, abertura ao capital internacional).

Desenvoltura de vice Mourão desperta a ira de evangélicos

Líderes de igrejas e parlamentares querem que Bolsonaro desautorize o vice no episódio da transferência da embaixada do Brasil em Israel Pedro Venceslau e Valmar Hupsel – 10 fev 2019 Foto: Vice presidente Hamilton Mourão Adriano Machado / Reuters O discurso independente e a desenvoltura do vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) desgastaram a relação do Palácio do Planalto com o setor evangélico, considerado fundamental na eleição do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Nos últimos dias, líderes de igrejas que durante a campanha apoiaram explicitamente o candidato do PSL e representantes do segmento no Congresso expuseram a insatisfação com o vice, principalmente após ele se manifestar contra a transferência da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém.