FIDELIDADE, OBEDIÊNCIA E LIBERDADE DE PENSAR.
Caro irmão no sacerdócio, Padre Beto:
Nós, o Movimento das Famílias dos Padres Casados – MFPC, dirigimo-nos ao senhor, em primeiro lugar, para mostrar nossa solidariedade neste momento em que foi atingido na essência do ser humano: o direito de pensar e expressar-se livremente.Lamentamos, em seguida, profundamente que, na nossa Igreja, a porta do acesso ao diálogo se apresenta cada vez mais estreita, enquanto o diálogo é exatamente uma daquelas portas largas, abrindo o caminho que leva ao Reino, conforme mostra Jesus no diálogo com a mulher samaritana (cf. João 4). Lamentamos o fato que, por parte da hierarquia eclesiástica, a arma usada é a do Direito Canônico, ou seja, as leis, feitas por homens, são colocadas, novamente, acima da mensagem libertadora e dos preceitos e das atitudes do Evangelho.
O nosso profeta, Dom Helder Camara, dizia: “Se discordas de mim, tu me enriqueces.”. Que bela lição que, caso fosse aplicada, faria todos nós respirarmos profundamente a nossa liberdade de opinião e opção de vida, comunicando-nos como irmãos e irmãs uns com os outros.
Colocamo-nos ao seu dispor e estamos unidos em oração e ação.
Respostas de 9
A igreja não não é fechada ao diálogo e também não se baseia em leis feitas por homens, “1°Cor, 6,10 10. Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.” A palavra de Deus é clara, atual e eficaz. Quando um homem, em particular, procura falar com um irmão sobre o seu pecado e este se recusa a ouvir, ele deve levar uma ou duas testemunhas para abordá-lo novamente. Se ainda não quiser escutar, deve ser levado diante de toda a igreja. O objetivo é “ganhá-lo” (Mateus 18:15). Se ele se recusa a escutar a igreja, ele está andando desordenadamente (pensando num estilo de vida e não num fato isolado) e foi encorajado repetidas vezes para mudar o seu procedimento. Os cristãos devem afastar-se dele e não manter seu contato social com ele (2 Tessalonicenses 3:6,14). Ele ainda é bem-vindo como irmão na assembléia (“adverti-o como irmão” – 2 Tessalonicenses 3:15), mas não nos eventos sociais, nem mesmo nas refeições (1 Coríntios 5:11). Essa recusa de “ficar na companhia” dele é descrita como entregá-lo “a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor [Jesus]” (1 Coríntios 5:5) e tem por objetivo envergonhar a pessoa (2 Tessalonicenses 3:14). O resultado desejado é salvar o espírito (1 Coríntios 5:5), mas, de qualquer forma, a igreja está limpa, purificada do mal (chamado “fermento” devido a sua capacidade de se espalhar rapidamente – 1 Coríntios 5:6). isto não consiste em um pensamento retrogrado e ou antiquado, mas em comunhão, há muitos padres que por má formação ou problemas, não se preparam bem para tal ministério, então aconselho que antes de tomar uma decisão como esta, é melhor pensar bem!
A excomunhão é o auge da falta de amor ao próximo.Quem já leu o evangelho com os olhos do amor e não da “possessão do outro” compreende que o amor é mais forte do que todas as coisas, ele é entre outras coisas “caridade”. Excomunhão é medieval e uma total ausência de caridade. Força pe Beto, estamos contigo.
Cari colleghi EX.,
in parte sono d’accordo con il collega Pe Beto, perchè anche a me è costato tanto lasciare il Sacerdozio quando mi trovavo a svolgere il mio ministero sacerdotale in RIO BRANCO- acre- nel lontano 1965/68 e questo solo per il celibato, legge imposta dall’uomo e non da Dio. Ma d’altra parte dissento dal Pe Beto in quanto non possiamo piegare le leggi della Chiesa a favore dei nostri desideri o capricci, visto che tali leggi le abbiamo accettate liberamente, da adulti, anche se imposte da una educazione sbagliata, ma anch’essa figlia del suo tempo.
Um forte abraço para todos os Colegas e mil votos para o Pe Beto.
Orlando da Cesèna – Italia.
PE. BETO E A IGREJA CATÓLICA: QUEM EXCOMUNGOU QUEM???
Os últimos dias têm sido dolorosos tanto para a Igreja quanto para os Cristãos que nela vivem a sua fé. De um lado uma Instituição milenar, hierárquica, instituída pelo Espírito Santo e, sob a sua assistência, rumos definidos por decisões de homens-sacerdotes; Do outro lado, um jovem homem-sacerdote, pertencente àquele clero até os últimos instantes que antecederam a tão proclamada pelos meios de comunicação: “EX-COMMUNIO”. Um padre das fileiras da Diocese de Bauru: inteligente, conhecedor da fé e da moral.
QUEM TEM RAZÃO: O PADRE OU A IGREJA?
“AMBOS” E “NENHUM” TEM RAZÃO!!!!!!!!!!
AMBOS TÊM RAZÃO – porque estão defendendo o que representam. O BISPO , representante da Igreja, está certo ao chamar o padre para a “ortodoxia”. Foi isso que ele prometeu no dia da sua ordenação e é isso que deve proclamar no púlpito; o PADRE está certo ao não aceitar uma moral retrógrada e fincada mais na aparência do que propriamente na vivência de uma Igreja que precisa ser fiel à Tradição, mas não pode esquecer dos seus filhos que precisam ser acolhidos como filhos e não como inimigos do Evangelho.
NENHUM TEM RAZÃO – quando tentam ser donos da situação e pautam a verdade a partir das suas opiniões, nem sempre evangélicas.
A Igreja, por mais fiel que seja à Tradição, não pode sair distribuindo EXCOMUNHÕES. O padre estudou Direito Canônico e sabe que ao defender as suas próprias ideias, o que devia fazer era pedir o afastamento. E assim o fez. Ao fazer isso, automaticamente está fora da comunhão enquanto ministro ordenado, mas não enquanto Cristão. O fato de se publicar uma “EXCOMUNHÃO LATAE SENTENTIAE” em relação ao padre é, no mínimo, falta de Caridade.
O padre, por sua vez, bem sabe que o púlpito é o lugar do pensamento da Igreja. Mesmo que não concorde, o púlpito continua a ser o pensamento da Igreja. Há o espaço para a Construção pessoal do pensamento? Há. O espaço para isso é a cátedra universitária, a sociedade. Tem que ver se é possível fazê-lo ao mesmo tempo esses dois ministérios: livre-pensador e sacerdote. Isso quase sempre é incompatível. Na Igreja, o saber-individual precisa estar atrelado ao saber dogmático. É fato. A Igreja é assim. Ela é hierárquica e não adianta querer que ela seja democrática, pois ao ser democrática ela perderia algo fundamental que mantém os burocratas da fé: O PODER AUTORITÁRIO EM NOME DA AUTORIDADE ESPIRITUAL. Esta é a Instituição-Igreja. Não a confundamos com a IGREJA fundamentalmente inspirada no Espírito Santo, que está presente na Instituição, mas não que é representada pela totalidade de suas atitudes.
De todas essas questões quem titubeia é FÉ. A fé é muito mais do que a lei. É dever da Igreja exigir que os seus pastores defendam a ortodoxia. Mas não é feitio da Igreja assitida pelo Espírito Santo excluir ou demonizar aqueles que pensam diferente.
Ao pe. Beto, a certeza de que fez o melhor: afastou-se para ser verdadeiro no que pensa.
Á Igreja, a certeza de que também fez o melhor: exigir fidelidade ao que fora prometido: defender a ortodoxia e nunca o próprio pensar.
AMBOS pecam quando não se ouvem, mas apenas se agridem com penas de excomunhão.
Pe. Beto Cismático ou herege? Não. apenas um Cristão que quer ver uma Igreja com práticas diferentes. O Pe. Beto não negou a fé, negou os caprichos da Instituição. Uma Instituição que excomunga quem a ama e quer nela estar transformando-a e acolhe e coloca em baluartes de ouro outros tantos que brigam pelo poder e vivem a incompatibilidade do compromisso e do evangelho.
A Igreja é mestra. É sábia. Mas os homens que nela estão são falhos.
Rezemos para que o Evangelho refaça as amarras e nos faça perceber que apenas pela fraternidade e pela acolhida é que conseguimos viver a verdadeira Tradição da fé.
Será que Jesus, vindo hoje, ele seria Cristão? Qual seria a atitude dele diante do amor de duas pessoas que, mesmo sendo do mesmo sexo, resolvessem se amar? Será que Jesus iria negar os sacramentos a essas pessoas? Será que ele mandaria levantar-se do banco das confissões de nossas igrejas as pessoas recasadas? Será que a comunhão seria negada às pessoas, homossexuais ou não, simplesmente por escolherem viver uma condição existencial?
É justo que a Igreja cumpra o que define. Falta só perguntar se essa justiça não deveria servir para todos.
Jesus…o que faria? Se Jesus criou a Igreja para os perfeitos, perdoe-me, mas a Igreja não serve mais para o mundo. E tenho a sensação de que Jesus, sendo o que é, vindo ao mundo hoje, e fazendo-se Cristão, iria ser EXCOMUNGADO.
Por sorte, a Igreja que a gente acredita é a Igreja de Pentecostes. A Igreja que acolhe a todos, em comunhão. Todo o resto, o que é difícil de saber, não passa de capricho humano de uma burocracia da fé.
Que o Espírito Santo nos assista e nos faça perceber que mais importante que as EXCOMUNHÕES que excluem é o AMOR que inclui.
Deus nos guie.
Prof. Patrocínio Solon Freire.
http://www.patrofreire.blogspot.com
E-mail: patro.freire@yahoo.com.br
O clero, quem comunga ou ex-comunga os membros da igreja, é formado por homens, e portanto: passivel de erro, passivel de mudança. a historia prova isso: Quando Constantino tornou o cristianismo a religiao oficial, houve grande alteracao no teor das escrituras, muitos trechos foram retirados. muitas passagens modificadas, tudo isso, sob a anuencia do clero. Depois, as divergencias que dividiram a igreja do ocidente (roma) e oriente (constantinopla). Recentemente a igreja reviu sua posição sobre galileu (tipo “mea culpa”). também o fará em relação a darwin, mais cedo ou mais tarde. Lutero e Calvino provocaram a maior “virada de opiniao” do clero. Francisco e Agostinho também. O clero muda sim de opiniao, sempre mudou. O que nao muda é a sede de poder, a liturgia de maquiavel, que tão bem é pratica pela igreja: a 1a tarefa de quem está no poder, é se manter no poder. Onde existe ser humano é assim. Na Igreja nao seria diferente. Isso explica o massacre de indigenas, em nome da evangelização, por catolicos e protestantes (no fundo uma “muleta”, para roubar e escravizar, em nome da “Coroa”). A excomunhão de Beto, o “cala-se” de Boff, aliada a “mandamentos” como o celibato, o impedimento do exercicio sacerdotal pelas mulheres, e muitas outras “atitudes”, traduzem, no fundo, essa sede de poder. Nada de dogmático, nada do que esteja contido no evangelho, nada. Só a fraqueza humana, de quem tem o feitiche do poder, aquele que Jesus tanto condenava nos fariseus (a lei pela lei, não para o amor). Só quero ver como essa gente encara o Pai, no dia do Juizo. Desses, amigos, ninguém escapa
Segunda Leitura (Gl 1,1-2.6-10)
Início da Carta de São Paulo aos Gálatas:
1Eu, Paulo, apóstolo – não por iniciativa humana, nem por intermédio de nenhum homem, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai que o ressuscitou dos mortos – 2e todos os irmãos que estão comigo, às Igreja da Galácia.
6Admiro-me de terdes abandonado tão depressa aquele que vos chamou, na graça de Cristo, e de terdes passado para um outro evangelho. 7Não que haja outro evangelho, mas algumas pessoas vos estão perturbando e querendo mudar o evangelho de Cristo.
8Pois bem, mesmo que nós ou um anjo vindo do céu vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos pregamos, seja excomungado.
9Como já dissemos e agora repito: Se alguém vos pregar um evangelho diferente daquele que recebestes, seja excomungado.
10Será que estou buscando a aprovação dos homens ou a aprovação de Deus? Ou estou procurando agradar aos homens? Se eu ainda estivesse preocupado em agradar aos homens, não seria servo de Cristo.
Meu comentário é curto e grosso: e a pedofilia? Não vai aos Tribunais Eclesiásticos? Seria menos grave? Parabéns Padre Beto pela coragem, pela bravura. Seu exemplo deve ser seguido!!!
Faço minhas as palavras do Francisco (ou seja, de São Paulo). E peço a Deus para que sua igreja (incluindo nós leigos) busque a Sua verdade, não a verdade que cada um quer para si, fazendo-se Deus. Respeito e acolhida são coisas completamente diferentes de apologia. Alguns comentários que estou vendo aqui certamente não provêm de católicos, ou provêm de pessoas que acham que são católicos mas brevemente deixarão de sê-lo, pois nunca tiveram a coragem de procurar nas fontes certas as respostas para todos os seus questionamentos sobre os ensinamentos e atitudes da igreja.
Faço minhas as palavras do Francisco (ou seja, de São Paulo). E peço a Deus para que sua igreja (incluindo nós leigos e padres casados) busque a Sua verdade, não a verdade que cada um quer para si, fazendo-se Deus. Respeito e acolhida são coisas completamente diferentes de apologia. Alguns comentários que estou vendo aqui certamente não provêm de católicos, ou provêm de pessoas que acham que são católicos mas brevemente deixarão de sê-lo, pois nunca tiveram a coragem de procurar nas fontes certas as respostas para todos os seus questionamentos sobre os ensinamentos e atitudes da igreja.