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O lado obscuro do chocolate: a destruição das florestas da África

  • 20/09/2017
  • 20:58
Resultado de imagem para O lado obscuro do chocolate: a destruição das florestas da África

Giacomo Talignani – 18 Setembro 2017

Foto:  sott.net/image

 Quando degustamos a nossa barra de chocolate, milhares de hectares de florestas africanas já desapareceram, matando animais e ecossistemas inteiros. Árvores pertencentes a parques nacionais e zonas que deviam ser protegidas tornaram-se vítimas do desmatamento, para deixar espaço para a indústria do cacau.

A reportagem é de Giacomo Talignani, publicada no jornal La Repubblica, 14-09-2017. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

A denúncia, múltipla, que aponta o dedo para a cumplicidade do governo da Costa do Marfim e para a desatenção das principais empresas produtoras de cacau internacionais, vem de um detalhado relatório da organização não governamental Mighty Earth(disponível aqui, em inglês).

Para a ONG, 80% das florestas da Costa do Marfim, principal exportadora de grãos de cacau, já que é de lá que chega 40% do chocolate mundial, desapareceram nos últimos 50 anos.

Não só: o chocolate que chega às nossas mesas é muitas vezes “ilegal”, pois uma parte dos grãos provêm de áreas que deviam ser protegidas, mas, graças a um sistema de corrupção e favoritismo, é misturado aos envios legais de grãos.

No relatório, são citadas dezenas de empresas, incluindo

  • Mars,
  • Nestlé,
  • Lindt,
  • Olam,
  • Cargill,
  • Barry Callebaut
  • ou a italiana Ferrero,

que, como especificou o jornal The Guardian, publicação que divulgou os dados em primeira mão, não negam o problema, explicando que

  • têm consciência do fato
  • e se dizem empenhadas em fazer de tudo para pôr fim ao desmatamento das reservas.

Florestas que, antigamente, eram exuberantes em todo o tipo de árvores e biodiversidade, como as de

  • Goin Debé,
  • Scio,
  • Haut-Sassandra,
  • Tai,
  • os parques de Mont Peko e Marahoué,

hoje estão pouco a pouco desaparecendo e são queimadas para deixar espaço para os grãos: assim,

  • morrem dezenas de animais,
  • os chimpanzés são forçados a viver em pequenos pedaços de terra,
  • ou os elefantes diminuem drasticamente.

 

Foto: sott.net/image

“As autoridades da Costa do Marfim às vezes são cúmplices ou ineficazes”, declarou a ONG. Rick Scobey, presidente da World Cocoa Foundation, não negou o fato, dizendo que “esse é um problema conhecido há anos. No início do ano, 35 empresas do setor decidiram unir as suas forças para lançar uma nova parceria com o governo marfinense e acabar com o desflorestamento em Gana e na Costa do Marfim”.

Enquanto isso, nos últimos meses, o preço do cacau no mercado caiu 30%, e o preço mínimo garantido aos produtores passou de 1.100 para 700 francos da Costa do Marfim (1,17 dólares), embora a demanda de chocolate permaneça em alta.

Na cadeia de produção, os comerciantes de cacau que vendem às grandes marcas se voltam cada vez mais a cultivadores ilegais, que cultivam as plantas em áreas protegidas, as mesmas onde a floresta tropical reduziu-se de 80% desde 1960 até hoje.

O produto ilegal, assim, é misturado durante o processo de fornecimento com os grãos de cacau lícitos, tornando difícil a rastreabilidade.

Com isso, porém, lembra o relatório, a Costa do Marfim (mas também Gana) está perdendo as suas florestas a uma taxa muito rápida:

  • hoje, menos de 4% do país estão cobertos por florestas tropicais,
  • enquanto, antigamente, o número chegava a pelo menos 25%.

Para a Mighty Earth, se não se puser fim a tudo isso até 2030, não restarão mais vestígios das florestas.

Foto: atlantablackstar.com

Dentro dos parques, os cultivadores ilegais, apesar das palavras e do empenho de executivos e empresas, continuam queimando árvores para favorecer o crescimento das plantas de cacau, já que elas precisam de muito sol para crescer. O governo diz que quer combater essa prática e se envolver na conservação dos parques, mas, de acordo com a ONG e publicações internacionais que monitoram o problema, concretamente, ele não faz muito.

Ao longo dos anos,

  • alguns ativistas e associações que se aproximaram da cadeia de produção do cacau na África Ocidental foram ameaçados ou afastados,
  • e, em 2004, o jornalista Guy-André Kieffer, que estava trabalhando em uma reportagem sobre chocolate e corrupção, desapareceu, provavelmente morto.

Nesse contexto, no qual, aliás, muitos dos trabalhadores das plantações não têm sequer o dinheiro para comprar uma barra de chocolate, uma data muito esperada pelas ONGs é o mês de novembro: lá, na cúpula do clima de Bonn, o assunto deve estar na pauta. No início do ano, o príncipe Charles convocou diretores delegados e dirigentes de 34 empresas do setor justamente para exortá-los a agir contra o desmatamento: então, a promessa foi a de um plano concreto a ser proposto durante o encontro na Alemanha.

A esperança, usando os termos de chocolate, é que, desta vez, realmente prevaleça

  • a doce linha do compromisso,
  • e não a amarga da indiferença.

 

Giacomo Talignani

 

Giacomo Talignani

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/571752-o-lado-obscuro-do-chocolate-a-destruicao-das-florestas-da-africa

 

 

 

Leia mais:

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