Agregando ou Repelindo?

Queridos irmãos no diaconato, entre o período de 1974 e 2004 a população latino – americana cresceu quase 80%, enquanto que o número de sacerdotes cresceu apenas 44,1% e as religiosas somente 8%, conforme o “Annuarium Statisticum Ecclesiae”.
Isto nos mostra que é cada vez maior a responsabilidade dos nossos sacerdotes com um número também cada vez maior de fiéis.
As causas de termos tão poucas vocações sacerdotais, não é a questão aqui. Por outro lado, cresce no Brasil todo e na América Latina, o número de ordenados no grau terceiro do sacramento da ordem o diácono permanente (vide CND), homens casados a serviço da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Apesar de todo empenho de nosso Papa Bento XVI com suas exortações e aconselhamentos para os nossos sacerdotes neste ano sacerdotal, apesar de tantos e tantos ministros de Deus também (Pe. José Maria Ribeiro no Celebrando a Vida), para que nossos sacerdotes se tornem ministros dedicados, sendo bons pastores de almas e definidos pelo Vaticano II com “cooperadores da ordem episcopal”, os presbíteros igualmente são chamados a um relacionamento de proximidade com seus irmãos do clero e com os cristãos leigos e leigas.
Mas apesar de tudo isso que nos é apresentado até aqui pelo Papa e por alguns ministros de Deus, (Pe. José Maria Ribeiro) fazendo alusão ao ano sacerdotal, parece que não está fazendo o efeito desejado em alguns dos nossos irmãos no grau segundo do sacramento da ordem.
Mais uma vez, o “poder da ordem” do segundo grau do sacramento, perece subir a cabeça de alguns. Achando que pode mandar e desmandar, humilhar e excluir, outra vez um irmão no grau terceiro do sacramento da ordem, foi humilhado por quem “detém” o “poder clerical”.
Ocorreu que, humildemente desta vez, o irmãos do terceiro grau da ordem, foi quem de forma inteligente e honrada, mostrando superioridade de sabedoria e discernimento, quem pediu para sair, deixando assim suas funções na paróquia em que servia e na região episcopal que pertencia como coordenador da pastoral catequética. Mas um homem de Deus que se perde dentro das comunidades e em uma região episcopal tão necessitada da palavra.
É lamentável o exercício da “autoridade” evangélica que leva a exclusão do corpo místico de Cristo e do corpo clerical. Somos tão poucos, é escasso o acompanhamento que damos aos fiéis leigos em suas tarefas e o que é mais agravante, no acompanhamento nos fins de semana por ocasião do domingo “dia do Senhor”.
Mas continuamos dispersando ao invés de agregarmos. Continuamos dividindo ao invés de somarmos. Está nos faltando viver um espírito missionário mais forte, com emoção pelas coisas do Reino de Deus, espírito missionário capaz de unir todos os membros do clero ao redor de uma única causa, a causa de Jesus Cristo e o Reino do Pai.
Quantos irmãos nossos por estas comunidades a fora, estão morrendo sem assistência da Igreja na qual foram batizadas por falta de presença da mesma nestes lugares. Mas, continuamos dispersando, ao invés de agregarmos. O Documento de Aparecida nos diz no número 2.2 letra “f”: “numerosas pessoas perderam o sentido transcendental de suas vidas e abandonaram as práticas religiosas… um significativo número de católicos estão abandonando a Igreja para entrar em outros grupos religiosos”.
Será que não é hora de nos questionarmos? De fazermos toda uma autocrítica de nós mesmos para buscarmos a solução ou pelo menos amenizar esta situação? Não é hora de nos perguntarmos: ‘até onde vai a minha culpa, a minha participação para que tantos irmãos estejam se afastando da igreja na qual foram batizadas?’
Segue o Documento de Aparecida, agora na letra “h”: “alguns católicos se têm afastado do evangelho…, nos tem faltado valentia, persistência e docilidade à graça de prosseguir, fiel à Igreja…”.
Mas, como seguir fiel a Igreja da qual foram batizados se: não são bem acolhidos, não recebem a devida atenção, não encontram carinho por parte daqueles que deveriam estar à frente do rebanho?
Vêem assim a incerteza do caminho ao qual estão seguindo. “Como vamos saber o caminho?” (Jô.14,5). Como vão caminhar sem um pastor capaz de estar à frente das ovelhas a guiá-las?
Somente Jesus com sua infinita misericórdia é capaz de nos mostrar o caminho: “Eu sou o caminho a verdade e a vida” (Jô.14,6).
O grande apóstolo Paulo nos diz que é necessário cuidar bem de quem cuida da comunidade.
(1 Tes. 5,12-13) “Nós vos rogamos, irmãos, que tenhais consideração por aqueles que se afadigam no meio de vós e velam por vós, no Senhor. Tende para com eles, amor especial, por causa do seu trabalho. Vivei em paz uns com os outros”.
O apóstolo deixa bem claro nas entre linhas que é necessário ter respeito por quem serve por quem entrega a sua vida pela causa do Reino de Deus. R E S P E I T O.
Sabemos o quanto este nosso irmão se gastou, se entregou, se dedicou e se dedica ao serviço do Reino de Deus.
O que posso lhe dizer é que, tenha fé, força, esperança e coragem. O grande Leonardo da Vincci disse: “A sabedoria da vida não está em fazer aquilo que se gosta, mas, em gostar daquilo que se faz”.
Você não somente gosta, mas, ama aquilo que faz, ama o seu ministério diaconal, enquanto outros estão fazendo de qualquer jeito, ou melhor, fazendo por fazer.
Meu irmão é hora de passar uma borracha e apagar os sonhos passados. É hora de reiniciar outras linhas. Não tenha medo. Chore a dor do sofrimento, faz bem, mas reinicie. Dê a você mesmo novos sonhos, novas buscas. Não desista jamais, você é importantíssimo para Deus e para a acolhida do seu Reino entre nós.
Seja feliz e entrega-te nas mãos do Senhor.

(Salmo 54 (53) ). “Me salva, o Deus, por teu nome, pelo teu poder faze-me justiça!
Ouve, ó Deus, minhas preces, dá ouvido às palavras de minha boca!
Os soberbos se levantaram contra mim e os violentos perseguem a minha vida;
Eles não põem Deus à sua frente.
Deus, porém é meu socorro, o Senhor é quem sustenta a minha vida.
Eu te ofereci um sacrifício espontâneo, e agradecerei o teu nome, porque ele é bom,
porque das angústias todas me livrastes e meus olhos contemplaram meus inimigos”.

Bênçãos diaconais a todos os meus irmãos do clero.

Diácono Luiz Gonzaga (Arquidiocese de Belém/PA- Brasil – Amazônia)
diaconoluizgonzaga@gmail.com

Uma resposta

  1. Pois aqui em SC aconteceu fato semelhante. Anos atrás um diácono foi suspenso de suas atividades ministeriais sem motivo justo, pelo pároco. então ele foi trabalhar em outra paróquia, cujo pároco conhecia muito bem a idoneidade do diácono. Muitos paroquianos se escandalizaram com essa atitude anti-cristã e injusta do pároco prepotente.

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