“Como interpretação pragmática do socialismo, a mensagem social-democrata conserva sua atualidade”. Entrevista com Francesco Boldizzoni

“Nem o liberalismo econômico, nem o liberalismo político, juntos ou em separado, podem dar solução aos problemas do século XXI. Mais uma vez, chegou o momento de levarmos a sério Marx”.    Pablo Marín – 28 Outubro 2020 – Foto: DAQUI Falecido em 2012, o último livro que o historiador britânico Eric Hobsbawm publicou em vida (Como mudar o mundo, 2011) foi um conjunto de textos previamente publicados e cujo parágrafo final invocava um velho mestre: “Nem o liberalismo econômico, nem o liberalismo político, juntos ou em separado, podem dar solução aos problemas do século XXI. Mais uma vez, chegou o momento de levarmos a sério Marx”.

“Deus não é de direita”, diz monge beneditino

“Há uma polaridade muito grande entre uma visão de espiritualidade como a que eu tenho — engajada, social, política — e outra, que diz que mudando o coração, muda o mundo. Respondo que isso não muda a estrutura. Não é só cada um ter a boa vontade de fazer sua partezinha, é algo mais.”   Rodrigo Ratier 26/10/2020 – Foto: O monge beneditino Marcelo Barros Imagem: Divulgação –  26/10/2020 Para o monge beneditino Marcelo Barros, 75, o “algo mais” envolve participar ativamente dos rumos políticos do país — no caso dele, com posições fortes, dissonantes no conjunto da Igreja. Ordenado padre por Dom Helder Câmara em 1969, Barros foi seu secretário durante quase uma década. Por 14 anos, assessorou a Comissão Pastoral da Terra (CPT), braço da CNBB para o meio rural. Especialista em Bíblia e autor de mais de 30 livros, é atualmente um dos nomes fortes da teologia da libertação, corrente que interpreta o evangelho como um chamado à superação de injustiças econômicas, políticas e sociais — o que na visão dos críticos seria uma forma de “marxismo cristianizado”. Em sua “espiritualidade ecumênica”, frequenta terreiros de candomblé e, para escândalo dos católicos tradicionalistas, foi o único representante da Igreja no desfile da Mangueira, que homenageou Jesus no carnaval de 2020. “Em algumas dioceses eu não posso pisar. Seminário de formação de padres, nenhum”.

Milícias do Rio mantêm parceria com polícia, facções e igrejas pentecostais, aponta estudo

Fábio Grellet – 26 Outubro 2020 – Foto: Daqui  Formada por pesquisadores de sete universidades do Estado, Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência, Segurança Pública e Direitos Humanos afirma que milícias agora tentam se infiltrar em prefeituras e Câmaras de vereadores. – A reportagem é de Fábio Grellet, publicada por O Estado de S. Paulo, 26-10-2020.

No consistório de novembro, o Papa vai nomear 13 cardeais próximos da sua sensibilidade pastoral

Mas não seria melhor uma Igreja católica sem cardeais? Não são eles os criadores das grandes crises na Cúria Romana? O que trazem de bom para a Igreja esses “pavões” vestidos de púrpura, com aspiração a príncipes? Onde se fala de cardeais, no Novo Testamento?    Francesco Antonio Grana – 25 de outubro de 2020 – Foto: Consistório de 2019 / Daqui Na lista, lida como é tradição pelo Pontífice ao final do Ângelus, há nove cardeais eleitores num possível conclave, ou seja com menos de oitenta anos, dos quais um padre, e quatro que não poderão votar no futuro bispo de Roma, dos quais dois padres.

“A pandemia é a maior ameaça para a democracia na América Latina, desde os anos 1980”. Entrevista com Steven Levitsky

Hugo Alconada Mon – 24 Outubro 2020 – Foto:DAQUI “Façamos a entrevista em espanhol”, convida Steven Levitsky. Casado com uma peruana e fã declarado do Lanús – lembro-me do ano em que viveu na Argentina, enquanto estudava o peronismo in situ -, o cientista político estadunidense traça um horizonte duro para as democracias na América Latina, mas também nos Estados Unidos, onde a solução para seus males talvez seja seguir os passos do peronismo dos anos 1980.

FRATELLI TUTTI. 3 – Uma política sã

  Anselmo Borges – 24 de Outubro de 2020 – Ilustração: Victor Higgs “Mas poderá o mundo funcionar sem política?” “…não é possível “encontrar um caminho eficaz para a fraternidade universal e a paz social sem uma boa política”, e uma política transnacional, verdadeiramente global, para defesa do bem comum, salvaguarda da paz, preservação da natureza. Aliás, “hoje nenhum Estado nacional isolado é capaz de garantir o bem comum da própria população.”

A era das revoltas quando ‘o capitalismo triunfa sobre os destroços das utopias’

Nos últimos anos têm havido fortes revoltas em vários países latino-americanos. Contra políticas liberais que beneficiam poucos ricos e o mercado e inviabilizam a vida do Povo Luciano Canfora, 23/10/20 –  Foto: Revolta na Bolívia  em 2019 /  Peoples dispatch Em seu novo livro, a filósofa italiana Donatella Di Cesare vê nos protestos atuais um “laboratório de resgate”. O problema de fundo é como deixar para trás a condição atual em que “o capitalismo triunfa sobre os destroços das utopias”. Segundo a filósofa, “a revolta “convida a um outro modo de habitar o tempo” e, por isso, é “laboratório de resgate, tempo de libertação”. O comentário é de Luciano Canfora, classicista e historiador italiano, professor da Universidade de Bari. O artigo foi publicado em Corriere della Sera, 23-10-2020. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Vaticano e China: relações diplomáticas são o limite, liberdade religiosa tem de ser alargada

7M/Crux/AsiaNews/UCANews | 23 Out 20 O Papa Francisco, no Vaticano, junto de um grupo de católicos chineses com a bandeira da República Popular: aproximação lenta e apertada, entre críticas. Foto: Direitos reservados. China e Vaticano anunciaram a renovação, por mais dois anos, do acordo provisório assinado em Setembro de 2018. O cardeal secretário de Estado diz estar consciente de que o documento não pretendia resolver todos os problemas. Agora, há que trabalhar não só pela unidade dos católicos chineses, mas também pela sua liberdade, dizem observadores. E, já agora, das restantes minorias religiosas.