
Juán Arías – 21 Setembro 2018
Eis o artigo.
Há momentos na história dos povos, como hoje no Brasil, onde os cristãos não podem ser omitir quando os direitos fundamentais das pessoas, como suas liberdades e defesa dos mais fracos, estão em perigo.
No Brasil,
- 166 milhões de pessoas, cerca de 86% da população, declaram-se cristãs.
- Nessa parcela, 64,6% são católicas e o restante, evangélicas.
- Para ambos os grupos, sua constituição religiosa são os textos da Bíblia, do Antigo e do Novo Testamento.
- Ambas os grupos cristãos têm como lema a paz e a fraternidade, bem como a defesa dos mais humildes e esquecidos pelo poder.
As igrejas evangélicas pregam, como vi escrito até em um caminhão, que “Cristo está voltando”. Pergunto-me, no entanto,
- se os evangélicos e católicos não seriam pegos de surpresa
- se, de fato, o inocente e pacífico Jesus de Nazaré,
- crucificado por defender os perseguidos e desprezados pelo poder,
- aparecesse nos dias de hoje entre eles.
Estaria Jesus, nestas eleições,
- a favor de um candidato que prega a violência como panaceia para todos os males,
- que zomba das minorias ameaçadas pela intransigência,
- que ensina crianças a usar as mãos inocentes para imitar um revólver
- e que, vítima de um ataque injusto, como são todos os atos de violência,
- continua, de seu leito no hospital, fazendo gestos como se estivesse disparando uma arma?
Se Cristo voltasse, ficaria, certamente, surpreso com a notícia publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, de que
- a Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil
- decidiu apoiar a candidatura do capitão reformado Jair Bolsonaro,
- sob o pretexto de frear uma possível vitória da esquerda.

Os evangélicos, como todos os cidadãos, têm o direito de preferir um candidato de esquerda ou de direita.
- Eles são, no entanto, seguidores do profeta que morreu por defender todas as minorias perseguidas em seu tempo
- e que se recusou a ser defendido por seus discípulos com a espada.
- Não poderia, por isso, abençoar aqueles que não só pregam a violência e até mesmo o extermínio dos inimigos, mas também fazem alarde sobre isso.
E,
- se pode nos surpreender o fato de que as igrejas evangélicas declarem, por meio de seus pastores, seu apoio ao candidato que fez das armas seu estandarte sagrado,
- também surpreende que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lave as mãos e não tenha a coragem de assumir uma posição clara sob a desculpa de que a Igreja “não se pronuncia sobre candidatos”.
O cardeal Sérgio da Rocha, que agora preside a CNBB, em uma cerimônia em Brasília no último dia 14,
- havia defendido que os católicos não devem apoiar candidatos “que promovam a violência”,
- referindo-se a Bolsonaro.
Em seguida, os bispos
- divulgaram um comunicado para esclarecer que o cardeal havia dado sua opinião pessoal,
- e que a CNBB “não se pronuncia sobre candidatos“.
Os bispos, mais uma vez, lavaram as mãos, um gesto que traz tristes lembranças, quando Pôncio Pilatos, antes de condenar Jesus à morte, também lavou as mãos.
A Igreja Católica, que carrega nas costas dois mil séculos de história,
- já pagou caro no passado por ter feito uso da violência
- contra os hereges,
- nas fogueiras da Inquisição
- e nas guerras religiosas.
Ainda surpreende aquele ambíguo lavar de mãos do papa Pio XII diante de Hitler e do Holocausto. E pagou caro por seus pecados
- de traição à sua doutrina de paz e de defesa das liberdades,
- assim como seu apoio às piores ditaduras.
Uma coisa é que, como princípio, as igrejas cristãs proclamem sua independência em assuntos transitórios da política, e outra que,
- quando a política se torna um perigo nacional,
- se permitam lavar as mãos
- ou ficar do lado dos opressores dos fracos
- e daqueles que desejam fazer da violência o centro de gravidade de um país.
Para isso, não existe perdão.
No cristianismo, a neutralidade quando a vida e os direitos das pessoas estão em jogo é um pecado. A Bíblia é clara. No livro do Apocalipse (3:15-16), aqueles que preferem covardemente lavar as mãos são repreendidos: “Assim, porque és morno, e nem és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”.
O Deus cristão exige a coragem de saber se posicionar contra os violentos, no pelotão dos indefesos condenados ao esquecimento e principal alvo da violência.
Juan Arías
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Respostas de 2
Bem já dizia o meu falecido pai (um operário de fábrica) que a Igreja institucional sempre está ao lado dos poderosos. Está cada vez mais claro: uma coisa é pertencer a uma igreja (católica ou evangélica, tanto faz) outra coisa é ser cristão. O segundo é bem mais difícil.
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